segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Beijemos os pés ao ditador

O ditador chinês Hu Jintao esteve em Portugal durante o fim-de-semana. A china tem dinheiro. Portugal não o tem. Nem vergonha. Receber um ditador é, só por si, um vexame. Recebê-lo de mão estendida, ainda por cima imitando a China na limitação da liberdade de expressão, como aconteceu com a proibição da manifestação da Amnistia Internacional, é uma exposição do país a uma humilhação inaceitável do tamanho do mundo.

Mas quem manda neste rectângulo e dele fez um paraíso onde uma maioria empobrece para que uma minoria mantenha intocável o direito a enriquecer achou que todas estas mesuras não eram já suficientes. O país do ditador e, quem sabe, o próprio e respectiva família e amigos, vão ajudar Portugal juntando-se à atrás citada elite de sanguessugas de Portugal.

Ao entrarem no capital da EDP, os chineses vão poder beneficiar das rendas diárias de mais de 4 milhões de euros proporcionados pela exploração de recursos que são de todos e por um dos tarifários mais altos de toda a Europa, o primeiro concedido por quase um século, o segundo permitido apesar de afectar a competitividade de uma economia que, para cúmulo, ainda ouve discursos sobre “défices tarifários”.

Ao entrarem no BCP, os chineses beneficiarão das isenções fiscais que fazem com que um dos sectores mais lucrativos do país, com lucros diários superiores a 5 milhões de euros, tenha uma taxa de tributação efectiva inferior a um terço da que é aplicada a uma comum mercearia de bairro.

Que honra para todos nós podermos dar o nosso pequeno contributo para a sustentabilidade daquele regime facínora. Eles agora que nos façam o favorzinho de comprar um pouco da nossa dívida. Com o dinheiro que sugarem aqui aos amigos portugueses. Afinal, somos amigos ou não somos?

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