terça-feira, 24 de maio de 2011

Passos Coelho e o entusiasmo grego

Parece que, em Portalegre, o PSD já canta vitória. Num almoço-comício, Pedro Passos Coelho usou, por duas vezes, a expressão “quando tomarmos posse”. Quando tomarem posse, se tomarem posse, farão como fizeram na Grécia. “Reformas necessárias” que poupam os grandes interesses económicos e põem a população a pagar o que fazem o favor de lhes poupar: cortes salariais, desmantelamento de serviços públicos, privatizações em massa, terrorismo laboral, diminuição de pensões, etc. Passado um ano, como eles, neste preciso momento, estaremos a repetir o filme todo: dívida aumentada, novo empréstimo, nova crise política e o mistério sobre o que é que correu mal numa aventura que, à partida, todos sabiam que não terminaria bem. Hoje, confirmam-se as previsões mais pessimistas. Estão numa situação incomparavelmente pior a todos os níveis E a lamentarem-se que o tempo não volta para trás.


A Grécia, ainda assim, foi pioneira nos resgates. Os menos esclarecidos poderiam conceder o benefício da dúvida à solução que iria ser adoptada. Mas Portugal, pelo contrário, para além do seu próprio, tem os exemplos grego e irlandês a iluminar o caminho por onde não seguir.


E quem diria que não há por onde enganar-nos. Anda toda a gente muito entretida com o jogo das apostas sobre o vencedor do totobola de 5 de Junho e sobre as possíveis combinações de mesmos que possam nascer nesse dia, quando não é nem um jogo de sorte ou azar, nem a carreira política de algum Sebastião das vitórias a determinação mais importante do dia. A 5 de Junho, escolheremos se queremos um futuro igual a gregos e irlandeses. Depois, também por cá, o tempo não voltará para trás.

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