sábado, 14 de maio de 2011

O moralismo à solta


Prudente sobre a polémica da redução da taxa social única e do IVA, que já se demonstraram tão demolidoras no campo das intenções de voto, Paulo Portas quer aumentar as penas por crimes de fraude fiscal. Nada como a moralidade do CDS para pôr Portugal no bom caminho. E o bom caminho, naturalmente, não passa nem pelo fundo do mar mais submarino, nem pelo meio de um casino e muito menos por matas de sobreiros. Pelo CDS, pela lei e, sobretudo, pelo eleitorado do partido, todas elas pertencem a paisagens muito bem protegidas. Na Alemanha credora, o caso dos submarinos está a ser julgado nos Tribunais. No Portugal devodor, o moralismo anda por aí à solta, a fazer campanha pela angariação de votos que legitimem mais e melhores negócios.

1 comentário:

Anónimo disse...

Paulo Portas devia agradecer a todos os seus adversários pois possibilitaram-lhe algo inédito desde que deixou o centro de sondagens da Universidade Moderna: que não se queixe das ditas. A esquerda tem estado mais preocupada em disparar sobre o PS e o PSD. Já Sócrates aparece, naturalmente, enquanto o responsável pela crise e P. Coelho como um pasmo. Ambos, porque podem precisar de Portas para formar governo, atacam-se mutuamente e poupam-no, embora razões para o criticar não faltem: os escândalos associados à sua passagem pelo governo, as suas contradições face aos PEC’s e à troika, a manipulação descarada de dados nos debates. Enfim, o ex-ministro da defesa tem sido protegido. Por isso, recentemente dizia que aspirava ser Primeiro-Ministro. Como em todas legislativas, todos os candidatos aspiram, inclusive o dirigente do Partido da Terra. A diferença é que Portas pode afirmá-lo e ninguém se ri, a não ser ele mesmo. E é de prazer.