quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Acalmar mercados, convencer palermas

Assumidamente, era um mau Orçamento, que, por comprometer o crescimento económico e o emprego, deterioraria as contas públicas, acrescentando crise à crise. Porém, repetiram-no um milhão de vezes, tinha o condão de calmante dos mercados. O acordo que o viabilizaria foi anunciado e o Orçamento foi aprovado. E o que é que aconteceu a seguir?

Pelo sétimo dia consecutivo, os juros das obrigações do Tesouro português a dez anos continuaram a subir. Há momentos, estavam a negociar nos 6,641 por cento, acima daquele que era até agora o máximo histórico (6,63 por cento) registado no final de Setembro. Conclusão óbvia: comprovadamente, para além de mau, o Orçamento não acalmou mercados nenhuns.

E bastará olhar para o juro que pagam países que se anteciparam na adopção da mesma tipologia de políticas que acabam de ser adoptadas por cá para projectarmos o que, mais cedo ou um pouco menos, terminará por ser o resultado da subserviência dos irresponsáveis que decidiram avançar para o mergulho numa tragédia ainda maior do que a anterior: os juros da dívida irlandesa cotavam nos 7,808 por cento, os da Grécia nos (11,091 por cento) e, também a subir, os de Espanha nos (4,35 por cento). Nem o anjinho mais anjinho esperaria outra coisa. É no que dá acreditar que a mercadologia é uma ciência exacta e que a especulação se rege por critérios que não os do enriquecimento fácil. No caso, proporcionado pelo Banco Central europeu. Mas sobre esta inevitabilidade perfeitamente evitável, nem a Cavaco, nem a Sócrates, nem a Passos Coelho ouvimos uma palavra de repúdio sequer. Eles são responsáveis, eles têm sentido de Estado, eles são uns verdadeiros patriotas. E isto façam a porcaria que fizerem. Afundam o país há quase 40 anos, continuarão esse designio enriquecedor de alguns, poucos, e acalmar mercados também não é o seu forte. Mas convencem palermas.

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