quinta-feira, 7 de abril de 2011

A menos que isto mude


Os banqueiros exigiram-no. José Sócrates cedeu e anunciou a intervenção externa. Passos Coelho deu-lhe total apoio na decisão. E ambos falaram de “ajuda” externa em vez de “intervenção” externa. Medida da responsabilidade do acto, nenhum dos dois roçou sequer ao de leve quanto vai custar a sua “ajuda” ao povo que os mandatou pelo voto para representarem os seus interesses. E quem os elegeu não foram os bancos, nem tão-pouco existe coincidência entre os interesses do sector financeiro e o interesse comum. O que aconteceu ontem foi mais uma traição.

Para a maioria, "intervenção" será bem diferente de "ajuda". Aqui, lê-se sobre o ano de atrocidades que a “ajuda” externa custou aos gregos. E aqui, uma reportagem em áudio fala sobre o mesmo preço.

O passo seguinte será agora tentar vender uma brutalidade mais branda e passar para a opinião pública a mensagem de que o caso português nada terá que ver com o grego. A apresentação do total da factura vão guardá-la para depois do dia em que esperam garantir a tal “estabilidade para o país”. A deles, a dos amigos banqueiros e a de todos aqueles para quem a intervenção se revelará uma verdadeira ajuda. A menos que isto mude. E pode mudar. Tem que mudar. Porque já chega.

(editado)

3 comentários:

Constantino, Guardador de Vacas disse...

Dizer Basta! não basta. Eu digo basta votando, mas eles ganham sempre. Há muita gente a quem não lhes basta.

Filipe Tourais disse...

Até ao dia em que deixe de ser assim, Constantino.

Fernando Vasconcelos disse...

Considero-me um Social Democrata, acredito que o papel do estado é de defender a igualdade de todos. Acredito numa organização da sociedade baseada no modelo capitalista mas também me parece que deveriamos relembrar-nos das palavras de um grande empresário Japonês: as mais valias apenas são legitimas quando representam o beneficio que a empresa representa para a sociedade. Ora há muitas empresas que estão longe de respeitar este principio. A banca e as agências de rating no topo dessa lista. Não sou revolucionário mas é preciso mudar e devolver ao poder politico o controlo sobre o poder económico e não o inverso.