quarta-feira, 20 de abril de 2011

Francisco Louçã, sobre a tal "negociação"

««Alguns dos comentários aqui publicados insistem neste apelo ao Bloco de Esquerda: por favor, vão depressa ter com o FMI e negociar com eles o pacote da intervenção externa. Representem-nos, dizem os mais aterrorizados, sejam amigos uns dos outros.


Venho aqui responder directamente a este apelo: representar quem nos elegeu e quem quer uma alternativa para o país começa por esse elemento mínimo de decência e de respeito pelas pessoas que é não as enganar. Exige a capacidade de alternativas e nunca promover uma fraude sem soluções.


Por isso, escrevo com toda a clareza: os partidos que fingem que estão a “negociar” estão a enganar os portugueses. É uma desonestidade e uma baixeza. E isso é lastimável e condenável, porque substitui a política séria por uma farsa para mesquinhos efeitos eleitorais. No momento mais difícil, esses partidos – o PSD e o CDS – estão a fugir à responsabilidade e a propor uma encenação.


Perguntemos-lhe por isso que “negociação” é esta que anunciam com fanfarra.


Tiveram uma reunião. Vão ter mais alguma? Não.


Sabe-se o que propuseram? Não.


Sabe-se o que o FMI respondeu? Nada, presume-se: tomaram nota e despediram-se educadamente.


Esperam alguma resposta? Não.


Vão fazer novas propostas, procurar entendimentos? Não.


Há então três negociações paralelas em curso, uma de Sócrates, outra de Passos Coelho, outra de Portas? Cada uma dela com resultados, com um contrato final, com um acordo, com conclusões? Não há.


A negociação não existe nem podia existir.


Chamam a isto “sentido de Estado”, falando de si próprios. É simplesmente uma aldrabice. Esqueceram-se todos do mais importante: há eleições e é a democracia que vai decidir: ou aceitar o governo FMI e portanto desistir do país, ou levantar o povo por uma economia em que todos pagam o que devem. É no dia 5 de Junho que se decide, não é nesta operação de chantagem.




E a pergunta essencial é esta: havia alguma coisa para negociar entre cada partido e o FMI com a Comissão Europeia?»



Continuar a ler.

2 comentários:

Fernando Lopes disse...

Filipe,

Esquece-se de um regra básica. "Conhece o teu inimigo". O facto de o BE e o PCP se auto-excluírem é negativo, porque perdem um argumento tão básico como "estivemos lá, fizemo-nos ouvir, manifestamos a nossa oposição às medidas a tomar".
O FMI e os capitalistas não se intimidam com greves gerais da treta.
Insurgentes, agitadores, anarcas violentos? Não temos, ao contrário da bela tradição grega.
O resultado prático é que PCP e BE, nem sequer protestaram, lavando as mãos como Pilatos. E com isso, meu caro não posso concordar.

FL

Filipe Tourais disse...

Não me esqueci. Acho que ninguém desconhece o FMI. Peço-lhe que releia o que escreveu Francisco Louçã: primeiro, é o Governo que negoceia com o FMI; segundo, o BE não ia lá negociar nada; terceiro, o BE não tem a fantochada na sua tradição política, quarto, é ao povo que cabe decidir nas urnas o que quer para si. Junto-lhe uma quinta, esta minha: parece que anda toda a gente muito entretida com a ideia de que, se formos todos muito responsaveizinhos e obedientes,o FMI será mais brando connosco. Ora bolas.