Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
É preciso mão de ferro para a malandragem
Tony Laranja já é disco de prata
Quinta-feira, 29 de Abril de 2010
Regime de ubiquidades
Prioridades: sempre foi, sempre será
Os votos de 600 mil desempregados e da multidão de descontentes seriam mais do que suficientes para mudarem a orientação das prioridades do país. Ao abdicarem da mudança, colocando a estabilidade do que sempre foi entre as suas prioridades, os portugueses continuam a fazer do “sempre foi” um “sempre será”. Um mundo de inspiração.
(editado)
Quarta-feira, 28 de Abril de 2010
Pintainhos salvadores
E depois a Saúde fica cara e má
Dos dados fornecidos por 61 de 62 hospitais contactados pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, pode constatar-se que durante 2008 cerca de um quinto (23 por cento) das horas de trabalho realizadas nos hospitais foi em regime de trabalho extraordinário, uma prática que cresce nos meses de Verão para uma média de 25 por cento. Há também hospitais que admitem ter que recorrer a contratualizações temporárias (prestações de serviços, admissões de substituição e bolsas de emprego), mas a IGAS não consegue contabilizar quantas unidades o fazem. Além dos médicos, a contratação a termo nesta altura, através da bolsa de emprego, também acontece com enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica.
Terça-feira, 27 de Abril de 2010
Os ratings e a inexistência política da UE
Continuamos a brincar às escolinhas? Siiiiim!
Salários congelados, país paralisado
Segunda-feira, 26 de Abril de 2010
"Respeitinho" por decreto
A bandeira e o hino nacional vão voltar a estar inscritos enquanto "valores" que os alunos "têm o dever de conhecer e respeitar". Esta é uma das novidades do projecto do novo Estatuto do Aluno. “Nunca houve um Governo que deixasse tantas marcas de esquerda”, dizia, um dia, um tal "engenheiro".
Gestão pública criativa
Perto do fim
"Responsabilidade" à portuguesa, "Irresponsabilidade" à grega
Domingo, 25 de Abril de 2010
Sábado, 24 de Abril de 2010
Cinco
1. Expectativa quanto à enchente na recepção ao Olhanense. Confirmada. O Benfica ultrapassou a barreira do milhão de espectadores nesta temporada.
2. Expectativa quanto a se se verificaria ou não uma goleada. Confirmou-se. O Benfica voltou a dar cinco.
3. Expectativa quanto à exibição. Espectacular, a corresponder ao ambiente de festa que esta noite se viveu nas bancadas da Luz.
4. Expectativa quanto ao número de golos que Cardozo marcaria. Superada. O paraguaio marcou três e ultrapassou o portista que tinha marcado dois, minutos antes.
5. Expectativa quanto ao resultado que o Sp. Braga conseguirá levar para casa na deslocação à Naval. O ponto 6. desta série é amanhã, às 6 da tarde.
Marcadores: Cardozo (3), Di Maria e Pablo Aimar
24 de Abril: o herói deles
Nestes últimos dias, António de Spínola foi a esponja da memória colectiva escolhida por uma elite bem identificada que há décadas vem laboriosamente apagando. Uma artéria de Lisboa foi baptizada com o seu nome e Cavaco Silva atreveu-se a promover-lhe uma homenagem onde disse que o general "lutou por um Portugal verdadeiramente democrático e pela construção de um Estado de Direito assente no respeito pela dignidade da pessoa humana". Trinta e seis anos depois do 25 de Abril, foi nisto que se tornou um fracassado, colonialista, bombista, golpista contra-revolucionário, oportunista, criminoso e outros qualificativos que, num golpe de mágica, quem se apoderou do país soube transformar
Sexta-feira, 23 de Abril de 2010
A estabilização estabilizada
Do “quadro financeiro” relativamente “desestabilizado” que haveria que estabilizar, o argumento utilizado pelo Governo a 15 de Março para adiar a satisfação da pretensão do Bloco de Esquerda de ver a especulação financeira a contribuir solidariamente nos sacrifícios impostos ao país, até à estabilização do mesmo, foi um ápice. O Governo anunciou ontem que as mais-valias bolsistas seriam tributadas a 20 por cento. Quando ouvi a notícia imediatamente pensei: “Caramba! Estes mercados financeiros estabilizam a uma velocidade estonteante!” E a minha desconfiança confirmou-se hoje ao ler que o Governo deixou de fora os investidores não residentes e as sociedades gestoras de participações sociais (SGPS). Ou seja, manter-se-á o actual regime de quase isenção para os grandes investidores. Pequenos a pagá-la e grandes poupados à crise. A estabilidade que já se verificava antes. O Governo sempre fiel aos interesses que representa.
Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
É só a brincar
Querida corrupção
Se a Inês de Medeiros calçasse chuteiras
Foi azar a Inês de Medeiros não ter ficado em primeiro naquele estudo de popularidade que deu o pequeno-almoço e os 750 mil euros ao Figo e resultou no convite que a fez deputada. Seria ela a protagonista do filme, ficava fora das listas do PS e hoje não teríamos que pagar-lhe as viagens entre o seu local de trabalho e a sua residência pós-eleitoral. Para além do mais, deprime-me a oportunidade perdida de termos um deputado com um savoir-faire pesetero apuradíssimo. Colocado ao serviço do país juntamente com umas salsichas com ovos, pão , bacon, cereais e sumo de laranja, os problemas do endividamento externo e da dependência alimentar do exterior suplantariam largamente o sucesso que o Governo tem obtido na criação de empregos para os seus mais fieis servidores. Foi mesmo azar.
Quarta-feira, 21 de Abril de 2010
O sexo dos anjos
A "responsabilidade" é uma batata
Com toda a “responsabilidade”, resultado das medidas “responsáveis” inscritas no PEC, o Governo inscreveu naquele documento como seu pressuposto uma previsão de crescimento económico para Portugal em 2010 de 0,7 por cento. O FMI reviu hoje em baixa de uma décima, para 0,3 por cento, a sua previsão para o crescimento da economia portuguesa este ano.
Sobre um insulto ao nosso passado
Que uma vaga a arrase, ou pelo menos que alguém chegue ali a Peniche e escaqueire a porra das conchas mais o rendilhado dos bilros. Basicamente disse-lhes isto: vão-se foder e pardon my french. Acrescentei: dejecto por dejecto, mais valia construírem a Pousada e depois assinei com o meu nome em nome do meu pai e de outros tantos, incluindo, apesar de tudo, o Cunhal e o guarda José Alves.»
Assim terminou uma visita ao Forte de Peniche. Merda de povo sem memória que consente aberrações como esta. Vale a pena ler este texto de Ana Cristina Leonardo. Aqui.
Terça-feira, 20 de Abril de 2010
Isabel vai à oral
A nuvem
Mas não serão estas as responsabilidades no desequilíbrio das contas nacionais que a Comissão Europeia aponta ao Governo português. Salários baixos e precariedade laboral fazem parte da base da política oficial da UE e, como pode ver-se, o Governo Sócrates foi um bom aluno. A crítica serviu apenas de introdução à declaração de impotência sob a forma de acusação aos bancos de investimento e fundos de alto risco de estarem a empurrar Portugal e a Grécia para a falência. A UE promoveu a erosão salarial e social, a redução do investimento público, tapou buracos de milhões e milhões criados pela ganância delinquente do sector financeiro e andou entretida na arquitectura e imposição de um Tratado de Lisboa que não a dotou de mecanismos e meios capazes de responder nem sequer aos ataques da especulação financeira, que andou a engordar. Há uma nuvem negra a pairar sobre a Europa. Mas já não é de agora.
Segunda-feira, 19 de Abril de 2010
A justiça do bordel
Quem disponha de 35 mil euros, não tenha cadastro e manifeste arrependimento q.b. pode violar crianças de oito anos à sua vontade sem ter que cumprir pena de prisão.
Até breve, financiadores de mistérios
- Ligeiramente relacionado: Joseph Stiglitz não exclui a hipótese de Portugal ou a Espanha acabarem por falir.
Andar para trás, para não correr o risco de ficar parado
“O país não pode correr o risco de ficar parado”. Esta foi uma frase recorrentemente utilizada para justificar reformas irresponsáveis levadas a cabo por um Governo impermeável a quaisquer avisos ou críticas. Hoje, faz-se mais um balanço de nova reforma feita à pressa e sem medir consequências. Quem se veja obrigado a recorrer à Justiça em Portugal paga, só em taxas, no mínimo, o equivalente aproximado a um pouco mais do que um quinto do salário mínimo. A Justiça é, para muitos, um bem de luxo. Mas, a somar a este absurdo, que mina a nossa democracia, o sistema informático, introduzido para agilizar a Justiça, para além do festival de falhas de segurança que produziu no último ano, está a ser decisivo para o bloqueamento do sistema. Há processos a amontoarem-se aos milhares porque quem concebeu as ferramentas informáticas, sem fazer a mínima ideia de como funcionam os tribunais, não as testou nem as preparou convenientemente.
Para ilustrar esta última ideia, numa delas, o CITIUS, o advogado é obrigado a introduzir o número de contribuinte daquele contra quem intenta a acção. De que forma terá o seu criador imaginado que o advogado o obteria? “Está lá? Sou fulano tal, sou advogado de sicrano tal que quer intentar uma acção contra si. Importa-se de me fornecer o seu contribuinte? Preciso dele para preencher o formulário respectivo.” De génio.
Domingo, 18 de Abril de 2010
Classe de campeão
Uma maré vermelha transformou, esta tarde, o Municipal de Coimbra num mini Estádio da Luz. O palco quase veio abaixo pouco depois do início da partida, quando Weldon converteu em golo a entrada de rompante dos encarnados. Respondeu a Académica, equilibrando o desafio a partir de então, com o empate a sorrir-lhes a meio da primeira parte.
Mas o dia nasceu para a festa encarnada, de Di Maria e de Weldon. Pouco antes do intervalo, o argentino fez um dos dois passes de morte com os quais destronou o colega Coentrão, outra boa exibição, como rei das assistências, servindo Weldon, que voltou a bisar.
Depois do intervalo, sem perder de vista a baliza do adversário, o Benfica apostou em manter a posse de bola e baixar o ritmo de parada e resposta da primeira parte, que estava a propiciar perigosos contra-ataques à Académica. Marcou o terceiro nesta estratégia de apenas atacar pela certa. A Académica ainda reduziu pouco antes do “bruá” emitido pela maré vermelha para festejar aquele que já não tem como escapar. Se o Braga não vencer na próxima jornada, será na Luz, na recepção ao Olhanense. Se o Braga vencer, terá que ser no Dragão, na jornada seguinte. E até poderá nem ser preciso pontuar para que seja aí a grande festa.
Sábado, 17 de Abril de 2010
Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
O filtro
Hoje, uma das notícias do dia foi a de que José Sócrates conhece uma tia de Francisco Louçã. A tia que os media preferiram destacar (video à esquerda) em vez do que se disse sobre a responsabilidade do Governo no enriquecimento de mais um tio que se aproveitou da política como trampolim para ganhar numa empresa de serviço público, a indevidamente privatizada EDP, o que ninguém ganha na Microsoft. Desonestidade, concordaremos, mas não daquela utilizada no festival improvisado pelo mestre da javardeira, hoje intelectual amansa-tias, nem daquela outra que filtra o que é ou não notícia em Portugal. Ao Bloco, que hoje voltou a não sê-lo, os donos da informação guardam-no para tudo o que não comprometa a teoria segundo a qual não existe vida fora do eixo PS-PSD-CDS.
Asneira
Quinta-feira, 15 de Abril de 2010
Sócios
Quarta-feira, 14 de Abril de 2010
Tolerâncias
Terça-feira, 13 de Abril de 2010
O título a 7, o Sporting a 26

Sentiu-se o fantasma de Liverpool a pairar sobre a Luz durante quase toda a primeira parte da recepção ao Sporting. Por largos períodos, o derby deu a sensação de jogo invertido, entre leões de alma encarnada e águias a jogar à Paulo Bento.
Porém, tudo começou a mudar um pouco antes do intervalo. O Sporting, que entrou a todo o gás, pressionando alto e criando oportunidades de finalização, começou a quebrar fisicamente e a falhar nas marcações. Aproveitou o Benfica para desfazer a surpresa inicial durante esses cinco ou dez minutos de transição, nos quais encostou o Sporting às cordas. Uma tendência de domínio encarnado que se confirmou na segunda parte, esta já com cada equipa a jogar com as cores habituais e, depois da entrada de Aimar, com o Benfica a jogar com onze jogadores. Selou a vitória com dois golos sem resposta e desmantelou por completo o seu adversário, perfeitamente anulado.
Destaques pela positiva para o prémio ao sacrifício de Cardoso, que culminou no golo que marcou em nítida inferioridade física, e para o esquema que anulou os da casa durante quase toda a primeira parte, montado por Carvalhal. Destaques de sinal inverso para o óbvio Éder luís, uma pedra a menos no Xadrez que Jesus teve a feliz ideia de substituir, e para os cartões que ficaram no bolso do senhor árbitro, que também se esqueceu de assinalar um par de faltas defensivas dentro da área de Rui Patrício. O Benfica não necessitou delas para vencer mais uma partida e ver o título a sete pontos. Se o Braga não perder pontos entretanto, o sétimo será no Dragão.
O fracasso tem nova roupagem
Para além do argumento peregrino que justifica as suas privatizações, reduzir ao máximo um fenómeno que sempre regista momentos altos quando se verificam vendas de bens públicos ao desbarato como aquela em que aposta, uma corrupção pela qual o PSD é tão responsável e protagonista como os outros dois partidos que já foram poder, não há nada de novo aqui. A novidade, porventura, encontrámo-la no seu projecto para a função pública, mais pobre do que Sócrates a fez, e na cláusula de trabalho comunitário que pretende introduzir nos seguros de desemprego, cujos prémios cada trabalhador paga escrupulosamente todos os meses, com a qual tenta equilibrar a batalha da moralidade com Paulo Portas.
Não lhe importará que o seu trabalho comunitário seja uma barreira à criação de emprego. Com toda a certeza saberá que, contando com mão-de-obra paga pelos descontos feitos pelos próprios desempregados ao longo do tempo em que trabalharam, nenhum empregador estará interessado em admitir efectivos que teria que pagar do seu próprio bolso. Pedro Passos Coelho pertence a uma direita que sempre procura e sabe tirar partido do fomento de ódios sociais. Enquanto os rotos andarem entretidos com o parasitismo que forem estrategicamente colando aos descosidos e estes com comentários aos “privilégios” que forem apontando aos rotos, acalma a vida das verdadeiras sanguessugas do país: rendeiros de monopólios concessionados até à idade adulta dos seus bisnetos, empreendedores que não conhecem outro cliente que não o Estado, especuladores isentos de impostos por Governos amigos das suas ajudas aos respectivos partidos, detentores de fortunas a salvo da lei em paraísos fiscais, banqueiros com delinquência assegurada por todos os contribuintes, gestores da escola dos bónus milionários e dos salários baixos e outros que tais. Dos sacrifícios por eles tem resultado e resultará sempre a salvação do país. Num futuro, um dia, com outra Constituição e outro sistema eleitoral que abafem quem resista, hão-de ver.
Não há pequenos-almoços grátis
Não há, neste caso, qualquer acusado pelo crime de corrupção activa. Luís Figo foi ilibado por ignorar que o Tagus Park é maioritariamente detido por entidades públicas. O processo será comunicado à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos para que esta investigue eventual financiamento ilícito da campanha eleitoral do PS, beneficiada pelo pequeno-almoço público que Luís Figo e José Sócrates tomaram a 25 de Setembro, último dia de campanha das legislativas de 2009.
Homossexualidade católica: a mais perigosa
Segunda-feira, 12 de Abril de 2010
Acima da sucata
A Europa dos absurdos
O dízimo
Domingo, 11 de Abril de 2010
As tascas estão de luto
Sábado, 10 de Abril de 2010
Os privilegiados de Sócrates (e seguidores)
Mas não chegou e as alternativas que surgem à direita prometem pior ainda. Miguel Frasquilho, deputado e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, defendeu a baixa de salários na função pública na sua intervenção desta tarde no congresso do partido, que amanhã termina em Carcavelos. Os salários da função pública têm efeitos de arrastamento sobre os restantes salários. Notoriamente, o empobrecimento do país é um objectivo comum a PS e PSD. quem queira perder salário e direitos (e clientes) tem duas alternativas à disposição para o seu voto.
Sexta-feira, 9 de Abril de 2010
A crise passou-lhes ao lado
Quinta-feira, 8 de Abril de 2010
O passado é lá atrás
Uma oportunidade esbanjada
Também antes do início da partida desta noite, Jorge Jesus confirmou aquilo que aqui escrevi depois da vitória na Figueira da última jornada. A equipa não se encontra bem fisicamente e havia pouco tempo de recuperação para hoje. Mal sofreu o primeiro golo, um golo irregular que o árbitro anulou primeiro para validar depois, a quebra física começou a notar-se, acentuando-se um par de minutos mais tarde, quando o Liverpool sentenciou definitivamente a eliminatória ao aproveitar uma má saída de Júlio César.
O Liverpool foi melhor, sem dúvida alguma. Mas a pesada derrota que o Benfica traz de Liverpool começou logo a desenhar-se quando foi divulgado o onze inicial. Jorge Jesus trocou as voltas a um trunfo que tinha, as rotinas de uma defesa segura, e insistiu no mesmo erro de Quique Flores de quase toda a temporada passada, repetido por si nas últimas jornadas, de colocar Aimar a jogar como segundo ponta de nada e deixar Cardozo sozinho na frente. Errou também ao não retirar Luisão ao intervalo, ignorando a evidência de não estar em condições físicas para permanecer em campo. O Benfica deve muito ao bom treinador que tem. Na oportunidade esbanjada de hoje, Jesus fica a dever um dia francamente não. Para o ano há mais.
Marcador: Cardozo
Está tudo bem
Os aumentos de spreads hoje anunciados mostram como o sector financeiro tem a capacidade de fazer remunerar os seus próprios desvarios, delinquência incluída. A actuação da Caixa Geral de Depósitos, que alinhou no aumento, demonstra tanto a cumplicidade dos poderes públicos para com mais este abuso como ainda a falta de estratégia do Governo na utilização do banco público como instrumento de dinamização da concorrência no sector.
E o facto de não haver reacções por parte da população, para além da privação dos consumos que a sua bolsa deixou de poder pagar, mostra que está tudo bem. Enquanto contribuintes, os portugueses pagaram a nacionalização do BPN, as ajudas ao BPP e as garantias e demais apoios que foram oferecidos ao sector. Enquanto clientes, têm vindo a pagar os aumentos das margens fixadas pela banca. Enquanto utentes de serviços públicos e beneficiários de mecanismos de protecção social, têm assistido à deterioração da sua qualidade e ao racionamento da sua quantidade impostas pelo desvio de recursos que passaram a pagar os danos resultantes da ganância do sector financeiro. E, enquanto eleitores, têm maioritariamente dado o seu apoio à estabilidade de quem tão bem os tem defendido. Quem governa sabe que não há que levar a sério insatisfações que se esquecem em duas semanas de bandeirinhas e larachas de ocasião.
Quarta-feira, 7 de Abril de 2010
A governação de improviso e os descartáveis
Um em cada quatro residentes nos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, cerca de 25 por cento, não tem médico de família. Mos concelhos limítrofes, o número sobe e, na maioria dos casos, a proporção ultrapassa os 30 por cento.. O sistema já não tem capacidade de resposta e os utentes sentem-se obrigados a passar horas, de madrugada, em filas à porta dos centros de saúde ou a recorrer aos hospitais ou à medicina privada.
A saída para a reforma de 22500 funcionários públicos prevista para este ano será compensada com a contratação de estagiários em condições precárias e a níveis de remuneração insuficientes para suportar as pensões dos que se retiram. O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, deixou claro que os estágios duram um ano e que "não há qualquer compromisso" do Estado em garantir o emprego a esses jovens depois de acabar a experiência.
Os objectivos de um monopolista
Como é sabido, a EDP é uma empresa que funciona em monopólio. Só não pode fixar o preço da energia que fornece porque entre a empresa e os seus clientes existe o Estado, esse maldito que invariavelmente é um empecilho ao crescimento de riquezas. Como a sua. Ora, quem age em nome do Estado, o Governo, é suportado por um partido no Parlamento. Depende de votos. Votos que fogem proporcionalmente ao tamanho de brincadeiras como o “défice tarifário” que é invocado para aumentar tarifas num dos países da Europa onde a energia é mais cara, onde a empresa que a fornece nasceu da alienação de infra-estruturas anteriormente pagas pelos agora clientes de um serviço resultante da concessão por quase um século da exploração de recursos que também eram propriedade sua e geradores de lucros diários de mais de quatro milhões de euros.
É mais que certo que os objectivos de Mexia foram fixados neste emaranhado de absurdos, esticando ao máximo um défice tarifário que apareceu plantado no discurso de quem tem tanta aversão a representar o interesse daqueles a quem devem a eleição como devoção a causas nobres como a do enriquecimento daqueles a quem fez rendeiros do país. E honra lhe seja feita. Mexia conseguiu mover influências no sentido de convencer quer quem governa, quer quem faz a oposição mais amiga da sua causa, de que das tarifas e das concessões mais ajustadas à ganância daqueles que depois satisfizeram a sua resultariam perdas mínimas de votos. A soma de votos dos três partidos mais votados nas últimas eleições fazem prova da sua honestidade. Não os enganou. Objectivo mais do que superado. (ler sobre objectivos superados pelo monopolista aqui.)
Terça-feira, 6 de Abril de 2010
Falta Governo
O endividamento, senhores, o endividamento
Segunda-feira, 5 de Abril de 2010
Força ®Benfica
Mas não foi, nem de perto, nem de longe, uma boa exibição. Aliás, os golos de ambas as equipas deveram-se mais a erros da defensiva adversária do que propriamente a jogadas bem conseguidas, assistindo-se a um futebol demasiado directo. E, se a vitória de hoje encurta a conquista do título para três vitórias e um empate, a desconcentração que vimos hoje na defesa e o cansaço no meio campo foram um mau prenúncio para o jogo em Liverpool, na próxima Quinta-feira. Para seguir em frente, não poderão repetir-se.
Um reparo ainda para o árbitro da partida. Sancionou um toque na bola com o ombro a Maxi Pereira com um cartão amarelo, excluindo-o do derby com o Sporting. Perde o espectáculo.
Sporting 5 – Rio Ave 0
FC Porto 4 – Marítimo 1
Marcadores: Weldon (2), Di Maria e Cardozo
Um projectista e tanto
- "O senhor eng. técnico José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa foi já advertido pelo pouco cuidado que manifesta na apresentação dos trabalhos apresentados nesta câmara municipal e continua a proceder de igual forma, sem o mínimo respeito por ela e pelos seus técnicos (...) Deverão solicitar-se mais uma vez os elementos nas devidas condições e adverti-lo que não se aceitarão mais casos idênticos, sob pena de procedimento legal." A informação conclui, observando que se Sócrates "não pode ou não tem tempo de se deslocar à Guarda para fazer os trabalhos como deve ser só tem um caminho que é não os apresentar." (Video aqui)
- O primeiro-ministro confirmou, em carta enviada à directora do PÚBLICO, ser o responsável por todos os projectos que estiveram na origem das notícias da edição de ontem referentes à sua actividade privada quando já era deputado em regime de exclusividade, entre 1988 e 1990. Sócrates considera que tal está "em conformidade com as normas legais de exclusividade em vigor", uma vez que diz ter feito os projectos "a pedido de amigos", afirmando ainda, para quem queira acreditar, não ter recebido qualquer remuneração.
- Nota importante: qualquer semelhança entre a tipologia dos projectos em questão e as políticas projectadas, anos depois, pelo mesmo autor são mera coincidência.
Sexta-feira, 2 de Abril de 2010
Os desafios da desqualificação
Iniciei este comentando a falta de estratégia de quem nos tem governado. Os dados acima são uma actualização relativa ao ano de 2008 de uma realidade que, apesar de há muito estar diagnosticada, nunca foi objecto de políticas tendentes a corrigi-la. Poderiam sê-lo, por exemplo, através da majoração da atribuição de subsídios comunitários e benefícios fiscais a empresas geridas por quadros qualificados ou de critérios de atribuição dependentes de um cabal acompanhamento técnico aos projectos e investimentos contemplados com algum tipo de incentivos. Na sua vez, quando a fraca qualificação não foi pura e simplesmente ignorada, quem nos governa optou por trabalhar para a estatística, quer reduzindo o grau de exigência do nosso sistema de ensino, quer dando novas oportunidades ao analfabetismo certificado.
E nem a Administração Pública escapou a esta lógica de desqualificação. Até à última reforma, desenvolvida contra alegados poderosos interesses corporativos, a licenciatura era uma requisito sem o qual ninguém podia ingressar na carreira técnica superior. Hoje já não é assim e quem concorra a essa carreira, para além de poder fazê-lo sem licenciatura, pode ainda ver um qualquer ponto do seu curriculum mais valorizado do que a licenciatura de outro candidato que, por não pertencer ao real e poderoso interesse corporativo de quem faz a escolha, não reúna o mesmo favoritismo por parte do dirigente nomeado político – ou alguém por si designado – que integre o júri do concurso respectivo. (Ver exemplo aqui)
A fama que vem de longe
A ferros
Mas foi um jogo estranho. De quatro grandes penalidades claríssimas, o arbitro apenas assinalou duas, mantendo o critério da metade para as expulsões, uma em vez de duas. No jogo jogado, tradução do seu domínio, o Benfica conseguiu produzir mais de meia dúzia de oportunidades de golo feito, contudo desperdiçadas por aselhice própria ou por mérito alheio. E Cardozo, que não tem na conversão de grandes penalidades o seu ponto forte, desta vez não falhou as duas que lhe foram confiadas.
Para a semana há mais e, se quiser seguir em frente, Jorge Jesus tem muito para corrigir. Esta noite, Di Maria voltou a agarrar-se muito à bola. Ramires, Javi Garcia e Maxi Pereira mais uma vez denotaram cansaço. Finalmente, Aimar não é Saviola e está mais do que visto que não adianta colocá-lo a jogar nessa posição. Armando-me agora em treinador de bancada, em Liverpool, gostaria de ver Airton e Javi juntos no miolo do meio campo, Di Maria e Ruben Amorin pelas alas, Kardec ao lado de Cardozo lá na frente e a mesma defesa de hoje.
Marcadores: Cardozo (2)

