sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Este é o Portugal português

Cavaco tomou parte no banquete dos milhões do BPN distribuídos ilicitamente que os portugueses são agora chamados a pagar. E os portugueses parecem não se importar. Cavaco teve o desplante de convidar e manter na sua comissão de honra, não apenas alguns convivas desse banquete, mas também de um outro, do BPP. Sabe que pode fazê-lo, a grande maioria não vê que ao dar poder ao Ali Babá das suas simpatias está também a dar poder aos 40 ou mais ladrões. Cavaco e alguns desses ilustres amigos têm casas perto uns dos outros numa urbanização muito especial em Albufeira, adquiridas saberão eles como: a escritura pública da casa do primeiro não se encontra na Conservatória. Finalmente, os portugueses manifestaram-se. Foi em Cantanhede. Contra a roubalheira? Contra o despudor? Contra a injustiça? Qual quê! Nada a ver com o saque abençoado e sim para “dar força” a alguém que, tudo o indica, foi o autor material de um crime com contornos macabros. É um filho da terra. Também é bom rapaz. Este é o Portugal português. Tirem as mãos dos filhos da terra. E dos adoráveis filhos da puta.

6 comentários:

soliplass disse...

Tanta e tão alcandorada ciência económica, a dar nisto, nestes descaramentos de ladravaz. Neste impudor absoluto.

E se calhar tínhamos aqui e ali e em quase toda a parte na vida pública (e em grau mais que suficiente) bom material para exportação: anedotas! Não fosse o macabro ou triste delas.

A corrupção tornou-se também entre nós à semelhança dos célebres bancos e instituições de crédito, «too big to fail». E se se começa a puxar «o fio à meada» fica-se com o risco do próprio Estado (inteiramente permeado por coisas destas) colapsar.

Anónimo disse...

Sendo alguém com quem entro em sintonia total, no que diz respeito ao artigo excelentemente escrito, só lhe posso dar os meus parabéns, e um grande bem-haja e que continue com a mesma lucidez que demonstrou neste artigo, para poder escrever outros iguais

Cravo disse...

Tudo isto é verdade, e só reforça a minha opinião que o povo como um todo não é vítima de quem o governa ou desgoverna. Os políticos, banqueiros, etc, são filhos deste povo. O povo tolera a corrupção, os abusos, as clientelas e compadrios porque esta é a forma de ser deste povo, desde um extremo da pirâmide ao outro. Em geral o que as pessoas sentem não é revolta, é inveja, lamentam-se por não estarem mais acima na pirâmide. Não resolveria nada tirar os políticos que temos no poleiro, outros se seguiriam, iguais ou até piores. Para quem já teve galos em casa, sabe como estas coisas funcionam: os galos lutam uns com os outros e o mais forte toma o controlo da capoeira, subjugando os outros, picando-os e fazendo-os sangrar, às vezes até à morte. Se fizermos uma arrozada com o galo 'alfa', logo outro(que até aqui era 'vítima') toma o lugar de topo e procede exactamente da mesma maneira. Isto é um povo de merda e não vale de nada cansarmo-nos a tentar instaurar uma democracia no galinheiro.

Filipe Tourais disse...

Lamento não concordar com o que o Cravo diz quanto a ser indiferente ter no poder o partido que seja. Conhecemos 3 partidos no poder, é tudo. Daí a dizermos que os outros seriam iguais, não passa de mera suposição que apenas contribui para ficarmos cada vez mais na mesma. Precisamos de mudança, precisamos de arriscar novas soluções. As que já tivemos, essas sim, já mostraram que não servem.

Cravo disse...

FT: "Precisamos de arriscar", sim precisamos... mas quem? Não o povo em geral. O povo na sua maioria não quer nenhuma mudança radical e os resultados eleitorais provam-no. As pessoas não querem as cartas baralhadas e dadas de novo, não querem que se suba por mérito, querem a continuação dos tachos, por pequenos que sejam. Porque os tachos não são só os dos administradores. O que "nós" enquanto povo português precisamos não é o que eu ou o FT achamos que precisamos. E o povo tem a palavra nos actos eleitorais e já mostrou inúmeras vezes que no geral está satisfeito com o que tem. Há que aceitar a decisão da maioria.

Filipe Tourais disse...

Precisamos, sim. Eu também sou povo. E o que o resto do povo queira ou deixe de querer não é nada que não mude. Muda. Há-de mudar, para o bem de todos. É insustentável continuar assim. E há-de chegar o momento em que encontraremos uma parede que não nos deixe outra alternativa que não a de mudar, mudar para melhor.