sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Perfume X

As políticas de austeridade têm dado novos X à crise XXXL que vivemos. As políticas de austeridade têm como intérpretes em Portugal PSD, PS e CDS. E, no seu conjunto, os três partidos crescem nos X das intenções de voto. Salta à vista. Apesar de absurda, os portugueses estão a absorver muito bem a mensagem oficial das televisões, rádios e jornais, onde um exército de catequistas repete eucaristicamente que para sair da crise há que continuar a cavar e prosseguir ainda mais para baixo.

Ao mesmo tempo, em fundo, sente-se o entusiasmo gerado pelas revoluções no mundo árabe e regista-se o fenómeno de uma canção que fala duma geração perdida e sem futuro. Vivemos em democracia, as revoluções, tenham elas cheiro a cravo ou a sangue, fazem muito pouco sentido. Cava quem quer cavar e vota quem quer mudar. Em liberdade, podem ouvir-se umas músicas e quem queira pode – e, quanto a mim, deve - participar em manifestações de protesto contra as injustiças com tamanho suficiente para as inspirarem.

Ora, um protesto dura umas horas ou, no máximo, uns dias. Uma canção dura uns minutos. Que parvos que são aqueles que se convencem que mudam o que quer que seja apenas com canções e gritos. Ou com clicks no facebook. Em democracia, manda o voto popular. Não o grito popular. Em democracia, as revoluções têm obrigatoriamente que ter cheiro a votos ou, caso contrário, são a megação dos valores democráticos. É uma pena que a tal canção dos Deolinda não fale dele. Do perfume X dos que não querem ser parvos, que cantam, que protestam, mas que não deixam que o voto de uns parvos decida aquilo que, se ficassem em casa, os seus votos deixariam de decidir.

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