Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
Pois não, pá!
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Orelhas de Burro
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Foi você que votou PS, PSD ou CDS-PP?
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
Falta Presidente
Foi mesmo decadente. Esperava-se que desmentisse a natureza DOC (denominação de origem controlada) do plantio da notícia das escutas em Belém. Não o fez. Preferiu insistir no ridículo de insinuação de fragilidades de segurança informática descobertas nos servidores de correio electrónico da Presidência, por sinal por onde os mails que despoletaram a notícia nunca passaram.
E, sobretudo, esperava-se uma explicação para um silêncio que influenciou decisivamente o resultado eleitoral de Domingo passado, que Cavaco havia justificado com a neutralidade equidistante que o país verificou não lhe cabe nas mãos, nem que queira evitar prejudicar, como prejudicou, o seu partido.
Cavaco começou por dizer que considera que durante a campanha eleitoral o PS produziu várias declarações e teve atitudes que tinham como objectivo encostá-lo ao PSD e, ao mesmo tempo, “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos”. Cavaco esbanjou a oportunidade de, em tempo útil, recentrar o debate eleitoral no sentido deste ainda ter alguma repercussão nas escolhas dos eleitores. Optou por nada fazer. Agora, o debate é outro: o da sua capacidade para permanecer em funções. E quanto mais ataque para se defender, como hoje o fez, ao invés de uma "descolagem" do que quer que seja, maior ainda será a evidência de que falta Presidente a esta república centenária.
Foi você que votou CDS-PP?
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Dos grandes para os pequenos
O PS comemorou uma “extraordinária vitória” que incluiu, entre outras, a perda de mais de 500 mil votos, mais de 20 deputados e a maioria absoluta.
Sem nada para comemorar esta noite, apesar de ter conquistado mais 6 mandatos e 6 mil votos que há quatro anos, o PSD voltou a comemorar a vitória das últimas europeias e, à semelhança do que vinha a fazer antes das legislativas, antecipou uma estrondosa vitória nas autárquicas que abrirá caminho a uma nova liderança.
O Bloco de esquerda, apesar de durante toda a campanha ter sido o alvo a abater pelos média, obteve a maior votação de sempre e superou largamente a fasquia do meio milhão de votos. Duplicou o número de deputados eleitos e triplicou o número de círculos eleitorais com deputados eleitos. Perdeu deputados para o CDS em vários círculos por escassas centenas de votos.
Embora menos, a CDU aumentou a sua votação e o número de mandatos. Um dado muito importante, uma vez que, da soma com os deputados eleitos pelo Bloco de Esquerda, se desfez a maioria que bloqueou a fiscalização da constitucionalidade de diplomas tão importantes como o Código do Trabalho e toda a legislação relativa às carreiras da Administração Pública. Seguramente que todos eles serão agora devidamente apreciados.
E deixei propositadamente o melhor resultado dos últimos 26 anos do CDS-PP para o fim. Subiu imenso, é agora a terceira força com maior representação parlamentar, a prova provada de que, em momentos de crise profunda como a que atravessamos, soluções securitárias e de retirada de apoios sociais aos mais pobres colhem enormes apoios. Mas não foi esta a razão porque deixei o CDS para o final. Foi, sim, a de que, com a composição que resultará das eleições de hoje, por um lado, aqueles que votaram no PS para salvar a esquerda – que ainda acreditam morar ali –, poderão vê-la agora coligada com a direita radical; e, da mesma forma, aqueles que votaram na direita radical para vencer a esquerda e o socialismo que preferem continuar a localizar no PS, poderão ver a honestidade do seu líder em todo o seu esplendor numa coligação com o inimigo da campanha. Sublinhe-se que, em ambos os casos, por uma questão das tais auto-atribuidas “responsabilidade política” e “sentido de Estado”, evidentemente. Para isso é que estas expressões foram inventadas. Há quem goste. Da minha parte, regresso quando esta maldita gripe me deixar em paz. Queiram desculpar alguma imprecisão que possa haver no texto acima: para além de contente com o resultado de hoje, 39ºC e tal fazem de mim um dos homens mais quentes de Portugal. (editado)
Sábado, 26 de Setembro de 2009
Venham mais cinco
Quinta vitória consecutiva, quinto penalty seguido, cinco golos sem resposta. Contudo, ao contrário do que os números possam sugerir, a exibição do Benfica no jogo dos cincos não foi das melhores que lhe vimos esta época. Primeiro, e até ao primeiro golo, que apenas surgiu no final da primeira parte, foi incaracterística porque o Leixões se apresentou em campo fechado e a jogar com excesso de dureza. Depois disso, os excessos dos jogadores do Leixões valeram-lhes duas expulsões e o jogo tornou-se incaracterístico, agora porque uma partida com nove a jogar contra onze, e onze orientados por um treinador que exige afinco durante os noventa minutos, mais pareceu um passeio. Este futebol dá dinheiro. Hoje, novamente, foram mais de 43 mil espectadores. O Estádio da Luz continua(rá) com boas assistências.
Benfica 5 – Leixões 0
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Está na hora
Primeiro, na pré-campanha, onde, ainda assim, se discutiram os programas eleitorais dos vários partidos, todos assistimos ao despudor do painel de comentadores escolhidos pelos vários órgãos de comunicação social que, encapados de isenção, rigor e objectividade, condicionaram as apreciações aos frente-a-frente entre os vários candidatos. Depois, já durante a campanha, prosseguiu o mesmo condicionamento. Todos vimos a disparidade que existiu entre os tempos das reportagens sobre as várias campanhas e a falta de isenção dos comentários das peças de cobertura das iniciativas de campanha dos partidos fora do centrão. Todos vimos que a ordem no alinhamento dos telejornais foi sempre a mesma, com PS e PSD a aparecerem sempre em primeiro e, dessa forma, a beneficiarem da maior capacidade de atenção de quem assiste. E todos vimos o paradoxo do destaque que foi dado a algo absolutamente legal, os PPR de dirigentes e militantes do Bloco de Esquerda, e o destaque que não foi dado a coisas tão ilegais como a acusação de troca de financiamento partidário por cargos públicos no PS ou tão suspeitas como o processo de adjudicação dos helicópteros do INEM, ambos quase abafados. O de sempre.
Mas todos conhecemos também o que cada um vale, o que o PS fez durante quatro anos e meio, tal como conhecemos o que o PSD fez quando foi poder e a colaboração que foi dando ao PS na satisfação de clientelas partilhadas por ambos os partidos e pelo CDS-PP. Conhecemos as negociatas de concessão de serviços públicos por décadas, os lucros concedidos a privados em parcerias público-privadas muito vantajosas para eles e invariavelmente lesivas do interesse público. Os três mil milhões de euros que pagámos pela delinquência banqueira. A venda a retalho às respectivas clientelas de reserva ecológica nacional. Conhecemos a pobreza que provocaram e o modelo de desenvolvimento baseado em salários baixos que defendem. A sua injustiça fiscal que trata a banca como um sector carenciado e nega o sigilo bancário que tornaria visível todos os ilícitos dos e poupa impostos aos ricos e poderosos. Vivemos a precariedade e a opressão impostas pelo seu Código do Trabalho. Conhecemos a perseguição que fizeram a professores e funcionários públicos. Sabemos do desmantelamento de carreiras que promoveram em toda a Administração Pública e da pseudo-reforma que manteve a nomeação de dirigentes pelo critério de nomeação partidária e todos os seus privilégios de promoções automáticas e actuação impune. Temos presente que a Justiça funciona mal e se tornou um luxo com as subidas das taxas introduzidas pelo actual Governo e que julga segundo uma "livre consciência" com forte odor a captura. A Educação tornou-se um passe-vitte que tem como único objectivo uma qualificação pela via administrativa a baixo custo. Na Saúde, prostituiu-se a medicina a critérios economicistas que tornaram hospitais e centros de saúde oficinas de reparação em série de pessoas tornadas peças. Conhecemos o record de desempregados do pós-25 de Abril. E sabemos que o recuo da economia nos últimos quatro anos e meio anulou o crescimento de toda a década anterior.
Comprovadamente, os responsáveis por tudo isto não servem para governar. Uns e outros, culpando-se reciprocamente, disfarçam a responsabilidade que é toda sua. E o acima exposto, que é apenas parte do todo, seria mais do que suficiente para que qualquer povo com o mínimo de maturidade democrática rejeitasse liminarmente votar PS, PSD ou CDS-PP e procurasse outras alternativas de poder. E a alternativa é tão real como os interessados numa desmobilização fomentada através da descrença. Está na hora de mudar. De mostrar de que é feito este povo. De fazer a mudança que só se faz pelo voto. No Domingo, vamos ser muitos. O voto vai ser-nos útil. A nós.
Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
À esquerda, tudo pode ainda acontecer
O mesmo raciocínio poderá ser feito para outra sondagem, também divulgada hoje, esta da Universidade Católica, que apresenta uma previsão muito semelhante: PS 38 por cento, PSD 30, BE 11, CDS 8 e CDU 7.
À esquerda, tudo pode acontecer. E há, por isso, quem queira evitá-lo a todo o custo. Seguem abaixo dois excertos representativos da forma vergonhosa como o Bloco tem sido tratado pela comunicação social ao longo de toda a campanha. Reparem como aumentaram os indecisos e como a descida do Bloco foi imediatamente colada à subida do PS e não à dos indecisos. Como raio saberão estes magos adivinhos que os inquiridos indecisos que calharam nesta amostra não substituíram os que na anterior declararam ir votar no BE?
- A conquista de mais 5,1 por cento das intenções de voto pelo PS nesta sondagem (...) foi principalmente conseguida à custa do BE, mas também do PCP.
A percentagem de pessoas que não respondem ou que dizem não saber onde irão votar aumentou de forma significativa. Agora são 13,2 dos inquiridos, enquanto na sondagem de 25 de Setembro estas respostas foram dadas apenas por 8,9 por cento dos inquiridos. Ou seja, há um aumento de 4,3 do que vulgarmente se chama de indecisos.
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Recordar o futuro (4)
A acusação partiu do cabeça-de-lista socialista pelo círculo Fora da Europa nas legislativas de 2005, Aníbal Araújo. (…) Afirmou, em 2007, não haver qualquer promiscuidade no processo, mas agora explicou que decidiu falar por causa da existência de «muita mentira que se diz e da reposição da verdade que não foi feita».
Aníbal Araújo revelou ainda o conteúdo de uma reunião que envolveu o empresário, José Lello e António Braga, onde se falou de assuntos relativos às Comunidades Portuguesas, mas também da «nomeação de Licínio Bastos para a parte das Águas de Portugal e para a Vivo».
Licínio Bastos, que aguarda o seu julgamento em liberdade, chegou a ser nomeado cônsul honorário de Portugal em Cabo Frio, uma cidade perto do Rio de Janeiro, acabando por ser exonerado pouco depois de a sua nomeação ter sido publicada em Diário da República.» – TSF/Público
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Reconciliação nacional!
Escutas secretas realizadas no Vaticano revelam que, a convite de Cavaco Silva, o papa visitará Portugal em Maio de 2010.
Recordar o futuro (3)
Ver também Louçã interpela Sócrates no Parlamento sobre o caso Manuel Fino.
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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Recordar o futuro (2)
Do Governo PS, nem uma palavra. Esta não é uma campanha de casos. Do PSD e do CDS-PP, nem uma palavra. A quem tem telhados de vidro não resta outra senão concordar que esta não é uma campanha de casos. Para além do mais,toda a gente sabe que, no futuro, qualquer deles que seja reeleito, nada disto voltará a repetir-se.
Relacionados: “Recordar o futuro (1)” “Era uma vez... e 3 dias depois”
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Adaptada da pecuária
Ou votam PS, ou o computador Magalhães poderá não ser entregue aos vossos filhos, alunos que entraram este ano para o ensino básico. A técnica foi adaptada da pecuária. Os burros manejam-se melhor com uma cenoura em frente ao nariz.
Actualização: o PSD apressou-se a anunciar que, custem o que custarem, também dá cenouras.Código de barras: Comércio informático, Legislativas 2009, PS
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Recordar o futuro (1)
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Querida estabilidade lusa
Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Portugal star wars
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Nervoseira
Mas perdura o mistério. Por um lado, Pacheco Pereira, em desespero de causa, desafia Cavaco a, de uma vez por todas, revelar as razões que o levaram a afastar o seu braço direito de sempre e, dessa forma, interferir no mesmo resultado e campanha eleitorais que a querida líder negou com toda a sua veemência. Por outro, desautorizações e contradições à parte, alvoroçados com a perspectiva de uma revelação prematura que inverta o prejuízo do rival, o PS vai gerindo um semi-silêncio nervoso e tentando rentabilizar ao máximo a excepção de um fumo sem fogo. Não há. E Cavaco Silva, que também vai sair chamuscado do enredo que plantou, gere a pressão exercida sobre si e pode bem estar apenas à espera do momento exacto para desferir o golpe fatal. Longe de toda esta trapalhada, o comício de ontem do Bloco de Esquerda, em Coimbra, fez do apinhado Teatro Académico Gil Vicente um palco demasiado pequeno para tanto entusiasmo. Não obstante ter sido um dos maiores comícios do Bloco, passou à margem da cobertura mediática que se recusou a mostrar ao país o vigor de uma alternativa que cresce a olhos vistos, todos os dias. Eu vi.(editado/actualizado)
Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009
Estatura em questão
O Presidente da República afastou Fernando Lima do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação Social, uma “decisão presidencial” sem qualquer explicação adicional, segundo as fontes citadas pelo Público. E faltam explicações: Fernando Lima agiu por iniciativa própria ou foi Cavaco quem o mandou plantar a notícia das escutas em Belém? Poderão os portugueses continuar a confiar num PR que deixa perdurar a suspeita de ser capaz de fabricar uma notícia para beneficiar o seu partido nas eleições próximas? Explique-se o senhor Presidente.
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A doença da moda
Domingo, 20 de Setembro de 2009
Esta sem facilidades
O Benfica teve a felicidade de marcar cedo, logo aos 4 minutos, e nem por isso os leirienses acusaram o golo. Nunca foi fácil fazer chegar jogo aos avançados, quer pelo sub-rendimento de algumas unidades encarnadas, sobretudo Ramires e Keirrison, quer pela agressividade nas laterais da União de Leiria, que obrigavam o Benfica a afunilar jogo. Depois, o empate, que chegou a meio da primeira parte através de um auto-golo de David Luiz, intranquilizou a equipa, muito desacertada até ao intervalo e sobretudo na primeira metade do segundo tempo, um dos piores momentos desta época.
Mas, quando já se temia o desaire, a equipa soube responder. O rumo dos acontecimentos alterou-se quando Jesus substituiu os dois atrás mencionados por Cardozo e Nuno Gomes, arriscando uma frente de ataque com três unidades. Aposta ganha, apesar de que um par de oportunidades desperdiçadas pelo Leiria poderiam ter produzido o contrário. O Benfica começou a jogar com mais velocidade e o golo da vitória, embora de grande penalidade, lá acabou por acontecer, dando os 3 pontos que garantem o segundo lugar isolado na tabela classificativa, dois pontos atrás do 100 por cento vitorioso Braga, bem como a liderança da lista de melhores marcadores a Cardozo, com cinco tentos. Saborosa vitória.
U. Leiria 1 - Benfica 2 (Saviola e Cardozo (gp))
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Tão radicais que eles eram
Depois de Ana Gomes, é a vez de Mário Soares dizer que não lhe repugna nada a ideia de uma coligação pós-eleitoral com o Bloco de Esquerda. Tão radicais que eles eram. Agora, rogam. E o Bloco continua igual a si próprio. É impossível qualquer acordo entre a única esquerda possível e o partido do Código da precariedade, dos negócios manhosos, dos favores e da deterioração dos serviços públicos. E é impossível precisamente porque repugna mesmo.
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Sábado, 19 de Setembro de 2009
Orelhas de Burro
Astrologeconomia
Os efeitos da sazonalidade passam ao lado da análise económica que se faz em Portugal. É conhecido que, nos meses de Verão, graças, por exemplo, ao turismo, o desemprego costuma descer e, de igual forma, no mesmo período, como resultado do recebimento do subsídio de férias, o consumo das famílias costuma aumentar. Não seria de espantar que tal voltasse a acontecer este ano, mas, apesar do desemprego ter aumentado, ultrapassando o record dos 500 mil, a subida, normal para a época, do consumo privado produz a feliz confirmação de que a economia portuguesa está mesmo a recuperar. Seria bom.
Um homem de palavras
Em Bloco, sempre a subir
PS 32,9%, PSD 29,7%, bloco de Esquerda 12%, CDU 9,2% e CDS-PP 7% (Intercampus).
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Puf!
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O jogo é para continuar como sempre foi
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Será o Bloco tão mau como o PS o pinta?
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Quando deixarem de gostar
"As políticas que têm sido seguidas pelo actual Governo e que já vêm de trás optaram por concentrar serviços de saúde e fazer grandes centros hospitalares para operar reduções de custos, mas isso não conduz necessariamente a uma maior eficiência", argumenta Rui Marques, um dos autores.
Este é mais um estudo que aponta o SNS que mais convém aos negócios da Saúde. Nada melhor para angariar clientes do que um SNS que, pela qualidade ou pela distância, não satisfaça os seus utentes. O estudo é de 2005. Porém, como é sabido, desde então, a concentração de unidades hospitalares acelerou, piorando a qualidade dos serviços, ainda por cima com piores resultados ao nível financeiro. Neste período, ao ritmo dos encerramentos operados, à medida que a distância entre o utente e a unidade de saúde mais próxima foi aumentando, no espaço deixado vazio, foram aparecendo mais clínicas e hospitais privados. Esta é a Saúde PS, esta é a Saúde PSD, esta é a Saúde CDS-PP, dirão. Mas é também a Saúde desejada por uma maioria que continua a confiar-lhes o voto e ainda a Saúde que todos aqueles que se abstêm de votar não se importam de deixar apodrecer. Quando deixarem de gostar, quando deixarem de dormir, se não for já tarde demais, um dia isto melhora. Poderia ser já.
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Sempre a subir
Porque as sondagens também são um instrumento de mobilização e desmobilização, o desenho parlamentar proposto por esta sondagem poderá mudar o curso da campanha e, de alguma forma, influenciar o resultado final. A quase certeza de que nenhum partido terá maioria absoluta e o fosso que agora existirá entre os dois maiores partidos retira pressão sobre um eleitorado de esquerda que, porque ainda posiciona o PS nessa ala do espectro politico-partidário nacional, é mais permeável ao argumento chantagioso da polarização “de esquerda”, tão útil ao PS e a todos aqueles que retiram vantagens de fazer de conta que nas legislativas se elegem governos e não deputados. Sem tal pressão, este eleitorado poderá votar segundo outra lógica, agora no partido com o qual mais concordam e não seguindo o empolado critério do mal menor. E o Bloco de Esquerda, por ser aquele que teve a maior subida nas últimas europeias e ser também aquele que tem tido um maior crescimento nas intenções de voto indicadas pelas diversas sondagens, poderá ser o mais beneficiado, acentuando a dinâmica de vitória que já conseguiu imprimir. Será, por isso, perfeitamente expectável que, no que resta da campanha, se afirmem ainda mais os discursos anti-bloco, o que poderá ajudar a produzir uma grande surpresa no resultado final: tivemo-lo sempre até agora e o BE esteve sempre a subir. Há cada vez mais portugueses que já entenderam que apenas com o crescimento do Bloco estas eleições poderão trazer aquela mudança pela qual todos esperamos há mais de 30 anos.
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Benfica q.b.
Benfica 2 - BATE Borisov 0
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009
À boleia da virtude
O peso do Estado são eles
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Crise? Já acabou! Vota PS!
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Pela direita europeia, incluindo o PS
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Constatação e exagero
Mas daqui a suspender as eleições, acho um exagero. O ridículo de uma entrevista a um líder político em directo à porta de uma casa de banho não é caso inédito, aconteceu com SANTANA Lopes. Por ser ele, sem matéria que justificasse a “notícia”. E não será difícil imaginar a sucessão de ridículos que resultaria de uma obrigatoriedade, imposta da forma que fosse aos órgãos de comunicação, de todos os dias transmitirem uma notícia cronometrada ao segundo sobre cada partido. Por ser partido, sem matéria que justificasse a “notícia”. Estamos melhor servidos sem tal obrigatoriedade. É certo que sobre PS e sobre PSD de tudo e de nada se faz notícia, mas aí não restará outra alternativa que não a de mudar de canal. E eleger melhor do que o melhor dos melhores que por eles é vendido à revelia da realidade.
Terça-feira, 15 de Setembro de 2009
Viremos a página
A verrina patrioteira de Manuela Ferreira Leite cai por terra atendendo a que, caso decida cancelar ou suspender a construção da rede de alta velocidade, Portugal perde mais fundos europeus do que a Espanha e a que, para além disso, em termos de fundos europeus, o nosso país apenas pode influenciar o financiamento das ligações transfronteiriças, uma pequena parcela do investimento total.
Seria uma boa oportunidade para encerrar o tema. Manuela Ferreira Leite já deu provas suficientes daquilo que vale e o assunto TGV não dará para muito mais do que focar as atenções do país nos devaneios de uma senhora desajeitada. Parece que já descobriram que só têm a perder com o enredo. Seria agora útil discutir, por exemplo, as estratégias de criação de emprego defendidas pelos vários partidos. Há quem defenda que o caminho é reduzir a taxa social única paga pelas empresas, sacrificando as pensões de reforma futuras dos portugueses e descapitalizando a segurança social. PSD e CDS-PP negligenciam o fenómeno da proliferação de Ferraris. E há quem, pelo contrário, defenda uma outra gestão do banco público que permita fazer chegar o crédito à economia em quantidade e a um preço mais concentâneo com o 1 por cento a que a banca compra o dinheiro que depois empresta. A estratégia de curto prazo de criação de emprego proposta pelo Bloco de Esquerda passa por aqui. Quanto ao que defende o PS... não se sabe exactamente, andam à boleia do show TGV, mas não andará longe da estratégia do espectáculo dos discursos de ocasião com a qual, sem sucesso, tentaram entreter o crescimento do desemprego e o encerramento de empresas. Comprovadamente, não serve. Os resultados aí estão, à vista de quem queira vê-los.
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Orelhas de burr@
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Obama, esse radical de esquerda
Quem diz a verdade
Porém, contrariando o coro dos bem instalados comentadores de serviço, que regatearam ouvir-se, cada um mais alto que a concorrência, rotular o Bloco de Esquerda com o “radicalismo” que tanto gostam de utilizar quando lhes falha a argumentação, um estudo do Jornal de Negócios (não encontro o link) a nove PPRs distintos mostra a ausência de rentabilidade destes investimentos, mesmo contando com os benefícios fiscais concedidos.
A maioria das pessoas que nos últimos seis anos investiu nos planos de poupança-reforma teve resultados negativos. A taxa de rentabilidade média dos nove PPRs analisados foi negativa: -0,19% por ano. E, ainda por cima, estes valores não têm em conta a contribuição dos fundos de poupança-reforma que não sobreviveram até hoje. Por exemplo, avança o Jornal de Negócios, o Santander-Totta deverá extinguir em breve o Santander Poupança Premium FPR, que apresentou uma perda anual de 24,54% até ao início de Setembro. Para além do mais, e confirmando também o exposto por Francisco Louçã, há também a ter em conta as elevadas comissões cobradas pelos bancos: chegaram a atingir 2,5%, sem contar com as penalizações fiscais e comissões cobradas por antecipação de resgates.
Resumindo: é à custa dos impostos pagos por todos que os PPRs continuam a sobreviver, porque, de outro modo, seriam menos rentáveis que um depósito a prazo ou certificados de aforro. A esquerda tem uma só palavra.
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Um pouco melhor, mas calminha
Na decomposição por país é que há algumas diferenças. Nem todos os países estão a responder da mesma forma à crise. A Alemanha vai ter uma contracção menor do que era avançado em Maio (-5,1 por cento face aos anteriores -5,4 por cento), o mesmo acontecendo com a França (-2,1 contra -3,0 por cento). O contrário acontece com o Reino Unido, cuja economia deverá quebrar 4,3 por cento (a anterior previsão era de -3,8 por cento) e a Espanha, cuja recessão chegará aos 3,7 por cento, mais meio ponto percentual do que era antecipado em Maio.
A legitimidade do absurdo
- O Jornal de Angola, no editorial de hoje, assinado pelo director, José Ribeiro, afirma que há quem esteja interessado em envolver Angola na actual campanha eleitoral, "fazendo declarações a roçar o insulto". (...) "Registamos que em Portugal há políticos que não conseguem dormir descansados enquanto existirem empresas e empresários angolanos a fazerem o seu trabalho" (...) "Por qualquer razão que não interessa aqui referir recusam ou ficam preocupados com a entrada de capitais angolanos em empresas ou grupos económicos portugueses. E dizem isso em debates eleitorais". - 13 Set (Lusa/Expresso).
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
Orelhas de Burro
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Viva o futebol
Sporting 1 – Paços de Ferreira 0
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
À vontade do dono
- Actualização: a Marktest dá 35,3% ao PS, 32,4 ao PSD, 16,2 ao Bloco de Esquerda, 6,9% à CDU e 5,2% ao CDS-PP. O Bloco aparece com uma projecção record. A Marktest foi a empresa de sondagens cuja projecção mais se aproximou dos resultados que vieram a verificar-se nas europeias. E esta sondagem foi, de longe, a menos badalada de todas. Porque sará?
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Estribilhar ao desafio
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Politicas suicidárias
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A ler: "Todas as diferenças entre o Bloco e o PS na politica fiscal"
- «Os PPR prometem um complemento de reforma e garantem uma dedução fiscal. Assim, todos os contribuintes pagam para os subscritores dos PPR, e os bancos fazem o negócio. O problema é que o rendimento dos PPR é insignificante, e assim vai ser inútil como complemento de reforma. Convido quem tenha dúvidas a reler o balanço anual do seu PPR e a verificar a rentabilidade. Qualquer depósito a prazo teria melhor resultado. O que os bancos fazem, e isso explica os péssimos resultados dos PPR, é jogar o dinheiro em acções na Bolsa: quando a Bolsa cai, os fundos afundam; quando ganha, os bancos cobram comissões e as pessoas ganham pouco. Os bancos ganham sempre, as pessoas perdem sempre, e os contribuintes financiam o sistema. Este sistema é absurdo e só é suportado pelo fisco.»
Código de barras: Bloco de Esquerda, Legislativas 2009, Política Fiscal
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Em tons de cinzentão
Ambos os intervenientes repetiram os seus jargões predilectos. Ele, tocando a cassette dos patrões sempre mauzões e dos trabalhadores sempre bonzinhos e espezinhados porque a CRP não é cumprida. Ela, cantarolando tão repetidamente como o primeiro aquela das “piquenas” e médias empresas, que há que mimar muito para criarem emprego e, por arrastamento, no refrão apareceram a banca e os monopólios que não podem deixar de ser mimados porque senão vão procurar outro Governo de outro país que os mime mais, e lá ficariam os portugueses sem bancos, às escuras (sem electricidade) e com os carros parados com os tanques secos à porta das “piquenas” e médias empresas. Uma desgraceira. Mas perceberam como é que se cria emprego? A culpa é do PS que esteve muito mais anos no poder do que o PSD.
A animar a bizarria deste cinzento houve ainda tempo para uma gafe monumental de Manuela Ferreira Leite, uma ex-ministra das Finanças e candidata a Primeira-ministra que diz que as empresas são (pesadamente) tributadas em IRC à mesma taxa de 42% que corresponde ao escalão máximo do IRS. Como é que alguém que confunda IRS e IRC pode ter a mínima ideia sobre aquilo que diz sobre política fiscal e económica é questão que não tira o sono a quem quer responsabilidades ao mais alto nível e sabe que, diga os disparates que disser, terá sempre a confiança de um eleitorado fiel que incondicionalmente lhe comprará as esperanças que vende. Da mesma forma, ambos confundiram-se quando trocaram as voltas às suas cassettes, um criticando o Código do Trabalho que precarizou a estabilidade das relações laborais e negando em simultâneo que exista medo em Portugal, a outra aplaudindo o mesmo Código dos despedimentos flexíveis ao mesmo tempo que se queixava do medo que varre um país asfixiado só ela sabe quanto. O debate foi demasiado mau para ser verdade, pese embora a isenção dos comentadores do costume não se tenha cansado de salientar as infinitas qualidades da sua líder que, no "acho eu" daquelas cabeças, sobressaíram num frente-a-frente que eu não vi. (editado)
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
A demagogia radical e a desonestidade extremista
- “O problema com as deduções em IRS é que deixa de fora dos benefícios justamente os mais pobres, ou seja, os que nem sequer têm rendimento suficiente para pagar IRS. É por isso que os subsídios directos são mais eficazes, mais abrangentes e mais equitativos.” - Vital Moreira, 10 de Julho de 2008
“Limitar, ou reduzir drasticamente, as deduções fiscais para despesas de educação e de saúde, salvo nos casos em que os correspondentes sistemas públicos não proporcionam os respectivos serviços em condições aceitáveis. Na verdade, não faz sentido que, havendo serviços públicos de educação e de saúde gratuitos, pagos pelo orçamento do Estado, aqueles que preferem serviços privados sejam beneficiados com o desconto dessas despesas para efeitos de dedução fiscal (com limites bastante generosos), o que se traduz numa considerável “despesa fiscal”.
Ainda por cima, trata-se em geral dos titulares de rendimentos acima da média, não poucas vezes caracterizados por uma elevada evasão fiscal (industriais e comerciantes, gestores, profissionais liberais, etc.). Duplo privilégio, portanto.” - Vital Moreira, 22 de Abril de 2006
“Os benefícios fiscais à poupança no IRS têm três efeitos negativos: tornam o sistema fiscal mais complexo e mais difícil de fiscalizar, têm elevados custos fiscais (redução da receita) e favorecem os titulares de mais altos rendimentos, que são quem mais deles aproveita, diminuindo a progressividade real do imposto. Será que as vantagens em matéria de incentivo à poupança superam os aspectos negativos? Esperemos pelo estudo referido pelo Ministro para ter uma resposta a essa pergunta.” - Vital Moreira, 10 de Setembro de 2005
“O fim de muitos dos benefícios fiscais é mais do que justo. Por três razões:
1. Só pode beneficiar deles quem tem mais dinheiro para gastar (serão muito raros os contribuintes que, recebendo 800 ou 900 euros mensais, desviem os seus parcos recursos para um PPR). Bem sei que estão nos escalões mínimos, mas nem por isso deixam de estar incluídos no sistema e descontar para ele. Mais: só chega ao tecto máximo de deduções quem gasta mais. Só gasta mais quem tem mais. Os benefícios fiscais, favorecendo a classe média, põem a classe baixa a “contribuir” para as despesas de quem ganha mais. É uma distorção da justiça fiscal, que passa pela regra inversa: os que ganham mais ajudam os ganham menos. Os benefícios fiscais a investimentos em poupança em produtos fornecidos para os privados correspondem ao desvio de fundos públicos para o privado, prejudicando quem não usa (porque não tem margem para usar) os serviços privados. Quem se pode justamente queixar de pagar serviços públicos (taxas de saúde, propinas, etc), dizendo que assim se trata de uma dupla tributação, se depois quer que o Estado lhe pague os serviços privados?
2. Só beneficia de um planeamento fiscal complexo, como a enorme quantidade de complicados benefícios fiscais, o que exige um enorme conhecimento da lei, quem tem acesso a um contabilista ou advogado, o que, manifestamente, só acontece com quem mais tem. O sistema fiscal deve ser simples para os seus benefícios serem aproveitados por todos.
3. Os benefícios fiscais tornam a fiscalização mais complexa, desviando os esforços da máquina fiscal para uma fiscalização de minudências e não se concentrando no combate à fraude fiscal. A multiplicação de benefícios fiscais favorece a fraude fiscal.
Aceito que haja vantagens macroeconómicas no combate à inflação através promoção da poupança. Mas não me parece que esta vantagem valha a distorção da justiça fiscal.” - Bagão Félix, 2004.
Via Enciclopédia Arrastão.
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Diz que é uma Justiça tipo filme americano
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Obrigado, Sócrates!
Restou-lhe, pois, o habitual auto-elogio, a costumeira vitimização, um mal amanhado apelo ao voto útil, onde, ao mesmo tempo que apontava ao Bloco o pecado de querer vencer o PS, assumia a “virtude” do PS querer vencer o PSD e, depois, com a mal cotada na praça palavra de Sócrates, desvalorizar e reduzir a exemplos pontuais as negociatas apontadas por Louçã, negando-as com uma insistência tal que lhes dava ainda mais a indesejada notoriedade.
Avançou também para qualquer coisa que no seu imaginário deve aproximar-se de um ataque: dissecar o programa do Bloco de Esquerda, esperando surpreender um Francisco Louçã agradecido pela publicidade e por uma inversão de papeis na qual, por largos momentos, deu a ideia de ser ele o Primeiro-ministro e não o contrário.
Foi, por isso, graças a Sócrates que surgiu a oportunidade de dar a conhecer o programa do Bloco de Esquerda e as suas vantagens em matérias tão sensíveis como a nacionalização do sector energético que Sócrates, ou melhor, o Governo Sócrates, como o próprio teve o cuidado de diferenciar, vendeu ao desbarato a Américo Amorim e a José Eduardo dos Santos, “para evitar que caísse em mãos estrangeiras”; o papel fundamental que a Caixa Geral de Depósitos pode/deve ter nas políticas públicas de crédito à economia; e os aspectos positivos de uma reforma fiscal que introduza a tributação das grandes fortunas, simplifique um regime de deduções fiscais incentivadoras do consumo no sector privado de serviços já oferecidos (com custos) no público, bem como a sua contrapartida: Saúde, Educação, Justiça e outros serviços públicos de qualidade, gratuitos, universais e financiados com as receitas dos monopólios a nacionalizar e com a tributação das grandes fortunas. Elementar justiça social.
Este último ponto, ao qual Sócrates regressou insistentemente por três vezes, na esperança de lograr ameaçar a classe média com a perda de benefícios, teve assinalável sucesso nos ecos que provocou, tanto na assistente Judite de Sousa, como naqueles comentadores que às seis da tarde, muito antes do frente-a-frente se iniciar, já lhe cantariam a vitória que sem surpresa acabaram por sentenciar a José Sócrates. Talvez Louçã tenha perdido, aqui. Mas nada como voltar ao tema e confrontar os portugueses com a escolha entre, por exemplo, os 400 euros em despesas com Educação que actualmente podem deduzir e os 900 euros da propina que deixariam de pagar anualmente para frequentar o ensino superior, caso o Bloco de Esquerda fosse poder. E hoje assumiu-se claramente como partido de poder, a alternativa à esquerda capaz de devolver credibilidade à política.
Para terminar, que este já vai longo: no debate de hoje, alguém se lembra de ouvir a Sócrates um aspecto que fosse do programa eleitoral do PS? Eu não. E isto diz-me quem ganhou o frente-a-frente de hoje. Também reparei que o artigo que lhe corresponde aparece apenas em terceiro lugar no alinhamento do Público, ao contrário do que aconteceu com os dos debates anteriores, destacados no topo. Mas isto é apenas uma daquelas pequenas coincidências, desprovidas de qualquer significado.
- Actualização – Passam poucos minutos das 10 horas e o alinhamento atrás mencionado segue da seguinte forma: (1) "Mário Lino diz que "auto-estrada rosa" é "mistificação" do PSD", (2) “Nova tributação abrange quem fique ligado à empresa”, (3) "Jaime Silva alerta que CDS representa regresso aos “submarinos e fotocópias”", (4) "Ambulâncias não sabem para que hospitais devem levar os doentes hemofílicos". Tudo notícias cuja importância extraordinária justifica que "Louçã procurou encostar Sócrates à direita e à corrupção. Sócrates procurou mostrar o radicalismo de Louçã" já apareça em 5º lugar. No dia seguinte a todos os restantes frente-a-frente, as peças homólogas seguiram em primeiríssimo lugar até ao final da manhã.
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009
Comprar VS votar
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A Justiça deles
Todos nós rejubilamos com estas reuniões que são estardalhaçadas na imprensa para que se saiba da sua existência. São mais do mesmo de uma Justiça que se faz nos média, gerida por quem enche a boca a dizer Justiça. Terminei o post anterior dizendo que, nas próximas eleições, os portugueses também decidirão que Justiça querem. Este, fará todo o sentido terminá-lo com a questão: em que pé estariam, por exemplo, as investigações ao caso Freeport, se PS, PSD e CDS-PP tivessem viabilizado o projecto de resolução sobre medidas de combate à criminalidade financeira e aos movimentos especulativos em paraísos fiscais e o projecto de lei de levantamento do sigilo bancário para o combate à fraude fiscal tal como foram apresentados pelo Bloco de Esquerda? Chumbaram-nos. Falam de Justiça. Querem, serve-lhes, basta-lhes esta Justiça que temos. E, decididamente, se algum dia a Justiça mudar, com toda a certeza que não será pelas suas mãos.
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FreeSogro(s) (continuação)
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Da Justiça da livre consciência
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Pop music
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A terra das oportunidades
Em média, os jovens com formação superior são mais afectados pelo desemprego de longa duração em Portugal do que nos restantes países da OCDE. Os jovens que não completaram o ensino secundário… também. O trabalho qualificado é pior pago do que na média da OCDE. O não qualificado... também. Mas nada de pessimismos. Os dados são de 2007, antes da chuva de diplomas do modelo de qualificação pela via administrativa adoptado pelo actual Governo. Hoje, dois anos depois, Portugal é a terra das oportunidades. As "novas".Código de barras: emprego, Fracasso, PS, Socialismo-reformista
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Depurações conceptuais manelistas
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Cada promessa, cada fracasso
- A quebra do volume de negócios da indústria agravou-se em Julho, apresentando uma queda de 20,7 por cento face a Julho de 2008, quando em Junho a queda homóloga tinha sido de 18,3 por cento.
O emprego, as remunerações e as horas trabalhadas em Julho também apresentaram diminuições face a um ano antes, de respectivamente 6,8, 5,8 e 7,4 por cento, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
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O mais esclarecedor
Economia: mais peso e que peso do Estado Na economia, tal como, aliás, em todos os restantes pontos, ficámos absolutamente esclarecidos quanto ao posicionamento estratégico de cada um. Francisco Louçã explicou a razão pela qual o Bloco de esquerda defende a renacionalização dos maus negócios para todos nós que foram a colocação em mãos privadas de bens públicos tão fundamentais como a concessão de crédito e como os monopólios da energia e dos combustíveis: as receitas que daí proviriam, de importância fulcral na satisfação das necessidades de bens públicos dos portugueses e, nessa medida, fundamentais para travar o recuo do Estado social, e os acréscimos de competitividade que resultariam para a economia, caso empresas e particulares não fossem obrigados a alimentar os lucros obtidos à custa de preços formados nos monopólios e oligopólios que, ao terem refém o poder político, todos vemos o peso que têm no nosso aparelho de Estado.
Esta captura foi visível no frente-a-frente de hoje, quando Manuela Ferreira Leite se recusou a clarificar o posicionamento do seu partido relativamente a este tipo de enriquecimento parasitário, preferindo desviar a questão que lhe foi colocada das grandes para as pequenas e médias empresas, refugiando-se naquele que porventura será o seu clichet preferido. Pelo que disse claramente e pelo que não negou, explicou com clareza como é que o PSD pretende estimular a competitividade e a criação de emprego das PME: à custa do factor trabalho, também porventura a única variável de ajustamento que conhece, quer através do sacrifício de pensões de reforma futuras, reduzindo a taxa social única em mil milhões de euros anuais (2&), quer através do sacrifício do poder de compra dos salários que um dos seus mais destacados apoiantes defendeu publicamente querer reduzir em média em 50 euros, conforme Francisco Louçã teve oportunidade de lhe recordar sem que MFL esboçasse qualquer reacção no sentido de rebatê-lo. Tudo isto deixando intocáveis os privilégios de que gozam a banca e os atrás referidos monopólios, como se os custos financeiros e energéticos não pesassem na competitividade das PME, e recusando também que todos os grandes contratos públicos, concessões de subsídios e regimes tributários mais favoráveis devam conter uma cláusula de criação de emprego, a contrapartida obrigatória que Francisco Louçã defendeu ser o mínimo que qualquer Governo que represente o interesse de todos os portugueses tem que exigir aos privados que sejam parceiros de negócios do Estado, para que deles resultem proveitos para ambas as partes. Uma cláusula-contrapartida que ficará ausente caso MFL venha a ser poder e dê às PME uma benesse de mil milhões de euros anuais retirados às pensões de reforma de quem trabalha, que sustentou será compensada através dos impostos dos mesmos, em sede de orçamento de Estado.
Saúde: um serviço público universal ou um negócio? Também na Saúde ficaram bem patentes o fosso que separa as duas posições e a consistência de cada uma. Francisco Louçã defendeu que o Estado não deve desviar recursos para o sector privado, mais caro e com qualidade inferior, e sim apostar num SNS universal e de qualidade. Pelo contrário, Manuela Ferreira Leite defendeu a complementaridade entre os dois sectores, a manutenção do modelo falhado de parcerias público-privadas que introduziu e foi mantido pela governação Sócrates, e que quem tenha possibilidades para tal possa optar pela saúde privada paga com o dinheiro de todos. Neste ponto, o da Saúde, Manuela Ferreira Leite bem tentou puxar ao sentimento, dizendo que a vida não tem preço e que de bom grado pagaria um preço mais alto sempre que uma vida humana estivesse em jogo. Louçã ripostou, pronto, recordando a realidade de no privado não existirem especialidades como oncologia e cuidados intensivos e a de que, perante casos de gravidade maior, os privados não hesitam em remeter imediatamente esses doentes para unidades hospitalares públicas, melhor apetrechadas. Para ilustrar como o modelo defendido por Ferreira Leite gera ineficiências, Louçã complementou a sua intervenção apresentando ainda os argumentos de não ser possível controlar se as facturas apresentadas ao Estado pelos privados correspondem ou não aos serviços realmente prestados e o de que, em especialidades como obstetrícia, por originar mais lucro, a proporção de cesarianas é maior do que no SNS.
Direitos e liberdades individuais: maior ou menor peso do Estado? Da mesma forma, no plano das liberdades individuais, as diferenças entre ambos ressaltaram com nitidez. Um defende um Estado que termina à porta de cada um. O outro, um Estado que entra casa adentro das pessoas. O Bloco de Esquerda de Louçã defende uma sociedade de liberdade que respeita as opções individuais e um Estado que trata todos os cidadãos em plano de igualdade, que garante direitos iguais para todos e que não se serve do seu poder para coagir na adopção de nenhum padrão comportamental. Pelo contrário, o PSD de Ferreira Leite, para além do peso que quer que os grandes interesses económicos continuem a ter no Estado, quer também que este Estado asfixie os cidadãos pesando nas escolhas individuais que cada um faz, nomeadamente vedando aos cidadãos homossexuais a estabilidade conferida por um regime jurídico das uniões de facto que extravase o mero simbolismo do actual e negando-lhes o direito ao casamento. Para Manuela Ferreira Leite, o casamento destina-se à procriação, embora Louçã a tenha confrontado com o voto contra do seu partido a uma iniciativa legislativa que permitiria a fertilização assistida a 300 mil casais.
Manuela Ferreira Leite mentiu Mas a inconsistência da “política de verdade” de papel do PSD não se ficou por esta contradição. Manuela Ferreira Leite faltou à sua tão cara “verdade” pelo menos por duas vezes: quando disse que o seu partido nunca havia defendido a privatização da Saúde – em Janeiro de 2008, Nas jornadas parlamentares do PSD, defendeu a privatização não apenas da Saúde como também da Educação – e quando foi capaz de negar que a mesma veia privatizadora aplicada à Segurança Social consta do programa do seu partido. E consta: na página 17, ponto 14, no programa do PSD lê-se que a reforma dos Portugueses deve ser crescentemente encarada como uma responsabilidade individual, propondo a medida do "progressivo plafonamento do valor das contribuições e das pensões mais elevadas", ou seja, a consagração de um sistema de tectos contributivos a partir dos quais os cidadãos podem descontar para fundos de pensões dos bancos, sem retorno certo. O PSD quer implementar um sistema que permita aos cidadãos jogar a segurança das suas reformas na bolsa, tal como fizeram, entre outros, os americanos, com os resultados desastrosos que são conhecidos de todos.
Fazedores de opinião, fazedores de votos Por último, o frente-a-frente de ontem tornou clara forma como se faz opinião em Portugal. Apesar de Manuela Ferreira Leite ter patinado da forma que patinou e de ter claramente perdido o debate, foi por demais evidente o peso que o PSD tem nos meios de comunicação social. Foi notória a preocupação dos comentadores de/ao serviço em dar-lhe a vitória que não teve, apresentando a sua opinião em vez de comentarem a matéria de facto fornecida pelo debate e acrescentando o que Manuela Ferreira Leite não disse… mas que queriam que tivesse dito. E foi precisamente pela falta de à-vontade, pela gestão do tempo que não soube fazer e pela qualidade do interlocutor, que a cilindrou com os seus argumentos, que MFL perdeu o seu primeiro embate. Claramente.
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