Terça-feira, 29 de Junho de 2010

Com mil e nove cuidados

Depois do desnorte evidenciado com o adiamento por um mês da cobrança de portagens cujo início ocorreria um par de dias depois, numa tentativa desesperada de demonstrar quem comanda a agenda, ontem, ali mesmo, em directo, na televisão, um ministro insinuou que uma conversa vagamente combinada com figuras do PSD se tratava afinal de uma reunião formal, com convocatória, local, hora marcada e tudo.. Atordoado com a surpresa, o também presente líder parlamentar laranja desconversou.

Hoje, para que não restem dúvidas sobre quem manda, o PSD fez saber que só haverá negociações formais se o PS satisfizer previamente as suas condições, que tornou públicas. E não são nem uma, nem duas, nem três. São nove. Manda quem pode. O PS faz.

E tenho para mim que, no final da história, ainda vai sobrar para os funcionários públicos. Poupar-se-ia um alvoroço de milhões de decibéis ao caciquismo local e, para além do mais, a grande moda na Europa é cortar-lhes no vencimento. Dizem as más línguas que o Estado anda demasiado gordo. Evidentemente, não do lado que, por cá, tem engordado as clientelas da prodigalidade público-privada dos dois partidos e do outro, o dos submarinos. Desse lado, há mil e nove cuidados para que o Estado se mantenha como está. Gordinho, bem repartidinho, tudo se ajeita.

(editado)

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