Condenações vãs, manifestações de profunda inquietação ou preocupação e o mais que a imaginação de quem não quer fazer mais do que deixar que a propaganda do costume faça com que a notícia se dilua no tempo são muito pouco para o ataque realizado esta manhã por tropas israelitas a uma frota civil, com fins humanitários, em águas internacionais. Os crimes de Israel já se repetem há demasiado tempo para que continue a tolerar-se tanta hipocrisia. Sanções económicas, diplomáticas e, sobretudo, uma solução para a Palestina e o fim das muitas ajudas militares com as quais o ocidente presta vassalagem a Israel seriam o mínimo que poderia exigir-se aos representantes de todos os povos que repudiam as práticas de um Estado ao qual os seus eleitos obstinadamente se negam a chamar pelo devido nome: criminoso. Falta alguém, entre os cúmplices, que deixe de ficar à espera que seja o vizinho a dar o primeiro passo para o julgamento e a condenação que se impõem. Faltam tomates à elite que só o é porque é eleita precisamente por demonstrar que não os tem, ou de facto, adorados pãezinhos sem sal, ou no sítio certo, amados déspotas trambiqueiros. Sim, no sítio certo. Os ditos não devem confundir-se com discursos e práticas musculadas exercidas exclusivamente sobre quem não tem como defender-se. Isso é cobardia. Como a, como as de hoje.
Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Criminosos, com todas as letras
O efeito ®GLUP!
Domingo, 30 de Maio de 2010
Sábado, 29 de Maio de 2010
Portugal, terra de oportunidades
3. O PS, PSD e CDS-PP recusam-se a tributar as operações com paraísos fiscais, conforme propõem aqueles partidos a quem chamam de “irresponsáveis” e “radicais”. O presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude revelou que o ano de 2009 foi aquele em que mais dinheiro saiu para off-shores. Um aumento radical. Em 2009, verificou-se uma quebra abrupta das receitas fiscais que está agora a ser compensada através de uma sobrecarga imposta pela irresponsabilidade que nos governa sobre aqueles que não têm forma de fugir ao fisco. Mas há quem fuja. São cada vez mais. Carlos Pimenta, na Conferência sobre o Combate ao crime na Europa, avisou que a economia paralela continua imparável e que está a ganhar terreno
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Rendeiros à rasca
E o principal argumento que estes rendeiros utilizam nos protestos que vão balbuciando não é económico. Apelam ao nacionalismo mais patrioteiro como forma de reunir apoios. Não é indiferente que o país proporcione fortunas injustificáveis a uma aristocracia republicana nacional ou proporcionar o mesmo tipo de enriquecimento a estrangeiros. Os portugueses, porque são portugueses, têm toda a vatagem em olhar para o lado e ter o conforto de verificar que as suas contribuições enriquecem alguém que fala a mesma língua.
Um deles, que tem o nacionalismo bem resumido no “Joe” que ostenta na vez do nome próprio, diz que, se Portugal deixar fugir a PT para os espanhóis, bem podemos sentar-nos à margem do Tejo a ver passar os navios. Por certo que não se oporia a que os navios fossem os seus. E decerto não torceria o nariz a uma parceria com a empresa dos colegas rendeiros da Mota-engil para a construção de uma mega-bancada nas margens do rio para dar condições a quem queira aderir ao espectáculo proposto. A perícia gestionária de Jorge Coelho com toda a certeza que conseguiria financiamento para o mega-projecto. Caramba! Um país com a nossa vocação atlântica não tem uma bancada para quem queira ver o mar.
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
E chamam-lhe "governabilidade"
Mas a anedota não se fica por aqui. Segundo as novas regras de mais esta ideia brilhante, passa a ser expressamente proibido contratar médicos reformados para o SNS através de empresas de prestação de serviços. Os senhores do Governo vão agora confrontar-se com uma das criações do socratismo mais inspirado: como alterar os contratos das parcerias público-privadas na área da Saúde que não prevejam intromissões do parceiro público na gestão que delegaram nos privados, como a da proibição acima? Quando a gestão da Saúde era exclusivamente pública, subordinava-se às decisões políticas. Hoje, as políticas estão amarradas aos negócios feitos por políticos para entregar interesses públicos nas mãos de interesses privados.(editado)
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
Querem comer, 600 mil? Vão pedir ou vão roubar
Outra reforma de sucesso
Acabar assim
Na semana seguinte, a Isabel seria internada numa unidade de cuidados continuados. Disse seria, não foi. Estava cheia. Não havia lugar para ela. Em vez de ir trabalhar, passou a ir lá todos os dias receber tratamento ambulatório. Soro, a Isabel já quase não conseguia comer, e morfina para as dores que cada dia se tornavam mais insuportáveis.
Até que, finalmente, lá arranjou vaga. Ingeria agora também uma espécie de papas de iogurte que existem no mercado, próprias para casos como o dela. Tinha-as experimentado na semana anterior, recomendação da senhora da farmácia. Conseguia comê-las sem vomitar. Mas eram caras. Para a sua bolsa e para a do hospital, que apenas as disponibilizava em casos muito especiais, não como o seu, mulher da limpeza. As que a Isabel comia tinham-lhe sido oferecidas por um conhecido de um conhecido que se impressionou com a sua história. Era a filha quem lhas levava, todos os dias, até terminar o pack de 24 da oferta.
Que lá terminou, dois dias antes da ameaçada alta, confirmada cinco dias depois do ameaço. Até poderia regressar, como explicaram a uma vizinha que tentou mover influências para que a Isabel não fosse mandada naquele estado para onde não tinha quem lhe desse assistência, mas havia as estatísticas: o Estado paga por cada saída e prolongar estadas não era aconselhável. Estas unidades, que poupam também no pessoal médico e de enfermagem, foram feitas para dar lucro. Lucro maximizado por poupanças várias, como as papas de iogurte que a Isabel aceitava agora como uma impossibilidade para si, e pela minimização das remunerações da grande maioria de pessoal não especializado, com sorrisos e simpatia condizentes com a sobrevivência que vem nos recibos que vão assinando.
A Isabel foi mandada para casa. Aí passou os dias seguintes. Já não conseguia andar. Assistia-a uma equipa de duas funcionárias da rentabilizadora de estatísticas, de metade do salário da Raquel, a filha da Isabel, do restante da comparticipação da Segurança Social e dos 475 euros que recebe cada uma destas mulheres pelas mais de quinze Isabeis que visitam diariamente. Depois, uma noite, as dificuldades respiratórias não deixaram margem para que não voltassem a interná-la. Assim está agora, à espera de morrer, contrariando a ordem da junta que a mandou trabalhar. Ontem, ainda desobedecia.
Esta história é verdadeira.
Terça-feira, 25 de Maio de 2010
Está tudo doido
Poderosos interesses corporativos
Foi apregoada como uma reforma justa, que promovia o mérito e combatia poderosos interesses corporativos. Privilégios incomparavelmente mais perigosos do que os dos delinquentes do BPN ou dos empreendedores da Mota-Engil, cujos negócios fomos chamados a comparticipar. Na anterior legislatunga, os funcionários públicos viram as suas carreiras desmanteladas. Acabaram as progressões por antiguidade, o intervalo temporal entre promoções foi prolongado e os acréscimos remuneratórios resultantes das promoções foram diminuídos. Em troca, davam-se prémios aos melhores.
Desde então, a avaliação do desempenho, realizada maioritariamente por chefias nomeadas por critérios estranhos ao mérito, designadamente a cor do cartão partidário, nunca passou do papel numa enormíssima parte do universo de organismos públicos abrangidos pelo SIADAP. Apesar da lei prever a exoneração dos dirigentes que não o implementassem, ocorreram apenas 10 exonerações.
Hoje, porque o mundo mudou em quinze dias, para além das carreiras desmanteladas anteriormente, para além do agravamento em sede de IRS que abrangerá todos os portugueses, sabe-se que os funcionários públicos ficarão também sem os prémios para os melhores a troco dos quais o Governo promoveu esse desmantelamento e sem as promoções que, na maioria dos casos, aconteceriam apenas quatro vezes ao longo de um percurso profissional de 40 anos de trabalho. Nem isso. E o Governo e o PSD não querem greve geral.
Um forte candidato a um pequeno-almoço daqueles
Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
Varas demasiado verdes para ganhar a Cabo Verde
O empate conseguido esta noite pelos seleccionados de J. Mendes frente a uma formação tão modesta como Cabo Verde vai dar imenso trabalho à sua sócia na empresa de imagem. A filha do amigo do sucateiro com toda a certeza que não estaria à espera de um começo tão comprometedor da valorização da mercadoria.
Hasta 2014
Já não falta muito para começar a doer. O grosso da factura chegará quando terminar o actual período de sacrifícios, repartidos na proporção de 3 para 1 entre famílias e empresas e de 100 para 0 entre transacções sem e com recurso a off-shores, que foi decretado para “acalmar os mercados”. No final de 2013, a despesa pública e o défice dispararão novamente. O mundo voltará a mudar em duas ou três semanas.
Recuperando o título do post anterior, sobre outro lado deste mesmo problema, qual será – qual seria – o peso do Estado se não houvesse um único funcionário público? Uma resposta possível: igual ao peso das escolhas eleitorais de quase quatro décadas de uma democracia mal aproveitada por um povo que continua a confiar aos lobos a guarda dos seus rebanhos. Custa a aprender. Um lobo é sempre um lobo, mesmo quando muda de pele.
Domingo, 23 de Maio de 2010
Sábado, 22 de Maio de 2010
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
As manobras do "estadista"
Nem 24 horas depois, ontem, o PSD, pela mão de Pacheco Pereira, formalizou o fim dos trabalhos da Comissão. O PSD abdicou do apuramento da verdade e de todos os trabalhos até agora desenvolvidos por uma Comissão que não necessitaria de escutas para chegar a conclusões. Mais útil ao PSD do que o apuramento da verdade, à semelhança do dia anterior, a suspeição, essa arma dos populistas que eles dizem não ser, voltou a ficar no ar.
Pouco tempo depois, uma sondagem dava nova subida ao PSD, porém, ainda insuficiente para fazer cair o PS, que voltaria a ganhar eleições se estas se realizassem no momento presente. Sobre o apregoado sentido de Estado do PSD, ficámos conversados. É mesmo de plástico. A estabilidade política manter-se-á apenas até ao dia em que o instinto de poder da sua cúpula cheire o momento certo para dar o golpe de misericórdia aos seus parceiros de políticas. Será, então, a hora certa para reconquistar o lugar na alternância de declínio estável que os dois partidos desenvolvem impunemente, ora um, ora o outro, há 36 anos consecutivos. A oportunidade para alienar o que resta de país. A liquidação total ainda não é para já.
Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava nos frascos, e o Verbo era sintético
Nasceu a primeira forma de vida artificial. Uma equipa de cientistas conseguiu fazer uma bactéria a partir de compostos químicos sintéticos contidos em quatro frascos. O divino voltou a encolher.
Parece uma excelente notícia, não parece?
De acordo com o Boletim de Execução Orçamental, o défice do Estado situou-se em 4 562 milhões de euros em Abril, uma diminuição de quase 300 milhões face ao registado em igual período do ano passado, lê-se aqui. Grande admiração. Portugal andou quatro meses à deriva sem Orçamento de Estado aprovado e, neste momento, sinal do desnorte que reina na governação do país, continua sem Decreto de Execução Orçamental. A funcionar por duodécimos, em regime transitório, os organismos públicos tiveram que adiar muitas aquisições para depois do final do período transitório, pelo que será mais do que expectável uma derrapagem mais acelerada da despesa nos meses mais próximos.
Alguém sabe onde andava o Ricardo Mãozinhas?
Cinco quadros de nomes maiores da arte moderna, avaliados em 500 milhões de euros, foram roubados, na última noite, do Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris. Fontes do PB asseguram que uma das pistas que a polícia francesa está a seguir é um saco com gravadores digitais que os ladrões deixaram atrás de si no local do crime.
O jogo das inevitabilidades
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Gostei de ler
Terça-feira, 18 de Maio de 2010
A culpa é dos comunas
Chato, eu?
Segunda-feira, 17 de Maio de 2010
Era só o que nos faltava
Paguemos, patriotas
Em finais de Janeiro, compilei aqui a cronologia de uma história muito bem contada. A da evolução dos números oficiais das nossas contas públicas antes e depois das eleições. Condicionaram-nas, tornando-as uma fraude. O Governo ocultou as informações que depois revelou como uma surpresa desagradável completamente inesperada. No que toca à receita, Os pormenores desta fraude vêm na imprensa de hoje: de Maio a Novembro de 2009, o Governo foi repetindo que a cobrança fiscal estava "em linha com o previsto", quando a DGCI, mês após mês, ia afirmando o contrário. A surpresa do lado da despesa foi-se construindo ao longo dos episódios da privatização do BPN e das ajudas dadas ao BPP, também do conhecimento do Governo. Ambas somaram mais de 4 mil milhões de euros e são a maior parcela da conta que agora os portugueses são chamados a pagar. Com todo o patriotismo, seremos diferentes da Grécia. Eles é que falsificavam as contas.
Domingo, 16 de Maio de 2010
Sábado, 15 de Maio de 2010
Alguém que passou por aqui
Alguém de Taiwan resolveu escolher este cantinho da internet para despejar nas caixas de comentários spam com links para páginas com scripts maliciosos. Para evitar que algum leitor menos experiente caia na tentação de clicar num desses links, infectando automaticamente o seu computador, e, ao mesmo tempo, para poupar-me ao trabalho fastidioso de apagar esses comentários) eram já mais de 20 e continuavam a chover), alterei as permissões dos comentários. Até passar a onda, apenas podem dar puxões e esticões utilizadores registados. As desculpas da casa por qualquer eventual entupimento que a restrição possa causar.Segunda-feira, 17: as permissões foram repostas como estavam anteriormente. Espero que o chinês não volte.
A corrida dos arrependimentos
O PS vende a sua “inevitabilidade”, o PSD adopta um estilo “perdoa-me” para se associar a ela. Ambos transpiram “responsabilidade” e “sentido de Estado” a rodos. Começou a corrida do arrependimento pelo pacto de miséria acordado entre PS e PSD. Quem a vença, pensarão os nossos atletas do poder, pagará uma factura eleitoral menor. Há que fazer um esforço para passar a mensagem de que há cisões dentro de cada partido. Assim, nas próximas eleições, cada eleitor poderá fazer a escolha difícil entre votar nos mais ou nos menos arrependidos sem sair da tradicional opção entre um e o outro partido, garantindo, dessa forma, que as flores não se lembrem de crescer para dentro da terra, que o Sol não se esqueça de nascer todos os dias e que o seu voto seja útil a quem dele mais necessita para garantir a sua própria estabilidade.
E ainda decorre o velório do nosso futuro. Depois do enterro, na votação que acontecerá na AR, quando se verificar que mais e menos arrependidos vão deixar as divergências lá fora e votar lado a lado, poderão carpir novamente. Pelos votos que necessitam para se sentarem ali. Eles vivem disso. E da obediência às cúpulas dos partidos respectivos. Primeiro, há que garantir um lugar nas listas. É a corrida mais difícil. Depois, logo se vê. Os votos dos portugueses ganham-se a cantar ao desafio.
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
É malta amiga
Os ex-presidentes do BCP, Jorge Jardim Gonçalves e Filipe Pinhal, e os ex-gestores Christopher de Beck, Alípio Dias e António Rodrigues foram punidos pelo Banco de Portugal com coimas entre um milhão de euros e 450 mil euros, e com a inibição de exercício de actividade na banca entre nove e quatro anos. Esta inibição não aquecerá nem arrefecerá a maioria de aposentados que compõem o grupo, todos eles com reformas milionárias que, no caso de Jardim Gonçalves, recebe 170 mil euros mensais.
Quanto ao valor da penalização, bastante abaixo do máximo de 5 milhões, recuemos até finais de 2008, pouco depois do escândalo ter rebentado, e recordemos o que então aqui escrevi sobre os cuidados que os três ditos partidos “responsáveis” tiveram para salvaguardar os interesses dos seus representados. Se um milhão de euros é uma fortuna inalcançável para o comum dos portugueses, também há ilustres para quem uma coima no mesmo valor não representa mais do que o esgar de um sorriso face ao que ganharam com os ilícitos por ela sancionados. Tendo os contactos certos, o crime compensa. A “mão pesada” de Vítor Constâncio poupou-lhes imenso dinheiro, PS, PSD e CDS livraram-nos da prisão. É malta amiga.
12.12.2008 - E porquê um limite máximo? E porquê 5 anos?
Com requintes de sordícia.
E hoje sabemos que a verdade não foi toda dita. Ao contrário do inicialmente anunciado, O imposto especial agravado de 1,5 por cento abrangerá todos os salários acima de 1285 euros. O agravamento fiscal sobre o consumo de bens essenciais foi de 20 por cento. As entradas na função pública foram congeladas indefinidamente. Os custos do corte no défice pretendido foram repartidos na proporção de 3 para 1 entre famílias e empresas. Finalmente, como forma de agravar uma recessão que as medidas anteriores aceleram, PS e PSD terão acordado facilitar ainda mais os despedimentos, o que, juntamente com a conta das parcerias público-privadas que ainda não chegou, faz antever novo apertão para breve. Flexibilizar despedimentos tem como consequência inevitável a diminuição geral do nível de salários e este a diminuição da base de incidência de impostos, logo, a necessidade de novo agravamento fiscal que satisfaça determinado objectivo orçamental. E que compromete o crescimento económico e a criação de emprego já comprometidos pelo choque fiscal actual, ainda não totalmente desvendado.
Ao fundo, lá atrás, ficam as eleições, uma fraude gigantesca em face dos programas eleitorais que apenas serviram de engodo para caçar votos. Ao fundo, lá adiante, uma tragédia de contornos incalculáveis. E, diante dos nossos olhos, um par de intrujões vai-se recreando em revelações a conta-gotas sobre tudo o que vão cozinhando à margem do Parlamento, medindo as palavras para evitar convulsões sociais e a penalização eleitoral que vão fazendo por merecer. Venha o próximo corte, venha a próxima revelação macabra. A espiral de regressão continua no próximo anúncio. É já a seguir.
Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
Santificadas sejam as vossas perversões
Será de esperar que, quando um Chefe de Estado em visita a um país critique abertamente o seu ordenamento jurídico, se gere um incidente diplomático grave. A menos que se trate do Papa e as críticas incidam sobre a legislação relativa à interrupção voluntária da gravidez e sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nesse caso, sobretudo quando a cartilha é a mesma de alguém em campanha que, ao convidá-lo, sabia estar também a encomendar-lhe o sermão, entende-se e dá-se-lhe o devido desconto. Duas pessoas do mesmo sexo que se casem ou uma mulher que aborte não produzem nem a mão-de-obra barata que deveriam produzir, nem rabinhos frescos para alimentar as perversões escondidas que Bento XVI branqueou ao longo da sua vida. Está visto, tolera-as melhor do que a abolição das aberrações civilizacionais que defende. Homossexualidade e aborto, só onde ninguem veja e se ninguém souber. Nesse caso, santificadas sejam as vossas perversões. Não há nada que uns quantos pai nossos e outras tantas avé marias não limpem. Deixam qualquer alminha pronta para o reino dos céus. Vota Cavaco.
Milagre! Chegou a conta!
Chegou a conta do BPN, do BPP, dos submarinos, das consultorias, da não tributação das mais valias urbanísticas decorrentes de actos administrativos, da corrupção, da isenção de impostos concedida às transacções com off-shores, dos Godinhos, dos Ruis Pedros Soares, dos pequenos-almoços de campanha. A taxa adicional de IRS, uma das medidas acordadas entre PS e PSD, vai vigorar até ao final de 2011. Então, quando começar a chegar a conta das parcerias público-privadas, depois logo se vê que nome dar ao novo imposto criar para pagar as fortunas que continuam a engordar.
Quanto à conta que hoje começamos a pagar, há portugueses que vão comer menos pão porque a taxa reduzida de IVA abrange também a Coca-Cola. Não perceberam?
Como vemos, foi a maldita água suja do capitalismo que fez afundar o BPN e tornou necessário comprar submarinos para ir lá ao fundo buscar as notas e moedas que agora fazem falta. Apesar do esforço, foi tarde demais. Agora há que rezar muito. Obedecer. E pagar, sem abusar da Coca-Cola. Não se esqueçam de voltar a votar no PS e no PSD. Eles precisam de muita estabilidade.
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
O fosso entre o não poder e o não querer
Ler os outros: "populismos"
A seguir somos nós
Avistado no Marquês
O PB esclarece. Graças à grande, super, excelente, magnífica repórter fotográfica Cristiana, podemos avançar em primeira mão que o papa encontra-se em Portugal pelo menos desde Domingo passado. E tinha excelentes – as melhores - razões para isso. Como podemos ver na foto, fê-lo não tanto pelas cinzas e sim sobretudo para não perder a consagração do Jesus e a oportunidade de festejar à doida com o resto dos fieis. A foto, conseguida à custa de mil perigos, foi tirada no preciso momento em que o líder dos Diabos Vermelhos do Vaticano revelava partes até agora ocultadas do terceiro segredo de Fátima: aqueles a quem os portugueses continuam maioritariamente a confiar o seu voto fá-los-ão ainda (muito) mais pobres, mas o Benfica será campeão até ao ano da graça do senhor de 2066. Os sacrifícios valem sempre a pena.
Terça-feira, 11 de Maio de 2010
A conjuntura certa para cortar nos apoios sociais
Um sistema mais do que conveniente
Em Inglaterra, país com um sistema eleitoral com círculos uninominais, chegados à conclusão de que o sistema não serve os propósitos de uma democracia representativa, faz-se o trajecto oposto. Os Liberais Democratas, que foram a terceira força partidária mais votada, com 23 por cento dos votos expressos, não conseguiram traduzir essa votação nem em 10 por cento do total de mandatos no Parlamento.
As distorções do sistema eleitoral britânico favorecem o bipartidarismo e prejudicam o surgimento de alternativas fora do eixo formado pelos dois partidos mais votados. Ainda assim, COM os resultados das últimas eleições, na necessidade de formar Governo, sem mandatos em número suficiente para garantir uma maioria que o sustente no parlamento, Conservadores e Trabalhistas viram-se obrigados a conseguir uma aliança com a terceira força, que usa a reforma do sistema eleitoral como condição prévia para lhes dar o seu apoio. Ao início, a preferência parecia recair sobre uma coligação com os Trabalhistas, ideologicamente mais próximos do que os Conservadores, o partido mais votado, mas foi com estes últimos que acabaram por entender-se. (editado)
Escolhas
Pelo contrário, a tributação dos lucros das grandes empresas, a tributação dos lucros da banca à mesma taxa que é aplicada à restante economia, a tributação das mais-valias urbanísticas que resultem de actos administrativos (como alterações aos PDM) e a tributação de transacções com paraísos fiscais, para além de terem um impacto reduzidíssimo sobre o crescimento económico, caso fossem adoptadas, superariam largamente o encaixe a realizar por mais esta traição dos dois partidos que previsivelmente o sustentarão aos respectivos eleitorados. Reuniriam ainda outra vantagem que ajuda a explicar a sua não adopção: desviar os rios de dinheiro que continuam a engordar fortunas injustificáveis num Estado de direito que tenha como objectivo a promoção da equidade fiscal e o combate à corrupção.
Cada opção política identifica as prioridades dos seus autores. Não há opções políticas neutras. Há sempre quem saia beneficiado e quem saia prejudicado com a realidade de partida que é alterada pela sua implementação. Cada partido defende interesses bem definidos e tem as suas prioridades. E não há eleitorado que não deixe de ser prioridade quando aceita de bom grado e sem reagir pelo voto aos sacrifícios que lhe são impostos para poupar o bem-estar daqueles que quem continua a beneficiar do seu voto pode manter como a prioridade das suas prioridades. Para não perder o poder, vai bastando saber entreter.
Segunda-feira, 10 de Maio de 2010
Eles bem diziam que o patrão é autista
O primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, evitou hoje explicar ao partido quais as medidas que o Governo pretende tomar no sentido de reduzir o défice orçamental. O segredo será revelado em primeira mão ao sócio Passos Coelho. O patrão sabe que o partido é obediente. Aceita o que quer que seja. E com palmas. Se for preciso, se os mandarem, o rebanho defende a honra de um ladrão de gravadores com unhas e dentes.
Minuto a minuto, cresce o número de adeptos do Iraklis em Portugal
O prestigiadíssimo Iraklis, nono classificado do campeonato grego, com 41 golos sofridos ao longo da época, tem o seu guarda-redes convocado para a selecção nacional portuguesa. O Benfica, campeão nacional, com menos de metade dos golos sofridos, 20, não tem.
Não foi azar, são mesmo assim
Eles não aprendem com os erros
Alemanha mais à esquerda
Domingo, 9 de Maio de 2010
E tudo o Benfica ganhou
64.103 espectadores assistiram à festa. Festa, não, festas. Para além da consagração como campeão nacional pela 32ª vez, os dois golos de Cardozo deram ao paraguaio e ao Benfica o título que faltava, o do melhor marcador. Relembram-se alguns dos restantes: melhor ataque, melhor defesa, rei e vice-rei das assistências para golo (Di Maria e Fábio Coentrão), clube com mais espectadores (mais de um milhão), maior série de vitórias consecutivas e maior série de jogos seguidos sem preder. O Benfica foi um campeão inquestionável. Jesus foi o quinto (e não o terceiro) treinador português a sagrar-se campeão pelo Benfica. E não vou escrever mais nada. Vou mas é festejar.
Sábado, 8 de Maio de 2010
A dar cacetada é que a gente se entende
O Ministro das Obras Públicas admitiu que a obra faraónica da terceira travessia do Tejo vai ser alvo de ponderação. O Governo não precisa do PSD para tomar uma decisão como esta, mas sabe-se que José Sócrates telefonou a Passos Coelho a pedir-lhe solidariedade num plano de austeridade mais ambicioso a aprovar pela União Nacional dos nossos dias: vem aí ainda mais cacetada. A ideologia caceteira não vem - não vinha - nos programas eleitorais dos dois partidos. A união, também não. Os compromissos assumidos com cada eleitorado durante a última campanha foram uma fraude.
Sexta-feira, 7 de Maio de 2010
Querem é tacho
O Bloco de Esquerda entende que as escutas do caso Face Oculta não são relevantes para o objecto da Comissão Parlamentar de Inquérito à compra da TVI pela PT. Como tal, os bloquistas decidiram não consultar os resumos das 173 escutas que chegaram ontem à tarde ao Parlamento. Se se tratasse doutro partido, o gesto seria entendido como um oposto do populismo e da demagogia que costumam ser-lhes colados, quer pela propaganda dos três partidos que têm empobrecido Portugal ao longo das últimas décadas, quer pelo séquito de comentadores ao seu serviço, quer ainda pelos anjinhos a quem esta conversa fiada cai que nem ginjas. Mas, tratando-se do Bloco, não passa de mero tacticismo político. “Querem é tacho”. Quando as evidências contrariam uma crença que, caso desmorone, pode provocar a admissão de uma vida dedicada ao equívoco, deixando o crente sem nada a que agarrar-se, há expressões que estão programadas para saltarem automaticamente. “São todos iguais”. Menos aqueles que se tornaram legítimos donos dos tachos. Por usucapião. É que a gente “acostumemos-se”.
Relacionado com o post anterior
Vergonha era roubar
Quinta-feira, 6 de Maio de 2010
Grande tragédia
Se, numa situação de partida em que 1 euro vale um dólar, uma garrafa de vinho que custe 5 euros valerá também 5 dólares. Se o euro se apreciar face ao dólar em 20 por cento (1 euro = 1,2 dólares), a garrafa de vinho que custa os mesmos 5 euros passará a custar 6 dólares. O comprador em dólares passará a preferir comprar uma garrafa de vinho produzida no Uruguai por 5,2 dólares, antes mais cara e agora mais barata. A menos que o produtor português decida diminuir os seus custos de produção, despedindo os seus trabalhadores e recorrendo a mão-de-obra temprária, mais barata, de forma a compensar a apreciação do euro entretanto verificada. E, se substituirmos a garrafa de vinho do exemplo por uma camisola, a empresa que a produz terá ainda como opção fechar portas em Portugal para abrir noutro qualquer país onde a mão-de-obra seja mais barata, de forma a que o produto beneficie da redução de custos respectiva.
30 de Abril de 2056: "Naquele tempo, tudo era absolutamente normal"
De ladrões e de ladrõezecos. Um dia, sem se importunar com as câmaras que o filmavam, um deputado da então Assembleia da República, anteriormente envolvido em histórias de traficâncias de gangs internacionais e até em casos de pedofilia mal esclarecidos, roubou os gravadores e toda a informação sigilosa neles contida dos jornalistas que o entrevistavam. Em vez da reprovação veemente e do fim da carreira política do gatuno que a indignidade do acto mereceria, o mãozinhas, alguém que, não obstante o seu passado duvidoso, ostentava um cargo tão importante como o de vice-presidente do grupo parlamentar do partido mais votado, ainda foi elogiado pelo seu número 1: «Ricardo Rodrigues é um dos melhores deputados da Assembleia da República, tem servido de forma exemplar o nosso projecto político e tive já a oportunidade de lhe exprimir a minha solidariedade». Naquele tempo, o mérito era algo muito relativo. Em 2010, tudo era absolutamente normal.
Quarta-feira, 5 de Maio de 2010
Espectacular
São seus amigos também
Alegre do PS, Nobre do Sporting
Terça-feira, 4 de Maio de 2010
Conferência de coveiros
Os Ministros das Finanças gozam de privilégio semelhante em vida. Depois de mandatos inteiros a fazer de Portugal a maravilha que Teixeira dos Santos conseguiu transformar em Éden, adquirido o estatuto de ex, são reciclados em "sábios" aproveitáveis para conferências organizadas pelo maioral, precisamente aquele que nos afogou o futuro em betão e auto-estradas, com (ir) responsabilidades acrescidas por ter sido também Primeiro-ministro e ser Presidente da República. E "sábios" reunidos para dizer-nos o quê? Para apresentarem desculpas públicas ao país? Longe disso. Para, com a autoridade que não têm, dizer não ao betão e às auto-estradas. Estes santinhos têm UM humor INVEJÁVEL.
Segunda-feira, 3 de Maio de 2010
É o mercado, estúpido
Era uma vez
Chegados a Maio de 2010, a receita repete-se. Desta feita o portador de deficiências é Portugal. Tal como aconteceu em 2007 com os deficientes portugueses, a pátria da indiferença foi colocada a pagar a integração de outro portador de deficiências, mais graves ainda, a Grécia. Como aconteceu então, Portugal vai contribuir com o dinheiro que não tem, que lhe fará imensa falta para a sua própria integração e crescimento, desta feita não enquanto ser humano, enquanto economia com necessidades especiais na compensação do seu atraso estrutural numa integração que não as valorizou.
Em ambos os casos, estamos na presença de políticas erradas em que se sacrificam aqueles que não estão em condições de sê-lo e cujo desenvolvimento seria, em princípio, do interesse daqueles outros que, apesar de poderem e apesar de conseguirem financiar-se no mercado a juros mais baixos do que os primeiros, são poupados a uma contribuição mais consentânea com a sua dimensão e com as vantagens que obtiveram com o euro. Dois mil milhões de euros são uma insignificância para a Alemanha ou para a França, os países que mais ganharam com uma moeda única em apreciação permanente. E são uma enormidade para os países que cometeram a irresponsabilidade de embarcar numa aventura sem tomarem as devidas cautelas durante as negociações da adesão. Não faltaram alertas nesse sentido. Dos “velhos do Restelo”, chamavam-lhes, então, os habituais entusiastas de serviço.
Domingo, 2 de Maio de 2010
A festa do terceiro lugar
Olegário condicionou. O Benfica dominou. O Porto ganhou bem, num jogo emotivo mas sem grande qualidade. Era para ser a festa do título. Acabou por ser a festa do terceiro lugar. Os adeptos portistas festejaram efusivamente a qualificação para a Liga Europa. Com petardos, uma chuva de isqueiros, bolas de golfe, telemóveis, indisciplina dentro e fora do campo, violência. Foi mais do que feio. A Liga Europa não costuma provocar tanto estrilho.
Quanto à festa do título, fica marcada para a última jornada, na Luz, contra o Rio Ave. Falta um ponto. Acabo de ouvir Jorge Jesus dizer que “temuzu” na mão. Referia-se ao título, bem entendido. Assim seja.
Marcador: Luisão




