sábado, 7 de maio de 2011

Sobre a fábrica de consensos



O linguista norte-americano Noam Chomsky sintetizou numa lista as "10 estratégias de manipulação" através dos média. Não me recordo se já o fiz anteriormente, mas faz todo o sentido republicá-la aqui. Ela aí segue. A depuração tornou obsoleto o lápis azul. A tradução é em português do Brasil.


1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO


O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais" (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas').


2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES


Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.


3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO


Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.


4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO


Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.


5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.


6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO


Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores.


8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE


Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...


9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE


Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM


No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Fonte: Saindo da Matrix

5 comentários:

Anónimo disse...

Já conhecia.
É sempre bom, porém, relembrar tais questões cada vez e sempre mais actuais.
Infelizmente muito pouco ou nada podemos fazer. Mas por muito pouco que seja, alguma coisa há que fazer.
Sentir revolta é uma delas.
Votar bem nas próximas eleições - ou seja fora do chamado arco do poder - é outra.
Impedir ao maximo o assalto que nos vão fazer é outra coisa.

fernanda disse...

"criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos." e
"Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços."
Estes dois pontos aplicam-se que nem uma luva ao que atualmente se passa em Portugal. Pena é que os politicos mais à esquerda não aproveitem as escassas oportunidades que os media lhes dão para salientarem esta realidade e em vez disso deixam-se encurralar pela estratégia que deviam denunciar.

Ana Paula Fitas disse...

Caro Filipe.
Fiz link.
Obrigado.
Um abraço.

Anónimo disse...

De facto, pena é que a esquerda( a tal que na boca dos comilões deste país, e são muitos)é radical - pudera gostavam de tratar-lhe da saúde, democraticamente, claro), mais concretamente, O PCP e BE não concorram em coligação ás eleições.
Haverá algum motivo assim tão transcendente e substancial que impossibilite tal união/coligação eleitoral.?
Não me parece mas se calhar não estou a ver a pelicula toda.
Assim e se não houver quaisquer obstáculos substanciais a uma tal coligação eleitoral ( e era a mais vantajosa dado o n/sistema eleitoral)então porque é que não se faz uma.?
A esquerda por acaso tem medo de fazer coligações entre si e de assumir que pretende governar.?

Lídia Craveiro disse...

Publiquei esta lista há uns tempos no meu blog. Nunca é demais alertar e esclarecer para a forma como se consegue manipular a opinião publica e adormecer um país inteiro. Muito oportuno.