Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Não passa nas televisões

A luta contra as medidas de austeridade que o parlamento de Atenas discute esta semana levou à sexta paralisação geral dos trabalhadores gregos em 2010. Em causa está novo pacote de regressão social apresentado pelo Governo socialista, que prevê facilitar ainda mais os despedimentos, legalizar remunerações do trabalho abaixo do salário mínimo aos mais jovens e ainda mais cortes na segurança social. Estas contrapartidas, exigidas para o financiamento de 110 mil milhões de euros, negociado com o FMI e União Europeia, não prevêem qualquer corte nos quase cinco mil milhões de euros em armamento que anualmente o Estado grego compra a alguns dos seus beneméritos.

Certos contornos desta embrulhada, bem como o crescendo de reacções populares violentas que tem suscitado, estão a passar ao lado das notícias veiculadas pelos media nos restantes países debaixo do fogo do FMI e seus aliados do eixo europeu. No final da semana passada,
um atentado à bomba em pleno coração de Atenas, dentro do edifício do Ministério da Protecção Civil, aquele que supervisiona as polícias, causou a morte ao chefe de segurança do ministro. Habitualmente, este tipo de notícias costuma ser explorado exaustivamente. Não foi o caso. Na sua vez, para além do futebol, ouvimos falar das virtudes da austeridade e dos sacrifícios que há que acolher como castigo divino pelo que não fizemos num clima de aceitação e paz social. Primeiro, limitaram-se as escolhas com aquela conversa da inevitabilidade. Agora, o condicionamento trabalha no campo das reacções para evitar o contágio. Não foi notícia, não aconteceu. Individualmente, cada cidadão é demasiado pequeno para poder reverter a trajectória que querem impor. Do silenciamento nascem falsas solidões.

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