quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dúvida

Leio para aí que o grande erro do PS foi ter-se afastado tanto da esquerda que deixou de distinguir-se do PSD. E leio também que o grande erro do Bloco foi não se ter aproximado desse PS. Ter-se negado a formar uma grande aliança com essa esquerda que decreta despedimentos tendencialmente gratuitos e tem alergia à ideia de pôr quem nunca pagou a pagar a crise que cavou. A ideia há-de ser fazer com que o bloco se confunda com quem se confunde com o PSD. E ganhar com isso. Há quem não tenha aprendido nada com a experiência Alegre ou estarão só a disfarçar que foi uma aposta que teve custos demasiado elevados?

5 comentários:

Hugo Fonseca disse...

Na minha humilde opiniao, o Bloco e o unico partido dos 5 representados que nao tem (ou nao mostra) qualquer ambicao de querer ser parte de uma solucao.

Comparavel ao PCP, mas o PCP tem um apoio de base massivo que o Bloco nao tem, e acredito que mais depressa um PCP se coligaria com um PS (de outra lideranca) do que o Bloco.

Ha por essa europa fora diversos partidos cujo unico objectivo e defender algumas mudancas na sociedade, normalmente tem uma vida mais ou menos curta.

O Bloco tinha algumas bandeiras, o casamento gay (ja passou), a despenalizacao do aborto (ja passou), o levantamento do sigilo bancario (e um conceito pouco populista e mais tecnico, nao e facil de "vender" seja por que partido for), e mais alguns temas.

Pelas votacoes que o Bloco atingiu no seu maximo, e um voto jovem e urbano, de jovens que primeiro querem reclamar e depois querem ver um futuro para si.

O Bloco, no meu entender, perdeu uma boa parte desse eleitorado que nao ve qualquer vontade de compromisso, nao ve no Bloco o futuro para si.

Compreendo que para um partido com uma base ideologica tao vincada nao seja facil adaptar-se, continua na versao My way or the highway, mas deveria valer a pena pensar se gastando tanto dinheiro na campanha como o CDS nao se consegue melhor.

Tirando o PCP que tem um tipo de campanha diferente e uma base de aopi diferente de qualquer outro partido, as campanhas sao marketing, sao imagem e isso vende como quem vende qualquer outra marca. O dinheiro que o Bloco gastou deviar ter dado para muito mais, se nao deu deve-se mais ao produto nao ter saida, do que a culpa de factores externos.

Hugo Fonseca disse...

Na minha humilde opiniao, o Bloco e o unico partido dos 5 representados que nao tem (ou nao mostra) qualquer ambicao de querer ser parte de uma solucao.

Comparavel ao PCP, mas o PCP tem um apoio de base massivo que o Bloco nao tem, e acredito que mais depressa um PCP se coligaria com um PS (de outra lideranca) do que o Bloco.

Ha por essa europa fora diversos partidos cujo unico objectivo e defender algumas mudancas na sociedade, normalmente tem uma vida mais ou menos curta.

O Bloco tinha algumas bandeiras, o casamento gay (ja passou), a despenalizacao do aborto (ja passou), o levantamento do sigilo bancario (e um conceito pouco populista e mais tecnico, nao e facil de "vender" seja por que partido for), e mais alguns temas.

Pelas votacoes que o Bloco atingiu no seu maximo, e um voto jovem e urbano, de jovens que primeiro querem reclamar e depois querem ver um futuro para si.

O Bloco, no meu entender, perdeu uma boa parte desse eleitorado que nao ve qualquer vontade de compromisso, nao ve no Bloco o futuro para si.

Compreendo que para um partido com uma base ideologica tao vincada nao seja facil adaptar-se, continua na versao My way or the highway, mas deveria valer a pena pensar se gastando tanto dinheiro na campanha como o CDS nao se consegue melhor.

Tirando o PCP que tem um tipo de campanha diferente e uma base de aopi diferente de qualquer outro partido, as campanhas sao marketing, sao imagem e isso vende como quem vende qualquer outra marca. O dinheiro que o Bloco gastou deviar ter dado para muito mais, se nao deu deve-se mais ao produto nao ter saida, do que a culpa de factores externos.

Filipe Tourais disse...

O Bloco tem na sua agenda a auditoria à dívida, não passou, a reestruturação da dívida, está agora a aparecer como inevitável, a tributação das grandes fortunas, continua por fazer, a tributação das transacções com paraísos fiscais, idem, a taxação das mais-valias urbanisticas da nossa corrupção, vai ter que acontecer para o bem de todos, uma destribuição mais justa do rendimento, de forma a que o consumo possa catapultar a economia, outro que não está fora de tempo. E há mais. Já sei, vai-me dizer que são utopias. E são. Mas deixarão rapidamente de o ser, assim haja votos e as pessoas o queiram.

Hugo Fonseca disse...

Caro Filipe,

Nao sao utopias, sao propostas, umas com que concordo outras nem por isso mas nao deixam de ser validas e certamente deveriam ter mais apoio.

Mas ha que fazer compromissos para poder obter algumas vitorias. O que sinto e que o bloco nao ve como hipotese o fazer compromissos.

Tenho de acreditar que por principio todos os partidos querem o melhor para a sociedade, cada um da sua forma, mas todos na sua base o querem.

Certamente que os pontos que refere irao acontecer, mais tarde ou mais cedo, contudo poderao vir a acontecer sem o Bloco e isso so acontecera se nao houver abertura para ser parte da solucao.

Filipe Tourais disse...

O principal compromisso tem que ser com o eleitor. Essa tem sido a regra número um do Bloco. Depois, há as alianças possíveis e estas não podem comprometer a primeira. Temos, então, uma aliança impossível com o PS e uma aliança possível com o PCP. É A primeira é impossível dada a orientação da sua prática dos últimos tempos: despedimentos tendencialmente gratuitos, negociatas, privatizações de serviços públicos e sua cedência a grupos rentistas comprometeria a regra do compromisso com os eleitores. Depois, temos a outra, que, pelos vistos, não faltará muito para se concretizar mas que, ainda assim, implica a aceitação também da outra parte. Ora aqui tem os compromissos possíveis. Como vê, não há muito espaço de manobra.