quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mais um mimo

Depois da redução dos benefícios fiscais aos cidadãos portadores de deficiências, com a qual o socratismo fez questão de assinalar o ano Europeu da igualdade para todos, é agora a vez de pôr a mesma população a pagar 50 euros pelo atestado de incapacidade, até agora gratuito, obrigatório para ser abrangido pelos benefícios anteriormente encolhidos. Recordemos que a lógica da atribuição destes benefícios é a de uma compensação parcial de todas as despesas inerentes a ser-se portador de uma qualquer deficiência, despesas essas que a restante população felizmente não tem que enfrentar. E aqui está mais uma. 50 euros.

Explicação oficial: "são actos muito específicos que abrangem uma franja muito pequena da população ", tentou relativizar alguém da Direcção-Geral da Saúde. Pois é, só vai custar aos próprios. E a questão está precisamente aí: a insensibilidade social não encontra justificação nem sequer na racionalidade económica. O encaixe a obter é mínimo e vai sobrecarregar com novo encargo quem já tem que pagar do seu bolso uma parcela muito significativa da sua integração na sociedade. Ser portador de uma deficiência em Portugal ficou ainda mais caro. O caminho faz-se no sentido oposto ao de uma sociedade mais justa.

4 comentários:

Anónimo disse...

É o fartar vilanagem.
É o Estado a comportar-se pura e simplesmente como uma empresa privada.
Não haverá ninguém que mande uma valente cacetada nos cornos destes grandes FDP.

camalees disse...

Clad, clap, clap! Na mosca Filipe.
Uma vergonha, literalmente.

Fenix disse...

Assim de repente lembrei-me do nazismo e a raça ariana. Estamos a caminhar para o apurar de uma raça onde não são bem-vindos os portadores de deficiência. Aberrante!!

Anónimo disse...

Esgotaram-se-me os adjectivos para mimar estes patifes que nos governam e os que nos têm governado desde o 25 de Abril.
Vou começar a procurar adjectivos noutras línguas, talvez em chinês ou japonês ou em inglês (técnico, claro).