quinta-feira, 31 de março de 2011

Licenciado por convicção

Devo referir que sempre estive convencido que o meu percurso académico com 8 anos de frequência universitária e elevado número de cadeiras concluídas, em mais do que um plano de estudos curriculares, correspondesse a um curso superior à luz das equivalências automáticas do Processo de Bolonha. Solicitei, por isso, hoje ao ISEG a devida avaliação curricular”.


Como sempre pensou que era licenciado, Marcos Baptista, o agora ex-administrador da empresa pública CTT sentiu-se na necessidade de confirmar as suas mais vincadas convicções. Tudo bem que haja pessoas que possam sentir-se licenciadas desde sempre. E até é bom. Licenciar-se ao Domingo é ideia que jamais passaria pela cabeça de alguém que se sinta licenciado desde os 2 ou 3 anos de idade. Mas que alguém assim consiga convencer quem tem poder para nomeá-lo de que detém habilitações que apenas sente que detém, passar uns anos valentes a ganhar uma fortuna a ocupar um cargo para o qual não tem qualificações, descobrir, pelos jornais, que afinal não é licenciado, demitir-se por motivos pessoais que nada têm que ver com a descoberta, não ter que repor o que ganhou, não ter um processo crime pela fraude que o possibilitou e que o padrinho que o nomeou também saia ileso da história… é fenómeno que só acontece em países onde uma repetição infindável de histórias rocambolescas como esta não tem qualquer reflexo nos resultados eleitorais dos partidos que, por excesso de responsabilidade e sentido de Estado, até são chamados partidos do "arco governativo".


Actualização: O administrador dos CTT Marcos Batista “não é licenciado, faltando várias cadeiras para terminar o curso”, confirmou ao i o vice-presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) com a tutela dos assuntos académicos. Silva Ribeiro disse ainda que “a pessoa em causa não chegou a concluir cadeiras que lhe dariam equivalência à licenciatura no formato pós-Bolonha”. O i sabe que o que o ISEG está a ponderar entregar o caso ao Ministério Público, alegando falsas declarações prestadas pelo administrador dos CTT Marcos Batista. Ao contrário do que é afirmado pelo administrador da empresa pública, Batista não entrou em contacto com os serviços académicos da instituição de ensino para obter informações sobre a conclusão da licenciatura.

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