domingo, 26 de junho de 2011

A frugalidade do interior como virtude, versão Sócrates

A concretizar-se, será uma razia idêntica à que ocorreu no fim dos anos 80, quando os Governos de Cavaco Silva encerraram 800 quilómetros de linhas de caminho-de-ferro, sobretudo no Alentejo e em Trás-os-Montes. O Governo de José Sócrates propôs à troika o encerramento de 794 quilómetros de vias-férreas, também com particular incidência no Norte e no Alentejo, mas desta vez incluindo algumas linhas do litoral, como a própria Linha do Oeste, que seria encerrada entre Louriçal e Torres Vedras (127 quilómetros). O documento que serviu de base à proposta foi feito pelo anterior Governo à revelia da Refer e deixa a rede ferroviária circunscrita basicamente ao eixo Braga-Faro, Beira Alta e Beira Baixa. As restantes linhas seriam amputadas ou desapareceriam. Se este plano fosse aplicado, capitais de distrito como Beja, que tem aeroporto, e Leiria ficariam sem comboios. Temos, portanto, o socratismo como prolongamento do cavaquismo. São as Auto-estradas, a dependência do petróleo e as obras faraónicas como o TGV que dão dinheiro fácil a ganhar às clientelas e não as políticas com vista à diminuição das assimetrias regionais ou a um desenvolvimento económico energética e ecologicamente mais sustentado. Os erros repetem-se. Os votos também.

2 comentários:

Gi disse...

O desgoverno do Sr. Sousa, além da porcaria que fez, deixou muita porcaria prometida para outros fazerem.

Filipe Tourais disse...

Sim, Gi, e os que o seguiram comprometeram-se a continuar a fazer porcaria. ASsinaram um memorando pejadinho delas.