sexta-feira, 15 de abril de 2011

Depois do FMI

Veio o FMI, pôs tudo na ordem e foram muito felizes. Esta é uma versão que anda a circular por aí. Para os indecisos e para aqueles que optaram por acreditar que será assim, fica esta: a agência de notação Moody’s baixou hoje em dois níveis a classificação da Irlanda.


Como sabemos, a Irlanda foi intervencionada pelo FMI, que desde logo aumentou brutalmente a dose de austeridade que já era imposta aos irlandeses. Quase de imediato, a actividade económica quebrou e o desemprego disparou. A notícia mostra como nem sequer o festival de especulação dado pelas agências de rating desapareceu de cena. Mesmo depois da entrada do FMI na Irlanda, O ataque dos especuladores continua a gerar uma bola de neve de juros sobre juros que sobem pela pressão destas agências detidas por fundos que beneficiam com a rendibilidade gerada pelas suas participadas.


E a vítima seguinte foi Portugal. Os portugueses preparam-se para passar pelo mesmo que irlandeses e gregos, mas agora com uma agravante adicional: a inflação está a aumentar na zona euro e o BCE dá sinais de querer responder aumentando a sua taxa de juro de referência. Reflexos imediatos: o investimento e o financiamento das empresas vão ficar mais caros e a apreciação do euro, que resultará da opção do BCE, fará com que as exportações fiquem mais caras, logo, menos competitivas. É tudo a ajudar.


Com certeza que ninguém estará à espera que PS ou PSD batam o pé e exijam uma inversão nesta marcha. Farão o que sempre fizeram, curvarem-se diante dos eurocratas e inventarem novos sacrifícios a impor a quem é mais fraco, com umas encenações pelo meio. Subserviência para cima, teatro e insensibilidade despótica para baixo. Isto só pode mudar com o poder em boas mãos. Noutras, limpas.

4 comentários:

Fusível Ativo disse...

Este post volta a bater na pergunta pior que se anda a pôr a toda a gente: Em quem devemos votar nestas eleições?

Filipe Tourais disse...

PSD, PS e CDS apoiam a solução austeridade. Bloco e CDU, embora com diferenças assinaláveis, apoiam uma solução keynesiana, o fim do regime rentista que vigora entre nós e uma reformulação do modelo de integração europeia. É escolher, amigo. Mais do mesmo ou mudança de vida. Também pode optar por votar em branco ou por não votar. Há quem sustente que deixar que os outros reconduzam no poder quen nos afunda é a melhor resposta. A abstenção não tem parado de aumentar desde o 25 de Abril, já deviamos estar numa situação próxima da de um paraíso.

Hugo Fonseca disse...

As solucoes BE e CDU sao irrealizaveis com o apoio externo, teriamos de tomar uma decisao de saida do Euro e desvalorizar a moeda.

Pode ser uma solução, se a Filandia ou Holanda chumbarem o bailout a Portugal sera isso a acontecer na mesma pois sem o apoio externo dentro de umas semanas o Estado deixara de pagar salários e começara a fechar portas a varios servicos.

As hipoteses PS, PSD e CDS sao de facto mais do mesmo, a grande diferenca e uns com os mesmos outros com gente diferente mas as solucoes economicas de fundo nao serao muito diferentes.

Resta saber qual a menos dolorosa, se uma solucao que nos atira 20 anos para tras com base em cortes em todos mas que nos mantem no euro e nas vantagens de ai estar ou outra que nos atira 20 anos para tras e nos tira do euro, que torna incomportavel para a grande maioria dos portugueses a compra de produtos importados e que nos da outra autonomia para a nossa gestao economica (resta saber se isso e bom).

Filipe Tourais disse...

Havia a solução de obter liquidez do BCE através da Caixa Geral de Depósitos, que não serve apenas para prvatizar. Quanto à saída do euro, é um cenário longínquo, mas que há que debater, também. Pois que se ficar no euro implica empobrecer, mais vale não estar. E nesta discussão há um elemento que, como bons pobrezinhos agradecidos, parece esquecido: nem apenas nós perdermos se Portugal sair do euro.

Por último, escolher o melhor entre os piores já todos vimos no que deu. Enriquece-se empobrecendo há quase 40 anos.