sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aniquilar por fases

O Estado não tem dinheiro para pagar subsídios de desemprego mas, pelo visto, tem dinheiro para se substituir aos empregadores no pagamento de indemnizações por despedimento. O Governo, secundado pelo satélite UGT, propõe a criação de um fundo para o qual serão transferidos os custos dos despedimentos. É uma reedição da nacionalização dos prejuízos do BPN: será novamente a sociedade a suportar custos decorrentes de decisões gestionárias de natureza estritamente privada. O Estado ficará com os custos e as empresas com os proveitos.

Este será o melhor instumento de incentivo ao despedimento. Os empregadores passam a poder despedir a custo zero . Passam também a poder substituir mão-de-obra de forma a minimizar a massa salarial. A descida generalizada das remunerações do trabalho é uma das revindicações da ideologia reinante que esta crise tornou possível satisfazer.. E é óbvio que será insustentável manter um fundo deste tipo por muito tempo. Mas todos compreenderão que é mais fácil aniquilar o Estado social por fases do que fazê-lo de uma vez só. Numa primeira fase, ficamos assim. Cria-se um fundo que substituirá as empresas no pagamento de indemnizações por despedimento. Quando o fundo falir, lá adiante, no PEC 7 ou 8, adeus, indemnizações. O Estado social foi condenado à morte por todos aqueles que, com votos ou ficando em casa, colocaram o poder nas mãos de quem – sabia-se! – lhe faria o enterro. As sondagens continuam a indicar que a maioria continua disposta a colaborar.

(editado)

4 comentários:

Fenix disse...

A comunicação social é cúmplice pois "informa" desinformando (manipulando), e o zé povinho lá vai mais uma vez votar nos "donos" da coutada, que já afiam os dentes e as garras em acordos pré-(pós)-eleitorais!!
É a vergonha total! Depois ainda se queixam do "wikileaks"...

A. Rodrigues disse...

E essa maioria só se dispõe a colaborar porque não lê o "país do burro"

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Os portugueses e os europeus sabem perfeitamente que alguma coisa está muito errada, mas não sabem o quê. Por isso vão descarregando a sua frustração nos bodes expiatórios que a direita lhes indica: os imigrantes, os funcionários públicos, as profissões letradas... É uma velha tradição europeia: quando as coisas correm mal, o melhor é fazer um "pogrom". Não resolve nada mas sempre é uma catarse.

Espertos foram os islandeses: correram com a direita neoliberal, elegeram um parlamento de esquerda, nacionalizaram uns tantos bancos, puseram uns tantos banqueiros atrás das grades, notificaram os credores que ou aceitavam ser pagos em condições que não fossem suicidas para o povo islandês ou se arriscavam a não ver um chavo.

Resultou. Estão a recuperar a olhos vistos. Enquanto a Irlanda, aluna obediente do BCE e confiante nos Daniéis Bessa lá do sítio, se está a afundar cada vez mais.

Anónimo disse...

Faço minhas as palavras de Jose L.Sarmento.
Iamos era ter um problema, que, porém, óbviamente se resolvia, era falta de espaço nos estab.prisionais.