Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Criminosos, com todas as letras

Condenações vãs, manifestações de profunda inquietação ou preocupação e o mais que a imaginação de quem não quer fazer mais do que deixar que a propaganda do costume faça com que a notícia se dilua no tempo são muito pouco para o ataque realizado esta manhã por tropas israelitas a uma frota civil, com fins humanitários, em águas internacionais. Os crimes de Israel já se repetem há demasiado tempo para que continue a tolerar-se tanta hipocrisia. Sanções económicas, diplomáticas e, sobretudo, uma solução para a Palestina e o fim das muitas ajudas militares com as quais o ocidente presta vassalagem a Israel seriam o mínimo que poderia exigir-se aos representantes de todos os povos que repudiam as práticas de um Estado ao qual os seus eleitos obstinadamente se negam a chamar pelo devido nome: criminoso. Falta alguém, entre os cúmplices, que deixe de ficar à espera que seja o vizinho a dar o primeiro passo para o julgamento e a condenação que se impõem. Faltam tomates à elite que só o é porque é eleita precisamente por demonstrar que não os tem, ou de facto, adorados pãezinhos sem sal, ou no sítio certo, amados déspotas trambiqueiros. Sim, no sítio certo. Os ditos não devem confundir-se com discursos e práticas musculadas exercidas exclusivamente sobre quem não tem como defender-se. Isso é cobardia. Como a, como as de hoje.

Recordações do CDS no Governo

O Tribunal Central de Instrução Criminal decidiu hoje levar a julgamento os 11 arguidos do caso Portucale. Abel Pinheiro, ex-dirigente do CDS-PP, é um dos pronunciados num processo relacionado com o abate de sobreiros numa herdade em Benavente para a construção de um projecto imobiliário.

O efeito ®GLUP!

O PS não teve outra alternativa que não a de engolir o sapo e juntar-se ao Bloco de Esquerda no apoio à candidatura de Manuel Alegre.. Francisco Assis até se baralhou., Segundo ele, o objectivo da candidatura, para ser vitoriosa, será o de unir os portugueses “desde o centro esquerda até à esquerda mais profunda”. Esqueceu-se do apoio mais à direita que acabava de ser aprovado com apenas 10 votos contra, num universo de 250, e abandonava a terminologia habitual ao chamar de “esquerda mais profunda” à até aí chamada “esquerda radical”, “extrema-esquerda” ou “esquerda irresponsável”. Este efeito "®GLUP" é de tal maneira poderoso que nem este post lhe escapou. Ficou irremediavelmente alinhado à direita e não consigo fazer nada para justificá-lo.

Domingo, 30 de Maio de 2010

Sábado, 29 de Maio de 2010

Um ídolo é sempre um ídolo, um Sócrates é sempre um Sócrates

Afinal a história foi mal contada. Não foi Chico Buarque que quis conhecer o primeiro-ministro durante a sua viagem ao Brasil, como foi divulgado pela imprensa portuguesa. Foi José Sócrates que pediu esse encontro.

Portugal, terra de oportunidades



1. O Governo fugiu à obrigação de promover o concurso público para a distribuição dos computadores Magalhães através de um esquema que consistiu na criação de uma Fundação que não se justificava, que controlava directamente, gerando, assim, um monopólio para a JP Sá Couto.



2. As despesas orçamentadas pelo primeiro-ministro e 15 ministros subiram quase um milhão de euros face a 2009. Os encargos com pessoal, recrutados através de critérios a apurar em desenvolvimentos futuros, representam dois terços do aumento. Os números inscritos nos mapas do Orçamento do Estado para 2010 com as principais rubricas da despesa totalizam mais de 30 milhões de euros, o que traduz um acréscimo de 3,1 por cento relativamente a 2009. Neste bolo não estão contabilizadas, no entanto, as despesas dos 38 secretários de Estado, pelo que os gastos globais orçamentados para os 55 membros do actual Governo serão muito superiores, tendo em conta até que alguns secretários de Estado têm mais pessoas a trabalhar nos seus gabinetes que alguns ministros.



3. O PS, PSD e CDS-PP recusam-se a tributar as operações com paraísos fiscais, conforme propõem aqueles partidos a quem chamam de “irresponsáveis” e “radicais”. O presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude revelou que o ano de 2009 foi aquele em que mais dinheiro saiu para off-shores. Um aumento radical. Em 2009, verificou-se uma quebra abrupta das receitas fiscais que está agora a ser compensada através de uma sobrecarga imposta pela irresponsabilidade que nos governa sobre aqueles que não têm forma de fugir ao fisco. Mas há quem fuja. São cada vez mais. Carlos Pimenta, na Conferência sobre o Combate ao crime na Europa, avisou que a economia paralela continua imparável e que está a ganhar terreno em Portugal. Representa já 23 por cento do PIB )1 em cada 4 euros que são produzidos não paga impostos), 30 mil milhões de euros (audio aqui).

4. O Ministério das Finanças contratou uma jurista a ganhar mais de quatro mil euros por mês. A jovem advogada de 27 anos está a ganhar mensalmente 4088 euros, mais IVA, quase o dobro da média da restante equipa de juristas do ministério e muito acima do seu vencimento anterior.


Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

Mais rendas e rendeiros - continuação do post anterior

Rendeiros à rasca

Os rendeiros do país estão em polvorosa com a ideia de poderem vir a perder uma das suas galinhas dos ovos de ouro. Os espanhóis da Telefónica querem a PT, uma das empresas de interesse estratégico nacional que, ao invés de nacionalizada e posta a criar riqueza para o país, é posta ao serviço da engorda das suas fortunas por um poder político pouco interessado em contrariar o mecanismo de redistribuição de riqueza monopolista que sobrecarrega a economia com preços no sector das comunicações dos mais altos da Europa, que lhe retiram competitividade, desviando essa riqueza para o bolso daqueles que agora temem perder o filão.

E o principal argumento que estes rendeiros utilizam nos protestos que vão balbuciando não é económico. Apelam ao nacionalismo mais patrioteiro como forma de reunir apoios. Não é indiferente que o país proporcione fortunas injustificáveis a uma aristocracia republicana nacional ou proporcionar o mesmo tipo de enriquecimento a estrangeiros. Os portugueses, porque são portugueses, têm toda a vatagem em olhar para o lado e ter o conforto de verificar que as suas contribuições enriquecem alguém que fala a mesma língua.

Um deles, que tem o nacionalismo bem resumido no “Joe” que ostenta na vez do nome próprio, diz que, se Portugal deixar fugir a PT para os espanhóis, bem podemos sentar-nos à margem do Tejo a ver passar os navios. Por certo que não se oporia a que os
navios fossem os seus. E decerto não torceria o nariz a uma parceria com a empresa dos colegas rendeiros da Mota-engil para a construção de uma mega-bancada nas margens do rio para dar condições a quem queira aderir ao espectáculo proposto. A perícia gestionária de Jorge Coelho com toda a certeza que conseguiria financiamento para o mega-projecto. Caramba! Um país com a nossa vocação atlântica não tem uma bancada para quem queira ver o mar.

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

E chamam-lhe "governabilidade"

O Governo diz que os médicos que pediram a reforma antecipada vão poder voltar e continuar a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde. Isto na condição de suspenderem a pensão e ficarem a ganhar o mesmo até que a aposentação se concretize. Ou seja, o Governo quer fazer passar a ideia de que os médicos que se reformaram para evitar as penalizações do novo regime o fizeram impulsivamente e, oferecendo-lhes a possibilidade de reconstituição da situação anterior ao maldito acto irreflectido que lhes desgraçou a vida, a grande maioria daquelas cabeças mal pensantes vai regressar ao activo.

Mas a anedota não se fica por aqui. Segundo as novas regras de mais esta ideia brilhante, passa a ser
expressamente proibido contratar médicos reformados para o SNS através de empresas de prestação de serviços. Os senhores do Governo vão agora confrontar-se com uma das criações do socratismo mais inspirado: como alterar os contratos das parcerias público-privadas na área da Saúde que não prevejam intromissões do parceiro público na gestão que delegaram nos privados, como a da proibição acima? Quando a gestão da Saúde era exclusivamente pública, subordinava-se às decisões políticas. Hoje, as políticas estão amarradas aos negócios feitos por políticos para entregar interesses públicos nas mãos de interesses privados.

(editado)

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Querem comer, 600 mil? Vão pedir ou vão roubar

Depois da Iniciativa Emprego 2010, o Governo acaba de anunciar a Iniciativa desemprego 2010, para vigorar a partir de meados deste ano. Acaba o prolongamento por mais seis meses do subsídio social de desemprego, cessa a redução para um ano do prazo mínimo de descontos para se ter direito ao subsídio de desemprego, acaba a majoração do subsídio de desemprego para os desempregados com filhos, deixa de haver o reforço do abono de família para os desempregados com rendimentos mais baixos, acaba o apoio à requalificação de jovens desempregados, não chega a avançar o programa anteriormente anunciado de requalificação de cinco mil jovens licenciados em áreas de baixa empregabilidade, acaba a redução em três pontos percentuais das contribuições pagas pelas empresas por cada trabalhador com mais de 45 anos e deixa de haver apoios extraordinários às empresas que entrem em lay-off.

Outra reforma de sucesso

O primeiro Governo Sócrates assegurava que com a gestão empresarial hospitalar tudo melhoraria. Mas a qualidade do atendimento é a que se sabe. Não melhorou. E as dívidas às farmacêuticas duplicaram em apenas dois anos e vão batendo records.

Acabar assim

A Isabel tem cancro. Está em fase terminal. Há cerca de dois meses, foi a uma junta médica que, em vez da reforma antecipada três anos por invalidez, deu-a como apta para todo o serviço. Um trabalho duro para qualquer pessoa, o de empregada de limpeza numa clínica de massagens e afins, quanto mais para alguém que, na altura, já quase não podia mexer-se. Foi assim que, aos 62 anos, impossibilitada para o trabalho, a Isabel passou a viver dos 475 euros auferidos por uma filha, deficiente mental, 47 anos, numa fábrica nos arredores de Coimbra. O Estado poupou os descontos que a Isabel fez para ter um fim de vida digno.

Na semana seguinte, a Isabel seria internada numa unidade de cuidados continuados. Disse seria, não foi. Estava cheia. Não havia lugar para ela. Em vez de ir trabalhar, passou a ir lá todos os dias receber tratamento ambulatório. Soro, a Isabel já quase não conseguia comer, e morfina para as dores que cada dia se tornavam mais insuportáveis.

Até que, finalmente, lá arranjou vaga. Ingeria agora também uma espécie de papas de iogurte que existem no mercado, próprias para casos como o dela. Tinha-as experimentado na semana anterior, recomendação da senhora da farmácia. Conseguia comê-las sem vomitar. Mas eram caras. Para a sua bolsa e para a do hospital, que apenas as disponibilizava em casos muito especiais, não como o seu, mulher da limpeza. As que a Isabel comia tinham-lhe sido oferecidas por um conhecido de um conhecido que se impressionou com a sua história. Era a filha quem lhas levava, todos os dias, até terminar o pack de 24 da oferta.

Que lá terminou, dois dias antes da ameaçada alta, confirmada cinco dias depois do ameaço. Até poderia regressar, como explicaram a uma vizinha que tentou mover influências para que a Isabel não fosse mandada naquele estado para onde não tinha quem lhe desse assistência, mas havia as estatísticas: o Estado paga por cada saída e prolongar estadas não era aconselhável. Estas unidades, que poupam também no pessoal médico e de enfermagem, foram feitas para dar lucro. Lucro maximizado por poupanças várias, como as papas de iogurte que a Isabel aceitava agora como uma impossibilidade para si, e pela minimização das remunerações da grande maioria de pessoal não especializado, com sorrisos e simpatia condizentes com a sobrevivência que vem nos recibos que vão assinando.

A Isabel foi mandada para casa. Aí passou os dias seguintes. Já não conseguia andar. Assistia-a uma equipa de duas funcionárias da rentabilizadora de estatísticas, de metade do salário da Raquel, a filha da Isabel, do restante da comparticipação da Segurança Social e dos 475 euros que recebe cada uma destas mulheres pelas mais de quinze Isabeis que visitam diariamente. Depois, uma noite, as dificuldades respiratórias não deixaram margem para que não voltassem a interná-la. Assim está agora, à espera de morrer, contrariando a ordem da junta que a mandou trabalhar. Ontem, ainda desobedecia.

Esta história é verdadeira.

Terça-feira, 25 de Maio de 2010

O que faz falta é animar a malta: a crise não é para a JP Sá Couto

Está tudo doido

Eles falam em endividamento externo. Falam em ambiente. Falam em autonomia energética. Mas eles aumentam o preço dos transportes públicos. Tornam menos desvantajosa a opção pelo transporte individual. Fomentam as importações de combustíveis fósseis. O endividamento externo. As emissões de carbono. E reduzem ainda mais o que aqueles que não têm viatura própria e sobrevivem com salários de miséria conseguem separar para o sustento das suas famílias ao final do mês. São novamente eles, depois de brutalmente sobrecarregados com o aumento de 1 por cento no IVA dos bens essenciais, os principais prejudicados com mais este. Aumentando o custo do trajecto casa-trabalho-casa, será menos compensador levantar todos os dias para ir trabalhar. Em muitos casos, deixará mesmo de compensar. Abaixo o rendimento social de inserção.

Poderosos interesses corporativos

Foi apregoada como uma reforma justa, que promovia o mérito e combatia poderosos interesses corporativos. Privilégios incomparavelmente mais perigosos do que os dos delinquentes do BPN ou dos empreendedores da Mota-Engil, cujos negócios fomos chamados a comparticipar. Na anterior legislatunga, os funcionários públicos viram as suas carreiras desmanteladas. Acabaram as progressões por antiguidade, o intervalo temporal entre promoções foi prolongado e os acréscimos remuneratórios resultantes das promoções foram diminuídos. Em troca, davam-se prémios aos melhores.

Desde então, a avaliação do desempenho, realizada maioritariamente por chefias nomeadas por critérios estranhos ao mérito, designadamente a cor do cartão partidário, nunca passou do papel numa enormíssima parte do universo de organismos públicos abrangidos pelo SIADAP. Apesar da lei prever a exoneração dos dirigentes que não o implementassem, ocorreram apenas 10 exonerações.

Hoje, porque o mundo mudou em quinze dias, para além das carreiras desmanteladas anteriormente, para além do agravamento em sede de IRS que abrangerá todos os portugueses, sabe-se que os funcionários públicos
ficarão também sem os prémios para os melhores a troco dos quais o Governo promoveu esse desmantelamento e sem as promoções que, na maioria dos casos, aconteceriam apenas quatro vezes ao longo de um percurso profissional de 40 anos de trabalho. Nem isso. E o Governo e o PSD não querem greve geral.

Um forte candidato a um pequeno-almoço daqueles


Hoy, mañana y siempre. O mundo pode mesmo mudar em duas ou três semanas.

Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

Varas demasiado verdes para ganhar a Cabo Verde

O empate conseguido esta noite pelos seleccionados de J. Mendes frente a uma formação tão modesta como Cabo Verde vai dar imenso trabalho à sua sócia na empresa de imagem. A filha do amigo do sucateiro com toda a certeza que não estaria à espera de um começo tão comprometedor da valorização da mercadoria.

Das administrações nomeadas pelo cartão partidário e da solteiríssima culpa

O farmacêutico e a técnica de farmácia acusados de terem estado na origem do erro de medicação que levou à perda de visão de seis doentes no Hospital de Santa Maria, no ano passado, alegam que o manual de procedimentos que supostamente violaram nunca existiu e foi aprovado à pressa pelo hospital após os incidentes. Ambos referem, no processo que está a correr no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, que o sistema de preparação de fármacos que aproveitava sobras das embalagens potenciava o erro.

Ver demasiada TV

Hasta 2014

Portugal foi o país europeu que mais recorreu às parcerias público-privadas. Quase sempre excelentes negócios para os privados e péssimos para os contribuintes, esta regra aplica-se a uma grande maioria dos mais de 100 contratos firmados, mais de 28 mil milhões de euros que foram transferidos para fora do perímetro orçamental durante o tempo em que vigorar o chamado período de carência. Este terminará quando chegar a conta e o Estado, todos nós, começarmos a pagar toda a inconsciência e irresponsabilidade de uma classe de engajados das empresas concessionárias num poder político que não hesitou em avançar com empreitadas com custos diferidos no tempo. Todo este manancial de “obra feita” foi utilizado como trunfos para ganhar eleições.

Já não falta muito para começar a doer. O grosso da factura chegará quando terminar o actual período de sacrifícios, repartidos na proporção de 3 para 1 entre famílias e empresas e de 100 para 0 entre transacções sem e com recurso a off-shores, que foi decretado para “acalmar os mercados”. No final de 2013, a despesa pública e o défice dispararão novamente. O mundo voltará a mudar em duas ou três semanas.

Recuperando o título do post anterior, sobre outro lado deste mesmo problema, qual será – qual seria – o peso do Estado se não houvesse um único funcionário público? Uma resposta possível: igual ao peso das escolhas eleitorais de quase quatro décadas de uma democracia mal aproveitada por um povo que continua a confiar aos lobos a guarda dos seus rebanhos. Custa a aprender. Um lobo é sempre um lobo, mesmo quando muda de pele.

Sábado, 22 de Maio de 2010

Orelhas de Burro

Gotan Project – “Diferente”

Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Sempre do contra, sempre insatisfeitos

Até Setembro do ano passado, o número de mortes suplantou o de nascimentos. Cerca de setenta carros funerários participaram hoje, no Porto, numa marcha lenta de protesto.

Está tudo bem


As manobras do "estadista"

Anteontem, Passos Coelho ameaçou avançar com uma moção de censura caso a Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso PT/TVI venha a apurar que Sócrates mentiu ao país. Estalava o verniz ao grande estadista que, por minutos, abdicava de todo aquele sentido de estado mais patrioteiro e responsável que, contra a sua vontade, o havia impelido para um tango de sacrifícios concertado com Sócrates “para salvar o país”. A suspeição ficava no ar.

Nem 24 horas depois, ontem, o PSD, pela mão de Pacheco Pereira, formalizou o fim dos trabalhos da Comissão. O PSD abdicou do apuramento da verdade e de todos os trabalhos até agora desenvolvidos por uma Comissão que não necessitaria de escutas para chegar a conclusões. Mais útil ao PSD do que o apuramento da verdade, à semelhança do dia anterior, a suspeição, essa arma dos populistas que eles dizem não ser, voltou a ficar no ar.

Pouco tempo depois,
uma sondagem dava nova subida ao PSD, porém, ainda insuficiente para fazer cair o PS, que voltaria a ganhar eleições se estas se realizassem no momento presente. Sobre o apregoado sentido de Estado do PSD, ficámos conversados. É mesmo de plástico. A estabilidade política manter-se-á apenas até ao dia em que o instinto de poder da sua cúpula cheire o momento certo para dar o golpe de misericórdia aos seus parceiros de políticas. Será, então, a hora certa para reconquistar o lugar na alternância de declínio estável que os dois partidos desenvolvem impunemente, ora um, ora o outro, há 36 anos consecutivos. A oportunidade para alienar o que resta de país. A liquidação total ainda não é para já.

Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava nos frascos, e o Verbo era sintético

Nasceu a primeira forma de vida artificial. Uma equipa de cientistas conseguiu fazer uma bactéria a partir de compostos químicos sintéticos contidos em quatro frascos. O divino voltou a encolher.

Parece uma excelente notícia, não parece?

De acordo com o Boletim de Execução Orçamental, o défice do Estado situou-se em 4 562 milhões de euros em Abril, uma diminuição de quase 300 milhões face ao registado em igual período do ano passado, lê-se aqui. Grande admiração. Portugal andou quatro meses à deriva sem Orçamento de Estado aprovado e, neste momento, sinal do desnorte que reina na governação do país, continua sem Decreto de Execução Orçamental. A funcionar por duodécimos, em regime transitório, os organismos públicos tiveram que adiar muitas aquisições para depois do final do período transitório, pelo que será mais do que expectável uma derrapagem mais acelerada da despesa nos meses mais próximos.

Alguém sabe onde andava o Ricardo Mãozinhas?

Cinco quadros de nomes maiores da arte moderna, avaliados em 500 milhões de euros, foram roubados, na última noite, do Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris. Fontes do PB asseguram que uma das pistas que a polícia francesa está a seguir é um saco com gravadores digitais que os ladrões deixaram atrás de si no local do crime.

E os irresponsáveis são eles


O jogo das inevitabilidades

Embalado por aquele jogo das inevitabilidades que isenta quem faz as escolhas de qualquer responsabilidade, segundo o próprio, Passos Coelho fez um acordo com José Sócrates para salvar o país da bancarrota. Graças aos nossos heróis, estamos salvos. Mas, entre outras, Passos Coelho não foi capaz de salvar os portugueses da tributação extraordinária dos seus subsídios de férias. Não era esse o seu objectivo e, se, de alguma forma, o acordo resultou em prejuízo para alguém, as desculpas foram apresentadas antes mesmo de conhecidos os efeitos de um pacto assinado de cruz. Relembre-se, o acordo visava apenas salvar o país da bancarrota e não da espiral de crise que, agora sim, inevitavelmente, lhe sucederá. E a frase mais ouvida nos últimos dias tem obstado à apreciação da capacidade negocial de Passos Coelho que, a existir, não deixaria intacta aquela máscara de plástico baratucho de estadista bonzinho com habilidades extraordinárias no que toca a satisfazer a crença idiota de que os problemas do país se resolvem reduzindo os salários aos políticos e condenando os beneficiários de prestações sociais a trabalhos forçados. A imprensa já decidiu. Será ele o próximo Primeiro-ministro. A acontecer, no essencial, as políticas serão as mesmas. Aquelas que a mesma imprensa apresenta como inevitabilidades não são o que distingue as únicas duas escolhas que vão servindo aos portugueses. Não há cá mais ninguém.

Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

Gostei de ler

«(…) Conclusão: quando nos dizem que nos portámos mal, que os desgraçados dos alemães nos estão a salvar a pele e que um dia destes os rapazes perdem a paciência, desconfio. A Alemanha está a salvar a banca alemã dos seus próprios jogos financeiros. Nós somos apenas os cordeiros. Ou seja, estamos no centro de um jogo perigoso em que, mais uma vez, quem lucra com o risco faz depender as nossas vidas de frágeis castelos de cartas. Há dois anos todos prometeram que iriam impedir que isto voltasse a acontecer. Nada foi feito. E desta vez já não se fazem promessas. Convence-se os povos que a culpa desta tragédia é deles» - Vale a pena perceber “O bailout à banca alemã

Lucros para os privados, riscos e prejuízos para o Estado: e chamam-lhe "parcerias"

Terça-feira, 18 de Maio de 2010

A culpa é dos comunas

O desemprego voltou a aumentar. 10,6 por cento, o máximo histórico desde que existem registos (1956 e 1983, respectivamente Banco de Portugal e INE.. Apesar do cenário negro, as medidas de austeridade anunciadas na semana passada, na versão Teixeira dos Santos, durarão “enquanto for necessário diminuir o défice. Irresponsabilidade? Não! Irresponsáveis são os comunistas por terem apresentado uma moção de censura. Abdicar do crescimento necessário à criação de emprego e cortar na protecção social aos desempregados na conjuntura de desemprego actual é que é sinal de responsabilidade. Da mesma que pôs os portugueses a pagar a delinquência banqueira do BPN e que andou a brincar aos Governos criadores de 150 mil empregos. Há que dizê-lo com toda a responsabilidade: os comunistas é que têm a culpa. Se evitassem andar a brincar às moções de censura, não estaríamos a pagar irresponsabilidades de ninguém. Portugal seria um mar de rosas.

Responsabilidade e sentido de Estado são…


Governar a ver televisão. Simplex. Vale tudo, menos pensar que o PM mente ao país.

Chato, eu?

De manhã, anunciou. À noite, apareceu à hora marcada para dizer que promulgava uma lei sobre a qual, no contexto dramático actual do país, não há que perder demasiado tempo nem dar-lhe o destaque que deve ser dado por inteiro a problemas mais sérios. As solenes comunicações ao país de Cavaco Silva parecem estar destinadas a destacar aquilo que diz recusar-se a destacar. E apenas mais um minuto da comunicação para lamentar o consenso “sério” que não foi alcançado no Parlamento: podiam bem ter imitado certos países onde os deixam casar sem chamar-lhe casamento. Para quem não queria perder tempo… para quem não queria destaques… Exacto, pois, sim, claro e todo o mais que poderia ser dito. Mas não há tempo, nem há que destacá-lo. Nem há tempo, quase me esqu. Esquecia, ai. Quando tivermos um bocadinho, conversamos sobre o assunto. Fica prometido. Combinado=? Não se esqueçam. Se não se lembrarem, não faz mal. Há-de haver quem lembre. Há sempre. Aliás, é uma das blablablabla. Eu só queria dizer-vos uma coisa, sem lhe dar destaque nem perder demasiado tempo. Chato, eu? Contrariado. Eu disse-lhes que estou contrariado?

Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

O 4000º post

#4.000

A brincar, a brincar, este é o post 4000.

Notícias que as agências de rating não lêem

Era só o que nos faltava

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, quer que a revisão constitucional contemple um valor máximo para o défice e para o endividamento.. Uma ideia inspirada na musa socialista Ângela Merkel para deixar qualquer Governo de pés e mãos atadas para reagir, através de políticas orçamentais, a flutuações conjunturais adversas. Luís Amado sugere oficializar uma tipologia de governação que tão bons resultados nos tem proporcionado: um amontoado de discursos de optimismo largados ao vento acompanhados por contas públicas marteladas com toda a precisão que o despudor permita. Para ser bom ministro haverá que fazer como ele já faz: captá-las no ar e, com toda a responsabilidade e sentido de Estado, ser o primeiro a propor o que registar o catavento.

Paguemos, patriotas

Em finais de Janeiro, compilei aqui a cronologia de uma história muito bem contada. A da evolução dos números oficiais das nossas contas públicas antes e depois das eleições. Condicionaram-nas, tornando-as uma fraude. O Governo ocultou as informações que depois revelou como uma surpresa desagradável completamente inesperada. No que toca à receita, Os pormenores desta fraude vêm na imprensa de hoje: de Maio a Novembro de 2009, o Governo foi repetindo que a cobrança fiscal estava "em linha com o previsto", quando a DGCI, mês após mês, ia afirmando o contrário. A surpresa do lado da despesa foi-se construindo ao longo dos episódios da privatização do BPN e das ajudas dadas ao BPP, também do conhecimento do Governo. Ambas somaram mais de 4 mil milhões de euros e são a maior parcela da conta que agora os portugueses são chamados a pagar. Com todo o patriotismo, seremos diferentes da Grécia. Eles é que falsificavam as contas.

Domingo, 16 de Maio de 2010

Orelhas de Burro

The National – “Bloodbuzz Ohio” (2010)

Sábado, 15 de Maio de 2010

Alguém que passou por aqui

Alguém de Taiwan resolveu escolher este cantinho da internet para despejar nas caixas de comentários spam com links para páginas com scripts maliciosos. Para evitar que algum leitor menos experiente caia na tentação de clicar num desses links, infectando automaticamente o seu computador, e, ao mesmo tempo, para poupar-me ao trabalho fastidioso de apagar esses comentários) eram já mais de 20 e continuavam a chover), alterei as permissões dos comentários. Até passar a onda, apenas podem dar puxões e esticões utilizadores registados. As desculpas da casa por qualquer eventual entupimento que a restrição possa causar.

Segunda-feira, 17: as permissões foram repostas como estavam anteriormente. Espero que o chinês não volte.

A corrida dos arrependimentos

O PS vende a sua “inevitabilidade”, o PSD adopta um estilo “perdoa-me” para se associar a ela. Ambos transpiram “responsabilidade” e “sentido de Estado” a rodos. Começou a corrida do arrependimento pelo pacto de miséria acordado entre PS e PSD. Quem a vença, pensarão os nossos atletas do poder, pagará uma factura eleitoral menor. Há que fazer um esforço para passar a mensagem de que há cisões dentro de cada partido. Assim, nas próximas eleições, cada eleitor poderá fazer a escolha difícil entre votar nos mais ou nos menos arrependidos sem sair da tradicional opção entre um e o outro partido, garantindo, dessa forma, que as flores não se lembrem de crescer para dentro da terra, que o Sol não se esqueça de nascer todos os dias e que o seu voto seja útil a quem dele mais necessita para garantir a sua própria estabilidade.

E ainda decorre o velório do nosso futuro. Depois do enterro, na votação que acontecerá na AR, quando se verificar que mais e menos arrependidos vão deixar as divergências lá fora e votar lado a lado, poderão carpir novamente. Pelos votos que necessitam para se sentarem ali. Eles vivem disso. E da obediência às cúpulas dos partidos respectivos. Primeiro, há que garantir um lugar nas listas. É a corrida mais difícil. Depois, logo se vê. Os votos dos portugueses ganham-se a cantar ao desafio.

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

É malta amiga

Os ex-presidentes do BCP, Jorge Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal, e os ex-gestores Christopher de Beck, Alípio Dias e António Rodrigues foram punidos pelo Banco de Portugal com coimas entre um milhão de euros e 450 mil euros, e com a inibição de exercício de actividade na banca entre nove e quatro anos. Esta inibição não aquecerá nem arrefecerá a maioria de aposentados que compõem o grupo, todos eles com reformas milionárias que, no caso de Jardim Gonçalves, recebe 170 mil euros mensais.

Quanto ao valor da penalização, bastante abaixo do máximo de 5 milhões, recuemos até finais de 2008, pouco depois do escândalo ter rebentado, e recordemos o que então aqui escrevi sobre os cuidados que os três ditos partidos “responsáveis” tiveram para salvaguardar os interesses dos seus representados. Se um milhão de euros é uma fortuna inalcançável para o comum dos portugueses, também há ilustres para quem uma coima no mesmo valor não representa mais do que o esgar de um sorriso face ao que ganharam com os ilícitos por ela sancionados. Tendo os contactos certos, o crime compensa. A “mão pesada” de Vítor Constâncio poupou-lhes imenso dinheiro, PS, PSD e CDS livraram-nos da prisão. É malta amiga.

12.12.2008 -
E porquê um limite máximo? E porquê 5 anos?

Com requintes de sordícia.


A estratégia foi bem definida. Aproveitar o adormecimento geral suscitado pelo destaque mediático dado à visita do Papa a Portugal e ir dando as más notícias aos bocadinhos. E até a tolerância de ponto que os funcionários públicos não pediram serviu para evitar conversas indesejáveis. As notícias têm um impacto que se vai diluindo no tempo.

E hoje sabemos que a verdade não foi toda dita. Ao contrário do inicialmente anunciado,
O imposto especial agravado de 1,5 por cento abrangerá todos os salários acima de 1285 euros. O agravamento fiscal sobre o consumo de bens essenciais foi de 20 por cento. As entradas na função pública foram congeladas indefinidamente. Os custos do corte no défice pretendido foram repartidos na proporção de 3 para 1 entre famílias e empresas. Finalmente, como forma de agravar uma recessão que as medidas anteriores aceleram, PS e PSD terão acordado facilitar ainda mais os despedimentos, o que, juntamente com a conta das parcerias público-privadas que ainda não chegou, faz antever novo apertão para breve. Flexibilizar despedimentos tem como consequência inevitável a diminuição geral do nível de salários e este a diminuição da base de incidência de impostos, logo, a necessidade de novo agravamento fiscal que satisfaça determinado objectivo orçamental. E que compromete o crescimento económico e a criação de emprego já comprometidos pelo choque fiscal actual, ainda não totalmente desvendado.

Ao fundo, lá atrás, ficam as eleições, uma fraude gigantesca em face dos programas eleitorais que apenas serviram de engodo para caçar votos. Ao fundo, lá adiante, uma tragédia de contornos incalculáveis. E, diante dos nossos olhos, um par de intrujões vai-se recreando em revelações a conta-gotas sobre tudo o que vão cozinhando à margem do Parlamento, medindo as palavras para evitar convulsões sociais e a penalização eleitoral que vão fazendo por merecer. Venha o próximo corte, venha a próxima revelação macabra. A espiral de regressão continua no próximo anúncio. É já a seguir.

Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

Santificadas sejam as vossas perversões

Será de esperar que, quando um Chefe de Estado em visita a um país critique abertamente o seu ordenamento jurídico, se gere um incidente diplomático grave. A menos que se trate do Papa e as críticas incidam sobre a legislação relativa à interrupção voluntária da gravidez e sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nesse caso, sobretudo quando a cartilha é a mesma de alguém em campanha que, ao convidá-lo, sabia estar também a encomendar-lhe o sermão, entende-se e dá-se-lhe o devido desconto. Duas pessoas do mesmo sexo que se casem ou uma mulher que aborte não produzem nem a mão-de-obra barata que deveriam produzir, nem rabinhos frescos para alimentar as perversões escondidas que Bento XVI branqueou ao longo da sua vida. Está visto, tolera-as melhor do que a abolição das aberrações civilizacionais que defende. Homossexualidade e aborto, só onde ninguem veja e se ninguém souber. Nesse caso, santificadas sejam as vossas perversões. Não há nada que uns quantos pai nossos e outras tantas avé marias não limpem. Deixam qualquer alminha pronta para o reino dos céus. Vota Cavaco.

Milagre! Chegou a conta!

Chegou a conta do BPN, do BPP, dos submarinos, das consultorias, da não tributação das mais valias urbanísticas decorrentes de actos administrativos, da corrupção, da isenção de impostos concedida às transacções com off-shores, dos Godinhos, dos Ruis Pedros Soares, dos pequenos-almoços de campanha. A taxa adicional de IRS, uma das medidas acordadas entre PS e PSD, vai vigorar até ao final de 2011. Então, quando começar a chegar a conta das parcerias público-privadas, depois logo se vê que nome dar ao novo imposto criar para pagar as fortunas que continuam a engordar.

Quanto à conta que hoje começamos a pagar, há portugueses que vão comer menos pão porque a taxa reduzida de IVA abrange também a Coca-Cola. Não perceberam?

Como vemos, foi a maldita água suja do capitalismo que fez afundar o BPN e tornou necessário comprar submarinos para ir lá ao fundo buscar as notas e moedas que agora fazem falta. Apesar do esforço, foi tarde demais. Agora há que rezar muito. Obedecer. E pagar, sem abusar da Coca-Cola. Não se esqueçam de voltar a votar no PS e no PSD. Eles precisam de muita estabilidade.

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

O fosso entre o não poder e o não querer


Portugal deve subir "consideravelmente" os impostos sobre rendimentos de capitais - obtidos através de dividendos ou juros de depósitos - antes de criar uma tributação extraordinária sobre o subsídio de Natal, defende a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE). Ontem, defendi aqui algumas medidas tão possíveis como esta. A OCDE ficou-se pela tributação dos rendimentos de capitais. Nada mau, sendo a OCDE o que é e defendendo as soluções políticas que defende. Registe-se, já foi ultrapassada pelo conglomerado PS-PSD. Pela direita.

Ler os outros: "populismos"

«A mesma direita que se tem oposto, sistematicamente, a qualquer proposta para taxar excepcionalmente os prémios milionários de alguns administradores, etiquetando essas medidas como populistas, cavalga agora a “onda” da diminuição do salário dos políticos. Compreende-se. Enquanto um imposto excepcional sobre os vencimentos mais elevados coloca em causa a disparidade de rendimentos, assunto despiciendo para uma direita embevecida com o jargão do economicamente correcto, defender a diminuição de salários dos políticos funciona como a caução moral para a diminuição do vencimento de todos os trabalhadores, velho sonho de quem não conhece, nem concebe, outra forma de competitividade da economia que não a assente na diminuição do valor do trabalho.» – Pedro Sales, no Arrastão.

A seguir somos nós

Acalmar os mercados ou enervar os espanhóis? O Governo espanhol anunciou esta manhã a redução, a partir de Junho, de cinco por cento dos salários dos funcionários públicos e o congelamento salarial para 2011. Prossegue a aproximação do modelo de desenvolvimento dos países mediterrânicos ao modelo chinês. Menos salários, menos direitos. A especulação e a exploração vão delirar.

Avistado no Marquês


Com tantas cinzas vulcânicas a pairar pelos ares, alegadamente passíveis de poderem fazer cair qualquer avião, à medida que a sua viagem a Portugal se aproximava, muitos temeram pela vida de José Rabo-zíngaro. A visita despertou ainda outra questão, a de esclarecer por que diabo tinha sido dada ao seu avião a permissão para voar que estava a ser negada a aviões menos próximos do lobby S. Pedro.

O PB esclarece. Graças à grande, super, excelente, magnífica repórter fotográfica Cristiana, podemos avançar em primeira mão que
o papa encontra-se em Portugal pelo menos desde Domingo passado. E tinha excelentes – as melhores - razões para isso. Como podemos ver na foto, fê-lo não tanto pelas cinzas e sim sobretudo para não perder a consagração do Jesus e a oportunidade de festejar à doida com o resto dos fieis. A foto, conseguida à custa de mil perigos, foi tirada no preciso momento em que o líder dos Diabos Vermelhos do Vaticano revelava partes até agora ocultadas do terceiro segredo de Fátima: aqueles a quem os portugueses continuam maioritariamente a confiar o seu voto fá-los-ão ainda (muito) mais pobres, mas o Benfica será campeão até ao ano da graça do senhor de 2066. Os sacrifícios valem sempre a pena.

Terça-feira, 11 de Maio de 2010

A conjuntura certa para cortar nos apoios sociais

Um sistema mais do que conveniente

Por cá, com o argumento da necessidade de aproximação dos eleitos aos eleitores, o PSD vai lançando as sementes de uma reforma eleitoral que inclui a criação de círculos uninominais. O PS não diz que sim nem que não. Vai mantendo a porta aberta à viabilização do projecto, uma forma de apreciar esta moeda de troca de apoios que vai conseguindo angariar, sem grande esforço, junto do PSD. É a necessidade, e nada mais do que isso, que os obriga a adoptar medidas que poderiam ser evitadas, como vimos no post anterior. E, como veremos adiante, a reforma proposta é do interesse de ambos, na medida em que, se fosse aprovada, varreria da AR os restantes três partidos que actualmente têm representação parlamentar.

Em Inglaterra, país com um sistema eleitoral com círculos uninominais, chegados à conclusão de que o sistema não serve os propósitos de uma democracia representativa, faz-se o trajecto oposto. Os Liberais Democratas, que foram a terceira força partidária mais votada,
com 23 por cento dos votos expressos, não conseguiram traduzir essa votação nem em 10 por cento do total de mandatos no Parlamento.

As distorções do sistema eleitoral britânico favorecem o bipartidarismo e prejudicam o surgimento de alternativas fora do eixo formado pelos dois partidos mais votados. Ainda assim, COM os resultados das últimas eleições, na necessidade de formar Governo, sem mandatos em número suficiente para garantir uma maioria que o sustente no parlamento, Conservadores e Trabalhistas viram-se obrigados a conseguir uma aliança com a terceira força, que usa a reforma do sistema eleitoral como condição prévia para lhes dar o seu apoio. Ao início, a preferência parecia recair sobre uma coligação com os Trabalhistas, ideologicamente mais próximos do que os Conservadores, o partido mais votado, mas foi com estes últimos que acabaram por entender-se.

(editado)

Arquive-se

Escolhas

A subida no IVA e a subtracção do subsídio de Natal a toda a população, duas medidas ponderadas pelo Governo para garantir o novo objectivo do défice, têm o potencial para, este ano, gerar uma receita adicional para o Estado de mais de 3000 milhões de euros, lê-se aqui. Não se lê que as medidas têm também o potencial de reduzir ainda mais o nosso crescimento económico, um efeito inevitável face a uma redução do consumo que, por arrastamento, fará reduzir o investimento, logo, a criação de emprego.

Pelo contrário, a tributação dos lucros das grandes empresas, a tributação dos lucros da banca à mesma taxa que é aplicada à restante economia, a tributação das mais-valias urbanísticas que resultem de actos administrativos (como alterações aos PDM) e a tributação de transacções com paraísos fiscais, para além de terem um impacto reduzidíssimo sobre o crescimento económico, caso fossem adoptadas, superariam largamente o encaixe a realizar por mais esta traição dos dois partidos que previsivelmente o sustentarão aos respectivos eleitorados. Reuniriam ainda outra vantagem que ajuda a explicar a sua não adopção: desviar os rios de dinheiro que continuam a engordar fortunas injustificáveis num Estado de direito que tenha como objectivo a promoção da equidade fiscal e o combate à corrupção.

Cada opção política identifica as prioridades dos seus autores. Não há opções políticas neutras. Há sempre quem saia beneficiado e quem saia prejudicado com a realidade de partida que é alterada pela sua implementação. Cada partido defende interesses bem definidos e tem as suas prioridades. E não há eleitorado que não deixe de ser prioridade quando aceita de bom grado e sem reagir pelo voto aos sacrifícios que lhe são impostos para poupar o bem-estar daqueles que quem continua a beneficiar do seu voto pode manter como a prioridade das suas prioridades. Para não perder o poder, vai bastando saber entreter.

Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Eles bem diziam que o patrão é autista

O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, evitou hoje explicar ao partido quais as medidas que o Governo pretende tomar no sentido de reduzir o défice orçamental. O segredo será revelado em primeira mão ao sócio Passos Coelho. O patrão sabe que o partido é obediente. Aceita o que quer que seja. E com palmas. Se for preciso, se os mandarem, o rebanho defende a honra de um ladrão de gravadores com unhas e dentes.

Minuto a minuto, cresce o número de adeptos do Iraklis em Portugal


O prestigiadíssimo Iraklis, nono classificado do campeonato grego, com 41 golos sofridos ao longo da época, tem o seu guarda-redes convocado para a selecção nacional portuguesa. O Benfica, campeão nacional, com menos de metade dos golos sofridos, 20, não tem.

Não foi azar, são mesmo assim

Dez Ex-Ministros Das Finanças foram a Belém beijar a mão ao Presidente da República e mostrar ao país que os seus fracassos, Cavaco incluído, não foram obra do azar. Num momento como o actual, em que as várias componentes da procura interna – investimento e consumo das famílias - se encontram deprimidas, a sua receita milagrosa prescreve ainda mais retracção: menos investimento público e menos salários. Há que exportar mais, dizem os sábios. Para onde? Não dizem. Os mercados internacionais estão fechados. Para exportar mais, há que haver quem invista. E quem investe? Não dizem. O investimento privado não arrisca. A austeridade não cria empregos. Pelo contrário. Vivemos tempos impróprios para lérias.

Eles não aprendem com os erros

Por vezes, as comparações tornam-se inevitáveis. Um dia, Pimenta Machado disse que, no futebol, o que hoje é verdade amanhã é mentira. Apenas os mais distraídos não se recordarão da promessa pré e pós-eleitoral do Governo de não subir impostos. Teixeira dos Santos voltou com a palavra atrás. Para “acalmar” os mercados, leia-se, para que os papeis em bolsa mudem de mãos a níveis de preço mais elevados e para que os países continuem a endividar-se junto dos especuladores e não junto de uma autoridade monetária de enfeite com a mesma capacidade de resposta que teve para com a banca europeia, o Governo equaciona agora subidas no IVA e a criação de um imposto “especial”, do qual ainda não se conhecem detalhes, sobre os salários. Ou seja, tudo aponta para um aumento daquele imposto que mais penaliza os mais pobres e para reduções de salários pela via fiscal, folgando os lucros das grandes empresas e as transacções com paraísos fiscais. Uma reedição da tragédia grega. Comecei pela inevitabilidade das comparações. As manifestações de jubilo de ontem poderão também conhecer reedições. À grega.

Alemanha mais à esquerda

A coligação de direita CDU-FDP perdeu, este Domingo, a maioria com o desaire da CDU nas eleições realizadas na Renânia do Norte-Vestefália, o estado mais populoso da Alemanha, com cerca de 18 milhões de habitantes num total de 81 milhões. Outro partido penalizado pelos eleitores foi o travestido partido social-democrata SPD, que desceu também, embora menos acentuadamente do que a CDU. Ambos os partidos obtiveram o pior resultado eleitoral dos últimos 50 anos e os liberais, conhecidos na Alemanha pela sigla sugestiva FDP, foram também fortemente castigados pelo eleitorado. Apenas dois partidos aumentaram o seu score eleitoral: à esquerda, Verdes e Die Linke. Ler sobre os cenários possíveis que emergem destas eleições aqui.

Domingo, 9 de Maio de 2010

E tudo o Benfica ganhou

64.103 espectadores assistiram à festa. Festa, não, festas. Para além da consagração como campeão nacional pela 32ª vez, os dois golos de Cardozo deram ao paraguaio e ao Benfica o título que faltava, o do melhor marcador. Relembram-se alguns dos restantes: melhor ataque, melhor defesa, rei e vice-rei das assistências para golo (Di Maria e Fábio Coentrão), clube com mais espectadores (mais de um milhão), maior série de vitórias consecutivas e maior série de jogos seguidos sem preder. O Benfica foi um campeão inquestionável. Jesus foi o quinto (e não o terceiro) treinador português a sagrar-se campeão pelo Benfica. E não vou escrever mais nada. Vou mas é festejar.

Enquant não são absolvidos

Os desembargadores do Tribunal da Relação do Porto, que indeferiram esta semana o recurso de José Penedos quanto às medidas de coacção que lhe foram impostas no âmbito do inquérito do processo Face Oculta, concordam com o presumível envolvimento em corrupção passiva para acto ilícito do ex-presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN). O acórdão realça que, movendo-se na sombra, prestava informação privilegiada ao filho, o advogado Paulo Penedos, que a traficava com Manuel Godinho, o único arguido do processo em prisão preventiva.

Sábado, 8 de Maio de 2010

A dar cacetada é que a gente se entende

O Ministro das Obras Públicas admitiu que a obra faraónica da terceira travessia do Tejo vai ser alvo de ponderação. O Governo não precisa do PSD para tomar uma decisão como esta, mas sabe-se que José Sócrates telefonou a Passos Coelho a pedir-lhe solidariedade num plano de austeridade mais ambicioso a aprovar pela União Nacional dos nossos dias: vem aí ainda mais cacetada. A ideologia caceteira não vem - não vinha - nos programas eleitorais dos dois partidos. A união, também não. Os compromissos assumidos com cada eleitorado durante a última campanha foram uma fraude.

Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

Querem é tacho

O Bloco de Esquerda entende que as escutas do caso Face Oculta não são relevantes para o objecto da Comissão Parlamentar de Inquérito à compra da TVI pela PT. Como tal, os bloquistas decidiram não consultar os resumos das 173 escutas que chegaram ontem à tarde ao Parlamento. Se se tratasse doutro partido, o gesto seria entendido como um oposto do populismo e da demagogia que costumam ser-lhes colados, quer pela propaganda dos três partidos que têm empobrecido Portugal ao longo das últimas décadas, quer pelo séquito de comentadores ao seu serviço, quer ainda pelos anjinhos a quem esta conversa fiada cai que nem ginjas. Mas, tratando-se do Bloco, não passa de mero tacticismo político. “Querem é tacho”. Quando as evidências contrariam uma crença que, caso desmorone, pode provocar a admissão de uma vida dedicada ao equívoco, deixando o crente sem nada a que agarrar-se, há expressões que estão programadas para saltarem automaticamente. “São todos iguais”. Menos aqueles que se tornaram legítimos donos dos tachos. Por usucapião. É que a gente “acostumemos-se”.

A humildade do predestinado

Relacionado com o post anterior

Não vejo porque desconfiar dela. Os filmes em 3D são muito reais. Com a tecnologia de hoje tudo é possível”, disse o americano que assumiu a paternidade de uma criança concebida durante o visionamento de um filme porno em 3D. O título deste post é “Relacionado com o post anterior”. Obviamente que não quanto à semelhança no filme porno em 3D: os factos relatados no anterior são posteriores à gravidez. As semelhanças entre as duas notícias verificam-se no voto de confiança de um PS em peso que não viu porque desconfiar do seu mãozinhas e ao “tudo é possível” que parece estar a tomar conta do país.

Vergonha era roubar

Depois de levar os gravadores dos jornalistas da "Sábado", Ricardo Rodrigues passou a ser conselheiro especial de José Sócrates para a segurança interna. O deputado foi ontem designado, em Diário da República, membro do Conselho Superior de Segurança Interna, órgão de aconselhamento e consulta do primeiro-ministro. Com os interesses dos amigos do alheio tão bem representados, o dito é agora também um órgão de concertação larapial. A substituição da expressão “vergonha é roubar”, uma das reivindicações mais antigas da associação socioprofissional dos vígaros e ladrões de Portugal, será o próximo passo para a dignificação da profissão. Concordemos, “vergonha era roubar” é muito mais moderno e bonito.

Quinta-feira, 6 de Maio de 2010

O milagre da multiplicação dos anúncios

Grande tragédia

Que tragédia. O euro continua em queda face ao dólar e atingiu hoje um mínimo de mais de um ano. A notícia é dada com alarmismo, como se a desvalorização do euro prejudicasse a economia portuguesa. Pelo contrário. Com a depreciação do euro, as nossas exportações ficam mais baratas, logo, mais competitivas. Não convirá muito que os portugueses se apercebam de que quem compre em dólares terá que pagar menos pela mesma mercadoria. Entenderiam como a adesão a um euro forte tem prejudicado a economia portuguesa e como os factores de ajustamento têm sido os seus empregos, os seus salários e os seus direitos.

Se, numa situação de partida em que 1 euro vale um dólar, uma garrafa de vinho que custe 5 euros valerá também 5 dólares. Se o euro se apreciar face ao dólar em 20 por cento (1 euro = 1,2 dólares), a garrafa de vinho que custa os mesmos 5 euros passará a custar 6 dólares. O comprador em dólares passará a preferir comprar uma garrafa de vinho produzida no Uruguai por 5,2 dólares, antes mais cara e agora mais barata. A menos que o produtor português decida diminuir os seus custos de produção, despedindo os seus trabalhadores e recorrendo a mão-de-obra temprária, mais barata, de forma a compensar a apreciação do euro entretanto verificada. E, se substituirmos a garrafa de vinho do exemplo por uma camisola, a empresa que a produz terá ainda como opção fechar portas em Portugal para abrir noutro qualquer país onde a mão-de-obra seja mais barata, de forma a que o produto beneficie da redução de custos respectiva.

30 de Abril de 2056: "Naquele tempo, tudo era absolutamente normal"

Naquele tempo, tudo era normal. Faziam-se negócios públicos ruinosos, vendia-se país de atacado ao desbarato a interesses bem instalados no poder, concediam-se isenções fiscais aos que mais podiam, fazia-se de conta que não havia paraísos fiscais, concediam-se serviços públicos a amigos, nomeavam-se incapazes para cargos públicos pelo critério da cor do cartão partidário, favoreciam-se empresas e particulares em negócios de Estado. Numa palavra, roubava-se. Pagavam os mesmos de sempre, com a indiferença de sempre. O país havia caído nas mãos de ladrões.

De ladrões e de ladrõezecos. Um dia, sem se importunar com as câmaras que o filmavam, um deputado da então Assembleia da República, anteriormente
envolvido em histórias de traficâncias de gangs internacionais e até em casos de pedofilia mal esclarecidos, roubou os gravadores e toda a informação sigilosa neles contida dos jornalistas que o entrevistavam. Em vez da reprovação veemente e do fim da carreira política do gatuno que a indignidade do acto mereceria, o mãozinhas, alguém que, não obstante o seu passado duvidoso, ostentava um cargo tão importante como o de vice-presidente do grupo parlamentar do partido mais votado, ainda foi elogiado pelo seu número 1: «Ricardo Rodrigues é um dos melhores deputados da Assembleia da República, tem servido de forma exemplar o nosso projecto político e tive já a oportunidade de lhe exprimir a minha solidariedade». Naquele tempo, o mérito era algo muito relativo. Em 2010, tudo era absolutamente normal.

Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

O rastilho da Europa

Espectacular

Bruxelas reviu em alta as suas previsões do crescimento económico português nos próximos dois anos para uns espantosos 0,5 por cento, 0,2 abaixo das previsões do Governo, e do desemprego para 9,9 por cento. Sócrates ficou contente, confiante, optimista. Rejubila. O desemprego continua a aumentar e a economia vai crescer apenas 1 por cento nos próximos dois anos. A crise, que já há muito se tinha ido embora, volta a ir-se outra vez. Ou continua a ir.

São seus amigos também

Uma sociedade inglesa criou um esquema de evasão fiscal que não tardou a ser comprado por fornecedores de serviços de consultoria jurídica ao Estado e adoptado como produto de excelência vendido aos clientes por aquele sector que o Governo continua a recompensar com um estatuto fiscal de favor que lhe aplica uma taxa de tributação aproximadamente igual a metade da que é cobrada à restante economia. O esquema utiliza as transacções com off-shores para roubar milhões aos contribuintes sobrecarregados com os impostos poupados pelos primeiros. Os poderes públicos olham para tudo isto como se nada fosse. As transacções com off-shores continuam a não ser controladas e tributadas, os bancos continuam a ver remunerados os seus serviços à Nação e os escritórios de advogados a encaixar milhões com estudos e pareceres que poderiam perfeitamente ser elaborados por juristas dos quadros da Administração Pública, enquanto a operação furacão parece ter entrado em velocidade de cruzeiro após terem sido anunciados os perdões fiscais e criminais àqueles que foram apanhados na rede. Foi você que votou PS/PSD/CDS-PP? Se a resposta for afirmativa, todos estes amigos dos seus representantes serão seus amigos também.

Sobre a Sócrates, Coelho & Comandita por acções

Alegre do PS, Nobre do Sporting

Ontem, Manuel Alegre apresentou formalmente a sua candidatura. Laica, suprapartidária com um pedigree PS reconciliador, não neutra e mais uns quantos qualificativos de ocasião. A reacção de Fernando Nobre não se fez esperar. A sua candidatura é a única verdadeiramente apartidária, independente, de cidadania pura e do Sporting: Nobre prometeu que deixará Alegre no terceiro lugar da corrida presidencial.

Terça-feira, 4 de Maio de 2010

"Administrativo", sim, sim


Conferência de coveiros

É uma regra bem enraizada nos nossos costumes. Depois de morto, qualquer imbecil adquire qualidades inusitadas. Mesmo depois de uma vida a trabalhar para ser merecedor daquele título que abrange involuntariamente a progenitora dos filhos da mesma, qualquer defunto se torna a melhor pessoa do mundo.

Os Ministros das Finanças gozam de privilégio semelhante em vida. Depois de mandatos inteiros a fazer de Portugal a maravilha que Teixeira dos Santos conseguiu transformar em Éden, adquirido o estatuto de ex, são reciclados em "sábios" aproveitáveis para conferências organizadas pelo maioral, precisamente aquele que nos afogou o futuro em betão e auto-estradas, com (ir) responsabilidades acrescidas por ter sido também Primeiro-ministro e ser Presidente da República. E "sábios" reunidos para dizer-nos o quê? Para apresentarem desculpas públicas ao país? Longe disso. Para, com a autoridade que não têm, dizer não ao betão e às auto-estradas. Estes santinhos têm UM humor INVEJÁVEL.

As crianças portuguesas estarão a salvo

Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

É o mercado, estúpido

Sem o espartilho das regras de contratação pública a que obedecem as carreiras médicas, a “parceria” público-privada que se apoderou do novo Hospital de Cascais foi contratualizada com contrapartidas em dinheiro suficientes para ir a um hospital público recrutar médicos oferecendo-lhes, pelo menos, o dobro do que ali recebiam. O Garcia de Horta ficou sem ginecologistas e sem director do serviço respectivo. Justificação oficial da administração: foi afastado por não ter conseguido cativar os médicos que saíram. Estará agora em curso a contratação de uma top model capaz de exercer cabalmente a função. Sem dinheiro e com regras salariais, resta a persuasão através do recurso a carinhos vários e promessas de disponibilização da genitália aos novos ginecologistas a contratar. Vão ficar doidos com mais esta regra do mercado. Quem não tem cão, caça com... Exactamente.

Era uma vez

Quando, em 2007, beneficiando de uma apatia quase geral, acabou com o único mecanismo universal eficiente no combate a uma desigualdade muito específica e retirou os benefícios fiscais aos cidadãos portadores de deficiência, o Governo justificou-se com o disparate de que os deficientes mais ricos pagariam a inclusão dos mais pobres. O que estava em causa, recorde-se, era a solidariedade social no pagamento dos custos decorrentes de ser portador de uma qualquer deficiência e a minimização da desigualdade de oportunidades entre quem tem e quem não tem que enfrentar estes custos. Quem os tem ficou mais sozinho na sua luta quotidiana.

Chegados a Maio de 2010, a receita repete-se. Desta feita o portador de deficiências é Portugal. Tal como aconteceu em 2007 com os deficientes portugueses, a pátria da indiferença foi colocada a pagar a integração de outro portador de deficiências, mais graves ainda, a Grécia. Como aconteceu então, Portugal vai contribuir com o dinheiro que não tem,
que lhe fará imensa falta para a sua própria integração e crescimento, desta feita não enquanto ser humano, enquanto economia com necessidades especiais na compensação do seu atraso estrutural numa integração que não as valorizou.

Em ambos os casos, estamos na presença de políticas erradas em que se sacrificam aqueles que não estão em condições de sê-lo e cujo desenvolvimento seria, em princípio, do interesse daqueles outros que, apesar de poderem e apesar de conseguirem financiar-se no mercado a juros mais baixos do que os primeiros, são poupados a uma contribuição mais consentânea com a sua dimensão e com as vantagens que obtiveram com o euro.
Dois mil milhões de euros são uma insignificância para a Alemanha ou para a França, os países que mais ganharam com uma moeda única em apreciação permanente. E são uma enormidade para os países que cometeram a irresponsabilidade de embarcar numa aventura sem tomarem as devidas cautelas durante as negociações da adesão. Não faltaram alertas nesse sentido. Dos “velhos do Restelo”, chamavam-lhes, então, os habituais entusiastas de serviço.

Domingo, 2 de Maio de 2010

A festa do terceiro lugar

Olegário condicionou. O Benfica dominou. O Porto ganhou bem, num jogo emotivo mas sem grande qualidade. Era para ser a festa do título. Acabou por ser a festa do terceiro lugar. Os adeptos portistas festejaram efusivamente a qualificação para a Liga Europa. Com petardos, uma chuva de isqueiros, bolas de golfe, telemóveis, indisciplina dentro e fora do campo, violência. Foi mais do que feio. A Liga Europa não costuma provocar tanto estrilho.

Quanto à festa do título, fica marcada para a última jornada, na Luz, contra o Rio Ave. Falta um ponto. Acabo de ouvir Jorge Jesus dizer que “temuzu” na mão. Referia-se ao título, bem entendido. Assim seja.

Sp Braga 1 – P. Ferreira 0

Sporting 0 – Naval 1

Fc Porto 3 – Benfica 1

Marcador: Luisão