Quarta-feira, 31 de Março de 2010
Barroso, Portas e o azar do rabanete
Terça-feira, 30 de Março de 2010
Os meninos a embrutecer, os amigos a enriquecer
Vocação reformista
Um dia chamaram-lhe flexigurança
Hoje, da terminação da palavra flexigurança apenas resta a parcela que não respeita à redução da protecção social no desemprego que foi levada pelo PEC e OE-2010. Por seu lado, da sua parcela flexi, aquela que iria criar emprego e nos iria tornar competitivos, as estatísticas mostram que, quando veio a crise. Em Dezembro de 2008, quando o INE já assinalava uma quebra do emprego desde o terceiro trimestre, o número de assalariados com descontos para a Segurança Social ainda subiu, passando para 3.204.279 pessoas (mais 15 mil). Mas juntando os "independentes" sem pessoal a cargo (que abrange os "falsos recibos verdes" e que passaram de 307,5 mil para 284,6 mil num ano), a tendência batia com a do INE. O emprego caiu 0,2 por cento. Ou seja, quando a crise apertou, os contratos mais precários e pior pagos foram os primeiros a quebrar. E, desde 2008 até ao final de 2009, desapareceram mais 54,3 mil postos de trabalho "independentes".
Resulta claro que as políticas desenvolvidas pelo Governo, mostram-no os números, foram um catalisador da crise global. Propõe-se agora que, retocadas na sua brutalidade, as mesmas políticas de precariedade e salários baixos sejam a cura para a epidemia que ajudaram a disseminar. Para o ano, cá estaremos a fazer novo balanço dos resultados deste laboratório de irresponsabilidade que é propriedade dos partidos ditos “responsáveis”. A culpa voltará a ser da crise internacional.
Segunda-feira, 29 de Março de 2010
Mais vale rico e saudável do que pobrezinho e doente
Dou dois exemplos. O doente rico que cegue às mãos de um erro médico receberá tanto mais do que um doente pobre a quem aconteça o mesmo quanto maior for o fosso socioeconómico existente entre ambos. O mesmo acontecerá relativamente a eventuais crimes de injúria ou difamação com que um terceiro possa agraciar cada um deles. E esta diferença torna-se ainda mais descabida se atendermos ao reflexo das suas consequências nos valores que, creio eu, ainda queremos para a sociedade que construímos todos os dias: do primeiro, os cuidados médicos e a qualidade do tratamento fornecidos em função da classe social de cada paciente e, do segundo, o respeito dispensado em razão do mesmo critério. Em Portugal, país em que todos os cidadãos são iguais perante a lei, fica mais barato cegar um pobre do que um rico e fica mais caro insultar ou difamar um rico do que um pobre. Uma sociedade apostada em caminhar no sentido correcto já deveria ter resolvido esta diferença. Entre nós, ela passa quase despercebida a uma grande maioria dócil habituada a andar curvada e de mão estendida. Na falta de uma Justiça à séria, vai mandando a resignação.
Sábado, 27 de Março de 2010
Faltam 13 pontos
A segunda parte foi mais aberta, embora, tal como havia acontecido na primeira, tenha sido dominada quase inteiramente pelos da casa. Aproximadamente aos 20 minutos, o Braga melhorou um pouco, fruto de algumas correcções introduzidas ao seu Xadrez por Domingos Paciência, e conseguiu comer alguns dos trinta metros de ataque que até então lhe iam sobrando no seu ataque, mas, à excepção de um único lance que me tenha ficado na memória, não se pode dizer que tenha alguma vez incomodado seriamente a baliza de Quim.
O Benfica venceu bem e tem agora um fosso de seis pontos a separá-lo do segundo classificado. Uma vantagem confortável, atendendo a que, dos dezoito pontos que ainda estão em disputa, o título está a uma distância de, no máximo, treze pontos: por si sós, um empate e uma derrota já não chegam para comprometer esse objectivo.
(Luisão)
"Governabilidade" acima de tudo
Agora que Passos Coelho alcançou a liderança do PSD com uma vitória, nas palavras do próprio, inequívoca, inequívoca, inequívoca, inequívoca, o novo líder terá que ter mãos para lidar com um grupo parlamentar seleccionado a dedo por uma direcção que teve a amabilidade de afastá-lo. O desafio que se coloca aos deputados escolhidos por Ferreira Leite é agora o de prolongar ao máximo aquilo a que ultimamente passou a convencionar chamar-se de “governabilidade do país” e que, a partir de hoje, pode significar a sua sobrevivência enquanto deputados. Há que prolongar a vida a Sócrates, Não vá o diabo tecê-las e fazer com que se cruze na mente de Passos Coelho a ideia de imitar a antecessora e voltar a elaborar as listas de candidatos a deputados excluindo toda a corte de barões e baronesas da confiança da anterior (g)rainha. Nesta nova etapa do PSD, como nunca, a governabilidade, a estabilidade, o sentido de Estado e outros quejandos de coisa nenhuma estarão acima de tudo, até da nova maioria absoluta alcançada ontem pelo PS.
Sexta-feira, 26 de Março de 2010
Baldas responsáveis
Bem-vindos à Europa dos 28
O problema de impotência política da União Europeia, que o Tratado de Lisboa resolveria como Viagra, saldar-se-á na aprovação da adesão de um novo membro com poderes acrescidos na condução das políticas dos restantes 27: o FMI. Bem-vindos à Europa dos 28.
A regra do abafa
Embora de sentido contrário ao programa eleitoral com que se fizeram eleger, o PEC foi ontem aprovado pela bancada do PS. Contou com os votos contra do Bloco de Esquerda, PCP, Verdes e CDS-PP. E, conhecido o sentido de voto das restantes bancadas, que asseguravam a aprovação do diploma, o PSD optou pela abstenção que, julgam eles, os iliba das responsabilidades que decorrem da aprovação que proporcionaram, não se cansando de forrar o seu tacticismo irresponsável com toda a responsabilidade e sentido de Estado que o momento lhes proporcionou.
Mas, juntamente com o PEC, foram apresentados dois diplomas alternativos. Tenho-o aqui referido por diversas vezes, desde o susto tremendo que o resultado eleitoral e a dinâmica alcançados pelo Bloco nas últimas eleições europeias pregaram a quem detém e a quem manda na informação que se faz em Portugal, a cobertura mediática das suas iniciativas tem-se traduzido num boicote sistemático à sua divulgação. Eco desta nova estratégia tendente a travar a circulação de ideias que, caso fossem conhecidas, suscitariam uma adesão passível de fazer perigar certos interesses bem instalados na nossa sociedade pelos partidos que se vão revezando no poder,
Ontem, mais uma vez, apesar do momento implicar escolhas importantes e da legitimidade democrática para apresentar propostas no Parlamento do Bloco de Esquerda ser a mesma que assiste a qualquer outro partido, o diploma que teve a responsabilidade de apresentar passou à margem da informação. Quem o leia não terá dificuldade em perceber por que razão o PEC foi o único a dar-se a conhecer. A alternativa em causa, de cuja aprovação resultaria um custo de muitos milhões aos interesses que se vêem salvaguardados e amplamente representados pelo PEC, pode ser lida aqui.
Quinta-feira, 25 de Março de 2010
O nojo em pessoa
Em missão humanitária no Haiti, Depois de fazer a caridade de apertar a mão a vários habitantes locais, O ex-presidente americano George W. Bush limpou a mão à camisa do também ex-presidente Bill Clinton.
Rádio Canavilhas apresenta
EnCUbrir
Um dia florido de Primavera
Quarta-feira, 24 de Março de 2010
Roubalheira
A chantagem da especulação
Conversa de ou para tolinhos
Terça-feira, 23 de Março de 2010
É mesmo muito importante ter portugueses nos organismos europeus
É assim porque é assim, era assado porque era assado
Por cá, quanto ao PEC, esta argumentação parece conhecer uma reedição. O fantasma do abismo berra agora por um consenso na sua aprovação semelhante ao que culminou na ratificação do Tratado de Lisboa: caso o PEC não seja aprovado no Parlamento, Portugal “corre o risco de vir a ser afectado por uma onda de choque” devido à instabilidade nalgumas economias da zona euro, porque os mercados “muitas vezes” não têm distinguido Portugal da Grécia.
Mas há alternativas ao PEC? Há, como pode ler-se aqui. Tal como havia alternativas ao Tratado de Lisboa. Não podem discutir-se? Não, porque isso seria entendido pelos mercados como algo de muito negativo. O PEC cria emprego ou crescimento económico? Ninguém o garante, mas também não é isso que interessa aos mercados. Mas como é que sabem? Quem é que falou com os mercados? Não interessa. É assim, porque é assim. E não façam perguntas. Quanto mais perguntas fizerem, mais desagradado ficará o papão dos mercados: "Se a Assembleia da República falhar em dar esse sinal, por muito boas que sejam as medidas do programa de estabilidade e crescimento (PEC), não adianta nada". Então, e se der o sinal pretendido? Como se viu no Tratado de Lisboa, uma estratégia que não sirva não melhora por obter mais ou menos apoios.
Segunda-feira, 22 de Março de 2010
A que lhe falta
Documentos da Igreja revelam que as autoridades religiosas foram repetidamente avisadas por vários bispos norte-americanos que a ausência de medidas poderia vir a tornar-se num embaraço para a Santa Sé. O diário refere a existência de correspondência directa trocada entre os prelados de Wisconsin e o cardeal Joseph Ratzinger (agora Papa Bento XVI), que prova que a preocupação central do clero não foi pensar na demissão do padre, mas na forma de proteger a Igreja do escândalo.
(actualizado)
Já só falta a beatificação
Finalmente
Como resultado, a profunda reformulação do sistema de saúde americano vai permitir uma cobertura quase universal de toda a população, uma das principais bandeiras de Obama na campanha eleitoral. Medida dos interesses que travavam a reforma e, apesar das alterações à proposta inicial, da vitória política gigantesca rgistada por Obama, o sector da Saúde representa actualmente um sexto do produto americano, com um valor anual de 2,5 biliões de euros.
Domingo, 21 de Março de 2010
A crise também se combate nas urnas
Vencer uma final costumava ser difícil
As finais costumam ser mais difíceis de vencer do que a de hoje. Com quatro indiscutíveis do onze principal no banco (Javi Garcia, Ramires, Saviola e Cardozo), o Benfica venceu com toda a naturalidade, por três golos sem resposta, a final da Taça da Liga. Pela frente teve um FC Porto mais empenhado – talvez não dêem para mais – em jogar à canela do que em jogar futebol. O espectáculo ressentiu-se dessa toada violenta permitida pelo árbitro que os portistas imprimiram à partida, à qual o Benfica respondeu com a simplicidade do seu futebol.
Assim, o Porto leva para casa mais uma pesada derrota e o caceteiro Bruno Alves imaculado, sem o vermelho que corresponderia como sanção a qualquer das várias agressões que, ao longo do desafio, foi desferindo nos seus colegas de profissão da equipa adversária.
Para além da afirmação dos jogadores menos utilizados que hoje voltaram a justificar a chamada à titularidade, o Benfica leva para casa o primeiro troféu da temporada. Conquistada que está a segunda Taça da Liga em três edições, é o clube português com mais troféus ganhos em cada uma das principais competições que se disputam em Portugal: campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga.
Marcadores: Ruben Amorim, Carlos Martins, Cardozo
Sábado, 20 de Março de 2010
Sexta-feira, 19 de Março de 2010
O FMI e o IV Reich
O Liverpool vem ao inferno
Benfica - Liverpool e Valência - Atlético de Madrid
Fulham - Wolfsburgo e Hamburgo - Standard de Liège
A birra parlamentar do dia
Para entreter: contra, mas a favor
Enquanto houver quem pague
Seguiu-se um concurso público, no valor de mais 1,67 milhões, mas os custos desta última empreitada acabaram por disparar para mais de dois milhões devido sobretudo a “trabalhos a mais” que, no entender do Tribunal de Contas, constituem uma nova empreitada, pelo que deviam, como tal, ter sido alvo de concurso público ou de concurso limitado – e não de ajuste directo ao grupo Lena.
Porém, prova de que a lei está mesmo bem feita, apesar do Tribunal de Contas considerar que há perto de 294 mil euros de despesas pagas ilegalmente, a responsabilização financeira de mais este “gestor” nomeado pelo Governo limita-se a uma multa simbólica que pode variar entre 1440 e 14.400 euros e não compromete a sua carreira de zelador do interesse público. O resto da factura dos prejuízos desta e de outras negociatas do género Vem no esforço solidário imposto a todos os portugueses inscrito no PEC, OE 2010 e anteriores. E enquanto houver voluntários para fazer sacrifícios "pela pátria", enquanto a estes ajustes directos não corresponder um ajuste directo nas urnas de voto, a fórmula de enriquecimento e o modelo de gestão subjacentes a mais esta história banal serão para manter e repetir.
Quinta-feira, 18 de Março de 2010
Glorioso SLB
Após o golo que o arredaria da competição, o Benfica soube reagir e continuou a jogar como até aí, em pressão alta e no campo todo. O empate na eliminatório foi alcançado num pontapé de fora da área por Maxi Pereira, o melhor em campo. O Marselha acusou o toque e retraiu-se ainda mais. Depois, para terminar em beleza, cereja no topo do gateau e da bolangerie toda, o golo da qualificação veio do banco e foi marcado à passagem do minuto noventa por Alan Kardec, que, entrado há quatro minutos, estreou-se a marcar pelo Benfica e apontou o centésimo tento da equipa em competições oficiais nesta época.
A justiça dos ricos
O erro que corrige o erro
"Boas notícias"
Quarta-feira, 17 de Março de 2010
Mais gritos no bananal
Bem sei que este tipo de notícias costuma arrancar expressões como “somos uma república das bananas”. Discordo. Somos a república possível com as escolhas de todos os bananões que, aconteça o que acontecer, façam o que fizerem, há mais de 35 anos que depositam o seu voto nos três partidos que, com o poder que lhes confiam nas mãos, continuam a semear o bananal. Há-de continuar a produzir, fortunas, gritos e macacadas para entreter. (editado)
Mas qual avaliação?
Até agora, houve apenas 10 exonerações simbólicas. Uma fartura, tendo em linha de conta que os dirigentes da Administração Pública são maioritariamente recrutados nas fileiras do partido do Governo. O mérito corre-lhes nas veias. Teixeira dos Santos está de pés e mãos atadas para premiar, como corresponderia, aquilo que fora do aparelho partidário seria considerado a mais pura incompetência ou, quem sabe, uma evidência da existência de poderosos interesses corporativos.
Outra vergonha
Hoje, que já quase ninguém se lembra das promessas que ficaram por cumprir, sabe-se que o Governo decidiu avançar com legislação que introduz um limite de cinco anos, extensível por outros cinco, para os apoios concedidos pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) aos Centros de Emprego Protegido. Sem estes apoios, destinados a compensar a menor produtividade resultante de deficiências cognitivas ligeiras de quem, de outra forma, não conseguiria colocação no mercado de trabalho, ficam em risco os poucos Centros de Emprego Protegido existentes no país e os cerca de 300 postos de trabalho que asseguram a sobrevivência de outros tantos portugueses portadores de deficiências ligeiras.
Fica ainda em causa todo o trabalho de formação para posterior colocação de deficientes no mercado de trabalho, uma missão que competiria ao Estado e que os CEP têm realizado ao longo das últimas décadas.
Terça-feira, 16 de Março de 2010
Dar aos directores um poder que era dos professores
São só vantagens
O Governo fez anunciar que a privatização das 18 empresas públicas inscrita no PEC vai render seis mil milhões de euros. Nenhuma referência ao valor estratégico de cada uma delas, nem quanto custou aos contribuintes o património que vai alienar, nem quanto renderia se a venda ocorresse em período mais favorável do que o actual, em que as cotações registam mínimos, nem tão-pouco qual o peso em orçamentos futuros da despesa com serviços que o Estado vai continuar a adquirir depois da privatização. Nada. São só vantagens. Repare-se bem que entre as empresas a privatizar está o BPN, cuja nacionalização, no ano passado, como é sabido, foi uma das principais responsáveis pelo défice record verificado. Custou aos contribuintes mais de quatro mil milhões de euros. Comparando este valor com os seis mil milhões anunciados como encaixe objectivo das privatizações, o mau negócio de uma venda ao desbarato e à pressa resulta por demais evidente.
Como dourar uma notícia
O Governo está a contar já para o orçamento do próximo ano com um acréscimo da receita fiscal de 240 milhões de euros, relacionado com a sujeição de todas as mais-valias mobiliárias a uma taxa de IRS de 20 por cento.
Segunda-feira, 15 de Março de 2010
Emprego e especulação "convenientes"
Pelo contrário, a tributação das mais-valias bolsistas não avançará em 2010. Justificação oficial: é necessário que haja “um quadro financeiro que se encontre relativamente estabilizado".
Será pecado?
Mix nacional
Laranja de Mafra
Domingo, 14 de Março de 2010
Mais três
Com (mais) um penalty falhado e um golo apontado no minuto e jogada seguintes, Cardozo acabou por dar ao Benfica uma vitória que parecia perder-se na selva de pernas que o treinador do Nacional semeou em frente à sua baliza. Três pontos muito importantes em vésperas da recepção ao segundo da tabela, daqui a quinze dias, um embate que, caso o Benfica consiga levar de vencida, solidificará a liderança da Liga com seis pontos de vantagem sobre o Braga. Preciosos, porque, Depois, há jogos difíceis como a recepção ao Sporting e a deslocação ao Dragão, entremeados com a deslocação à Figueira e a recepção à Académica.
Académica 1 – FC Porto 2
Nacional 0 – Benfica 1 (Cardozo)
Sporting 3 – V. Guimarães 1
Sábado, 13 de Março de 2010
Sacrificou-se para salvar as suas compatriotas
É uma iniciativa humanitária sem precedentes e, muito importante, pode fazer mais uma santa portuguesa. Para repor aquilo a que chamam de justiça em vida, foi criado, em Itália, o Movimento pela beatificação da mulher de José Mourinho. O ideário do movimento é explicado no vídeo junto.
Sexta-feira, 12 de Março de 2010
Mude-se, e já
Depois do susto, abafem-se
Uma explicação possível pode extrair-se de uma conjugação das respostas à questão colocada sobre a capacidade dos partidos da oposição para fazerem melhor do que o Governo, com a avaliação que o universo de inquiridos faz de cada líder partidário e com ainda uma outra, cuja mensuração pode fazer-se, e faz-se, existem dados, sem recurso a métodos de sondagem.
À primeira, respondida pelo mesmo universo composto por 64 por cento de opiniões que deram avaliações de “mau” ou “muito mau” ao desempenho do Governo, 55 por cento respondem que nenhuma força política faria melhor, contra apenas 23 por cento que pensam o contrário.
Das respostas à segunda questão, Francisco Louça aparece à frente nas avaliações positivas dos inquiridos (9,3), seguido de Paulo Portas (9). Só depois aparece José Sócrates (8,8), à frente de Jerónimo de Sousa (8,6) e Manuela Ferreira Leite, a grande distância (7).
A terceira, condicionadora de todas as outras, refere-se ao tempo de antena e destaques concedidos a cada partido em telejornais e media em geral e às tendências políticas dos painéis de comentadores escolhidos por cada estação ou jornal. O resultado do Bloco nas últimas eleições europeias pregou um valente susto aos donos da informação que se faz em Portugal. Por isso, nas eleições seguintes, nas legislativas, todos tiveram oportunidade de assistir a como o Bloco se tornou um alvo preferencial do escárnio de comentadores com tendências políticas bem conhecidas e do boicote geral, boicote esse que tomou proporções ainda maiores na campanha para as eleições autárquicas. E alguns desses comentadores, hoje que o Governo se decidiu a avançar com propostas do Bloco por si criticadas durante as campanhas, aplaudem-nas efusivamente.
E não, não estou a delirar. Por exemplo, na cidade onde resido, Coimbra, os candidatos do Bloco foram excluídos dos vários debates entre os candidatos dos outros partidos que tiveram lugar em todas as estações, com uma honrosa excepção, o Rádio Clube. E Coimbra não foi o único caso.
Não é que com isto queira dizer, ou sequer defenda, que a comunicação social foi a única responsável pelo mau resultado do Bloco nas autárquicas ou nas eleições anteriores. Não é nada disso. Mas será pacífico que tudo o que não apareça nos jornais, rádios e televisões se transforma numa inexistência para o seu público. E ninguém vota no que não conhece.
Tornado público o PEC, o Bloco apresentou uma proposta alternativa que, apesar da sua importância num momento difícil em que todos os contributos deveriam merecer, no mínimo, respeito, não teve eco nos media. Passou à margem das notícias, no limite da discrição, tal como quase todas as suas iniciativas desde o último ciclo eleitoral, data a partir da qual o Bloco tem sido notícia apenas esporadicamente, em flashes curtos que não dão nem para compreender meia ideia, quanto mais debatê-lo, fora de horas ou em posicionamentos discretos nos alinhamentos. Desapareceu do ar e, naturalmente, isso reflecte-se nas sondagens..
A filtragem ao trabalho feito por outros partidos que não aqueles que hoje estão coligados informalmente para aprovarem diplomas como o Orçamento ou o PEC, que ditarão o futuro mais próximo dos portugueses, é, actualmente, mais do que nunca, feito a montante. Se quem tem por missão informar os considera, como considera, uma ameaça aos interesses instalados, que beneficiarão do PEC, abafam-se e juntam-se ao clichet da moda “não existe oposição” e às inevitabilidades alardeadas por pivots e comentadores de serviço, ao serviço desses mesmos interesses. Os resultados das últimas sondagens são também a medida do bom trabalho de condicionamento de escolhas que estão a desenvolver.
Quinta-feira, 11 de Março de 2010
Proverbiando
Mais humildade não seria pior
Sobretudo até à meia hora da primeira parte, os passes saíam quase sempre transviados ou interceptados pela formação francesa. Aimar denotava o mau momento físico que atravessa. Actualmente, não tem lugar no onze. Ramires esteve apagado e também deveria ter ficado de fora. Saviola, Di Maria e Cardozo estiveram desastrados.
O Benfica apenas melhorou, pouco, no último quarto de hora da primeira parte, mas reiniciou a partida como começou, com nova meia hora de desacerto. Altura em que Jesus finalmente fez render Aimar por Carlos Martins e Peixoto por Coentrão. Das trocas saiu o melhor Benfica de toda a partida e, deste, o golo que transformava o bom resultado que seria o empate a zeros numa excelente vitória por um a zero.
O sonho de disputar a segunda mão em vantagem foi desfeito na última jogada do desafio, na qual o Marselha empatou a partida. O Benfica não soube fazer como mandam os manuais quando se chega à vantagem no último terço da segunda parte, trocar a bola longe da sua baliza, conservá-la o mais possível e só atacar pela certa. Agora terá que marcar em França, uma tarefa que não é nenhum impossível, mas tem o seu grau de dificuldade.
Dois insultos
Querida estabilidade
Em reacção aos números hoje divulgados pelo INE, o vice-presidente da bancada do PSD Miguel Frasquilho, admitiu que Portugal vai ser dos países que mais vai demorar a sair da crise e não está mesmo colocada de parte a possibilidade de voltarmos a uma recessão. Quanto ao contributo que o seu partido vai dar a esta estabilidade de pendor minguante quando votar favoravelmente o PEC que a acelera, zero. O PSD é um partido "responsável", logo, imune a qualquer lógica que não a dos votos que dispensam explicações para serem conquistados. Em sua vez, Frasquilho limitou-se a um “São muito más notícias para todos os portugueses e mostram bem como a nossa economia não tem sido bem gerida de há muitos anos a esta parte”. Pois. O PSD nem nunca foi Governo, nem continua a fazer o que sempre fez.
O referencial do auto-elogio
Fora da crise
Quarta-feira, 10 de Março de 2010
Outro caminho
No final do PEC, como antes, tudo será como antes
Inopinadamente, anónima, sem autoria, chegou a crise. Depois, o défice de 9,3 por cento, acompanhado de um desemprego que, comparado com o anterior, embora afecte mais de um em cada dez portugueses, soa como factor secundário no discurso de governantes, de facto ou em potência, e respectivas cortes de comentadores. Finalmente, o PEC, o “ai, a Grécia” e o “tem que ser” que o sustentam. E muito poucos, mas mesmo muito poucos, entre aqueles que têm voz, olham para trás e reconhecem no PEC a reedição da mesma fórmula, então aplaudida pelos mesmos que hoje o fazem, que gerou a crise, por si imprevista, que, de forma alguma, terá como remédio as suas causas.
Como antes, para o bem de todos, impõem-se a diminuição dos salários reais que alimentavam o consumo interno que assegurava postos de trabalho. Como antes, para tornar a economia mais forte, corta-se no investimento público que poderia gerar emprego e crescimento. Como ou mais do que antes, os jovens têm cada vez menos condições para, como antes, poderem ter filhos e, como antes, constata-se que estamos cada vez mais velhos, logo, como antes, aumenta-se a idade de reforma para, como antes, barrar as oportunidades aos jovens que, como antes, cada vez procriarão menos.
Para terminar em beleza, porque, como antes, para além dos mesmos de sempre que pagam e sofrem com as crises, há também outros "mesmos de sempre" que enriquecem com elas, há um conjunto de monopólios naturais que, como antes, serão privatizados e, como antes, assegurarão um futuro risonho e sem risco aos afortunados que, fruto de políticas que sistematicamente os poupam ao sacrifício geral, estão hoje em condições financeiras de comprar todas as riquezas erigidas com o dinheiro de todos que os curandeiros vejam que podem vender ao desbarato sem que, como antes, a negociata possa alongar-lhes demasiado o intervalo na rotatividade no poder.
E o crescimento, que será um dos mais fracos de toda a Europa e, como antes, não será suficiente para gerar emprego? No final do PEC, que coincide com a chegada da factura das parcerias público-privadas , como e mais do que antes, haverá défices monstruosos. Também, como ou mais do que antes, desemprego. Mas, como antes, continuará a haver salários e direitos onde cortar a troco de promessas de exportações salvadoras, um Estado que poderá continuar a emagrecer onde estiver mais magro, impostos a aumentar e imóveis e empresas públicos para vender ao desbarato aos mesmos rendeiros de sempre. Como antes, será como antes. Incluindo o unanimismo entre OCDE, FMI, Comissão Europeia, partidos auto-intitulados de “responsáveis” e respectivos séquitos de comentadores com responsabilidade de sapiência acrescida.
Vamos todos exportar para a lua
E convirá não esquecer que toda esta deflação de salários repercute-se tanto no valor real da dívida expressa em euros como nas taxas de juros reais. [são necessários mais salários para pagar a mesma dívida]
É a versão de Andrew Mellon do euro: a liquidar a Letónia, a liquidar a Grécia, a liquidar em Espanha, a “limpar a podridão”… » – Paul Krugman, Nobel da Economia.
Terça-feira, 9 de Março de 2010
O centro cada vez mais à esquerda
Como também se preparam para reduzir as prestações sociais de forma a deixar quem está desempregado por sua conta e risco, porque as pessoas não vivem de ar e vento, será de todo aconselhável reforçar o contingente policial e dotá-lo de meios capazes de reprimir a escalada da criminalidade que costuma acompanhar este tipo de políticas. Se é para seguir políticas de direita, há que assumi-lo de uma vez por todas. A crise tem cada vez mais vitaminas para ajudá-la a crescer.
Um blogue que promete
Segunda-feira, 8 de Março de 2010
Provas cegas
Não é que concorde com o PEC. Ainda nem o li e, para além do mais, discordo de congelamentos salariais promovidos para manter intactos privilégios de classes abastadas favorecidas com benefícios fiscais a PPRs e planos de saúde privados, pagos também com os impostos daqueles que verão o seu poder de compra diminuir nos próximos anos. Nnão é esse o meu ponto. Mas será interessante ir observando as reacções de todos aqueles que antes criticaram as propostas e agora irão aplaudi-las. Há por aí uma fartura imensa de comentadores e comentadeiros que se limitam a condenar ou aplaudir propostas, quaisquer que elas sejam e independentemente da sua substância, consoante a sua proveniência. Se no rótulo da garrafa vem “Bloco”, nem pensar em provar o vinho. Será mau. Se o mesmo rótulo disser “partido de poder”, tão-pouco há que prová-lo. Será bom. Há é que ter muito cuidado com as apreciações, o produtor pode ficar zangado. E nem pensar em alinhar em provas cegas em que o vinho seja dado a provar sem rótulo. Da crítica pode resultar evidente que de vinhos o enólogo sabe apenas distinguir um branco de um tinto se, e só se, as luzes não estiverem apagadas. Quando não for tri naranjus.
Domingo, 7 de Março de 2010
Aquela máquina
E friso-o bem, da de hoje, porque Artur Soares Dias ganhou direito a ser figura presente nas jornadas mais próximas: o senhor do apito amarelou com habilidade e precisão cirúrgica todos os três jogadores que ficariam tapados caso esta noite vissem mais algum cartão. A saber, como ele sabia: Di Maria, Luisão e Saviola. Se algum deles vir novo amarelo na deslocação ao Nacional, ficará de fora na recepção ao Sp. Braga da jornada seguinte. Bom trabalhinho.
V. Setúbal 0 – Sp. Braga 0
Benfica 3 – Paços de Ferreira 1
Marcadores: Ruben Amorim, Saviola e Cardozo.
Ele há cada coincidência
Sábado, 6 de Março de 2010
Sexta-feira, 5 de Março de 2010
Eu, PGR, me confesso
A um par de petas da maioria
Ainda segundo a mesma sondagem, os portugueses denotam maioritariamente uma preferência pela estabilidade da manutenção deste tipo de governação. 56 por cento opinam que o Primeiro-ministro mantém intactas as condições para governar contra apenas 46 por cento que pensam o contrário. E, se houvesse eleições antecipadas, 40,3 por cento dos inquiridos confiariam o seu voto ao PS, que veria o seu score eleitoral aumentar para próximo da maioria absoluta. Gostos não se discutem. A receita é para repetir. O PS tem a maioria absoluta à distância de um par de galgas metidas à Sócrates.
E há que congelar salários
Um dos elementos que mais contribuem para a desigualdade são os rendimentos do trabalho. O indicador que mede a diferença entre o rendimento líquido recebido pelos 20% que detêm níveis mais elevados de rendimento e o recebido pelos 20% mais pobres. Em média, em 2008, os 20 por cento mais ricos recebiam 6,1 vezes mais do que os 20 por cento mais pobres (e não 6,1 por cento mais, como se lê aqui). Portugal continua a ser o terceiro país europeu onde a distribuição dos rendimentos do trabalho é mais desigual, muito próximo da Letónia e da Bulgária.
Mensuração da "governabilidade" (em maioria)
Quinta-feira, 4 de Março de 2010
Os convidados
E a quem faz os convites pouco importa que os seus convidados difundam disparates como o da exagerada dimensão do sector público no terceiro país da UE com menor proporção de funcionários públicos na população activa. Serve os seus propósitos e quem comenta sabe que é importante repeti-lo à exaustão para não deixar de receber convites. Tal como o será evitar temas como o poder de grupos que conseguem isenções fiscais que os colocam à margem do esforço nacional que supostamente defendem, o peso no défice do garantismo das parcerias público-privadas e de outros negócios de Estado que enriquecem mais protegidos do regime, dos milhões que fazem as delícias de empresas de consultoria e escritórios de advogados conhecidos, das operações financeiras com off-shores que potenciam todos os negócios menos claros que não criticam, ou o facto de, no segundo país da Europa onde os accionistas de empresas cotadas em bolsa recebem maiores dividendos tal não se traduz em reinvestimentos na mesma proporção e sim em aumento de fortunas pessoais, não há mecanismos fiscais que procurem corrigir essa discrepância. Não. Para todos estes doutos patriotas, o esforço nacional de pôr as contas públicas em ordem não pode beliscar o bem-estar dos amos das suas consciências. E a sua pátria, o país que os alimenta, o país onde se movem, não vem, nem nunca virá, nos mapas convencionais. Existe apenas, numa existência que é o prolongamento das suas, no imaginário de audiências rendidas à "inevitabilidade", por si criada, de terem de abdicar dos salários e dos direitos que sustentam a prosperidade desse paraíso na Terra.
Quarta-feira, 3 de Março de 2010
Erro de cor
Código de barras: Coisas realmente importantes
Empurrado por
Filipe Tourais
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Puxões e esticões adicionais
Alerta
Tropeçar nas mesmas pedras
Seria importante, entre outras pedras, repensar o euro, alterar as competências estatutárias do BCE, dotar a UE de meios e mecanismos orçamentais capazes de financiar e agilizar políticas, abandonar a ortodoxia do equilíbrio orçamental, combater as desigualdades na repartição do rendimento, harmonizar políticas de protecção social e rever os tratados de comércio internacional que, ao promoverem uma competição em pé de igualdade entre produções obtidas em contextos diametralmente opostos de respeito quer pelos direitos humanos e laborais, quer pelo ambiente, têm tido como resultados a destruição de empregos decorrente da deslocalização de empresas e retrocessos civilizacionais forçados pela necessidade de compensar a desvantagem competitiva por eles criada, já para não falar na democratização do processo de decisão na União. Mas a "nova" estratégia não passa por aqui.
Não foi por acaso que a Estratégia de Lisboa se revelou um rotundo fracasso. Contudo, lendo as propostas inscritas na nova estratégia da Comissão, a sensação que fica é a de que apenas faltou à Europa um pouquinho de sorte para que o sucesso tivesse sido completo. Insistirão no azar. E chamam-lhe "economia inteligente", os inteligentes. Eles mandam.
Terça-feira, 2 de Março de 2010
Alterações genéticas na Europa dos cidadãos
Prosperidades em tempo de crise
Não terá sido, contudo, sobre este tipo de segurança que o universo de inquiridos se pronunciou. Bastará prestar atenção a quem encomendou o estudo para verificar que, entre os seus propósitos, não estão nem este tipo de moeda de troca para alcançar consensos no parlamento, nem a correlação conhecida entre os fenómenos da criminalidade e da miséria resultante da vaga de desemprego, cujo combate é actualmente apenas prioridade no discurso . Além disso, tal como a captação da atenção geral pelo entretenimento proporcionado pelos debates sobre temas tão ricos como a governabilidade do país ou as vitórias do bem sobre o mal em histórias com polícias e ladrões, a pobreza também tem potencialidades na geração de “janelas de oportunidades” para certos ramos de negócio.
Segunda-feira, 1 de Março de 2010
Reconstruir a tragédia
As regras do jogo
Um mistério por desvendar
Indiferente, o mesmo Governo PS que, em maioria, ajudou a construir este número, quer com os cortes que promoveu no investimento público e nos salários, quer com legislação laboral que facilitou os despedimentos, prepara-se para avançar com um Pacto de Estabilidade e Crescimento que prevê novos cortes nos benefícios fiscais e congelamentos salariais, contando para tal com o beneplácito de PSD e CDS-PP. Os portugueses, por seu lado, queixam-se da democracia. Quem terá eleito a maioria PS-PSD-CDS-PP, a mesma que governou o país nas últimas três décadas e que, hoje, como nunca, está de acordo quanto às políticas de fracasso de sempre a impor ainda uma outra vez?




