quarta-feira, 11 de maio de 2011

Do Portugal fantástico

Há fenómenos absolutamente fantásticos a registar neste período pré-eleitoral. Se, por exemplo, o Bloco de Esquerda inscrevesse no seu programa eleitoral um pacote de relançamento da nossa economia de, vamos supor, 2,15 mil milhões de euros, cairia o Carmo e a Trindade: “demagogos”, “extremistas”, “irresponsáveis” e o diabo a quatro.


Mas tudo muda quando são os ditos “partidos responsáveis”que, sem sequer saberem quanto nos iriam cobrar, assinaram de cruz um acordo, segundo eles, “muito positivo”, com uma trupe de piratas que, soube-se apenas ontem (1), nos vai cobrar uma taxa superior à que cobram à Grécia. Vão pôr-nos a pagar 4,3 mil milhões em juros por ano. O dobro do valor do exemplo que utilizei no início deste texto, mas sem nenhum investimento e com zero de ganhos no que quer que seja.


E o que é que transpira a este respeito do tal arco de responsabilidade? Do PSD, que o PS quer livrar-se de Sócrates, mas precisa de perder as eleições. Grande boca. Do PS, que será um perigo que o PSD vença as eleições e que só o PS garante o Estado social. Outra grande boca. O PS é incomparavelmente melhor do que o PSD e, por sua vez, o PSD é incomparavelmente melhor do que o PS. E assim andamos. São ambos bons. Tão bons que, juntamente com o CDS, puseram-se de acordo em pôr-nos a pagar a falência de um BPN por ano. Investir ma criação de emprego é radicalismo de esquerda. Torrar o mesmo em juros é uma opção responsável.


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(*) Alguém ainda se lembra das tais “negociações” nas quais o Bloco e o PCP se negaram a participar por serem uma encenação onde não se negociava coisa nenhuma? Por que é que a taxa de juro do empréstimo continua uma indeterminação tantos dias depois do anúncio do tal "acordo" "positivo"?

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