Terça-feira, 6 de Julho de 2010

Eu pago, tu pagas, eles nem por isso

Aumentam impostos, cortam direitos, aumentam a idade de reforma, racionam e degradam a qualidade dos serviços públicos e impõem todos os sacrifícios que a criatividade lhes permita. Tudo graças à nacionalização dos prejuízos que resultaram da delinquência banqueira num processo em que, entre nós, assumiram especial peso no défice decisões como a da nacionalização do BPN ou a das garantias dadas a um BPP que já se sabia falido e que, como tal, foram executadas. Valerá a pena, portanto, ir fazendo balanços que permitam perceber que parcela da infindável série de sacrifícios está a ser suportada pelo sector que desencadeou a crise. Hoje, é bom dia para realizar essa tarefa.

Aqui, lê-se sobre nova subida das margens de lucro nos empréstimos à habitação. Com maior ou menor diferença entre os preçários de cada banco e à euribor, a banca nacional está a impor aos portugueses spreads muito superiores ao que pagam em juros.

Aqui, podemos ler que o negócio nem corre mal. Ao longo de 2009, em plena crise, abriram 112 novos balcões, mas que a expansão se fez sem criação de emprego. Saíram 3058 e entraram apenas 2871 novos funcionários para o sector.

Finalmente, no mesmo artigo, lê-se que os resultados antes de impostos diminuíram 31, 8 por cento ao passo que a carga fiscal do sector bancário caiu bastante mais, 40%, no ano passado relativamente a 2008 e que essa queda ainda pode chegar aos 77 por cento. Entre IRC, derrama e encargos de exploração, onde se inclui o IVA, no ano passado a banca gerou 529 milhões de euros em impostos, dos quais 201 milhões podem ser recuperados, ou seja, aquele valor pode encolher ainda mais, para apenas 328 milhões de euros . Em 2008, o sector contribuiu com 879 milhões em impostos, também menos do que em 2007 e em 2007 menos do que em 2006. A tendência de alívio fiscal sobre a banca verificada antes da chamada “crise financeira” manteve-se depois de todos os milhões em ajudas estatais que receberam. Ainda não disponho de dados que permitam aferir qual foi a diminuição verificada na taxa de tributação da banca em 2009. Em 2008, os bancos eram tributados a menos de metade da taxa aplicada à restante economia.

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