quinta-feira, 14 de abril de 2011

Esta espécie de política

A REFER anuncia que vai despedir 500 trabalhadores em dois anos, mas nada diz sobre a manutenção dos modelos de recrutamento partidário e remuneração e demais mordomias dos seus administradores. Pedro Passos Coelho diz que quer os encargos das parcerias público privadas a contar para o défice, mas nada diz sobre a sua renegociação . O mesmo PPC fala em “défice tarifário” que há que pagar, mas nada diz sobre os preços e crescimento dos lucros do sector da energia, dos mais elevados de todo o mundo. Os juros da dívida pública portuguesa continuam a bater recordes, mas PS e PSD continuam apostados na estratégia comprovadamente fracassada de “acalmar” o Deus dos mercados sacrificando mais ovelhas do rebanho, sem querer falar sequer na renegociação da dívida, fazer o uso devido ao banco público ou dar outra abordagem à integração europeia que não a de pobrezinho agradecido. O mesmo clientelismo, o mesmo rentismo, a mesma subserviência e a mesma austeridade selectiva.


Será para manter os factores que a foram cavando e para prolongar a sucessão de estratégias erradas que precipitaram toda a crise que necessitamos de uma “maioria alargada” capaz de reunir “consensos”? Esta seria a questão que ocuparia um debate político que se quisesse minimamente útil na formulação de escolhas. Na sua vez, servem-nos a disputa da paternidade e da maternidade da crise. O PS diz que o PSD é o pai. O PSD diz que o PS é a mãe. A órfã é que não quer saber da disputa. Cresce a olhos vistos. Que linda que está.


Nota: se achar que o PS é o pai, ligue 67020111. Se achar que o PSD é a mãe, ligue 67020112. Promoção válida apenas no dia 5 de Junho. Concurso restrito a assalariados e reformados que aceitem sacrificar-se para que tudo fique cada vez mais na mesma.

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