sexta-feira, 24 de junho de 2011

O argumento da insuficiência

Esta manhã, na rádio, a propósito da eleição de Assunção Esteves para presidir à AR e da dúvida suscitada sobre como chamar-lhe, se “Presidente”, se “Presidenta”, um linguista esclarecia que chamar-lhe “Presidenta” seria o mesmo que chamar “Presidento” a Cavaco Silva. Muito honestamente, confesso que jamais me ocorreria chamar-lhe tal coisa. Acho pouco.

6 comentários:

CAL disse...

Brasil. Aqui, tem sentido, temos um governo bi-presidencialista, único no Mundo, uma "presidenta" e um "presidente". A presidenta executa o anunciado em público pelo camarada, ex-presidente em exercício, Lula.

Daniel Santos disse...

embora seja aceite "presidenta", em português de Portugal deverá ser Presidente.

Adília disse...

Isso do português de portugal parece mais um maneirismo, o português de portugal como qualquer outra lingua evolui e tem de exprimir a realidade. Durante séculos só houve presidentes (homens) hoje se há mulheres a ocupar esse cargo, faz todo o sentido usar o presidenta até para dar lhes dar a merecida visibilidade.
Os linguistas, se os deixassem - mas o povo não deixa -, mantinham a «pureza» da lingua como se esta fosse uma prima dona.

Cal disse...

Concordo. Fica assim:
Presidente/Presidenta
Governante/Governanta
Dilma Roussef é Governanta do Brasil, o Presidente é o ex.

adilia disse...

O exemplo acima apresentado, malgrado a intenção malévola, é muito curioso. Quando se tratou de distinguir um trabalho de prestígio exercido por homens de outro, de estatuto bem inferior, desempenhado por mulheres, ninguém se lembrou de avocar os linguistas à causa e ‘governanta’ entrou sem bulício nos tratos da língua. Hoje que se procura realçar que um trabalho de prestigio é exercido por mulheres, cai o carmo e a trindade, pois ‘presidente’ não é palavra declinável.
Sabem que mais, começa a faltar-me a pachorra para aturar certos maduros, pelo que me fico por aqui, quem quiser entender que entenda, quem não quiser … bem, o que se há-de fazer?

Filipe Tourais disse...

Gabo-lhe a imaginação, Adília. Nunca pensei que um post destes fosse desaguar na falta de pachorra que tenho para feminismos histéricos. O post nada tinha que ver com a nova Presidente da AR, pela qual tenho alguma admiração.