terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A afundar em silêncio


José Sócrates diz, em entrevista ao The New York Times, que, em breve, anunciará novas medidas para fortalecer a economia portuguesa nas áreas laborais, da burocracia e das exportações, lê-se aqui. Aqui, lê-se que o Governo desvaloriza o aumento da tarifa da electricidade para as empresas. Os salários e os direitos laborais pesam sobre a nossa competitividade, mas uma das tarifas eléctricas mais caras da União Europeia parece negligenciável.

Enquanto escrevia estas linhas, ia-me lembrando da reportagem junta da France 24, que roubei daqui. Ilustra o fenómeno. Fala de um país com uma corrupção que galopa sobre a permissividade de um dos povos mais dóceis e menos qualificados da Europa, que prefere emigrar a insurgir-se contra a pobreza que lhe é imposta, à custa da qual o poder político vai distribuindo enriquecimento fácil pelas suas clientelas. Num país assim, seria de admirar outro cenário que não o do aparecimento de mais e mais medidas para “fortalecer” “a nossa economia”. A “nossa economia” é a dos rendeiros da electricidade, dos combustíveis, das telecomunicações e das comissões bancárias mais caros da União Europeia. Os dóceis não contam. Aceitam tudo. “Portugal sinks in silence”. Portugal afunda-se em silêncio. O título da reportagem junta.

3 comentários:

Demo Gra Pia disse...

afundar no barulho

leva a afundar mais depressa

e como nã vem ninguém para afundar connosco

haja estoicismo
afundemos no silêncio uma vez na história

abcdosportuguesinhos disse...

Eu estou de acordo que somos dóceis, afáveis ou diria mais somos amansados, gostamos de assistir do sofá e refilar frente ao televisor. Detestamos dar nas vistas, temos medo, somos preconceituosos e apesar de sabermos quem nos está a tramar diariamente, teimamos em não reagir. Gostei muito deste blog e sigo com frequência os seus posts. Parabéns e gosto de saber que cada vez existem mais vozes a contestar, pelo menos aqui por estes sítios. Falta o resto.

Anónimo disse...

Ainda hei-de ver a Merkel ou o Sarkozy ou qualquer outro desses bandalhos, a dar caricias na cabeça ou noutro sitio qualquer do PM Pinto de Sousa, de cognome "O Pinóquio ", por ele ser um menino tão aldrabão mas muito bem mandado.
Só espero é que o povo português, na altura própria e como se impõe, lhe meta uns grandes patins e o mande esquiar, no inverno, sem guia, para os Himalaias.
E já agora bom será que leve com ele o PP( Passos Coelho) e o PP(Paulo Portas)-(ena tantos PP...)e a restante quadrilha (do PS, do PSD e do CDS, pois então).
É claro que iremos ter muitas saudades deles. mas cá nos aguentaremos estoicamente a sofrer tal falta, como eles, coitados, têm sofrido com todas as suas malfeitorias - necessárias e a bem da nação, claro.