segunda-feira, 23 de maio de 2011

O que faz falta é entreter a malta

Não será demasiado difícil entender a razão pela qual o PS e o PSD evitam criticar o programa eleitoral um do outro: ambos, expressa ou secretamente, mais malvadez, menos malvadez, no seu essencial, são cópias do memorando de capitulação que assinaram com a troika conjuntamente com o CDS. Como tal, na falta desse que seria “o” assunto, criam factos políticos. E a comunicação social vai atrás.


O que agendaram para hoje está relacionado com nomeações alegadamente secretas que um ou uma infiltrada do PSD terá descoberto à custa de mil perigos.


Alguém, algures no meio da multidão de jornalistas, poderia bem perguntar: logo os senhores, líderes dos dois partidos campeões da aparelhização da Administração Pública, que há 30 e tal anos a usam como agência de emprego dos servidores dos respectivos? O que é que pretendem? Apenas estardalhaço ou comprometerem-se com o que realmente interessa?


É que não seria nada má ideia que estes senhores aproveitassem a deixa para se comprometerem com medidas concretas no sentido de acabarem com o objecto do fogo cruzado dos discursos alucinados em que se envolveram. Por exemplo, limitar as nomeações políticas ao nível de Director-geral, deixando os níveis inferiores para profissionais de carreira. Já agora, centralizar as admissões na AP, criando uma central de recrutamento onde os candidatos prestem provas longe dos padrinhos e da porta do cavalo que a última “reforma necessária” da Administração Pública escancarou, em nome de um mérito esqusitíssimo e do tal combate aos “poderosos interesses corporativos” que se esqueceu das cúpulas.


Mas não. É pedir demais. tudo isto não interessa nem aos digníssimos candidatos a responsáveis, nem aos putativos jornalistas. Especializaram-se em poeiras e ruídos que turvam a percepção geral. E em vomitar sondagens. O que faz falta é animar a malta. Eles são a garantia do direito a um futuro da agência de empregos rosa-laranja.

3 comentários:

Anónimo disse...

NOVA FORMA DE LAVAGEM CEREBRAL: SONDAGENS DIÁRIAS.
ESTA mais recente sondagem do jorn. Público foi respondida por 451 pessoas. Dessas 451, todos estavam em casa e com telefone fixo. Desses 451, maioria sao do Porto e Lisboa. Ora, 451 de 10 milhoes corresponde a 0,00004235% DA POPULAÇÃO PORTUGUESA. Se contarmos só os eleitores recenseados, talvez teremos 0,00075% dos eleitores. QUE VALIDADE TEM ISTO????????

Anónimo disse...

Eu recordo-me que há cerca de dois anos atrás, na altura das eleições para o parlamento europeu, o FT congratulava-se com as sondagens que davam o BE a crescer nas intenções de voto de dia para dia, o que de facto se traduziu nos resultados eleitorais. Nos dias que correm o BE cai de dia para dia e o FT desvaloriza e ridiculariza as sondagens de cada vez que são publicadas. Quando se pede coerência às forças políticas e aos jornalistas, deve dar-se o exemplo. Não tenho nada pessoal contra o FT, mas parece-me evidente que o clubismo partidário também o impede de ser isento, como os que acusa de o serem(com toda a razão).

Filipe Tourais disse...

Não sei onde está a incoerência. Eu não critico as sondagens. Não se trata disso, como poderá verificar pelos posts anteriores. Critico a frequência com que vão saindo, como se isso fosse o principal que está em jogo e não a discussão das propostas de cada partido. Discutir quem ganha ou quem perde é reduzir tudo a um jogo de futebol com apostas, não resolve problema nenhum ao país. E quanto a ter valorizado sondagens anteriores, e articulando essa realidade com a presente, apesar de apontarem subidas do BE, tal como agora, as sondagens dessa altura, verificou-se depois, pecaram por defeito. Sou contra sondagens que servem como meio de persuasão ou dissuasão, é verdade, e não será incoerência nenhuma pensar assim.