terça-feira, 3 de maio de 2011

Justiça na economia #1


Cortes nas pensões, baixa de salários, cortes nas prestações sociais, subida de impostos, despedimentos em massa na Administração Pública, privatização de serviços de saúde e de educação. Não há dia em que não tropecemos numa notícia deste tipo. A estratégia é conhecida: pintar o cenário do negro mais negro para que depois, quando o negro final sair menos negro do que o inicialmente pintado, as reacções sejam de alívio. “A tua mãe morreu”, num primeiro momento, e, num segundo, “afinal não morreu, mas partiu os dois braços e as duas pernas”. Que bom!


Mas será que é mesmo inevitável haver tantos braços e pernas partidas? O estardalhaço mediático a que assistimos todos os dias tem trabalhado arduamente para que se instalasse a ideia da sua “inevitabilidade”. E, como podemos ver pela proposta do vídeo junto, a primeira de vinte que serão apresentadas nos próximos vinte dias, se houver braços, pernas ou qualquer outro osso que venha a ser partido, tal não resultará de nenhuma inevitabilidade e sim de uma escolha política daqueles a quem os portugueses venham a dar esse poder no dia 5 de Junho. Vamos todos ser chamados a escolher uma de duas soluções. Uma que agrava a factura dos que sempre pagaram e outra que tenta aliviá-la pondo a pagar quem nunca pagou. Aqueles a quem os portugueses têm confiado maioritariamente os seus votos preferem retirar o abono de família a mais de 600 mil crianças e limitar as prestações sociais no desemprego a cobrar anualmente 600 milhões de euros a quem, utilizando aquele poder que lhes é dado pelos eleitores, vão permitindo que se mantenham à margem de qualquer crise. Não há inevitabilidade que não se mude com votos. Justiça na economia.

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