quarta-feira, 18 de maio de 2011

Passos e a incoerência congénita



Tal como havia sucedido no debate com José Sócrates, esta noite, Francisco Louçã voltou a cilindrar no frente-a-frente com Passos Coelho. Louçã jogou na incoerência do seu oponente. São muitas, pelo que apenas teve que ir esperando pela oportunidade de as expor. Elas foram aparecendo, com naturalidade, como teria que acontecer. Ia falar-se de política.

Pedro Passos Coelho bem tentou afastar o debate para os terrenos da mera aritmética, com frases lapidares como “temos a obrigação de vencer”, e para comparações com o PS que há-de julgar abonatórias para o seu partido. O Coordenador do BE não aproveitou a oportunidade para dizer que ser melhor do que é mau não faz do PSD nem melhor, nem pior. Não se podem ganhar todas. Mas Louçã soube tirá-lo rapidamente dali, bombardeando-o com argumentos e com os números que realmente interessam, os do descalabro provocado pelos PEC aprovados pela aliança PS-PSD.

Foi assim que, paulatinamente, uma a seguir à outra, as incoerências foram aparecendo. Cito de memória, Passos Coelho foi exposto como o candidato a governante mais “responsável” que assinou de cruz um empréstimo de 78 mil milhões sem conhecer a taxa de juro; como a única alternativa a um Governo liderado por José Sócrates que anda com ele de braço dado desde que assumiu a liderança do PSD; como o homem de convicções que há um par de dias dizia que renegociar a dívida é um impossível típico do radicalismo de esquerda e que hoje também já o defende; como o grande homem dos mercados, que quer emagrecer o Estado, que emudece quando o confrontam com a gordura e os negócios escuros dos 35 anos no poder de Alberto João Jardim; como o homem de projectos grandiosos para o país que defende políticas que, porque agravam decisivamente a nossa situação económica, comprometem, nessa mesma medida, a nossa capacidade de pagar o empréstimo que firmou de cruz. Neste último ponto, Passos ainda balbuciou para ali uma conversa de recuperar a credibilidade externa para ganhar poder negocial, mas não soube dizer como, com políticas que acrescentam profundidade ao buraco em que nos encontramos.

Passos Coelho abanou quando Louçã o confrontou com os insultos que dispensou aos alunos do Novas Oportunidades e aos desempregados que quer pôr a trabalhos forçados para terem direito ao subsídio que os próprios pagaram. E ainda houve tempo para o golpe de misericórdia. Louçã relembrou que a política não faz sentido se a sua prioridade das prioridades não for a de servir as pessoas. Passos, aí, acabou.

Gostei particularmente do minuto final de Louçã. 60 segundos muito bem utilizados para resumir o tanto que está em jogo nas próximas eleições e as escolhas alternativas que são colocadas aos eleitores. Espero poder publicá-lo aqui.

2 comentários:

Eduardo Miguel Pereira disse...

Do que vi até ao momento, a esquerda (e aqui leia-se PCP e BE) têm saido com esmagadoras vitórias nos debates com a direita (e aqui leia-se CDS, PSD e PS ... sim PS !)

Apenas PCP e BE têm apresentados ideias concretas, números concretos, sendo evidente que da parte dos 3 partidos da direita, é evidente a capacidade oratória desprovida de conteúdo, o que os torna nuns verdadeiros "palrantes" e não oradores.

Que falta, de facto, para que a mensagem da esquerda passe em definitivo e tenha a expressão devida no voto dos Portugueses ?

JC disse...

Eduardo, nem todos pensam como você, por exemplo esse supra-sumo, da inteligência nacional, comentador de politica, de futebol, de caça, de pesca, de ping-pong etc etc, afirmou na sua homilia dominical, que o candidato do PCP, tinha sido "esmagado" pelo do PSD, significa isto, que não vale a pena fazer uma análise realista destes debates, sobre quem ganha e quem perde, pois a comunicação social, e respectivos comentadores ao serviço do sistema, dão uma ideia completamente diferente da realidade.