terça-feira, 23 de novembro de 2010

Amanhã diremos BASTA!

Os mercados hão-de acalmar-se ao saber que os boys de PS e PSD que estão aninhados nas empresas públicas e municipais poderão manter o seu poder de compra em 2011. E hão-de rejubilar quando souberem que as parcerias público-privadas continuarão a garantir riqueza às clientelas de ambos.

Somos um caso muito diferente do irlandês? Percebe-se a preocupação em repeti-lo à exaustão. Os irlandeses preparam-se para sofrer o segundo corte nos salários. Nós ainda vamos no primeiro. E a contestação cresce na rua, diminuindo a margem de manobra aos mandantes do nosso naufrágio para imitarem os confrades da Irlanda. Há que diminuir a percepção geral de que as semelhanças são mais do que muitas.

Llá chegaremos, se a reacção não se fizer sentir em força. As políticas adoptadas são as mesmas, é lógico que o resultado seja o mesmo, aqui, na Irlanda, na Grécia ou onde seja. Um descalabro.

Para já, a empurrar-nos, temos 140 euros a pesar na solidariedade induzida a cada português pela mercadologia europeia. Quanto não vale termos uma banca robustecida, por um lado, por uma fiscalidade que garante ao sector uma tributação equivalente a menos de um terço da que é aplicada a um café de bairro e, por outro, a um autoridade monetária europeia não eleita que lhes empresta a 1 por cento uma liquidez ilimitada que depois o sector empresta ao Estado português (e a outros aflitos) ao preço que for ditado pelo seu apetite nervoso, com margens que, neste momento, se cifram nos 600 por cento. O BCE poderia emprestar directamente aos Estados. Mas não seria a mesma coisa. Não haveria as condições idealizadas e plenamente conseguidas para implementar o retrocesso civilizacional há tanto sonhado e agora finalmente em curso. Para além do mais, se a crise empobrece, também enriquece. Os amigos.

Chega disto. Amanhã é o dia para dizê-lo bem alto: BASTA! Eu também faço greve. E às minhas custas, ccom o meu dinheiro, não com o dos meus colegas. Que também os há assim.

Sem comentários: