quarta-feira, 11 de maio de 2011

Gostei de ler

«Um exemplo do comportamento religioso e dogmático dos "economistas" neoliberais é o que sucedeu Joseph Stiglitz.


Stiglitz, neo-keynesiano, foi membro do conselho económico de Clinton e vice-presidente do Banco Mundial entre 1997 e 2000. Em 2001 recebeu o prémio Nobel da Economia.Como responsável do Banco Mundial, tornou-se num grande crítico do estilo neo-liberal de globalização. Criticou as instituições internacionais por pressionarem o sentido de evolução dos países de Leste e imporem-lhes soluções liberais, e atacou o comportamento do FMI na crise asiática.Recusou a estratégia económica do FMI baseada na estabilidade de preços e na liberalização dos mercados e trocas internacionais. Criticou o efeito desestabilizador, nestas economias fragilizadas, da liberalização dos capitais.


Devido a estas críticas, o Secretário do Tesouro exigiu a sua demissão, e ele acabou por demitir-se em 1999, mantendo um lugar de conselheiro especial.


Em 2000, publicou um feroz ataque ao FMI e à sua alergia à democracia: "Dizem que o FMI não ouve os países em desenvolvimento que devia ajudar. Dizem que o FMI se isola da prestação democrática de contas. Dizem que o FMI propõe remédios que pioram a situação - transformando desacelerações em recessões e recessões em depressões. E terão alguma razão. Eu fui economista-chefe do Banco Mundial de 1996 até Novembro de 1999, durante a mais grave crise do último meio século. Vi como o FMI respondeu, em acordo com o Departamento de Tesouro dos EUA. E fiquei aterrado." O lugar de Stiglitz como conselheiro especial do FMI foi então abolido.


Em 2002, publicou: "O FMI errou em todas as áreas da sua actuação: desenvolvimento, gestão das crises e nos países em transição do comunismo para o capitalismo. Os programas de ajustamento estrutural não criaram crescimento sustentável nem sequer para os países como a Bolívia, que aderiram estritamente às suas regras: em muitos países, a austeridade excessiva limitou o crescimento; um programa económico bem sucedido exige extremos cuidados quanto à ordem em que a reforma ocorre, e erros quanto a essa sequência conduzem a pobreza acrescida."


A partir daí, Stiglitz tem defendido maior intervenção pública nas políticas orçamentais e monetárias expansionistas, regulação do sistema financeiro e promoção e protecção de indústrias nascentes, ao contrário do FMI.Note-se que Stitgliz não virou socialista, continuou um capitalista, mas com consciência.


E faço notar que a rejeição da democracia pelo FMI é típica dos banqueiros e seus agentes: a banca funciona em estilo ditatorial e numa luta selvagem e assassina entre os seus membros, pelo poleiro do momento. O seu comportamento equivale à selvajaria dos piratas, aliada a tretas paternalistas típicas da máfia e outros despotismos iluminados.Não houve debate da opinião de Stiglitz. Houve apenas: "Não gosto. Não quero saber. Eliminem-no, despeçam-no, tirem-mo da frente."


E veja-se o que nos está reservado se não corrermos com o FMI, como já fez a Bolívia.



NOTA: texto adaptado e com observações minhas de Economia(s), Francisco Louçã e José Castro Caldas, pág. 215» - Nuno Miranda

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