terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Estes defensores da Escola pública

O Ministério propôs-se reduzir o financiamento no âmbito dos contratos de associação com os colégios privados para 80 mil euros por turma no próximo ano. Foi um chinfrim que só visto. Agora, propõe-se reduzir os custos por turma nas escolas públicas dos actuais 85.513 euros para 75.457. Se há alguém que devia ir para a rua protestar não são os senhores do privado. Os colégios privados Têm quase sempre uma alternativa pública nas proximidades e, para além de redundantes, continuarão a ser uma alternativa mais cara. Como tal, é um insulto enorme para todos os contribuintes manter aberta esta torneira com a única finalidade de garantir um enriquecimento a clientelas bem identificadas e ainda melhor representadas nos corredores de um poder que não se envergonha de favorecê-los numa suposta concorrência que, como se comprova, são os próprios poderes públicos que a distorcem a seu favor.

8 comentários:

Daniel Santos disse...

Apoiado!

Xadrez - FQ disse...

É indecente o comentário feito! Para começar, não é legítimo dizer que as escolas estatais são mais baratas que as escolas com contracto de associação. Os números apresentados pelo governo já foram refutados com factos que ficaram sem resposta. Depois nenhuma destas escolas faz selecção de alunos porque estão sujeitas às exigências do ensino estatal.
Antes de comentar e dar opinião é necessário ter uma visão do panorama todo. É com toda a certeza o que esta artigo não tem.

Odete disse...

De onde lhe vem essa ideia que o ensino público com contrato de associação é mais caro? O único estudo isento dos últimos anos é o da OCDE que diz exatamente o contrário. Diz que a escola pública fica, em média, 1.000€ mais cara que o privado. Ora, é assim tão ingénuo para acreditar no que a Sr.ª ministra diz? Quem fez as contas? Aquelas contas rigorosas que a senhora ministra apresenta que até em cêntimos fala? Não sabemos todos nós que o Estado é um sorvedor de dinheiro? Cêntimos ?!?!?!?!? Por favor...

Filipe Tourais disse...

Limito-me a comparar os dois valores. Os números são aqueles, mostram que o ensino privado é um sorvedor de dinheiros públicos e isto gostemos da senhora ministra ou não. Olhe, eu também não gosto.

Sobre os estudos da OCDE, será patético confiar na isenção nos estudos apresentados por uma organização cujo modelo ideal defendido faz do ensino um negócio. Há estudos para todos os gostos, é natural que goste desse, que eu desconheço.

No comentário anterior, a escolha de alunos é referida como qualidade do privado e defeito do público. O público é de todos, pago por todos, logo, é para todos. O privado que defina o pedigree dos seus alunos, mas que se faça pagar pelos papás respectivos. Nada a opor.

coraçãodemaçã disse...

Daniel apoio-o com as duas mãos mas retiro uma pelo tempo suficiente (aguente-se) para teclar - e o dinheiro das mamãs...
É da mais elementar decência que quem quer ter e manter uma imagem de privilégio deve pagá-la DO SEU BOLSO. Iss é que é normal em qualquer sociedade civilizada. Aqui armam-se em superiores à custa do Estado. Empresas incluídas.
Tenham vergonha e acabem com essa chulice..
Dri

Xadrez - FQ disse...

Continuo a dizer que não se pode confiar nos números apresentados pelo ministério. Foram apresentadas contas de outras escolas (nomeadamente pelo PSD), que provam que existem escolas estatais a receber financiamentos acima de 4000 €/ano por aluno. Para isto acontecer é necessário que dentro dos valores das médias do ministério existam elevadas descrepâncias, ou não estão correctos.
Mais um vez, o corrijo. As escolas com contracto de associação não podem excluir alunos! Tal como na escola estatal os alunos, inedependentemente das suas notas ou capacidade financeira, podem frequentar uma escola com contracto de associação. Isto, porque também não se pagam propinas nestas escolas. Em suma, são escolas que oferecem um ensino público mas que têm uma gestão privada.

Daniel Oliveira - EXPRESSO disse...

A história conta-se depressa: o Estado estava, segundo a lei, refém de contratos de associação com o ensino privado. Para acabar com um contrato teria de esperar tanto tempo como o que já tinha passado desde que o apoio entrara em vigor. Em muitos casos, 30 anos. Ou seja, o Estado perdia o direito de decidir o que fazer com os dinheiros públicos.

A verdade é que o Estado financia escolas privadas, mesmo quando ao lado tem uma pública de qualidade. Financia seis no centro de Coimbra, vizinhas da pública mais bem cotada no ranking e de mais nove com vagas disponíveis. Em Lisboa, financia a Escola São João de Brito, para a elite da elite. Pelo país fora, financia escolas com equitação e outros luxos. E paga mais por aluno na privada do que na pública. Não é verdade que esteja em causa a liberdade de escolha. A liberdade existe e a escolha pelo ensino privado é absolutamente legitima. Assim como todos somos livres de usar o carro individual em vez dos transportes públicos. O que deve acontecer é que o carro não deve ser financiado pelo contribuinte, e o autocarro deveria ter preços baixos, ser financiado pelo Estado e estar disponível para todos.

O Estado tem de garantir serviços de qualidade. Só quando não há público deve financiar o privado. Foi para isso que estes contratos nasceram. Mas quem procura seleção social, ensino religioso ou extras dispensáveis paga por isso. O que não é justo, o que não pode acontecer, é estarmos a cortar no financiamento à escola pública para pagar a escola privada. O Estado deve tratar do que é de todos e deixar quem quer ter os filhos na privada tratar de si próprio. Com toda a liberdade.

Xadrez - FQ disse...

http://economico.sapo.pt/noticias/quer-extinguirse-a-escola-privada-pondo-uma-publica-ao-lado_111143.html

Esta entrevista do público explica muita coisa. Porque é que é irresponsável a posição do governo em relação às escolas? Está tudo na entrevista. Este governo que se recusa a aceitar um estudo independente sobre os custos da escola pública.