Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009
O nosso paraíso
Quem manda aqui
Domingo, 29 de Novembro de 2009
Sábado, 28 de Novembro de 2009
Um nulo no batatal
É certo que a partida poderia ter conhecido outro rumo, caso o árbitro tivesse sancionado como devia – com os correspondentes livre directo e segundo amarelo para o defesa leonino – uma mão de Polga à entrada da área a meio da segunda parte. Mas já sabemos como é. Pedro Proença acanhou-se. O nulo acaba por nem ser mau de todo.
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
A admissão de um salto na escuridão
Constâncio dorme descansado
Na coluna da direita
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
A investigação ao patrão
O Público refere ajudas financeiras oferecidas a um jornal em troca de silêncios e fala em publicidade paga pelo Estado em troca de brandura e seguidismo editoriais. E eu republico abaixo uma cronologia que valeu ao seu autor, Pedro Lomba, sem mais explicações, a dispensa do jornal onde escrevia. Está-se mesmo a ver o que é que os senhores da ERC vão concluir sobre a actuação exemplar do melhor patrão do universo.
- «Acto I.
Estamos a 3 de Outubro de 2004 e José Sócrates é eleito líder do PS. A 9 de Outubro, Armando Vara regressa à direcção do partido pela mão de Sócrates. A 20 de Fevereiro de 2005, o PS vence as legislativas com maioria absoluta. A 2 de Agosto de 2005, há mudanças na Caixa Geral de Depósitos: Teixeira dos Santos afasta Vítor Martins e Vara integra o“novo” conselho de administração. A maioria dos membros desse conselho é afecta ao PS.
Avancemos no tempo. Grande plano. No primeiro semestre de 2007, a Caixa financia accionistas hostis ao conselho de administração em funções no BCP. Cresce o peso do banco do Estado no maior banco privado português. Vara e Santos Ferreira são incluídos em lista concorrente nas eleições para o conselho executivo. Os jornais falam no financiamento da Caixa ao empresário Manuel Fino que apoia Santos Ferreira.
A 15 de Janeiro de 2008, Armando Vara é eleito vicepresidente do BCP. Segundo documento divulgado pelo próprio banco, ficam a seu cargo as competências executivas mais relevantes. Armando Vara coloca-se precisamente no coração dos movimentos de créditos, dívidas, compras e vendas de acções e activos. No centro do fluxo de todos os interesses e influências. Chegados aqui, com os actores certos nos papéis certos nas duas maiores instituições de crédito nacionais (CGD e BCP), tudo se torna possível. O primeiro golpe foi concluído. Começou então o segundo.
Acto 2.
Com as possibilidades que o controlo do BCP oferece, o recém-chegado grupo Ongoing, que entretanto adquirira o Diário Económico e já tinha uma posição no grupo Impresa (SIC, Expresso, etc.), é financiado para novas acções. Com o grupo Ongoing: José Eduardo Moniz sai da TVI e controla-se a Media Capital, depois de uma tentativa de aquisição pela PT abortada pelo Presidente e pela oposição. Em Fevereiro de 2009 torna-se possível ajudar o empresário Manuel Fino a aliviar os problemas financeiros (em parte criados pelo reforço da posição no BCP) junto da CGD prestando uma dação em pagamento com acções suas valorizadas cerca de 25 por cento acima do preço de cotação e com opção de recompra a seu favor. Torna-se também possível ajudar o “amigo Oliveira” a resolver os problemas financeiros do seu grupo de media (Diário de Notícias, TSF, Jornal de Notícias).
Tudo factos do domínio público que muitos a seu tempo denunciaram. Sócrates respondia com a cassete familiar: “quem tem procurado debilitar os órgãos de supervisão, lançando críticas à sua actuação no BCP, está a fazer ‘política baixa’”. Política baixa, diz ele. Estamos perto do fim desta operação bem montada. Sócrates ganhou de novo as eleições. Mas este encadeamento todo precisava de confirmação. Incrivelmente, nas escutas a Armando Vara no caso Face Oculta, eis que surge a arma do “crime” libertando fumo: “O primeiro-ministro e o ‘vice’ do BCP falaram sobre as dívidas do empresário Joaquim Oliveira, da Global Notícias, bem como sobre a necessidade de encontrar uma solução para o ‘amigo Joaquim’. Uma das soluções abordadas foi a eventual entrada da Ongoing, do empresário Nuno Vasconcellos, no capital do grupo. Para as autoridades, estas conversas poderiam configurar o crime de tráfico de influências”. (Correio da Manhã, 7 de Novembro). Escutas nulas, disse o Supremo. Os factos, meus amigos, é que não são.»
Também nos falta um PR
A Câmara dos segredos (#2)
«A Câmara de Coimbra vai recorrer do acórdão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra (TAFC) que considerou ilegais dois lotes do empreendimento imobiliário Jardins do Mondego, junto ao Parque Verde do Mondego. Depois de Serafim Duarte, deputado do Bloco de Esquerda, ter “puxado” pelo assunto, lembrando que, «afinal, sempre tínhamos e temos razão», Carlos Encarnação contextualizou o processo, antes de revelar que «a Câmara vai recorrer». «Não falo, nem devo falar de assuntos que são matéria reservada à justiça. O que faço é dar a conhecer a posição da Câmara sobre as posições judiciais e o que pretende fazer», declarou o presidente do município.
Recorde-se que o colectivo de juízes do TAFC considerou nulas quatro deliberações da Câmara de Coimbra - três do último mandato de Manuel Machado (PS) e uma do primeiro de Carlos Encarnação (PSD) - por violação do artigo 39.º do regulamento do Plano Director Municipal. O tribunal anulou, também, um despacho do anterior director de Urbanismo da Câmara de Coimbra, José Eduardo Simões. Em causa está a edificação dos dois lotes (um deles é para estacionamento público e o outro é para um prédio com apartamentos, lojas e garagens) em zona verde.
Na sessão de ontem da Assembleia Municipal de Coimbra, a oposição questionou o fechar de portas das reuniões do executivo aos jornalistas. «A Comunicação Social é um elemento activo e participativo das políticas autárquicas», lembrou Helena Freitas, do PS, enquanto André Dias Pereira, deputado da mesma bancada, solicitou ao presidente e aos vereadores para repensarem «este apagão». Serafim Duarte, do Bloco de Esquerda, falou numa decisão que «empobrece a expressão democrática». Apesar de se ter dito «jornalista», José Simão, presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara eleito pela Coligação Por Coimbra, foi o único a elogiar a expulsão dos jornalistas. Carlos Encarnação voltou a defender tratar-se da «melhor solução para o executivo».»
Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
A Câmara dos segredos
Saberão eles as razões que presidiram a tal decisão, porventura não muito difíceis de intuir. O certo é que, no início do actual mandato autárquico, o Executivo da Câmara Municipal de Coimbra decidiu vedar a presença dos órgãos da comunicação social nas suas reuniões ordinárias. Terão descoberto todas as vantagens em reunir com a porta fechada. E sublinho-o, têm toda a legitimidade para assim decidir.
Assim como eu, cidadão e munícipe apologista da transparência e adepto de um poder local cuja razão de ser a encontro na promoção da proximidade do poder político às comunidades locais, tive toda a legitimidade em assinar esta petição que exige a revogação de uma decisão anacrónica tendente a acentuar uma rota rumo a uma opacidade ainda maior do que aquela que última e repetidamente, na CMC, tem despertado a atenção judiciária. Lamento ambas.
6.000.000.000 para Orçamentos futuros
O Tratado que era a solução
Quando a crise rebentou, registava-se uma coincidência entre os objectivos do Banco Central Europeu e os dos Governos: era preciso travá-la a todo o custo. Porém, assim que apareceram os primeiros indícios de retoma, embora tímidos e inconsistentes, as prioridades das duas partes começaram a divergir. Apressadamente, as autoridades monetárias realinharam o discurso à mesma ortodoxia monetarista que ajudou a cavar a crise e o fantasma das tensões inflacionistas de longo prazo, que se alimenta de estímulos e défices públicos, regressou em força. Embora a procura continue bastante deprimida e a crise esteja longe do fim, apesar dos preços estarem em queda, o BCE zela para que a inflação não se aproxime dos míticos 2 por cento.
Do lado dos Governos, com o desemprego a bater recordes e a pressão social a aumentar ao mesmo ritmo, o objectivo principal tende a ser o da retoma. Porém, para além da crise, os Governos têm agora que lutar contra o espartilho orçamental imposto pelo PEC, tão imensamente bom como o Tratado que o consagrou como a política económica oficial da União Europeia. O mesmo Tratado que teve o cuidado de afastar o combate ao desemprego das atribuições do BCE e, simultaneamente, preservar uma irresponsabilidade política potenciadora da irresponsabilidade económica patenteada na decisão de subida de taxas no Verão de 2008, quando os sinais de crise eram já por demais evidentes. A inflação vinha aí. Seria o caos se os preços crescessem acima de 2 por cento. O caos chegou, mas entrou por outra porta. A que o BCE escancarou ao manter as suas taxas directoras elevadas durante tanto tempo e que o PEC desenhou ao ditar tectos orçamentais que travaram o investimento público, logo, o crescimento económico e a criação de emprego, e fizeram recuar o Estado social. Vão continuar a fazê-lo. Por quê? Porque sim. Di-lo o Tratado. E será de todo aconselhável não esquecer aqueles que, por serem tão responsáveis, lhe apregoaram as virtudes e tiveram a irresponsabilidade de aprová-lo sem o questionar.
Terça-feira, 24 de Novembro de 2009
Saiu a fava
Cócegas
O oásis do optimismo
Assim, enquanto na zona euro e na UE a tendência de Setembro foi de recuperação, com as quedas homólogas a apresentarem valores substancialmente menos negativos do que em Agosto (tinham sido de respectivamente -23,2 e -22,4 por cento), em Portugal a dinâmica foi inversa, com a queda homóloga a acentuar-se face aos -23,1 por cento de Agosto.
O primeiro de três passos
Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Os sacrifícios dos outros
Vítor Constâncio admitiu hoje que o aumento dos salários reais para 2010 deverá situar-se na ordem de 1 a 1,5 por cento. Salários reais, atenção, não se referia a aumentos nominais. Estes, caso se verifique uma inflação negativa, até podem ser nulos e haver, pelo menos em teoria, um aumento dos salários em termos reais. Constâncio já foi dizendo que as actualizações salariais da função pública deverão situar-se abaixo do limite mínimo daquele intervalo. E referiu-se à necessidade de aumentar impostos, que não entram nestas contas sobre o poder aquisitivo dos outros feitas por alguém que aufere um salário anual aproximadamente igual ao auferido por 40 portugueses que recebam o salário mínimo. Há que fazer sacrifícios. Pois que os façam aqueles que já se habituaram a fazê-los. E que, a avaliar pelo sentido dos seus votos, maioritariamente até o fazem com gosto.
Domingo, 22 de Novembro de 2009
Atitude, sem golos, não chega
O Benfica foi esta noite eliminado da Taça de Portugal. Apresentou-se em campo com um jogo lento, abafado pelo esquema táctico 4-5-1 dos minhotos, que neutralizou o seu meio campo, embora se notassem peças em sub-rendimento noutros sectores.
Começando pela defesa, e pelo golo vimaranense, obtido a meio da primeira parte, na sequência de um canto, sentiu-se a falta da voz de comando do seu patrão, Luisão, a recuperar de uma intervenção cirúrgica extra-futebol: toda a defesa assistiu, estática, ao cabeceamento que originou o golo da vitória. E o Vitória não teve mais que um par de oportunidades para marcar no tempo que restou da partida.
Porém, ao mesmo tempo que hoje era dia não para alguns jogadores do Benfica, voltou a ser noite sim para o guarda-redes adversário. Pablo Aimar foi uma sombra de si próprio e passou ao lado do jogo, assim como o também desaparecido Saviola, no ataque. Di Maria esteve absolutamente desastrado no capítulo do passe. E, bem lá na frente, no centro da área minhota, o Benfica não tinha uma referência de ataque. Keirrison, mais uma vez, esteve igual a si próprio. Uma nulidade.
O Benfica melhorou bastante de rendimento com as substituições do primeiro, Aimar, e deste último, o nulo, que, mais uma vez, demonstrou não ter estaleca para jogar na equipa. Falta no banco um substituto de Cardozo.
Assim, na segunda parte, progressivamente ao longo desta e com as substituições, o Benfica foi encostando o Guimarães à sua defesa, criando várias oportunidades claras de golo, sempre negadas por um Nilson em grande, a registar um punhado de defesas impossíveis. Apesar da atitude que sempre demonstrou, a equipa de Jesus não marcou. E está fora da Taça.
Sábado, 21 de Novembro de 2009
Mais pobres
Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
"El pesetero" nega tudo
Se um elefante incomoda muita gente
"Distributivo", mas mesmo "distributivo"
O Governo diz agora que a necessidade da rectificação se deve a uma diminuição das receitas fiscais causadas pela “tempestade perfeita” que lhe tem servido como argumento universal para todos os seus fracassos, “garantindo” ainda que nada tem que ver com a mais que evidente derrapagem da despesa que, segundo eles, tão rigorosos que são, até diminuiu. Porém, os números dizem o contrário: as estimativas revistas pelas Finanças apontam para uma diminuição na cobrança de impostos de 13,2 por cento relativamente à sua previsão de Maio, ou seja, a perda de receita em relação ao que estava anteriormente previsto será "apenas" de 1450 milhões de euros. As aspas do “apenas” devem-se à diferença entre este valor e os 4904,6 milhões que constituem o tamanho do “erro” da previsão inicial, mantida até agora porque entretanto houve eleições: 3454.6 milhões de euros. Um número aproximado de outro que nos é bastante familiar, os 3,5 mil milhões de euros do buraco do BPN que o Governo tapou com o dinheiro de todos os contribuintes. A ele se devem as aspas que utilizei para emoldurar a palavra “erro” e também o “distributivo” com o qual o Governo baptizou este segundo Orçamento Rectificativo. Resulta evidente por quem distribuíram. E confirma-se o que escrevi aqui, no dia 4. Garanto que não sou bruxo.
Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Vantagens de não haver governação com maioria
neologia Orçamental: para lá da demagogia
No futebol, tal como na política
Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Só pode ser boa
Começam bem
O PS já começou a colocar obstáculos às propostas legislativas de combate à corrupção que o Bloco de Esquerda apresentará no próximo dia 3 de Dezembro na AR.
Quanto mais lenta, melhor
Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Obra feita
Mas os feitos heróicos na área do emprego da governação Sócrates não se ficam por aqui. Graças à sua flexibilização, que nos iria tornar mais competitivos, sete em cada oito pessoas contratadas há menos de 12 meses e sem experiência de trabalho anterior encontram-se numa situação precária: a maioria está a prazo, mas também há quem esteja com recibos verdes ou noutro tipo de situações instáveis não especificadas pelas estatísticas do INE. E, no final dos mesmos doze meses, apenas um em cada dez passou a ter um contrato sem termo certo.
Em 1998, menos de dois terços (65,8 por cento) dos primeiros empregos (com menos de 12 meses) eram precários. Em 2005, ano em que José Sócrates assumiu o cargo de primeiro-ministro, esta proporção superava já os três quartos (76,1 por cento). E, no segundo trimestre deste ano, chegou aos 84,4 por cento. A aposta foi clara. E ganha.
Que maravilha
Uma das líderes nacionais do trabalho precário, a PT, obteve um resultado líquido de 371,9 milhões de euros, 1.37 milhões por dia, nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma queda de 14,2 por cento face aos lucros de 433,5, 1,60 milhões de euros diários, do período homólogo do ano anterior. Embora esta variação não seja perceptível pela, nem tenha qualquer significado para a maioria dos que se encantam com os milhões dos outros, ela poderá “forçar” a empresa a engendrar novas formas de exploração que devolvam a glória aos seus resultados. E pode fazê-lo à sua vontade. A legislação laboral permite-o, a variação nas vendas é infinitamente inelástica relativamente à exploração laboral e, ainda que entre os clientes estivesse enraizada uma cultura de penalização das empresas que recorrem a tais práticas, quer porque a PT opera num quase monopólio, quer porque as suas concorrentes anãs a imitam nos padrões de respeito que dispensam a quem para e nelas trabalha, seria impossível fazê-lo. E, sem alterações no paradigma de acumulação de riqueza que vigora actualmente, fica completamente fora de cogitação que um ou dois meses de lucros de uma empresa monopolista e exploradora como a PT, de cuja manutenção no sector privado apenas resulta a prosperidade de muito poucos, seriam suficientes para cobrir a abolição das taxas moderadoras de todo o Serviço Nacional de Saúde ou que apenas uma semana de utilização da mesma prerrogativa de acumulação de riqueza seria suficiente para financiar integralmente as despesas de funcionamento anuais de uma instituição do Ensino Superior de média dimensão.
Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
O olho da tempestade
De regresso
Coincidência, talvez, durante a mesma semana, José Sócrates foi visto a ser injectado com uma substância misteriosa, alegadamente uma vacina contra a gripe dos porcos. Os efeitos secundários não se fizeram esperar. Quase imediatamente, imagine-se, ele, o impoluto Primeiro-ministro de Portugal, que, salvo raras excepções como, entre outras, os casos FREEPORT, Independente, casas na Beira Alta e aterro da Cova da Beira, nunca antes tinha visto o seu nome manchado com qualquer associação a negócios de pocilga, foi colhido de cernelha nas escutas realizadas no âmbito das investigações ao caso em conversas com um dos seus protagonistas, cujo apelido quis o divino que fosse o substantivo colectivo que identifica um grupo daqueles animais que o mesmo criador quis também associar ao líquido injectado.
Vai daí, das escutas estalaram duas guerras: uma, entre alguns dos mais destacados membros daqueles que beneficiaram de mais um caso ocorrido antes e conhecido depois das eleições e o tudo e o todos que, segundo os próprios, está novamente a promover uma campanha negra, desta feita denominada de “espionagem política”, contra alguém tão insuspeito como o seu mais que tudo; e outra, ao mais alto nível, entre as duas magistraturas, que, entre salpicos de porcaria, incluindo um esforço branqueador na forma de ordem de destruição de vestígios do chiqueiral, aproveitaram para ensaiar uma disputa pela primazia na condução da brincadeira em que transformaram a investigação criminal.
Finalmente, em jeito de desodorizante de mais esta história pestilenta, o Bloco de Esquerda recuperou alguns dos projectos legislativos anti-corrupção por si apresentados e chumbados pela maioria socialista durante a última legislatura. A aprovação – ou rejeição – da criminalização do enriquecimento sem causa conhecida, do levantamento do sigilo bancário, da retenção fiscal dos lucros obtidos por alterações de PDM e do fim da distinção entre corrupção para acto lícito e corrupção para acto ilícito vai novamente permitir verificar quem é quem no combate à corrupção. Teremos que esperar pelo resultado da votação que decorrerá na AR no próximo dia 3 de Dezembro. Não tenho grandes expectativas. Há demasiados anos que maioritariamente os votos dos portugueses têm dado força à profecia orweliana segundo a qual os recos triunfam sempre. E em Setembro passado fizeram o ciclo de triunfos renovar-se mais uma vez. Se quisessem um país diferente, teriam votado diferente. Este é o país que querem. E este é o país que temos. Há é que saber chafurdar. No pasa nada. Safa-se quem melhor o fizer.
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Domingo, 8 de Novembro de 2009
Até já
Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Os carris do interesse público
Ainda ontem escrevi sobre esta estratégia de silêncio que é adoptada por muitos dos ocupantes de cargos de topo do aparelho de Estado, cuja missão, em teoria, seria zelar pelo interesse público. Na grande maioria, são principescamente pagos para o fazerem. Mas, ao contrário de outros países em que são funcionários (no topo) de carreira, em Portugal são nomeados políticos. Movem-se nas teias do poder. E enquanto assim for, enquanto se mantiver o actual sistema de distribuição de cargos públicos entre os acólitos do partido que esteja no poder, apenas em casos extremos, quando não reste outra alternativa, é que esse mesmo poder deixará de compactuar com condutas irregulares de apaniguados zelosos dos seus próprios interesses.
®Dranguilidade
Um passeio ao Goodison Park
Destaques para o homem que fez aquecer um jogo que nunca deixou de ser morno, Pablo Aimar, e para a preocupante lesão de Ramires, substituído ainda na primeira metade. Ainda para a notória falta de confiança que Jorge Jesus deposita em Shaffer, novamente deixado no banco, fazendo alinhar David Luís na posição que ocuparia na asa esquerda da defesa encarnada. Esta posição é uma forte candidata às prendas de Natal do mercado de Inverno.
Everton 0 – Benfica 2
Marcadores: Saviola e Cardozo
Classificação: 1º Benfica (9), 2º Everton (6) e 3ªs AEK e BATE Borisov(4)
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Os proactivos
Os indícios são claros quanto às proporções deste caso. Habitualmente, ser arguido num qualquer processo não costuma forçar destituições, exonerações ou demissões de quaisquer cargos. Tem mandado o politicamente correcto actualmente em vigor entre nós que eventuais arguidos em processos-crime despertem solidariedades tão inusitadas como consensuais na condenação das vozes que se insurjam contra a sua permanência em cargos cujo exercício, num país civilizado, tenha associada uma responsabilidade incompatível com suspeitas que impendam sobre o seu titular. A quem o faça é-lhe tradicionalmente colado o rótulo de “radical” ou “extremista”. E conversa encerrada.
Desta vez, porém, está a ser diferente. Os apoios são negados. A criatividade que costuma acompanhar casos semelhantes a este não produziu nenhum quejando de “campanha negra”. Talvez porque as actividades em causa sejam há muito conhecidas nos meios onde se movem os habitualmente solidários e criativos, até agora estrategicamente calados e a partir de agora também estrategicamente demarcados de qualquer apoio dado àqueles que sempre contaram com o seu silêncio. Não será difícil imaginar a conversa entre Armando Vara e o seu interlocutor do Banco de Portugal: a um “então, Armando, dizem para aí que andaste a meter-te em sarilhos?” suceder-se-á o anúncio da beatificação de alguém que, nem à progenitora, nem à Justiça, daria outra resposta. MAS a chamada de Armando Vara ao Banco de Portugal não é uma ridicularia. Longe disso. Traduz a necessidade de uma demonstração pública da mesma proactividade com a qual contaram os negócios escuros dos ex-administradores de BPN e BPP. Sem consequências para os proactivos, então vítimas de inveja social, de tentativas de linchamento público e outras que tais. Mantiveram os lugares.
Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Tempos de vacas gordas
No FCP, apenas Pinto da Costa recebeu mais do que os administradores das SADs do Benfica e do Sporting juntas: 700 mil euros durante aquele período. Adelino Caldeira e Fernando Gomes receberam um total de 420 mil euros e Reinaldo Teles 375.815 euros.
Na SAD do Benfica, o presidente e vice-presidente não são remunerados, mas Domingos Soares de Oliveira recebeu 291.641 euros, Rui Costa 235.777 euros) e Maria Teresa Claudino 145.848 euros.
Finalmente, na SAD do Sporting, Rita Corrêa Figueira é a única administradora executiva remunerada e recebeu 165.620 euros no exercício 2008/2009.
Minudências
3500 milhões, o número mágico
Porém, coincidência ou não, e apesar do reduzido peso do plano anti-crise de cerca de 1000 milhões que a incompetência do Governo apenas executou pela metade, tudo aponta para que, neste e nos próximos anos, venhamos a bater o record de desequilíbrio das nossas contas públicas. Há que recuar até 1985 para encontrar um défice orçamental semelhante ao actual. E em 1985, recorde-se, o investimento público tinha um peso muito superior ao que actualmente tem no OE. Construíam-se e tapavam-se buracos nas estradas. Hoje, os buracos são outros. Aumentam a cada dia que passa.
Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Respeito por quem trabalha
A escolha
Quanto a mim, o ideal seria uma conjugação de ambas. Defendo que Portugal deveria ser mais reivindicativo com Bruxelas. E entendo que Ser “bom aluno” não significa necessariamente sacrificar invariavelmente os mesmos de sempre. Para tal, bastaria que as grandes fortunas fossem tributadas, que a banca pagasse tanto em sede de IRC como a restante economia, que as transacções com off-shores fossem controladas e taxadas como deviam e que fossem nacionalizados os lucros dos vários monopólios, actualmente apropriados por ricos rendeiros que sobrecarregam toda a economia com as margens que combinam entre si. É porque a política teima em não responder à injustiça que resulta da conjugação de todos eles que os serviços públicos definham e não há subsídio de desemprego para todos. A política orçamental não se confina à contenção da despesa. Pode equilibrar-se o orçamento também através da receita. E esta crise demonstra bem que não há margem para manter durante muito mais tempo o modelo, até agora seguido, segundo o qual se promove o sacrifício de uma maioria para assegurar o enriquecimento de uma elite minoritária de bem relacionados com o poder político. A escolha é clara. Urgente. Entre mais sacrifícios da maioria já tão sacrificada ou menos privilégios para essa minoria que tem sido poupada a todas as crises. Assim haja pressão. Um dia, isto rebenta.
Irresponsabilidade e ingovernabilidade
Não se vislumbram no documento mais do que meras generalidades sobre as políticas que pretende implementar no combate à crise. Nada sobre o alargamento da protecção social no desemprego. Nada sobre se pretende ou não fazer cumprir o compromisso assumido relativamente à subida progressiva do salário mínimo até aos 500 euros. Nada sobre as actualizações de salários e de pensões. Nada sobre quantos milhões quer continuar a canalizar para o BPN. E nada sobre o modelo de avaliação dos professores e revisão da carreira docente que, apesar de ser uma das bandeiras da sua derrota eleitoral, pelo visto, quer manter.
O Programa de Governo é, sem tirar nem pôr, um decalque do o programa eleitoral que apresentaram a sufrágio, sustentam. Mas que não obteve votos suficientes para que, como até aqui, o PS possa impô-lo sem restrições, esquecem-se. O Governo quer continuar a governar ensimesmado, como se não tivesse havido eleições e como se os portugueses não tivessem retirado a maioria absoluta ao PS. Mas retiraram. E agora o número de deputados de que dispõe não é suficiente para continuar com as suas imposições. Nem com os “responsabilidade” e “governabilidade” da moda. Cada partido da oposição também assumiu compromissos perante os respectivos eleitorados. Cada voto que receberam foi-lhes confiado em função desses compromissos. São votos seus. Pertencem-lhes. Não ao PS. E é ao PS que cabe a responsabilidade de assegurar a governabilidade indo ao seu encontro, procurando conciliar a sua vontade com a de todos os portugueses e portuguesas que lhe deram um sinal claro de que rejeitam a continuidade dos fracassos acumulados ao longo dos últimos quatro anos e meio. Fora disto, o demais será pura estratégia de vitimização com vista à antecipação de eleições para o momento que mais lhe convier. Irresponsabilidade e ingovernabilidade. O contrário dos seus pregões.
Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Um parêntesis
O jornal Público anunciou ontem um “novo começo”. De saída, José Manuel Fernandes, tornado famoso pela repugnância suscitada pelos seus editoriais, não faz parte do novo projecto. Estaria a prejudicar as vendas do diário. Em sua vez, o anonimato. Os ditos Serão agora simplesmente editoriais ®Público. Como naqueles blogs anónimos em que quem manda as pedras esconde a mão. Estranho caminho para a credibilidade. O mesmo escolhido nos propalados isenção e rigor de opiniões pretensamente neutras da nova aposta, como se houvesse opinião isenta e políticas neutras. Não há.
O Público só teria a ganhar se, de uma vez por todas, tal como acontece com os grandes jornais de referência de todo o mundo, assumisse a sua mais que evidente tendência política. Este seria um caminho possível de reconquista da reclamada credibilidade. Outro seria apostar na pluralidade, fazendo como o seu concorrente “I”, que convidou colunistas de reconhecida qualidade de todos os quadrantes políticos e, assumidamente, não tem uma tendência política definida. Mas nenhuma de ambas foi a opção do Público, que preferiu manter um cinzento aparente e deixar os leitores, uns agradável e confortavelmente a reconfirmarem-lhe uma cor que há muito sabem qual é, outros paulatinamente a sentirem-se defraudados com a descoberta de uma cor que lhes venderam como neutra. Será uma fase. Tenho para mim que este “novo começo” será apenas um parêntesis. Antes do verdadeiro recomeço.
Domingo, 1 de Novembro de 2009
Futebol e futebóis
O Braga entrou a todo o gás e dominou nos primeiros dez minutos. Materializou a sua superioridade num golo obtido através de um livre magistralmente executado por Hugo Viana. Depois, foi a vez do Benfica dominar até ao intervalo, embora sem o fulgor evidenciado nas últimas jornadas. Materializou a sua superioridade num golo obtido por Luisão. E anulado, apesar de limpo.
O segundo jogo prosseguiu no intervalo. Soube-se no reatamento da segunda parte que dois jogadores, um de cada lado, viram o cartão vermelho no túnel de acesso aos balneários. Ninguém viu ao certo o que se passou, apenas que Leone, do Braga, e Cardozo, do Benfica, não regressavam ao relvado. O Benfica perdeu a sua principal referência de ataque, não se sabe agora por quantas jornadas. Escolha bastante acertada de Jorge Sousa, o árbitro que saiu na rifa.
E o primeiro jogo lá prosseguiu, com aquele interesse que despertam todas as partidas com forte cheiro a batota. O Benfica melhorou. Dominou durante toda a primeira metade da segunda parte, embora sem chegar a encantar. Jorge Jesus arriscou tudo e retirou Javi Garcia, que não estava a jogar no seu melhor, e fez entrar Keirrison, que nunca mostrou qual é o seu melhor. Não se entende a sua entrada, estando Nuno Gomes no banco. Não é neste tipo de jogos que se lançam jogadores e Nuno Gomes quando é chamado à equipa até tem marcado golos. Naturalmente, a aposta foi perdida. O Benfica desguarneceu o seu jogo defensivo e o Braga marcou em contra-ataque. A partir daí, a equipa de Jesus partiu-se em cacos. O Braga venceu por dois golos sem resposta e isola-se na liderança. O Benfica conheceu a derrota pela primeira vez e queda-se em segundo lugar, com menos três pontos que o seu opositor de hoje e mais dois que o FC Porto, que empatou ontem.
Sporting 1 – Marítimo 1




