terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um "rigor" engrandecido

Um despacho conjunto dos ministérios da Justiça e das Finanças mandou suspender a aquisição de bens e serviços e usar essa verba para reforçar dotações de despesas com pessoal, lê-se aqui. Ora aqui está um bom exemplo do que deve ser o rigor na gestão pública, contenção de despesas, pensará a maioria dos leitores.

Acontece que o que manda a legislação da autoria deste mesmo Governo é que as despesas com pessoal sejam obrigatoriamente as primeiras a ser cabimentadas no Orçamento inicial de cada organismo público: para salvaguardar que situações de salários em atraso não venham a ocorrer, devem obrigatoriamente reservar o valor correspondente à totalidade dos salários e outras despesas com pessoal a pagar durante o ano a que respeite esse Orçamento.

Ora, excluindo a hipótese da existência de despesas imprevisíveis em Janeiro (recorde-se, as novas admissões estão congeladas), é rebaldaria (*) e não rigor o que ressalta da notícia. A gestão orçamental na Justiça não cumpriu com um preceito obrigatório e foi essa falha que obrigou à adopção de uma opção de emergência. Tempos houve em que o jornalismo apontava o dedo à incompetência. Hoje, limita-se a reproduzir as notas de imprensa distribuídas pelo poder. O rigor sai engrandecido. É agora bastante mais abrangente.

(*)Confirmada dias depois.

1 comentário:

Anónimo disse...

Bem, deste Ministro da Justiça é de esperar tudo.
Se o anterior era o que era. Este, garantidamente, não é melhor.
Se este Ministro é um dos Alegristas no Governo, então, o Manuel Alegre ( em quem muito provávelmente irei votar ) anda muito mal acompanhado.
Este Sr é um dos tais que diz mas depois desdiz e torna a dizer e a desdizer.! É só arrogância faroleira.