sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Os injustificáveis


Primeiro, Marques Mendes, ontem. Depois, Miguel Macedo, hoje. As excepções aos cortes salariais dos funcionários públicos açorianos é “injustificável”, dizem. Eu julgava que injustificável era o precedente grave de cortes nos salários que o PSD e o PS aprovaram conjuntamente. Pelos vistos, não será assim. Ou a excepção que os mesmos dois viabilizaram nas empresas públicas onde colocam os seus boys e girls a fazer saberão eles o quê e a ganhar vencimentos que – sabêmo-lo nós - chegam a atingir exorbitâncias que são um insulto para os dois milhões de pobres, 600 mil desempregados e outras vergonhas que resultam de um reinado assumido por ambos os partidos há quase quatro décadas. Contra isto já não os ouvimos piar.

Nem contra as consultorias às empresas públicas adquiridas por
ajuste directo a gente dos seus partidos. Nem contra as parcerias público-privadas que fazem a fortuna dos seus tentáculos no poder económico. Os quase 300 milhões em favores tributários que ontem aprovaram quando chumbaram o projecto de lei do PCP também não são injustificáveis. O valor é sensivelmente o mesmo que retiraram às famílias portuguesas quando aprovaram o fim do abono de família. Justifica-se? Justifica. As sondagens continuam a justificá-lo. Nem mesmo que estes senhores nada encontrem de injustificável no rasgar de um acordo que faria o salário mínimo chegar em 2011 à miséria que 500 euros conseguem comprar, os portugueses continuam a encontrar justificações para a manutenção deste Portugal das riquezas submarinas.


  • Passatempo: vá clicando nos links deste post e vá somando os valores distribuídos. Descobrirá um país rico. Mesmo sem incluir favores injustificáveis como a não tributação das transacções com off-shores, os benefícios fiscais concedidos ao sector financeiro e a não tributação das mais valias urbanísticas resultantes de habilidades de autarcas e governantes com necessidades especiais de enriquecimento, o resultado da soma obtida daria para manter o consumo proporcionado pelos salários da função pública, não aumentar o IVA para 23% ou manter as protecções sociais que PS E PSD decidiram desviar para as suas clientelas.

1 comentário:

Anónimo disse...

Os Portugueses, além de não terem tomates para reagir como deve ser contra esta vergonha nacional, que é o roubo aos ordenados dos funcionários e os aumentos dos impostos e o congelamento das pensões perpetado por estes bandalhos, gatunos ( o PS; o PPD e o CDS, pois claro, quem é que havia de ser?), não têm memória.!
São incapazes de inscrever na memória (para memória futura)as patifarias e malfeitorias dos três partidos mafiosos( com perdão da Máfia) que têm tornado este país um autêntico inferno de Dante mas real para a maioria dos seus cidadãos, que não, obviamente, para os banqueiros e os CEOS e outros malfeitores similares.
Se isto continua assim, desconfio que mais dia menos dia vai haver cacetada de criar bicho.
Depois façam como os USA e
chamem terroristas a quem se revolta e com razão contra as injustiças.