quarta-feira, 27 de abril de 2011

Administração científica na Justiça: demagogia para ignorantes

É mais “uma revolução cultural para mudar mentalidades”. O embrulho modernaço é sempre o mesmo, embora a originalidade deixe muito a desejar. E o que vem lá dentro, quase invariavelmente, é asneira da grossa.


O “mais sociedade”, o tal grupo de pensadores do PSD transbordante de ideias novas para Portugal, propõe que o salário dos magistrados seja indexado ao número de processos despachados, com os factores de ponderação grau de complexidade de cada processo e número de recursos que contrariem uma sentença anterior.


Está-se mesmo a ver: contrata-se alguém embuído deste espírito “inovador” para contar os processos despachados por cada magistrado (uma empresa seria o mais indicado, as empresas têm a racionalidade no seu ADN), outra, ou a mesma, para avaliar a complexidade dos processos segundo um critério que até poderia ser o número de páginas (e punha-se alguém a contá-las) e só depois se contariam os recursos com sentença contrária a da instância anterior, 1, 4, 7, 12 anos depois. Simples!


Já agora, para assegurar que o “inovador” não sinta a experiência traumatizante de viajar até à inovação de há 100 anos, haveria que garantir que tal agente de progresso não conheça o trabalho de Taylor, em tudo idêntico à proposta “revolucionadora de mentalidades” da segunda década do século XXI, mas aplicado à indústria de então. Resta-nos apontar o mérito aos autores da proposta de terem ultrapassado o criador: nem Taylor se atreveria a propor a transformação de um sistema de Justiça numa linha de montagem. Se há coisa que não podemos apontar aos ideólogos do coelhismo é falta de arrojo. Produzem demagogia, da pura. E com intenso cheiro a bolor.

1 comentário:

Anónimo disse...

Estes gajos metem mesmo nojo.!
Depois de ter trabalhado desde os 13 anos (embora para efeitos de seg.social só me considerem o trabalho a partir dos 14 anos); depois de ter trabalhado mais de 40 anos(sempre e ininterruptamente a descontar para seg.social - talvez a descontar para as mamãs e vóvós destes fulanos), vêm agora eles, meninos queques, querer dizer-me o que é que é melhor para mim e para o meu país.!!!
Não aceito.!!
É degradante e vergonhoso ver o país a ser objecto duma intervenção estrangeira, qual nova colonização semelhante á inglesa e francesa, e ainda por cima virem estes neo-liberais fascistoides, ainda com os coeiros mal lavados, armados em doutores(alguns deles se calhar de Bolonha), ditar sentenças.
Tenham vergonha ó amostra de gente do compromisso portugal, agora rebatizado de mais sociedade(quando querem e propôem menos sociedade).!
Não aceito que esta gente me dite regras.
Nas eleições logo lhes devemos dar a resposta.