quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A choldra


Para quem não conheça a expressão, plutocracia (ploutos: riqueza; kratos: poder) é uma forma de usurpação dos poderes que emanam da democracia em que aqueles que conquistam o poder, ao invés de representarem os cidadãos e cidadãs que lhes confiaram o voto e os elegeram para esse efeito, representam os interesses de um poder económico com o qual trocam benefícios.



Vem isto a propósito do receituário neoliberal que poderes não eleitos como os do FMI, OCDE, BCE e outros politicamente irresponsáveis têm conseguido impor em espaços onde a representatividade democrática e a opinião plural já viveram melhores dias.



É o caso da Europa. E é o caso de Portugal. Cada europeu e cada português sente no salário e nos direitos, laborais e não só, os efeitos de uma brutalidade exercida pelos seus eleitos em favor de detentores efectivos do poder enriquecer em plena crise. A estabilidade de alguns, poucos, é conseguida à custa do sacrifício, não apenas da maioria, como também do todo.



Ontem, as comemorações do centenário da República custaram 10 milhões de euros aos mesmos contribuintes a quem, por opção política de preservar o filão de uma minoria, foram impostos mais sacrifícios. “Responsabilidade” e “estabilidade” foram duas das palavras mais repetidas pelos irresponsáveis a quem a estabilidade desta plutocracia tem dado plenos poderes para escolher quem enriquece e quem empobrece. Uma plutocracia mais velha do que a própria República. O polvo tarda em morrer. Come votos e resignação. Dão-lhe votos e abstenção. Vive, claro.



Na imagem, Semanário “A Choldra”, nº 11, de 10 de Abril de 1926

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