sexta-feira, 8 de abril de 2011

A coligação da Esquerda Grande



Ao que vou lendo, da reunião entre bloquistas e comunistas transpareceram apenas “convergências” e “diálogos” à esquerda. A apresentação de uma lista única às legislativas ficou fora do horizonte. É pena.


Será pacífico que há diferenças grandes entre os dois partidos. Mas há também as reconhecidas convergências. Vivemos tempos dificílimos. Paira no ar uma ameaça que, dependendo do que aconteça na véspera, se abaterá com violência sobre o país, concretizada em tragédia social, no dia imediatamente a seguir às eleições. Impõe-se, como tal, uma resposta firme e responsável ao desafio, que valorize o que une e dê tréguas ao que separa. Uma resposta que passa por não deixar que se perca um único voto no caminho até ao entendimento pós-eleitoral com que os dois partidos se acenam mutuamente.


E não me refiro apenas aos que sempre se perdem na repartição dos restos eleitorais em cada círculo. Apontava também, e sobretudo, para os votos que desaparecem naqueles terrenos onde a esperança esmorece, para aquele abstencionismo apenas reversível quando a crença de que um futuro melhor é possível se instala no terreno e o sonho impulsiona dinâmicas de vitória. A vitória da esquerda grande sobre os sonhos roubados. Da União da esquerda grande. Até o nome me agrada. Entendam-se os homens grandes.


(editado)


1 comentário:

Anónimo disse...

Ainda é tempo para os dois partidos deixarem de olhar cada um para o seu umbigo e oferecerem aos eleitores de esquerda uma alternativa, que só pode passar por uma coligação eleitoral. Caso contrário, serão culpados pelas dezenas ou centenas de milhar de eleitores (especialmente jovens) que, descrentes, se irão abster. Além de que, dado o sistema eleitoral em vigor, mesmo que não tivessem mais votos do que a soma dos dois (o que não creio), iriam eleger bastantes mais deputados do que em 2009, retirados ao PS salazarento de Sócrates ou ao PSD e CDS. Não conseguem ver isto?