Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

É preciso mão de ferro para a malandragem


Tony Laranja já é disco de prata

O homem tem uma imagem cuidada ao pormenor, uma voz melodiosa, canta as tristezas e os sacrifícios da vida dura num estilo romântico direccionado para os mercados, sabe estar em palco, tem um ar a atirar para o conservador da boa moral e dos bons costumes e é dono duma serenidade imperturbável. As letras não cansam a cabeça. Agradam ao público a que se destinam. Não, não me refiro ao Tóino Carreira. O PSD voltou a aparecer à frente nas sondagens. Como é mesmo que se chama o seu novo vocalista? Acertaram. Os portugueses têm gostos bastante bem definidos.

Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Regime de ubiquidades

Apenas quem tem o poder de legislar não se preocupará com a notícia. Uma profissional de saúde de um hospital público desviou uma doente com um tumor no olho para ser operada uma clínica privada, onde também trabalhava. Em toda a Administração Pública existe um apertado regime de incompatibilidades. Menos na Saúde. É negócio. Mau para o Estado, bom para quem consegue ser pago pelo trabalho executado em simultâneo em dois locais e, num deles, complementar a sua actividade principal com a de angariador de clientes para o outro. Serão tantos mais quanto mais descuidarem a actividade principal, fazendo aumentar a fila de espera no primeiro. O regime em vigor na Saúde é o das obiquidades. No privado é que é bom.

Prioridades: sempre foi, sempre será

Os desempregados podem prescindir de um quarto da protecção social que pagaram com os seus próprios descontos, mas nem a Mota-Engil, nem os bancos que também ganham com a empreitada prescindem dos 1429 milhões de euros da terceira auto-estrada entre Lisboa e Porto, que será paga com o que será descontado ao país. E quem também não prescinde da sua merecida indigitação para suceder a Vítor Constâncio é Carlos Costa. Foi com ele, quando era vice-presidente do BEI, que a Estradas de Portugal celebrou o acordo de financiamento, obtendo o máximo possível que poderia obter com a candidatura que apresentou junto do Banco Europeu de Investimentos. Tal como as restantes, a sua recompensa tornou-se uma prioridade.

Os votos de 600 mil desempregados e da multidão de descontentes seriam mais do que suficientes para mudarem a orientação das prioridades do país. Ao abdicarem da mudança, colocando a estabilidade do que sempre foi entre as suas prioridades, os portugueses continuam a fazer do “sempre foi” um “sempre será”. Um mundo de inspiração.

(editado)

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Pintainhos salvadores

Encolherem-se. Não se exigiria mais a dois pintainhos assustados com um papão pequenino, monstro à escala da sua insignificância. Mas os nossos pintainhos salvadores encontraram quem seja ainda mais pequeno do que eles e puseram-se de acordo em mostrar a plenitude da sua grandeza à alvoroçada capoeira: restrições às prestações sociais, às condições de atribuição do subsídio de desemprego, fiscalizações às migalhas distribuídas pelos mais pobres entre os mais pobres e o que adiante se verá. Folgam os milhões que, à margem da lei ou à sua sombra, obra da misericórdia pintainha, escapam ao fisco. Aos bandidos causadores do alvoroço na capoeira, nem uma palavra. Ao menos um muito obrigado pela oportunidade criada aos pintainhos para tornarem realidade os planos mais secretos. Eles não queriam. Foram as malditas circunstâncias que lhes desataram os generosos intestinos. Avé, trampa sagrada, salvadora de ricos e poderosos.

Os off-shore a mandar no regulador, o lobo a guardar as ovelhas

E depois a Saúde fica cara e má

Uma regra aplicável em qualquer sector de actividade será a de que, em épocas que coincidem com picos de procura, não há férias para ninguém. Não há nenhuma regra que obrigue a que as férias sejam gozadas no Verão. Outra será a de que, quando o recurso a trabalho suplementar, mais caro, se torna uma prática repetida, o mais racional será a admissão de mais pessoal. No sector da Saúde parece não ser assim, sem que a irracionalidade da gestão de recursos humanos tenha quaisquer consequências sobre quem gere mal.

Dos dados fornecidos por 61 de 62 hospitais contactados pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, pode constatar-se que durante 2008 cerca de um quinto (23 por cento) das horas de trabalho realizadas nos hospitais foi em regime de trabalho extraordinário, uma prática que cresce nos meses de Verão para uma média de 25 por cento. Há também hospitais que admitem ter que recorrer a contratualizações temporárias (prestações de serviços, admissões de substituição e bolsas de emprego), mas a IGAS não consegue contabilizar quantas unidades o fazem. Além dos médicos, a contratação a termo nesta altura, através da bolsa de emprego, também acontece com enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica.

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Os ratings e a inexistência política da UE

A agência de notação financeira Standard Poor's, que, juntamente com outras congéneres, há quatro dias apareceu envolvida num escândalo (recebia dinheiro a troco de avaliações mais favoráveis), acaba de anunciar que baixou o rating da República portuguesa em dois níveis, de A+ Para A-. Qual será o rating da Standard Poor's? Se a Comissão e os Governos da União Europeia não lho baixarem, alguns dos seus Estados continuarão na mira da especulação e demais clientes deste tipo de empresas, restando-lhes entrar no jogo: ou promovendo medidas que comprometem o crescimento das suas economias e o bem-estar das suas populações ou… imitando o expediente seguido pelas empresas que conseguiram ratings mais favoráveis. Ou seja, em ambos os casos, pagando o resgate pedido pelos raptores da estabilidade na zona euro. Nunca foi grande ideia ceder a exigências de bandidos, sejam elas quais forem, chamem-se ou não os bandidos “agências de notação financeira”. Sempre foi assim. Mas até isto a inexistência política da UE pode ter tido a incapacidade de alterar.

Continuamos a brincar às escolinhas? Siiiiim!

Há um ano, José Sócrates classificou a redução do número de faltas dos alunos como "um progresso absolutamente extraordinário". No ano passado, a equipa de Maria de Lurdes Rodrigues divulgou um balanço onde se anunciou que o número de faltas tinha diminuído na sequência da aplicação das provas de recuperação. As escolas que contestaram esta interpretação, argumentando que as faltas estavam a ser "anuladas", foram alvo de uma inspecção. Agora, é o próprio Governo que admite que o fim das provas de recuperação, determinado na proposta enviada ao Parlamento, tem também a "vantagem de eliminar o efeito indesejável que, nalguns casos, se constatou decorrer das provas de recuperação, no sentido de o aluno se sentir incentivado a faltar - por saber de antemão, que afinal seria sujeito a uma prova".

E como corrigir o absurdo?
O Governo não avança com qualquer medida em concreto, defendendo-se em generalidades que já constavam no anterior diploma. Os alunos continuarão a não chumbar por faltas, o Governo insiste em continuar a brincar às políticas de Educação. A nova proposta do Governo volta a ser criticada por Rosário Gama, dirigente escolar e militante socialista: "a montanha pariu um rato", na medida em que "se continua a promover uma cultura de facilitismo com o objectivo de promover o "sucesso" nas estatísticas a qualquer preço".,

Salários congelados, país paralisado

Hoje não há nem autocarros, nem barcos, nem comboios, nem de empresas públicas, nem de empresas privadas. Não há serviços mínimos. As empresas que costumam assegurá-los, lucrando com as greves, estão, também elas, em greve. Os congelamentos salariais impostos pelo Governo Sócrates conseguiram o feito inédito de reunir os trabalhadores das principais empresas de transporte numa paralisação geral gigantesca, marcada para o mesmo dia de uma semana pejada de greves. A contestação social está a subir de tom.

Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

"Respeitinho" por decreto

A bandeira e o hino nacional vão voltar a estar inscritos enquanto "valores" que os alunos "têm o dever de conhecer e respeitar". Esta é uma das novidades do projecto do novo Estatuto do Aluno. “Nunca houve um Governo que deixasse tantas marcas de esquerda”, dizia, um dia, um tal "engenheiro".

Ninhos de boys não contam para o défice

Mais de metade das empresas e serviços que compõem o sector empresarial local apresentaram resultados operacionais negativos em 2008, no valor de 8,2 milhões de euros. Pela lei, estes montantes teriam de ser cobertos pelos municípios, contribuindo assim para a subida do endividamento autárquico.

Gestão pública criativa

As ambulâncias andavam doidas, entretidas em parqueamentos selvagens e a fazer perigar as normas de segurança no IPO de Lisboa. Vai daí, a sua administração espetou-lhes com a cobrança do estacionamento a partir da meia hora. Ora tomem!

Perto do fim


A ditadura cubana sentir-se ameaçada por uma manifestação de menos de dez pessoas indefesas é um forte sinal da sua debilidade actual. O final de mais este período longo de trevas da sua História não há-de tardar.

"Responsabilidade" à portuguesa, "Irresponsabilidade" à grega

A PARPÚBLICA está a endividar-se para adquirir património imobiliário ao seu próprio dono, o Estado. Ao contrário do endividamento e respectivos encargos da empresa compradora, a receita que resulta da venda não conta para o défice orçamental. Mas as contas a fazer não se ficam pelo varrer de dívida para fora do perímetro orçamental. Para além das condições em que a PARPÚBLICA revende o património que compra ao dono, para além do interesse estratégico questionável deste tipo de negociatas (muitas vezes o Estado passa de proprietário aflito que vende ao desbarato a arrendatário de um imóvel que era seu a um preço exorbitante), há ainda que contabilizar o diferencial entre a taxa de juro paga pela empresa para financiar as operações e a taxa de juro a que o Estado conseguiria endividar-se para encaixar a liquidez pretendida. O dobro da insignificância a que o Estado remunera os certificados de aforro parece-me um bom referencial de juro capaz de fazer ir por água abaixo o negócio das instituições financeiras que lucram com este expediente.

Domingo, 25 de Abril de 2010

Orelhas de Burro

“… Mas, certamente, esqueceram uma semente nalgum canto de jardim.”

A festa está marcada

O Braga ganhou. Vai mesmo ter que ser no Dragão.

Sábado, 24 de Abril de 2010

Cinco


1. Expectativa quanto à enchente na recepção ao Olhanense. Confirmada. O Benfica ultrapassou a barreira do milhão de espectadores nesta temporada.

2. Expectativa quanto a se se verificaria ou não uma goleada. Confirmou-se. O Benfica voltou a dar cinco.

3. Expectativa quanto à exibição. Espectacular, a corresponder ao ambiente de festa que esta noite se viveu nas bancadas da Luz.

4. Expectativa quanto ao número de golos que Cardozo marcaria. Superada. O paraguaio marcou três e ultrapassou o portista que tinha marcado dois, minutos antes.

5. Expectativa quanto ao resultado que o Sp. Braga conseguirá levar para casa na deslocação à Naval. O ponto 6. desta série é amanhã, às 6 da tarde.

V. Setúbal 2 – FC Porto 5

Benfica 5 – Olhanense 0

Marcadores: Cardozo (3), Di Maria e Pablo Aimar

24 de Abril: o herói deles


Nestes últimos dias, António de Spínola foi a esponja da memória colectiva escolhida por uma elite bem identificada que há décadas vem laboriosamente apagando. Uma artéria de Lisboa foi baptizada com o seu nome e Cavaco Silva atreveu-se a promover-lhe uma homenagem onde disse que o general "lutou por um Portugal verdadeiramente democrático e pela construção de um Estado de Direito assente no respeito pela dignidade da pessoa humana". Trinta e seis anos depois do 25 de Abril, foi nisto que se tornou um fracassado, colonialista, bombista, golpista contra-revolucionário, oportunista, criminoso e outros qualificativos que, num golpe de mágica, quem se apoderou do país soube transformar em virtudes. Refira-se que este embuste mereceu as mais variadas reacções. Foram pura e simplesmente abafadas e passaram ao lado de qualquer destaque mediático. A comunicação social também lhes pertence.

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

A estabilização estabilizada

Do “quadro financeiro” relativamente “desestabilizado” que haveria que estabilizar, o argumento utilizado pelo Governo a 15 de Março para adiar a satisfação da pretensão do Bloco de Esquerda de ver a especulação financeira a contribuir solidariamente nos sacrifícios impostos ao país, até à estabilização do mesmo, foi um ápice. O Governo anunciou ontem que as mais-valias bolsistas seriam tributadas a 20 por cento. Quando ouvi a notícia imediatamente pensei: “Caramba! Estes mercados financeiros estabilizam a uma velocidade estonteante!” E a minha desconfiança confirmou-se hoje ao ler que o Governo deixou de fora os investidores não residentes e as sociedades gestoras de participações sociais (SGPS). Ou seja, manter-se-á o actual regime de quase isenção para os grandes investidores. Pequenos a pagá-la e grandes poupados à crise. A estabilidade que já se verificava antes. O Governo sempre fiel aos interesses que representa.

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

É só a brincar

O Tribunal da Relação de Lisboa absolveu hoje o empresário Domingos Névoa do crime de tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes. Domingos Névoa, coitado, não ganhou grande coisa. Apenas cinco mil euros, o valor da condenação em primeira instância, que lhe foi poupado, não paga nem uma barulheira das pequenitas que pudesse ser suscitada pela explicação esdrúxula que acompanha a decisão de hoje. A condenação tinha sido uma brincadeira, a absolvição voltou a sê-lo. É coerente.

Querida corrupção

Sem incluir a tributação das mais-valias urbanísticas decorrentes de actos administrativos, a criminilização do enriquecimento ilícito, o levantamento do sigilo bancário e o controlo apertado de todas as transacções com off-shores, as iniciativas legislativas de combate à corrupção que hoje se discutem no Parlamento são fogo de artifício queimado para mostrar que se está a fazer alguma coisita nesse domínio. Há que mantê-los, tal como o emaranhado de procedimentos legais que facilita a nulidade de qualquer investigação e inviabiliza a maior parte das condenações ajuda a proteger os animais de estimação daqueles a quem o pelo se eriça quando pressentem que alguma fonte de riqueza em comum lhes pode secar. Para alguns, tudo está muito bem como está. Quem é quem? Nada como apreciar quem defende o quê e se o seu voto condiz com o que lhes saia da boca para fora.

Se a Inês de Medeiros calçasse chuteiras

Foi azar a Inês de Medeiros não ter ficado em primeiro naquele estudo de popularidade que deu o pequeno-almoço e os 750 mil euros ao Figo e resultou no convite que a fez deputada. Seria ela a protagonista do filme, ficava fora das listas do PS e hoje não teríamos que pagar-lhe as viagens entre o seu local de trabalho e a sua residência pós-eleitoral. Para além do mais, deprime-me a oportunidade perdida de termos um deputado com um savoir-faire pesetero apuradíssimo. Colocado ao serviço do país juntamente com umas salsichas com ovos, pão , bacon, cereais e sumo de laranja, os problemas do endividamento externo e da dependência alimentar do exterior suplantariam largamente o sucesso que o Governo tem obtido na criação de empregos para os seus mais fieis servidores. Foi mesmo azar.

Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

O sexo dos anjos



A "responsabilidade" é uma batata

Com toda a “responsabilidade”, resultado das medidas “responsáveis” inscritas no PEC, o Governo inscreveu naquele documento como seu pressuposto uma previsão de crescimento económico para Portugal em 2010 de 0,7 por cento. O FMI reviu hoje em baixa de uma décima, para 0,3 por cento, a sua previsão para o crescimento da economia portuguesa este ano.

Sobre um insulto ao nosso passado

«(…) Saí em estado de choque. Pedi o livro de visitas (que a custo consigo obter porque a funcionária hesita em passar-me para a mão o caderno de capa dura a que chama pomposamente Livro de Honra) e deixei escrito o que pensava. Mais ou menos: pátria "cabra" e "badalhoca"que trata assim a memória. "Esgoto atlântico" que mereceu o Salazar, merece Sócrates, merece Passos e o mais que venha a seguir.
Que uma vaga a arrase, ou pelo menos que alguém chegue ali a Peniche e escaqueire a porra das conchas mais o rendilhado dos bilros. Basicamente disse-lhes isto: vão-se foder e pardon my french. Acrescentei: dejecto por dejecto, mais valia construírem a Pousada e depois assinei com o meu nome em nome do meu pai e de outros tantos, incluindo, apesar de tudo, o Cunhal e o guarda José Alves.»

Assim terminou uma visita ao Forte de Peniche. Merda de povo sem memória que consente aberrações como esta. Vale a pena ler este texto de Ana Cristina Leonardo. Aqui.

Terça-feira, 20 de Abril de 2010

Isabel vai à oral

Por querer que a trapalhada que foi a avaliação de desempenho dos professores promovida pela sua antecessora conte para efeitos de concurso, o desempenho da Ministra da Educação vai ser avaliado, com carácter de urgência, no Parlamento. O Governo fez saber que a decisão está tomada e que não voltará atrás. A “governabilidade” do país voltará a ser jogada na tradição de obsessão pelo disparate da qual, desta vez, sem maioria absoluta que o suporte, o Governo apenas tem a retirar desgaste e mais uma estrondosa derrota política. Isabel Alçada foi posta a pôr as garrinhas de fora e já mostrou o que vale. Tanto como Lurdes Rodrigues, tivesse o PS tido uma votação semelhante à que perdeu nas últimas eleições. Como não teve, apenas com o argumento da autoridade não logrará explicar o inexplicável.

®UE

Depois da Gripe-A, a Gripe-B. O vírus é o mesmo, com uma ligeira mutação.

A nuvem

É pacífico que Salários baixos e vínculos precários não criam emprego e geram menos impostos e descontos para a Segurança Social. Em apenas três anos, duplicou o número de trabalhadores que recebem a remuneração mínima mais baixa da Europa a 15 e a tendência aponta para que sejam cada vez mais. Por seu lado, as empresas de trabalho temporário descobriram um filão naquela conversa de haver funcionários públicos a mais: o “Estado recorre cada vez mais ao trabalho temporário para superar falta de pessoal”.

Mas não serão estas as responsabilidades no desequilíbrio das contas nacionais que a Comissão Europeia aponta ao Governo português. Salários baixos e precariedade laboral fazem parte da base da política oficial da UE e, como pode ver-se, o Governo Sócrates foi um bom aluno. A crítica serviu apenas de introdução à
declaração de impotência sob a forma de acusação aos bancos de investimento e fundos de alto risco de estarem a empurrar Portugal e a Grécia para a falência. A UE promoveu a erosão salarial e social, a redução do investimento público, tapou buracos de milhões e milhões criados pela ganância delinquente do sector financeiro e andou entretida na arquitectura e imposição de um Tratado de Lisboa que não a dotou de mecanismos e meios capazes de responder nem sequer aos ataques da especulação financeira, que andou a engordar. Há uma nuvem negra a pairar sobre a Europa. Mas já não é de agora.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

A justiça do bordel

Quem disponha de 35 mil euros, não tenha cadastro e manifeste arrependimento q.b. pode violar crianças de oito anos à sua vontade sem ter que cumprir pena de prisão.

Até breve, financiadores de mistérios

Muito mais de dez milhões voaram do património daquela empresa pública que, entre outros mistérios por desvendar, cedia aos amigos casas a preços sociais. Para onde? A resignação tem um preço: para o bolso dos contribuintes. Continua a haver fartura de dinheiro e de votos para que a delapidação do património público continue a enriquecer quem tem o poder de se manter a salvo de inquéritos inconclusivos. Como tal, será apenas um “até ao próximo saque”.

Andar para trás, para não correr o risco de ficar parado

“O país não pode correr o risco de ficar parado”. Esta foi uma frase recorrentemente utilizada para justificar reformas irresponsáveis levadas a cabo por um Governo impermeável a quaisquer avisos ou críticas. Hoje, faz-se mais um balanço de nova reforma feita à pressa e sem medir consequências. Quem se veja obrigado a recorrer à Justiça em Portugal paga, só em taxas, no mínimo, o equivalente aproximado a um pouco mais do que um quinto do salário mínimo. A Justiça é, para muitos, um bem de luxo. Mas, a somar a este absurdo, que mina a nossa democracia, o sistema informático, introduzido para agilizar a Justiça, para além do festival de falhas de segurança que produziu no último ano, está a ser decisivo para o bloqueamento do sistema. Há processos a amontoarem-se aos milhares porque quem concebeu as ferramentas informáticas, sem fazer a mínima ideia de como funcionam os tribunais, não as testou nem as preparou convenientemente.

Para ilustrar esta última ideia, numa delas, o CITIUS, o advogado é obrigado a introduzir o número de contribuinte daquele contra quem intenta a acção. De que forma terá o seu criador imaginado que o advogado o obteria? “Está lá? Sou fulano tal, sou advogado de sicrano tal que quer intentar uma acção contra si. Importa-se de me fornecer o seu contribuinte? Preciso dele para preencher o formulário respectivo.” De génio.

Domingo, 18 de Abril de 2010

Classe de campeão


Uma maré vermelha transformou, esta tarde, o Municipal de Coimbra num mini Estádio da Luz. O palco quase veio abaixo pouco depois do início da partida, quando Weldon converteu em golo a entrada de rompante dos encarnados. Respondeu a Académica, equilibrando o desafio a partir de então, com o empate a sorrir-lhes a meio da primeira parte.

Mas o dia nasceu para a festa encarnada, de Di Maria e de Weldon. Pouco antes do intervalo, o argentino fez um dos dois passes de morte com os quais destronou o colega Coentrão, outra boa exibição, como rei das assistências, servindo Weldon, que voltou a bisar.

Depois do intervalo, sem perder de vista a baliza do adversário, o Benfica apostou em manter a posse de bola e baixar o ritmo de parada e resposta da primeira parte, que estava a propiciar perigosos contra-ataques à Académica. Marcou o terceiro nesta estratégia de apenas atacar pela certa. A Académica ainda reduziu pouco antes do “bruá” emitido pela maré vermelha para festejar aquele que já não tem como escapar. Se o Braga não vencer na próxima jornada, será na Luz, na recepção ao Olhanense. Se o Braga vencer, terá que ser no Dragão, na jornada seguinte. E até poderá nem ser preciso pontuar para que seja aí a grande festa.

Sp. Braga 3 – Leixões 1
Académica 2 – Benfica 3
Marcadores: Weldon (2), Ruben Amorim

Sábado, 17 de Abril de 2010

Orelhas de Burro

Pavement – “Range Life”

Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

O filtro


Hoje, uma das notícias do dia foi a de que José Sócrates conhece uma tia de Francisco Louçã. A tia que os media preferiram destacar (video à esquerda) em vez do que se disse sobre a responsabilidade do Governo no enriquecimento de mais um tio que se aproveitou da política como trampolim para ganhar numa empresa de serviço público, a indevidamente privatizada EDP, o que ninguém ganha na Microsoft. Desonestidade, concordaremos, mas não daquela utilizada no festival improvisado pelo mestre da javardeira, hoje intelectual amansa-tias, nem daquela outra que filtra o que é ou não notícia em Portugal. Ao Bloco, que hoje voltou a não sê-lo, os donos da informação guardam-no para tudo o que não comprometa a teoria segundo a qual não existe vida fora do eixo PS-PSD-CDS.

Asneira

Como hão-de ter reparado os leitores mais assíduos, o aspecto do blogue está alterado. Andei a mexer no html do modelo, fiz asneira, e o que está agora foi o que pude improvisar. Mais tarde tentarei resolver o problema.

Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

El desayuno del pesetero

Sócios

Em apenas dois anos de governação Sócrates, o volume de vendas dos engajadores de mão-de-obra barata e sem direitos cresceu mais de 42 por cento, de 840 mil euros em 2006 para 1,2 mil milhões de euros em 2008. O Governo garante o suporte legal e a inexistência da fiscalização que travaria a expansão do negócio. As empresas de trabalho temporário exploram o seu filão de riquezas. A parceria estabelecida entre ambos luta contra o desemprego. Se uma hora de trabalho mensal não é suficiente para garantir a subsistência de alguém, uma hora de trabalho mensal basta para que esse alguém não pese nas estatísticas como desempregado.

Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Tolerâncias

A próxima visita a Portugal daquele chefe de Estado que anda enredado em escândalos de pedofilia foi motivo suficiente para o Governo conceder uma tolerância de ponto que os funcionários públicos não solicitaram. Lendo as caixas de comentários de algumas publicações on-line e o que escreveram alguns blogger sobre o assunto, a preferência pela crítica ao novo privilégio por si acabadinho de descobrir sobrepôs-se à que corresponderia ao acaso raro de fazerem alguma utilização das suas massas cinzentas. Ao Governo, evidentemente. Não faz qualquer sentido conceder tolerâncias de ponto sempre que Portugal seja visitado por um chefe de Estado de outro país. Porém, tratando-se do Papa, tais cabecinhas preferem divergir para outra devoção, a das orações contra quem trabalha no Estado, não vá o diabo tecê-las e fazê-los cometer o pecado de criticar um gesto tão abnegado no favorecimento da salvação das suas alminhas. Deus que os livre da tentação de alguma vez concederem tolerância de ponto à sua infinita estupidez.

Terça-feira, 13 de Abril de 2010

O título a 7, o Sporting a 26


Sentiu-se o fantasma de Liverpool a pairar sobre a Luz durante quase toda a primeira parte da recepção ao Sporting. Por largos períodos, o derby deu a sensação de jogo invertido, entre leões de alma encarnada e águias a jogar à Paulo Bento.

Porém, tudo começou a mudar um pouco antes do intervalo. O Sporting, que entrou a todo o gás, pressionando alto e criando oportunidades de finalização, começou a quebrar fisicamente e a falhar nas marcações. Aproveitou o Benfica para desfazer a surpresa inicial durante esses cinco ou dez minutos de transição, nos quais encostou o Sporting às cordas. Uma tendência de domínio encarnado que se confirmou na segunda parte, esta já com cada equipa a jogar com as cores habituais e, depois da entrada de Aimar, com o Benfica a jogar com onze jogadores. Selou a vitória com dois golos sem resposta e desmantelou por completo o seu adversário, perfeitamente anulado.


Destaques pela positiva para o prémio ao sacrifício de Cardoso, que culminou no golo que marcou em nítida inferioridade física, e para o esquema que anulou os da casa durante quase toda a primeira parte, montado por Carvalhal. Destaques de sinal inverso para o óbvio Éder luís, uma pedra a menos no Xadrez que Jesus teve a feliz ideia de substituir, e para os cartões que ficaram no bolso do senhor árbitro, que também se esqueceu de assinalar um par de faltas defensivas dentro da área de Rui Patrício. O Benfica não necessitou delas para vencer mais uma partida e ver o título a sete pontos. Se o Braga não perder pontos entretanto, o sétimo será no Dragão.


U. Leiria 1 - Sp. Braga 2
Benfica 2 – Sporting 1
Marcadores: Cardozo e Aimar

Medo de ir ao fundo

O fracasso tem nova roupagem

Se prestaram atenção à entrevista de ontem de Pedro Passos Coelho, todos aqueles que se têm entusiasmado com os alegados “ventos de mudança” que sopram da nova liderança do PSD puderam constatar que, a existir, a tal mudança que possa soprar dali não será para melhor. O modelo rentista proposto, subjacente à privatização de serviços públicos e concessão a uma elite da exploração de monopólios naturais, é o mesmo que, ao longo das últimas décadas, fez de Portugal um dos países da Europa com as comunicações, energia e combustíveis mais caros e tem apostado numa degradação de serviços públicos capaz de aumentar o seu potencial de alienação.

Para além do argumento peregrino que justifica as suas privatizações, reduzir ao máximo um fenómeno que sempre regista momentos altos quando se verificam vendas de bens públicos ao desbarato como aquela em que aposta, uma corrupção pela qual o PSD é tão responsável e protagonista como os outros dois partidos que já foram poder, não há nada de novo aqui. A novidade, porventura, encontrámo-la no seu projecto para a função pública, mais pobre do que Sócrates a fez, e na cláusula de trabalho comunitário que pretende introduzir nos seguros de desemprego, cujos prémios cada trabalhador paga escrupulosamente todos os meses, com a qual tenta equilibrar a batalha da moralidade com Paulo Portas.

Não lhe importará que o seu trabalho comunitário seja uma barreira à criação de emprego. Com toda a certeza saberá que, contando com mão-de-obra paga pelos descontos feitos pelos próprios desempregados ao longo do tempo em que trabalharam, nenhum empregador estará interessado em admitir efectivos que teria que pagar do seu próprio bolso. Pedro Passos Coelho pertence a uma direita que sempre procura e sabe tirar partido do fomento de ódios sociais. Enquanto os rotos andarem entretidos com o parasitismo que forem estrategicamente colando aos descosidos e estes com comentários aos “privilégios” que forem apontando aos rotos, acalma a vida das verdadeiras sanguessugas do país: rendeiros de monopólios concessionados até à idade adulta dos seus bisnetos, empreendedores que não conhecem outro cliente que não o Estado, especuladores isentos de impostos por Governos amigos das suas ajudas aos respectivos partidos, detentores de fortunas a salvo da lei em paraísos fiscais, banqueiros com delinquência assegurada por todos os contribuintes, gestores da escola dos bónus milionários e dos salários baixos e outros que tais. Dos sacrifícios por eles tem resultado e resultará sempre a
salvação do país. Num futuro, um dia, com outra Constituição e outro sistema eleitoral que abafem quem resista, hão-de ver.

Não há pequenos-almoços grátis

Homossexualidade católica: a mais perigosa

Aos bispos belgas chegaram mais de 300 queixas de casos de pedofilia, mas, destes, só 15 foram tidas em conta e, mesmo nestes casos, os culpados nunca sofreram sanções. No dia seguinte ao da divulgação desta (que não foi a única) notícia sobre o encobrimento de e envolvimento da Igreja Católica em casos de pedofilia, um alto responsável do Vaticano respondeu inventando na sua cartola estudos que alegadamente relacionam a pedofilia com a homossexualidade dos sacerdotes pedófilos e a dissociam do celibato daqueles outros que os encobrem. Talvez por vontade divina.

(editado)

Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

Acima da sucata

Ao contrário de Amando Vara, o amigo Manuel Godinho escapou por um triz de ser abrangido no voto de louvor aprovado hoje pelos accionistas do BCP à sua administração, Vara incluído. A finança portuguesa vai-se rindo do país.

A Europa dos absurdos

É um absurdo ver países como Portugal, que já enfrentam as suas dificuldades financeiras, a aumentarem o seu endividamento externo e, logo, a remuneração do risco que lhe está associado, para ajudarem a Grécia. Todavia, encontramos um absurdo maior no juro que será cobrado nos empréstimos bilaterais celebrados entre cada Estado e o grego, 5 por cento. Quase o dobro dos três por cento que o FMI cobraria, mais do dobro do que a Alemanha paga para se endividar - A alemanha será o país que fará o empréstimo mais lucrativo - e ainda mais vezes se comparado com as taxas simbólicas que foram cobradas pelas injecções gigantescas de liquidez do BCE aos bancos europeus em dificuldades, quando rebentou a crise. Um dia será a nossa vez. Mas antes, os mercados vão delirar ao verem-nos apertar o cinto pelos nossos compatriotas gregos.

O dízimo

Segundo um estudo da Universidade Católica Portuguesa, 59 por cento das receitas das instituições sociais católicas, em 2007, teve origem no Estado. Religiosos ou não, católicos ou não, por cada 100 euros recebidos por estas instituições ligadas à Igreja católica, os portugueses contribuem com 59 euros. Para a sua obra social, mas também para a agenda política que lhe subjaz, que não pode ser subestimada. Como contribuinte, para além dos aspectos do controlo menos apertado da sua aplicação e dos critérios de aplicação em despesa segundo critérios particulares e não públicos, incomoda-me a ideia de ver os meus impostos transformados em dízimo, a financiarem um poder, que pode variar entre a simples persuasão até à coacção mais extrema, exercido sobre uma população de agradecidos por uma caridade que também não cabe no meu ideal de sociedade.

Domingo, 11 de Abril de 2010

As tascas estão de luto


Morreu um taberneiro. Como qualquer defunto que se preze, era muito boa pessoa e deu muito de si para fazer deste um mundo melhor.

Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

O passado é lá atrás

O Tribunal Constitucional anunciou que considera constitucional o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Cavaco Silva não conseguiu contornar os custos políticos decorrentes da decisão de promulgação ou de veto do diploma que terá agora que tomar.

Uma oportunidade esbanjada

Antes do início da partida desta noite, os especialistas intelectuais do futebol vaticinavam que o Benfica teria escancarada a porta das meias-finais da Liga Europa se conseguisse aguentar o ímpeto inicial do Liverpool nos primeiros 20 minutos. Enganaram-se redondamente. O Benfica aguentou mais do que esses vinte, que coincidiram com o seu melhor período. Entrou bem no jogo, dominando-o quase inteiramente e encostando o adversário à sua defesa.

Também antes do início da partida desta noite, Jorge Jesus confirmou aquilo que aqui escrevi depois da vitória na Figueira da última jornada. A equipa não se encontra bem fisicamente e havia pouco tempo de recuperação para hoje. Mal sofreu o primeiro golo, um golo irregular que o árbitro anulou primeiro para validar depois, a quebra física começou a notar-se, acentuando-se um par de minutos mais tarde, quando o Liverpool sentenciou definitivamente a eliminatória ao aproveitar uma má saída de Júlio César.

O Liverpool foi melhor, sem dúvida alguma. Mas a pesada derrota que o Benfica traz de Liverpool começou logo a desenhar-se quando foi divulgado o onze inicial. Jorge Jesus trocou as voltas a um trunfo que tinha, as rotinas de uma defesa segura, e insistiu no mesmo erro de Quique Flores de quase toda a temporada passada, repetido por si nas últimas jornadas, de colocar Aimar a jogar como segundo ponta de nada e deixar Cardozo sozinho na frente. Errou também ao não retirar Luisão ao intervalo, ignorando a evidência de não estar em condições físicas para permanecer em campo. O Benfica deve muito ao bom treinador que tem. Na oportunidade esbanjada de hoje,
Jesus fica a dever um dia francamente não. Para o ano há mais.

Liverpool 4 – Benfica 1
Marcador: Cardozo

Está tudo bem

Tem sido uma constante. À medida que as taxas de juro foram conhecendo mínimos, os spreads cobrados pela banca aos seus clientes foram registando máximos. O sector financeiro justifica as subidas dos preços por si praticados com o aumento da incerteza na economia. E quem foi o principal responsável por esta incerteza? A própria banca.

Os aumentos de spreads
hoje anunciados mostram como o sector financeiro tem a capacidade de fazer remunerar os seus próprios desvarios, delinquência incluída. A actuação da Caixa Geral de Depósitos, que alinhou no aumento, demonstra tanto a cumplicidade dos poderes públicos para com mais este abuso como ainda a falta de estratégia do Governo na utilização do banco público como instrumento de dinamização da concorrência no sector.

E o facto de não haver reacções por parte da população, para além da
privação dos consumos que a sua bolsa deixou de poder pagar, mostra que está tudo bem. Enquanto contribuintes, os portugueses pagaram a nacionalização do BPN, as ajudas ao BPP e as garantias e demais apoios que foram oferecidos ao sector. Enquanto clientes, têm vindo a pagar os aumentos das margens fixadas pela banca. Enquanto utentes de serviços públicos e beneficiários de mecanismos de protecção social, têm assistido à deterioração da sua qualidade e ao racionamento da sua quantidade impostas pelo desvio de recursos que passaram a pagar os danos resultantes da ganância do sector financeiro. E, enquanto eleitores, têm maioritariamente dado o seu apoio à estabilidade de quem tão bem os tem defendido. Quem governa sabe que não há que levar a sério insatisfações que se esquecem em duas semanas de bandeirinhas e larachas de ocasião.

Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

A governação de improviso e os descartáveis

Desde a apresentação do Orçamento do Estado para 2010, em finais de Janeiro, 14.189 funcionários pediram a aposentação. São quatro vezes mais do que no ano passado.

Um em cada quatro residentes nos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, cerca de 25 por cento, não tem médico de família. Mos concelhos limítrofes, o número sobe e, na maioria dos casos, a proporção ultrapassa os 30 por cento.. O sistema já não tem capacidade de resposta e os utentes sentem-se obrigados a passar horas, de madrugada, em filas à porta dos centros de saúde ou a recorrer aos hospitais ou à medicina privada.

A saída para a reforma de 22500 funcionários públicos prevista para este ano será compensada com a contratação de estagiários em condições precárias e a níveis de remuneração insuficientes para suportar as pensões dos que se retiram.
O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, deixou claro que os estágios duram um ano e que "não há qualquer compromisso" do Estado em garantir o emprego a esses jovens depois de acabar a experiência.

Os objectivos de um monopolista

Mexia justifica receber o que recebeu à frente da faustosa EDP, mais do que o seu homólogo da humilde Microsoft, por ter conseguido superar os objectivos fixados pelos accionistas, que não revela. E que objectivos serão esses?

Como é sabido, a EDP é uma empresa que funciona em monopólio. Só não pode fixar o preço da energia que fornece porque entre a empresa e os seus clientes existe o Estado, esse maldito que invariavelmente é um empecilho ao crescimento de riquezas. Como a sua. Ora, quem age em nome do Estado, o Governo, é suportado por um partido no Parlamento. Depende de votos. Votos que fogem proporcionalmente ao tamanho de brincadeiras como o “défice tarifário” que é invocado para aumentar tarifas num dos países da Europa onde a energia é mais cara, onde a empresa que a fornece nasceu da alienação de infra-estruturas anteriormente pagas pelos agora clientes de um serviço resultante da concessão por quase um século da exploração de recursos que também eram propriedade sua e geradores de lucros diários de mais de quatro milhões de euros.

É mais que certo que os objectivos de Mexia foram fixados neste emaranhado de absurdos, esticando ao máximo um défice tarifário que apareceu plantado no discurso de quem tem tanta aversão a representar o interesse daqueles a quem devem a eleição como devoção a causas nobres como a do enriquecimento daqueles a quem fez rendeiros do país. E honra lhe seja feita. Mexia conseguiu mover influências no sentido de convencer quer quem governa, quer quem faz a oposição mais amiga da sua causa, de que das tarifas e das concessões mais ajustadas à ganância daqueles que depois satisfizeram a sua resultariam perdas mínimas de votos. A soma de votos dos três partidos mais votados nas últimas eleições fazem prova da sua honestidade. Não os enganou. Objectivo mais do que superado. (ler sobre objectivos superados pelo monopolista aqui.)

Terça-feira, 6 de Abril de 2010

Falta Governo

O endividamento, senhores, o endividamento

Insistem no combate à “subsidio-dependência” e, só este ano, já receberam 8,1 milhões de euros em subvenções do Estado. O endividamento externo enche-lhes parte do discurso e, em 2008, deviam mais de oito milhões a instituições de crédito. Repetem que o Estado é mau pagador e, naquele ano, deviam mais de dois milhões a fornecedores. Contas mal feitas, ainda sem o tradicional chumbo da ECFP,em 2008, com 10,5 milhões em dívidas, o PSD devia mais do que todos os restantes partidos portugueses, que deviam 6,2 milhões. Mais de metade deste valor, 3,3 milhões, eram dívidas do parceiro PS. Nada de anormal a observar, qualquer instituição funciona com débitos e créditos. Todo o burburinho que a notícia possa gerar tem como origem o labor de ambos os partidos atrás referidos no esbatimento das muitas diferenças conceptuais existentes entre economia, economato, economia familiar, economista, ecónomo, dona de casa e boa avó.

Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

Força ®Benfica

A perder por um aos dois minutos e por dois aos 12, o Benfica nem queria acreditar no que lhe estava a acontecer na Figueira..Porém, com a determinação que se impunha e sem se deixar enredar no percalço, a reacção não tardou. A desvantagem foi reduzida aos 16 e anulada aos 18. Num par de minutos apenas, o Benfica emendou a entrada em jogo mais desastrada da época. Depois de equilibrado o marcador, os encarnados marcharam para a goleada: 2-3 aos 38 minutos e 2-4 aos 55, seguindo-se um período, que durou até ao final da partida, no qual, muito bem, arriscou pouco e procurou sobretudo manter a posse de bola.

Mas não foi, nem de perto, nem de longe, uma boa exibição. Aliás, os golos de ambas as equipas deveram-se mais a erros da defensiva adversária do que propriamente a jogadas bem conseguidas, assistindo-se a um futebol demasiado directo. E, se a vitória de hoje encurta a conquista do título para três vitórias e um empate, a desconcentração que vimos hoje na defesa e o cansaço no meio campo foram um mau prenúncio para o jogo em Liverpool, na próxima Quinta-feira. Para seguir em frente, não poderão repetir-se.

Um reparo ainda para o árbitro da partida. Sancionou um toque na bola com o ombro a Maxi Pereira com um cartão amarelo, excluindo-o do derby com o Sporting. Perde o espectáculo.

Sp. Braga 3 – V. Guimarães 2
Sporting 5 – Rio Ave 0
FC Porto 4 – Marítimo 1
Naval 2 - Benfica 4
Marcadores: Weldon (2), Di Maria e Cardozo

Um projectista e tanto

  1. "O senhor eng. técnico José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa foi já advertido pelo pouco cuidado que manifesta na apresentação dos trabalhos apresentados nesta câmara municipal e continua a proceder de igual forma, sem o mínimo respeito por ela e pelos seus técnicos (...) Deverão solicitar-se mais uma vez os elementos nas devidas condições e adverti-lo que não se aceitarão mais casos idênticos, sob pena de procedimento legal." A informação conclui, observando que se Sócrates "não pode ou não tem tempo de se deslocar à Guarda para fazer os trabalhos como deve ser só tem um caminho que é não os apresentar." (Video aqui)
  2. O primeiro-ministro confirmou, em carta enviada à directora do PÚBLICO, ser o responsável por todos os projectos que estiveram na origem das notícias da edição de ontem referentes à sua actividade privada quando já era deputado em regime de exclusividade, entre 1988 e 1990. Sócrates considera que tal está "em conformidade com as normas legais de exclusividade em vigor", uma vez que diz ter feito os projectos "a pedido de amigos", afirmando ainda, para quem queira acreditar, não ter recebido qualquer remuneração.
  3. Nota importante: qualquer semelhança entre a tipologia dos projectos em questão e as políticas projectadas, anos depois, pelo mesmo autor são mera coincidência.

Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

Os desafios da desqualificação

Aqui está um dado tão importante como revelador da falta de estratégia de quem nos tem governado. Entre os empregados, em 2008, 65 por cento tinham como nível de instrução o ensino primário ou o secundário inferior (baixas qualificações) contra 81 por cento entre os patrões. A níveis de qualificação mais elevadas, 16 por cento dos empregados tinham o secundário superior e 18 por cento o ensino superior, contra, respectivamente, dez por cento e nove por cento entre os patrões.

Iniciei este comentando a falta de estratégia de quem nos tem governado. Os dados acima são uma actualização relativa ao ano de 2008 de uma realidade que, apesar de há muito estar diagnosticada, nunca foi objecto de políticas tendentes a corrigi-la. Poderiam sê-lo, por exemplo, através da majoração da atribuição de subsídios comunitários e benefícios fiscais a empresas geridas por quadros qualificados ou de critérios de atribuição dependentes de um cabal acompanhamento técnico aos projectos e investimentos contemplados com algum tipo de incentivos. Na sua vez, quando a fraca qualificação não foi pura e simplesmente ignorada, quem nos governa optou por trabalhar para a estatística, quer reduzindo o grau de exigência do nosso sistema de ensino, quer dando novas oportunidades ao analfabetismo certificado.

E nem a Administração Pública escapou a esta lógica de desqualificação. Até à última reforma, desenvolvida contra alegados poderosos interesses corporativos, a licenciatura era uma requisito sem o qual ninguém podia ingressar na carreira técnica superior. Hoje já não é assim e quem concorra a essa carreira, para além de poder fazê-lo sem licenciatura, pode ainda ver um qualquer ponto do seu curriculum mais valorizado do que a licenciatura de outro candidato que, por não pertencer ao real e poderoso interesse corporativo de quem faz a escolha, não reúna o mesmo favoritismo por parte do dirigente nomeado político – ou alguém por si designado – que integre o júri do concurso respectivo. (Ver exemplo
aqui)

A fama que vem de longe

As fugas de informação e a captura do sistema judiciário português por poderes ocultos têm (des)créditos firmados não apenas em Portugal. Hoje, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) critica duramente a falta de colaboração das autoridades alemãs, que ignoraram inúmeros pedidos de procuradoras portuguesas no inquérito ao processo de contrapartidas dos dois submarinos comprados pelo Estado português ao consórcio alemão GSC. Mas com que objectivo não os ignorariam? Para pôr os investigados a par do andamento das investigações ou para gerar um movimento espontâneo de solidariedade para com eles nas franjas do poder político português mais sensíveis à causa dos corruptos?

Um parêntesis antes do que ainda há-de vir

A ferros

Com uma vitória por duas bolas a uma, o Benfica conseguiu reverter o resultado e o domínio que os ingleses do Liverpool impuseram durante o primeiro quarto de hora no Estádio da Luz, deixando tudo em aberto para o que resta disputar da eliminatória. Após esse período inicial de desacerto, a primeira-mão dos quartos de final da Liga Europa foi dominada quase em exclusivo pelos comandados de Jorge Jesus.

Mas foi um jogo estranho. De quatro grandes penalidades claríssimas, o arbitro apenas assinalou duas, mantendo o critério da metade para as expulsões, uma em vez de duas. No jogo jogado, tradução do seu domínio, o Benfica conseguiu produzir mais de meia dúzia de oportunidades de golo feito, contudo desperdiçadas por aselhice própria ou por mérito alheio. E Cardozo, que não tem na conversão de grandes penalidades o seu ponto forte, desta vez não falhou as duas que lhe foram confiadas.

Para a semana há mais e, se quiser seguir em frente, Jorge Jesus tem muito para corrigir. Esta noite, Di Maria voltou a agarrar-se muito à bola. Ramires, Javi Garcia e Maxi Pereira mais uma vez denotaram cansaço. Finalmente, Aimar não é Saviola e está mais do que visto que não adianta colocá-lo a jogar nessa posição. Armando-me agora em treinador de bancada, em Liverpool, gostaria de ver Airton e Javi juntos no miolo do meio campo, Di Maria e Ruben Amorin pelas alas, Kardec ao lado de Cardozo lá na frente e a mesma defesa de hoje.

Benfica 2 – Liverpool 1
Marcadores: Cardozo (2)