domingo, 3 de abril de 2011

A doutrina do choque

Passos Coelho compromete-se a trazer a agenda FMI caso vença as eleições. Sócrates diz que a agenda FMI já estaria cá caso o PSD não tivesse tido a “irresponsabilidade” de rejeitar o seu PEC de última geração. Cavaco diz-lhes para usarem o termo “fundo europeu” em vez de FMI. Nos média, decorre a campanha “o FMI e a UE são nossos amigos”. Ouvem-se apelos “patrióticos” à constituição de um Governo de “salvação nacional” com força suficiente para enfrentar um inimigo que, desta vez, não tem rosto nem é humano, os mercados. A ditadura económica prescinde de ditadores humanos. A opinião pública é condicionada pelo medo.


E digo desta vez porque a História está apenas a repetir-se. Não a da Irlanda, não a da Grécia. A “doutrina do choque” faz milionários à custa da desgraça há muito mais tempo, como poderão ver neste filme, essencial para perceber que o que está a acontecer-nos é apenas mais um pequeno episódio de uma História bastante mais antiga, de um processo de dominação que se foi aperfeiçoando.


Como é dito em certo momento do filme, “se calhar, o mundo em que vives não será exactamente igual àquele em que pensavas viver”. Acrescentaria: “se calhar, os amigos e os inimigos não serão exactamente aqueles que te foram apresentados como tal” e “se calhar os extremistas não são exactamente os mesmos a quem te habituaste a ouvir chamar de radicais”.


Depois de ver o filme, cada um que retire as suas conclusões. Uma coisa é certa: aproxima-se o momento em que a democracia nos oferece a possibilidade de fazer escolhas. Escolhas que as pessoas fazem com base em informações como as do filme ou escolhas baseadas nas inevitabilidades que são debitadas pelas televisões e jornais. O capitalismo selvagem conta com os media que detém ou controla para fazer com que a democracia lhe corra de feição. A democracia conta com todos os cidadãos empenhados em contrariar o capitalismo selvagem que, ao condicionar as escolhas limitando o acesso à informação, está a condicioná-la no seu papel de servir o bem comum e não apenas o enriquecimento de uma elite. Cada um de nós tem essa responsabilidade. A democracia é o que nós somos. A democracia será o que nós formos.



A doutrina do choque”

(duplo click sobre o filme para aumentar)

1 comentário:

Ana Paula Fitas disse...

Caro Filipe,
Faço link.
Obrigado.
Abraço.