terça-feira, 31 de maio de 2011

Mérito, produtividade e outras relatividades, a curto e a longo prazo

Pedro Passos Coelho defendeu esta terça-feira que o “factor produtividade” tenha, a prazo, maior peso nos aumentos salariais, incluindo na função pública. Mas deixou por explicar como quer fazer uma avaliação de desempenho aos funcionários públicos. E como medir a produtividade? Também não disse. Mas temos a certeza que nada tem que ver com lucros, senão víamo-lo a propor aumentos salariais na proporção do seu aumento.


A PT, por exemplo, recruta trabalhadores a empresas de trabalho temporário que pagam a 500 euros por cabeça e, em 2010, foi uma das 11 empresas do mundo que maiores dividendos distribuiu por euro em acções. Para Passos Coelho, a produtividade é mesmo assim. O mérito de saber explorar é recompensado de imediato e sem pagar imposto (PS, PSD e CDS assim o quiseram). E apenas a produtividade do trabalho é que se recompensa a prazo, “quando houver condições”. Mas só a prazo.


A prazo, viveremos num mundo feliz e quase sem funcionários públicos, essa praga improdutiva que não gera lucro. A prazo, apenas o mérito será premiado. Como as dívidas astronómicas que Pedro Santana Lopes sempre deixou atrás de si. Esta manhã, receberam o prémio do elogio do grande líder. A prazo, Passos Coelho falará do memorando que assinou para nos pôr a pagar estas e outras santanadas. No Domingo à noite. Até lá, sejamos felizes.

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