Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
A pandilha
De braços cruzados
Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Um dado palpável
Sem título
Ainda no âmbito do ordenamento da esfera socialista, Armando Vara é outro dos treze arguidos neste processo, que conta apenas com um detido, um sucateiro sem dimensão política conhecida. E Vara, Ao contrário de Penedos filho, não sustentou qualquer explicação para repetir a condição de arguido num processo com estas características. Tenho para mim que por “inveja social” ou “campanha negra”, outros dois crimes tão em voga ultimamente, mas não sei ao certo. A Justiça portuguesa anda em processo de aperfeiçoamento permanente. Aliás, como podemos verificar pelas justificações de Paulo Penedos, as leis penais estão sempre a mudar. Claro que nem todos temos Ferraris para poder acompanhar-lhes a pedalada. Mas podemos e devemos confiar em quem pode.
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Portugal flexiduro
A Administração da Empresa teve uma resposta rápida e eficaz: Despediu todos os trabalhadores da Comissão Sindical e da Comissão de Trabalhadores, efectivos e suplentes. Juntou-lhes mais alguns (todos subscritores da lista vencedora) e chamou-lhe um despedimento colectivo. As razões eram variadas. Umas tão concretas como "falta de versatilidade", outras tão credíveis como "não sabe ler um cartão de trabalho", aplicadas a trabalhadores com mais de dez anos de casa.
O problema é que as normas que protegem os representantes dos trabalhadores só se aplicam nos despedimentos individuais. E como o despedimento colectivo, na nossa legislação, só precisa de justa causa em teoria (na prática, a lista de justificações permite invocar basicamente qualquer pretexto), o único recurso dos trabalhadores é a entidade que fiscaliza a legalidade das relações laborais (ACT), que, contactada por escrito há duas semanas através do Eng.º Pedro Brás, do Centro Local Lezíria e Médio Tejo, ainda não considerou oportuno pronunciar-se.
O caso da Fleximol (nome singularmente adequado) não é único e é revelador. Os direitos do trabalho não dizem respeito apenas à esfera da vida na empresa. São uma condição de democracia. Cada situação como a da Fleximol, "ensina" aos trabalhadores que as liberdades de expressão e de associação não são para todos e que quem se equivocar a esse respeito, sabe onde é a porta da rua. O que fará a próxima Ministra do Trabalho, que diz que é sindicalista, a este respeito?» – José Guilherme Gusmão, no Ladrões de Bicicletas.
Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
Venha a nós
O papão dos papados
Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Outra Justiça submarina
Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
A dose
A segunda parte foi diferente. O Benfica chegou com facilidade ao quatro a um e, de seguida, resolvido o jogo, veio ao de cima a quebra que se antecipava. Ambas as equipas baixaram o ritmo e o espectáculo piorou. Porém, mesmo a jogar devagar, os golos continuaram a entrar na baliza do Nacional. No total, outra vez seis. A dose. Dezassete golos nos últimos três jogos oficiais. E este Benfica maravilha já conquistou o topo da tabela classificativa.
FC Porto 3 – Académica 2
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A dança da chuva
E, quanto à opção de redução de impostos, o instrumento de política económica através do qual se promove a redistribuição do rendimento e se combatem as desigualdades, ela traduz o mito neoliberal de um Estado ideal que se abstém de intervir no processo de acumulação de riqueza, segundo o qual quanto mais ricos forem os mais ricos, maior será a actividade económica porque, impelidos pelo seu egoísmo codicioso, os ricos canalizam os seus fundos ociosos para o investimento. Logo, porque, segundo esta crença, o emprego aumentará forçosamente à razão do crescimento das fortunas daqueles que mais precisam de ser ricos, maiores serão também os benefícios para os mais pobres. É mais ou menos como se, em vez de regar directamente a terra, a opção fosse a de regar as nuvens e esperar depois pela chuva. Evidentemente, afastando qualquer pensamento menos positivo que possa agoirar movimentações de nuvens bem regadas para outros espaços onde seja mais vantajoso chover, até porque, se os não regados interpretarem uma dança da chuva em que se despojem de direitos e de salários, as nuvens não têm por que ir-se embora. Está nas suas mãos serem responsáveis. E aceitar tudo o que de bom a vida possa proporcionar-lhes. Haja saudinha.
Domingo, 25 de Outubro de 2009
Wake up, world
Este é um excerto do artigo que foi publicado no The New York Times de 2 de Setembro, da autoria do prémio Nobel da Economia, Paul Krugman (versão integral original aqui e tradução aqui), que está a gerar movimentações em seu redor . Para já,foi transformado numa petição que já reúne o apoio de mais de dois mil economistas de todo o mundo, entre os quais outro Nobel, Douglass North. Como podemos ler, o texto aponta para a cegueira generalizada face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado e sustenta que os economistas precisam abandonar os pressupostos neoclássicos/neoliberais segundo os quais todos os agentes são racionais (do qual resulta um mundo de indivíduos entregues a si próprios) e os mercados funcionam na perfeição (e, logo, o Estado torna-se dispensável). A petição está disponível aqui.
Via esquerda.net.
Sábado, 24 de Outubro de 2009
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Novo Governo, velhas políticas
Nas Finanças, Teixeira dos Santos fica. A crise económica continuará a conhecer novos finais anunciados e, quando realmente se iniciar a retoma, os portugueses conhecerão a reedição dos cortes orçamentais que têm apodrecido a qualidade dos serviços públicos e sentirão novos apertões nos seus cintos.
Na Economia, entra Vieira da Silva. O rosto do Código do Trabalho da precariedade poderá agora desenvolver o seu trabalho no aprofundamento de uma matriz de competitividade baseado em salários baixos e no recuo de direitos sociais, a principal causa do nosso atraso estrutural. E, para ajudá-lo nessa missão, José Sócrates fez o mesmo que, caso o PCP tivesse saído vencedor das últimas eleições, Jerónimo de Sousa faria com a CGTP: foi à UGT recrutar Helena André para o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social. É uma escolha habilidosa que sem dúvidas irá repercutir-se na neutralização das já tímidas reacções daquela central sindical.
Teremos mais do mesmo na Saúde, onde fica Ana Jorge, e nos Negócios Estrangeiros e na Presidência, onde ficam, respectivamente, o bom aluno Luís Amado e a sombra de José Sócrates, Pedro Silva Pereira. O mesmo para a Administração Interna, onde fica o inexistente Rui Pereira.
A Educação, que na última década tem andado de aventura em aventura, viverá mais uma, desta vez a da escritora de livros infantis Isabel Alçada. Não tem experiência política, mas, ao longo dos últimos anos, fomo-la ouvindo elogiar a sua antecessora. Sendo a Educação uma das pastas mais complicadas nos próximos tempos é, quanto a mim, a figura com maior probabilidade de ser a primeira a cair.
Qualquer que fosse a pasta que coubesse em sorte ao palavroso Alberto Martins, ficaria bem entregue. É daqueles nomes sonantes aos qais não está associada qualquer obra. Calhou-lhe o Ministério da Justiça.
O Ensino Superior vai continuar a definhar com Mariano Gago, outra inexistência do anterior Governo que Sócrates decidiu manter. Mariano Gago, recorde-se, protagonizou o maior desinvestimento de sempre no ensino superior público.
A escolha de uma figura de quinta (ou décima primeira) linha, sem peso político, Gabriela Canavilhas, para Ministra da Cultura, é a garantia da continuidade do desinvestimento que há demasiado tempo se sente nesta área. Sem peso e experiência políticos não há dinheiro. E, sem dinheiro, não há política cultural possível.
Mais três independentes noutras tantas pastas. António Serrano, na Agricultura, dificilmente fará pior do que o seu antecessor. António Mendonça, nas Obras Públicas, ajudará à digestão dos fracassos do modelo ruinoso de parcerias público privadas. E Dulce Pássaro, que tem um apelido que me parece estar à altura da pasta do Ambiente, foi a escolhida para prosseguir as políticas de alienação a preços simbólicos de reserva ecológica nacional a interesses imobiliários do anterior Governo.
Nos Assuntos Parlamentares, a escolha de Jorge Lacão parece-me acertada. O seu discurso redondo será útil para um bom desempenho nas novas funções. Tal como Augusto Santos Silva me parece alguém talhado para a Defesa. Seguramente que não haveria pasta mais indicada para alguém conhecido por gostar de malhar. Como diz o ditado, contra os canhões, malhar, malhar.
Ler os outros: "Mecanismos de exclusão"
«“O aumento de propinas levou ao afastamento de alunos de famílias com baixos rendimentos. De 1995 a 2005, período em que foi introduzido o modelo de propinas nas universidades, o ensino superior ficou mais elitista (…) a percentagem de alunos de rendimento baixo no ensino superior desceu um terço nesses dez anos.” Excertos de um artigo no Diário Económico de anteontem sobre um estudo de Belmiro Cabrito, professor no Instituto da Educação da UL. É por estas e por muitas outras que eu sou contra a existência de propinas.A justiça social, ou seja, a progressiva eliminação das desvantagens associadas, entre outras coisas, à lotaria da classe onde se nasce e a correspondente promoção das condições para uma maior igualdade no desenvolvimento das capacidades, alcança-se através de impostos progressivos que financiam serviços públicos universais e gratuitos para o utilizador. E bolsas. Tudo o resto é aprofundamento de divisões de classe, criação de novas barreiras à entrada e pretextos para quebras do investimento público no ensino. Engenharias mercantis com custos sociais elevados.» - João Rodrigues, no Ladrões de Bicicletas.
Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
A matar saudades
Benfica 5 – Everton 0
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Estes camaradas
No caso dos comunistas portugueses, Ilda Figueiredo e João Ferreira, justificaram-se com uma avaria técnica. Uma anomalia que, cúmulo dos azares, afectou apenas as suas máquinas, cúmulo das coincidências, ocorreu em simultâneo em duas máquinas separadas por vários metros e, finalmente, cúmulo da falta de tempo, sem que nenhum dos dois requeresse que a situação fosse corrigida junto da Mesa do plenário, como é habitual em caso de avaria. Resultado final: Sílvio Berlusconi poupado por quatro comunistas. Tento na língua quando voltar a referir-se aos camaradas rossi. Nos quatro cantos do mundo, em países tão distantes como Cuba, Coreia do Norte, China e Angola, a liberdade de expressão há muito que, sem avarias, conta com a força do PC.(editado)
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
A "esquerda" possível
A política do optimismo
Mas que não se pense que o agravamento do défice se deve a medidas anti-crise tomadas pelo Governo. O plano que o Governo aprovou para enfrentar a crise económica ainda só estava executado a 42,3 por cento em Setembro. Dos 1165 milhões de euros previsto no orçamento rectificativo, apenas 493 milhões foram aplicados em programas concretos de estímulo económico. Uma gota que vale 1,4 por cento no oceano da despesa total é um bom aferidor da distância abissal que existe entre o combate à crise que se faz com discursos de optimismo e as medidas concretas postas em prática no terreno. O défice deste ano reflecte sobretudo o decréscimo de receitas fiscais (em impostos directos (IRC ), decorrentes do boom de encerramentos de empresas, e em impostos indirectos (IVA), com origem na quebra no consumo das famílias e empresas) e num agravamento na despesa relacionada com o pagamento de apoios sociais no desemprego. Apesar da crise e da necessidade de dinamizar o consumo, o facto de as receitas de IRS terem aumentado mais de 4 por cento diz claramente quem foi posto a pagar a crise. No demais, o Governo pouco mais fez do que contemplar a sua evolução e desdobrar-se em discursos bombásticos de circunstância. De notar, ainda, que os passivos de empresas como a Estradas de Portugal, que subiu 1400 por cento nos últimos 18 meses e atinge já (apenas o da EP) aproximadamente 10 por cento do PIB, não entram nas contas negras deste défice optimista.
Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Há votos que já foram úteis
Porém, apesar dos indícios claros de corrupção, tráfico de influências, abuso de poder e prevaricação e de um esquema bem montado que incluía encomendas de projectos sempre aos mesmos bem relacionados com pessoal da CML e assinaturas de favor de terceiros em projectos elaborados por quem, porque dá parecer sobre eles, está impedido de realizá-los ou ter qualquer ligação com quem os elabora, o vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa e número 2 da lista socialista que venceu as intercalares de 2007, Manuel Salgado, decidiu esquecer a sindicância e não cumprir com a deliberação atrás referida, por ser uma “medida considerada impraticável, atendendo ao elevado número de processos em causa, cerca de mil”. A decisão é bastante anterior à data das eleições autárquicas e, pelo contrário, a notícia que a dá a conhecer apenas hoje é bastante posterior. Concluindo, em larga escala, a corrupção, o tráfico de influências e o compadrio deixam de sê-lo. São tradições legitimadas por usos e costumes bem enraizados e pelo voto útil de quem já se habituou a elas. Este é o Portugal dos portugueses.
Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Magistrado ou político?
O sistema perfeito
Segundo um estudo da secção Norte da Associação Nacional de Engenheiros Técnicos, há defeitos graves na concepção de auto-estradas e vias rápidas nacionais, especialmente na escolha dos pavimentos, que violam as condições de segurança contra hidroplanagem. Como causas, o estudo aponta deficiências na formação dos engenheiros, que não aprendem a calcular a Velocidade Crítica de Hidroplanagem", a partir da qual ocorre o 'aquaplaning'. Mas não só. Os engenheiros não abordam os defeitos nas autoestradas nos casos de acidentes para não incomodarem as concessionárias ou o poder político. Como os especialistas nesta matéria “são engenheiros civis que trabalham para estes organismos”, se denunciassem as suas entidades patronais pelas más práticas, tal significaria graves riscos para as suas carreiras profissionais.
Novamente, os efeitos de uma privatização de um serviço público realizado à revelia do interesse público. Montou-se um sistema perfeito em que, de um lado, estão as empresas privadas amigas do regime, a quem são concessionadas as construções, que poupam ao máximo nos meios humanos e materiais e, do outro, está um poder político que não quer beliscões no seu optimismo congénito e que, expressão da cumplicidade para com os lucros das primeiras, descurou a fiscalização e não apetrechou o Ministério das Obras Públicas com o quadro de pessoal técnico necessário para avaliar a qualidade das obras finalizadas. Parece que havia funcionários públicos a mais e, podia lá ser, com carreiras e vínculos contratuais com uma estabilidade e segurança tais que lhes conferiam o privilégio de ser inconvenientes quando o interesse público estivesse em jogo. Agora, caluda.
Domingo, 18 de Outubro de 2009
... foi você que votou CDS-PP?
Deixem jogar o Mantorras
E eis que, hoje, mais uma vez, voltam a ouvir-se os dois clichets mais em moda. Prometem ser o pão nosso de cada dia ao longo da próxima legislatura. José Sócrates diz que os resultados eleitorais colocam também os partidos da oposição perante a “responsabilidade” de garantir a “governabilidade”. Ou fazem o que o senhor quer, ainda que incorrendo na irresponsabilidade de quebrar os compromissos eleitorais assumidos com quem lhes confiou o voto, cujos interesses agora representam e perante os quais prestam contas, ou são “irresponsáveis” por não quererem garantir a “governabilidade”. A sua. Sócrates está apostado em tentar governar como se tivesse a maioria absoluta que os portugueses não quiseram dar-lhe. E a estratégia passa por números de circo que incluirão vitimizações, baba, ranho, prantos e birras, todos eles representados com a máxima responsabilidade e em nome do superior interesse nacional. Um espectáculo para continuar a assistir, num jornal, televisão ou rádio perto de si.
Sábado, 17 de Outubro de 2009
Juntos pelo aborto clandestino sub-18
Para assinar e divulgar
Para remediar esta injustiça, que nunca teria existido caso quem governa tivesse tido a mínima prudência na transposição do Tratado para a legislação portuguesa, foi aberta uma petição on-line que conta já com 66.512 assinaturas. A 66.512ª é a minha. Para quem queira assinar também, é aqui.
B de brincar com a vida dos outros
Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Renda maximizada e garantida
O direito a ser radical
Em Portugal, 18 em cada 100 pessoas têm um rendimento inferior a 406 euros mensais. Vivem na pobreza. Em 2008, os 20 por cento da população com maior rendimento recebia aproximadamente 6,1 vezes mais que os 20 por cento com o rendimento mais baixo. Ao mesmo tempo, o imposto sobre as grandes fortunas, que permitiria financiar políticas de combate à pobreza, e uma legislação laboral e um modelo económico capaz, simultaneamente, de conferir dignidade à vida de quem trabalha e de obrigar as empresas a implementarem melhorias na sua eficiência organizacional, continuam a ser vistos como ideias “radicais”. Entre nós, é sabido que a pobreza e a riqueza é que podem ser radicais sem que a maioria se importe demasiado com o seu extremismo. Maioritariamente, a incomodidade causada pela pobreza despeja-se num sentimento de pena, ao passo que a riqueza vai despertando venerações várias.
Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
A peçonha rosa
Sem clichets da moda
“Apreciaremos qualquer proposta pelo seu valor: se dá contributo para melhorar a vida dos mais pobres e desfavorecidos, se resolve os problemas que o país enfrenta”, afirmou Louçã aos jornalistas no final do encontro. Para o líder bloquista a prioridade está em encontrar “soluções para a economia, ou seja, para o emprego, para a precariedade, para a segurança social”. “Queremos fazer caminho para maiorias que respondam a uma agenda de mudança e soluções de todas estas questões que estão a atrasar o país”, realçou Louçã, sem usar os clichets da moda "oposição responsável" ou “governabilidade” e, sobretudo, sem traições ao seu eleitorado. O Bloco é o Bloco.
Sobre a crise que tinha acabado
Segundo uma empresa americana especializada na venda de dados sobre incumprimento de crédito, os pedidos de despejo nos EUA subiram para um novo máximo no terceiro trimestre, para um total de 937.840 casas, 1 em cada 136, o valor mais alto desde 2005. E o cenário piora bastante se atendermos a que a têndeência é para que este valor aumente ainda mais: estima-se que existam 7 milhões de processos de despejo em curso ou com forte probabilidade de virem a acontecer, cerca de cinco vezes e meia mais do que os 1,27 milhões verificados em 2005.
Com tal boom na oferta de casas, espera-se nova queda nos preços no imobiliário, que terão inevitavelmente efeitos de arrastamento, via fundos, no mercado financeiro. Uma segunda fase da crise com mais finais anunciados da História poderá estar a chegar.
Entre nós, e fala-se muito pouco disto, a maioria das pessoas que perderam o emprego no último ano ainda está a receber subsídio de desemprego, mas, à medida que o tempo passe, serão cada vez mais aqueles que verão chegar ao fim o período em que tinham direito a recebê-lo. Caso os moldes de atribuição da protecção social no desemprego não sejam entretanto alterados, Ficarão entregues à sua sorte, quer na subsistência, quer no cumprimento das suas obrigações de crédito. Ao contrário do que tenta vender-se, o pior da crise ainda não chegou.
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Novo record da "política de verdade"
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Uma crise combatida com paleio
A queda do peso do investimento público no OE, uma das causas da crise que vivemos, tem sido uma constante na última década. do máximo de 4,5 por cento verificado em 1997, caiu em 2008 para apenas 2,2 por cento. A meta para 2009, agora quase impossível de atingir, era de 3 por cento. Sócrates tem repetido que nunca viu um pessimista criar um único emprego. Nunca até agora alguém tinha visto combater uma crise apenas com paleio.
Os "responsáveis"
Comprovadamente, a segurança do sistema que implementaram parece não ser a preocupação central de toda esta gente vocacionada para gerir a responsabilidade própria e alheia. O problema parece estar no facto de se saber que o sistema informático do MJ, onde estão os dados de todos os processos-crime, incluindo as investigações em segredo de justiça, não é de confiança. E tanta responsabilidade resistente aponta para indícios da um firme interesse em mantê-lo tal como está.
Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
100% legal
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E ser responsável é...
Foi você que votou PS ou PSD?
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A teia
Terça-feira, 13 de Outubro de 2009
A impunidade à mão de semear
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A crise, do lado de lá do optimismo
2. O índice de confiança dos investidores e dos analistas alemães caiu em Outubro para 56 pontos, contra 57,7 no mês anterior, anunciou hoje o instituto de conjuntura Zew. Os analistas apontavam, em média, para uma subida para 58,8 pontos.
3. A onça de ouro atingiu hoje um novo recorde histórico nos 1.065,65 dólares (720 euros) no mercado a pronto em Londres, após novo recuo da divisa norte-americana.
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Parcerias, mais privadas do que públicas
Este montante, que equivale a quase 10 por cento do produto interno bruto português, é avançado pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças no boletim informativo sobre o Sector Empresarial do Estado (SEE).
Em ano e meio, o passivo da empresa liderada por Almerindo Marques passou de 1024 milhões de euros para mais de 15 mil milhões, um aumento de cerca de 1400 por cento.
Em defesa do rendimento máximo garantido
“A generosidade fiscal que, entre nós, existe relativamente às mais-valias obtidas na alienação de valores mobiliários – em particular das acções – é frequentemente considerada fonte de manifesta injustiça fiscal”. (...) “A nosso ver (...), a perda de receita e a redução da equidade parecem-nos bem mais importantes do que um suposto factor de apoio ao mercado de capitais. Em países como a Espanha ou o Reino Unido, para citar apenas dois exemplos, tributam-se estes ganhos e não é por isso que o seu mercado de capitais se ressente.”
A recomendação é da autoria do grupo de trabalho para o estudo da política fiscal, nomeado pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, e é um dos aspectos positivos a salientar no relatório que elaborou. A proposta está feita, requer-se agora a coragem política necessária para pô-la em prática.
Relacionado também com coragem política, ou falta dela, está também o aspecto negativo que ressalta do mesmo documento, a não inclusão como proposta da tributação das grandes fortunas. O grupo, de nomeação política bem identificada, preferiu não se vincular a uma proposta que contraria o compromisso dos três partidos que têm governado Portugal perante as suas clientelas de não beliscar o seu rendimento máximo garantido, preferindo, na sua vez, remetê-lo para um debate que forçosamente, sem necessidade de qualquer recomendação nesse sentido, abrangerá todas as restantes propostas que constam do documento.
Porque não li o documento de 700 páginas e nada vi na imprensa que aponte nesse sentido, termino com o benefício da dúvida sobre se a proposta de aproximação da tributação do sector financeiro à da restante economia foi ou não incluída. Tal como os mercados de capitais não se ressentem quando há tributação de mais-valias, comprovadamente que também não há qualquer vantagem competitiva em mimar a banca com uma taxa em sede de IRC sensivelmente igual a metade da que é aplicada às demais empresas. Seria de elementar justiça fiscal que a medida fosse implementada, assim prevalecesse o interesse público na definição da política fiscal.
Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
Socratismo de sucesso
A administração da Qimonda Portugal, em conjunto com o Administrador de Insolvência, esperaram pelo fim do ciclo eleitoral para anunciarem que pretendem avançar de imediato "com a cessação de 590 contratos de trabalho dos colaboradores em regime de lay-off". Na era Sócrates, quem trabalha não é trabalhador. Simplesmente, colabora. Despedir até fica mais indolor.
Safaram-se outra vez
Irresponsabilidades responsáveis
O disparate anual
Mas a reedição deste ano do non-sense do ranking serve também para relembrar a injustiça fiscal das deduções fiscais de que continuam a beneficiar os encarregados de educação destes extractos mais favorecidos, apesar da escolha de matricularem os seus filhos em colégios privados ser exclusivamente sua e apesar de haver capacidade instalada na rede pública para acolhê-los. Pobres, ricos ou remediados, todos os contribuintes, para além de pagarem as cadeiras que deixam vazias na escola pública, são ainda obrigados a dar uma ajudinha para pagar o luxo da escola privada que estes pais ricos elegem para os seus filhos.
Querida fatalidade
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Domingo, 11 de Outubro de 2009
Sábado, 10 de Outubro de 2009
A noite que foi lusa
Porém, a noite era nossa. Valeram a Portugal a tranquilidade conquistada através de um golo a fechar os primeiros 20 minutos, uma certa dose de sorte nos golos desperdiçados pelo adversário e o desaparecimento deste quando Portugal marcou o segundo. Depois, surgiu o terceiro, no melhor momento do onze luso, coincidente com a quebra anímica de uma Hungria rendida a um resultado impossível de reverter. Correu bem. Agora, venha o play-off.
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
Sim? Quem fala? Olá, desespero!
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Merecido
Questões fracturantes e desfracturantes
O CM avança que as fraudes no Rendimento Social de Inserção (RSI) ascenderam, num ano e meio, a 118 milhões de euros. O DN, que valor semelhante, 110 milhões de euros, foi detectado em cheques carecas em apenas um mês, Agosto, e que em menos de metade do período em que ocorreram as fraudes na atribuição do RSI, em apenas oito meses, houve 1,28 mil milhões de euros em cheques carecas, mais de dez vezes mais do que os 118 milhões referidos pelo CM. Relativamente ao Rendimento Social de Inserção, há alminhas que advogam que se deve acabar com a sua atribuição. Já relativamente aos cheques, nem sequer um aditivo que favoreça o crescimento capilar. Ó égua!
Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Para compensar o boom nos spreads
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A Braga Parques tinha pressa
A Câmara de Lisboa aprovou a 29 de Julho o pagamento, feito dois dias depois, por acordo entre as partes, de um total de 489.500 euros a dois restaurantes do Parque Mayer, a título de indemnização pela cessação dos contratos de arrendamento. Um deles foi demolido há 6 anos e o seu proprietário já havia recebido uma indemnização de 50 mil euros. O outro, com rendas em atraso, em vez do despejo respectivo, para além da choruda indemnização, viu ainda perdoadas todas as rendas em dívida. Observe-se, porém, que nada disto deve influenciar qualquer decisão de voto. Para além de todos estarmos já bastante habituados a este tipo de esquemas, relembra-se que esta não é uma campanha de casos que só empobrecem a política e afastam eleitores das urnas.
Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Il ex-inimputabili
Berlusconi não se fez esperar na sua reacção, acusando o Tribunal Constitucional de "instrumento da esquerda" que, juntamente com a imprensa "de esquerda" (sinistra, em italiano) e toda a restante "esquerda" que é paga com o dinheiro dos impostos dos italianos, urdiram uma farsa contra ele. Talvez "radical", como se usa dizer por cá quando, como neste caso, não há argumentação possível. Digo eu.
A CGTP continua a perseguir o PS
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A "competitividade" deles
«Recrutados numa garagem em Matosinhos (a Autobrito), sem contrato que não seja uma combinação de boca, passam recibos verdes a uma empresa chamada Edutec, sediada em Lisboa. A Edutec, que faz este negócio chorudo com algumas autarquias, fica com uma parte do dinheiro dos nossos impostos que é transferido pelo Estado para contratar estes professores. Descontando o que têm de pagar à Segurança Social, os professores ganham cerca de 300 euros por mês, ou menos. Pagam as fotocópias e todos os materiais de que precisarem. Pagam os seus transportes. Se disserem que não aceitam, logo lhes disparam a chantagem: "tenho uma lista de gente que quer...".» – José Soeiro, continuar a ler aqui.
Mário Nogueira apelou à imediata intervenção da Inspecção-Geral de Trabalho junto das empresas privadas ou instituições particulares de solidariedade social que, por contrato com as câmaras, asseguram as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) nas escolas. "Muitos dos 15 a 20 mil professores que trabalham nesta área estão a ser explorados e usados de forma inqualificável", denunciou.
A pobreza como vantagem
Ao contrário da versão “malandragem” que foi vendida ao longo de toda a campanha das legislativas por Paulo Portas, há mais de 38 mil pessoas que, apesar de trabalharem, precisam do Rendimento Social de Inserção para subsistirem. E, ao invés de toda a inflamação do seu discurso anti-RSI, Não se ouviu uma palavra ao líder do CDS-PP contra a matriz de salários baixos de cuja manutenção também o seu partido faz depender a competitividade da economia portuguesa. É desta pobreza que dependem em grande medida o assistencialismo defendido pela direita e todos os votos agradecidos que as migalhas distribuídas pela sua caridade conseguem comprar. A pobreza pode ser uma vantagem. É apenas uma questão de saber rentabilizá-la.
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2009
A galinha dos ovos de ouro
E cola
À maneira
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Estado social em crise
Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Difícil, mas vitória
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Viva a República!
A República trouxe a separação entre Estado e Igreja, laicizou e promoveu o ensino em todos os níveis e para todos os extractos sociais, deu direitos civis iguais a homens e mulheres, despenalizou o aborto e a homossexualidade e, sobretudo, aboliu os privilégios, fiscais e outros, atribuídos na base do nascimento.
Mas ainda falta República. Graças a uma revolução de mentalidades que continua por fazer, visível quer na naturalidade como os portugueses olham para o fenómeno crescente da apropriação rentista de recursos públicos, quer na promovida veneração de bem nascidos independentemente do seus méritos, a aristocracia monárquica foi substituída por uma aristocracia republicana que, embora com privilégios diferentes, continua a tê-los efectivamente e a poder transmiti-los de geração em geração.
E, da República que já se fez, neste 99º aniversário, celebramos em especial a escolha possível graças à República de, se quisermos, não termos que manter até à morte como primeira figura do Estado alguém que, ao longo do seu mandato, foi dando provas do seu nanismo plurifacetado, a última das quais foi a sua ausência nas comemorações deste ano. Viva a República! Continuemos a fazê-la.
Domingo, 4 de Outubro de 2009
Orelhas de Burro
Haydée Mercedes Sosa (La Negra)
9 de Julho de 1935 - 4 de Outubro de 2009
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Uma semana depois das eleições
Sábado, 3 de Outubro de 2009
Vitória da chantagem
E não foi da discussão do Tratado de Lisboa que resultou esta estranha “maturidade”, ou, se quiserem, a caducidade da anterior “imaturidade”, que deram a vitória ao “Sim”. Ao longo de toda a campanha, os irlandeses foram bombardeados com chantagens várias. Internas, por parte do poder político irlandês, que se desdobrou em ameaças veladas de saída da UE e do fim das suas ajudas económicas a uma Irlanda em crise profundíssima, e de responsáveis da Igreja irlandesa, que se envolveu na campanha com a ameaça da despenalização do aborto. E externas, por parte dos poderes de Bruxelas, que juntaram à sua chantagem rebuçados como, entre outros, a concessão de um Comissário à Irlanda e uns milhões em ajudas. Bondade estranha, a deste Tratado aprovado ou imposto sem se dar a conhecer àqueles cujos destinos alterará irremediavelmente. Tão estranha como esta espécie de democracia que vai reinando nesta Europa que já foi dos cidadãos. Que vão-no permitindo.
Foi você que votou CDS-PP? (#3)
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
Os portugueses votaram a favor
Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
De saltos altos
BATE Borisov 1 – Everton 2
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Nenhum governante
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