Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

À moda antiga


Na semana passada, escrevia aqui que, em cada início de época, quando chega o primeiro jogo, no íntimo, infantilmente, todos sempre sonhamos que possa ser vencido por, no mínimo, uns seis ou sete golos. O jogo de hoje não foi o primeiro, foi o terceiro, o segundo embate em casa. E não foram seis nem sete golos, foram oito. Assistimos, hoje, a uma das maiores goleadas da primeira liga dos últimos anos. Qualquer explicação oscilará entre o mérito do Benfica e a fragilidade do Vitória de Setúbal. Opino que o resultado se deveu a um pouco de ambas. Do lado do Benfica, notou-se a vivacidade de um Jorge Jesus que não pára no banco reflectida no relvado, assim como um trabalho meticuloso no treino de jogadas de laboratório que culminou nos três primeiros golos desta noite e todos (os dois) anteriormente marcados esta época para o campeonato. Do lado do Vitória, notou-se uma equipa com debilidades bastante evidentes, composta essencialmente por jogadores jovens e/ou provenientes de escalões secundários e campeonatos menores. Se continuar a jogar assim, arrisca a candidatura à despromoção. Quanto ao Benfica, se repetir a exibição de hoje muitas vezes, arrisco-me a agravar a minha doença. Que bem que sabe ser doente do Benfica com vitórias de oito a um. Hoje foi uma bebedeira de golos. Há que ter cautela, grandes bebedeiras dão grandes ressacas.
3ª Jornada

Académica 0 – Sporting 2
Naval 1 – FC Porto 3
Benfica 8 – V. Setúbal 1
(Javi García, Luisão, Cardozo (3), Aimar, Ramires, Nuno Gomes)

Não há ideias, não há figuras

Já sabíamos que, sem ideias e sem honestidade suficiente para dizer em detalhe aos portugueses o que querem para o país, as soluções governativas do PSD redundaram numa colectânea de generalidades a que chamaram de programa eleitoral. Hoje sabemos que também não haverá comícios. Tudo graças à forma como foi conduzido o processo de elaboração das listas eleitorais, que deixaram o PSD descalço de figuras de proa que se dispusessem a dar a cara pelo partido. A “volta de verdade”, sem grandes verdades desconhecidas do mais comum dos mortais, dispensa as ideias que, caso fossem conhecidas, facilmente desmoronariam como castelos de cartas, não tem outro remédio que não o de abrir mão também dos comícios: as figuras que não aparecessem dariam o sinal do punhado de cacos em que se transformou o PSD. Manuela Ferreira Leite tem conseguido ocultar esta realidade com assinalável sucesso. Honra lhe seja feita. E, sem ideias e sem figuras dignas de apresentação pública, não resta outra alternativa ao PSD senão a de acreditar que a aposta no despertar da fé de um povo com fraca memória será o suficiente para angariar os votos necessários para garantir… poleiro. Resumindo: votar PSD por quê? Porque sim! sobre o demais, fala o seu passado. Mesmo nada abonatório.

Breve recapitulação da saga EPE

Os hospitais públicos com gestão empresarial (EPE) tiveram um prejuízo de 91,1 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, um agravamento de 22,6 por cento em relação ao período homólogo de 2008. A fórmula mágica voltou a dar mostras de que não serve. Abaixo republico o que escrevi em Novembro de 2007. Permanece actualíssimo. Desde então, o buraco do SNS não parou de aumentar (em Março de 2008, as dívidas do SNS já haviam aumentado 132 por cento desde o início da governação Sócrates) e a qualidade dos serviços prestados continuou a deteriorar-se. Pelo meio, apareceram empresas privadas cujo lucro provém do aluguer de médicos ao dia, houve contratos, legais e ilegais, celebrados com grupos privados para a exploração do negócio da saúde por 30 e mais anos, encerraram-se unidades de saúde de excelência do SNS para permitir o aparecimento de unidades privadas no seu lugar, ao mesmo tempo que os sucessivos relatórios do Tribunal de Contas, que invariavelmente apontaram irregularidades graves às gestões EPE, tão empresariais que nem contas fidedignas apresentam, foram sendo engavetados e esquecidos. Para pagar tudo, cá estiveram os portugueses. Com os seus impostos e, tantas vezes, com a própria vida.
Com uma gestão privada iam ser a oitava maravilha. Uma gestão mais ágil, competitiva, Melhor aproveitamento de recursos, melhor gestão de tudo e mais alguma coisa. Nada disso aconteceu. As dívidas até poderiam ter-se mantido e já isso seria um mau resultado diante de tantas expectativas. Nem isso. As dívidas mais que duplicaram, o atendimento piorou, mas… já nada disto conta para o défice. A meta foi alcançada e o resto é o resto. Agora já só falta deixar apodrecer, para depois encerrar. Corrijo: ter que encerrar.

Em 2009, já está mais apodrecido. Manuela Ferreira Leite e José Sócrates aí estão, prontos para a colheita. Os seus partidos continuam no top de preferências dos portugueses.

O mundo está a mudar


No Japão, foi o Partido Liberal (PLD), no poder há 55 anos, que perdeu as eleições para o PDJ, de centro-esquerda. Uma derrota histórica, com o PDJ a eleger 308 mandatos dos 480 que compõem a câmara baixa do Parlamento. O PDL elegeu apenas 119. Tinha 300. Sustentado num programa profundamente social e que promete retirar o poder político das mãos dos burocratas, o PDJ já anunciou que pretende chamar ao Executivo os seus dois tradicionais aliados – o Partido Social-Democrata (antigos socialistas) e o Novo Partido do Povo (conservadores), com os quais controla o Senado desde 2007.

Na Alemanha, a 1 mês das eleições gerais, foi a CDU da
senhora Merkl que saboreou o sabor da derrota nas eleições regionais, consideradas um barómetro eleitoral importante. Os conservadores perderam em dois dos três estados que foram a votos e, tanto em Sarre, na fronteira com França, como na Turíngia, no Leste ex-comunista, os líderes da CDU que ali governam há uma década caíram mais de dez pontos em comparação com 2004 e serão provavelmente destronados por coligações de esquerda. Nos dois casos antecipa-se uma coligação entre o SPD, A Esquerda (Die Linke) e os Verdes: Sarre poderá assim tornar-se na primeira coligação que o partido A Esquerda integra num estado federado ocidental. O líder do partido (que inclui responsáveis do antigo Partido Comunista da RDA), Oskar Lafontaine, governou Sarre durante 14 anos, enquanto era do SPD.

Portugal não tem que ser assim

Uma empresa, a Estoril-Sol, quis dar o contributo do seu exemplo para alertar os portugueses para aquilo que tem que mudar no nosso país: apesar dos 114,9 milhões de euros que os três casinos do grupo arrecadaram em proveitos em apenas seis meses, a Estoril-Sol fala na necessidade de proceder a despedimentos que minimizem a quebra de 8,9 por cento nos seus lucros relativamente ao mesmo período de 2008. Não basta dar lucro, há que dar muito lucro. E, no Portugal de PS, PSD e CDS-PP, o factor de ajustamento é o trabalho: despedir os que são do tempo do trabalho com direitos, cuja antiguidade lhes proporcionou incrementos salariais, e substitui-los por recrutados à má sorte da miséria e do desemprego, que não têm outro remédio senão aceitar o mínimo dos mínimos em remuneração e em vínculo. Portugal não tem que ser assim. Se o é, devemo-lo a quem tem ocupado a cadeira do poder. Com os votos de quem continua a espoliar, com a resignação de quem se abstém de reagir como corresponde. Pelo voto.

Domingo, 30 de Agosto de 2009

É bom, é bom, comprem, comprem

Como se o PSD se distinguisse do PS na instrumentalização do aparelho de Estado que ambos os partidos fazem, à vez, há 35 anos, sempre que são poder, Manuela Ferreira Leite voltou a acusar Sócrates de ter transformado o Estado numa “máquina ao serviço do poder”, sem assumir qualquer ruptura com esta tradição. Na vez daquilo que se impunha a quem critica o que não tem autoridade para criticar, um compromisso claro quanto aos critérios de nomeação dos dirigentes da Administração Pública e empresas estatais deixarem de ser as cores do cartão do partido do Governo, a líder laranja vai preferindo refugiar-se no objectivo de redução do peso do Estado, uma generalidade que, em si mesma, nada diz. Por isso mesmo, tem-no repetido até à exaustão.

Como pretenderá Manuela Ferreira Leite reduzir o peso do Estado? Que serviços públicos concessionará a que privados? E à custa do despedimento de quantos funcionários públicos se fará a sua reforma grandiosa? MFL sabe que, tal como o compromisso acima referido lhe custaria os apoios de todos os boys e girls que deixariam de dar as suas contribuições abnegadas para a campanha laranja, as respostas a estas e a outras perguntas custariam muitos, muitos votos. E ,porque não está disposta a perdê-los, MFL vai compatibilizando o ar austero que vai melhorando com um peditório de cheques em branco no qual vai transformando a sua campanha. E venha o voto de quem queira acreditar cegamente em propostas deliberadamente ocultadas por um partido com décadas de provas dadas sobre aquilo que vale: metade do que somos e metade do que nunca pudemos ser.

Sábado, 29 de Agosto de 2009

Orelhas de Burro

Blue Foundation – “Bonfires”

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Fácil (*)

O Benfica foi inserido no Grupo I da Liga Europa e vai jogar com o Everton (Inglaterra), o AEK (Grécia) e o BATE Borisov (campeão da Bielorrússia). Desta vez, do ponto de vista desportivo, o sorteio não correu mal de todo. Ressentir-se-á a bilheteira e há duas longas viagens pela frente. Não se pode ter tudo.

(*) optimismo induzido pelo teor do post anterior.

A cor da moda é negro quase optimista

O ministro das Finanças e Economia, Teixeira dos Santos, atribuiu hoje a melhoria do indicador do clima económico em Agosto às medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo para combater a crise e relançar a economia portuguesa. E, desta vez, admito que Teixeira dos Santos acreditará mesmo no que diz. O indicador em causa não mede mais do que as expectativas dos agentes, Aumentando quando estão mais optimistas e diminuindo quando estão mais pessimistas. Todos nós assistimos aos esforços dos membros do Governo nas sementeiras de optimismo a que reduziram quase na totalidade o combate à crise que não souberam ou não quiseram travar. É perfeitamente natural que algum efeito tenham tido. Sobre o optimismo dos agentes. Mas sobre a economia que continua a afundar, sobre o desemprego que continua a aumentar, sobre a miséria imensa que atinge todos os portugueses que não entram nestas contas, não. Portugal continua pintado de negro. Um negro muito mais bonito, mais optimista, quase, quase, quase optimista. E que pena que os portugueses não se alimentem de optimismo! Envaidecer-nos-ia a realidade objectiva de termos um dos melhores Governos do mundo e, consequentemente, ficaríamos ainda mais optimistas, proporcionando novos sucessos àqueles que tão bem olham por todos nós.

Sempre novos, sempre os mesmos

“Menos Estado, melhor Estado”. Embora esteja velho e gasto, este clichet é o que melhor sintetiza o programa eleitoral do PSD. Um PSD que agora se apresenta como o motor do combate à corrupção, apesar de não ter hesitado em brindar dois arguidos com a imunidade parlamentar que se seguirá à eleição nas suas listas e não obstante ter-se oposto a todas as iniciativas legislativas da esquerda para a combater, um PSD que agora promete enriquecer o país e que, juntamente com o PS, é um dos principais responsáveis pelo seu empobrecimento, um PSD que agora se diz apostado em pôr fim ao dirigismo asfixiante do Estado e que, quando foi poder, nunca resistiu a fazer do Estado o mesmo que o seu rival PS, colocando-o ao serviço dos seus boys e das empresas dos seus empresários. Menos Estado e melhor Estado como e para quem? Tem havido cada vez menos e pior Estado para a maioria dos portugueses, tem havido mais e melhor Estado para uma minoria de bem colocados próximos do poder. É uma transferência de Estado com 35 anos. Os mesmos 35 em que assistimos, invariavelmente, à mesma cena patética dos sempre “novos” PSD e PS a acusarem-se mutuamente para se verem livres de si próprios, para que não nos vejamos livres dos dois. E foram eles. Tudo o que somos foi obra sua. De um e do outro. Iguais a si próprios, sempre novos, sempre os mesmos. De sempre.

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Humildade democrática

Horas depois...

O PS, que até agora só aceitava fazer debates frente-a-frente com Manuela Ferreira Leite, recusando duelos com os restantes líderes de partidos com representação parlamentar, mudou a sua posição, viabilizando, assim, os debates televisivos na campanha para as legislativas. A alteração deveu-se a não querer ficar de fora do ciclo de debates que poderia acontecer mesmo sem a participação do PS.

Seria óptimo que se estabelecesse uma regra para que este jogo não se repetisse. A realização de debates deve acontecer independentemente das sondagens e dos humores dos dirigentes políticos. Agradeceria a democracia.

(actualizado)

Sem surpresas

Falta um mês para as eleições e foi este o dia escolhido pelo PSD para apresentar o seu programa eleitoral. Do pouco que resolveu distribuir pela comunicação social para aguçar a curiosidade e alcançar o desejável destaque mediático, nota-se claramente uma aposta em paradigmas que, pela comprovação do seu fracasso, se não estão a ser abandonados, pelo menos estão a ser questionados em todo o mundo: o Estado mínimo, a privatização de serviços públicos e todos os apêndices da cartilha neoliberal, bem como uma orientação económica que, ao apostar tudo no sector exportador, promove a rarefacção do poder aquisitivo dos salários e o sacrifício de direitos sociais, logo, também a fragilização e instabilidade do mercado interno, as assimetrias na distribuição do rendimento e a deterioração das condições de vida das pessoas.

Mas a insipiência das propostas do PSD vai muito para além do seu programa de política económica. Para não me alongar muito, até porque o programa ainda não foi apresentado oficialmente, ficar-me-ei pela demagogia da proposta inconsequente relativa à obrigatoriedade da fixação de datas indicativas da duração dos processos judiciais (se forem ultrapassadas, obviamente que não acontecerá rigorosamente nada), pelo dejá vu da escolha de uma classe profissional nos mesmos moldes seguidos pelo e com os mesmos instintos persecutórios que testemunhámos ao Governo Sócrates relativamente a funcionários públicos e professores (propõe-se que as magistraturas vejam a sua remuneração depender de um “mérito” avaliado saberão eles como) e pelo humor negro do compromisso eleitoral de proceder à trasladação dos restos mortais dos soldados portugueses mortos durante a Guerra Colonial.

Este último sublinha a riqueza do programa com que o PSD se apresenta a eleições. Trasladar é completamente diferente de enterrar. Investir no TGV é que seria enterrar dinheiro; traslada-se apenas o que já foi enterrado. E, comprovadamente, a capacidade do PSD para enterrar futuros permanece por enterrar. Enterre-se. E, se for o caso e não ficar muito caro, traslade-se depois.

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

O seleccionador portento

Só mesmo Carlos Queiroz se lembraria de convocar Liedson para a selecção nacional num dos piores momentos de forma do brasileiro. Se Queiroz não se apercebeu, não haverá alguém que o avise que Liedson não anda a jogar nadinha? Ou será que o prodígio também não ouve? Bolas.

Empresas sem risco

A Ministra da Saúde ficou muito bem na fotografia quando, na semana passada, apontou o dedo à linha Saúde 24. Segundo Ana Jorge, a empresa não estaria a cumprir com o contrato que celebrou com o Estado. E a Ministra foi mais longe. Quantificou. O incumprimento era de 70% e, ao invés das 10 mil chamadas diárias que figuravam no contrato, aquele serviço estaria a atender apenas 3 mil. SERIA um motivo mais do que suficiente para uma rescisão e Ana Jorge chegou a insinuá-lo. Porém, vemos agora que ineficiência patente terá um prémio e o contrato, em vez de ser rescindido, dando ainda origem a uma indemnização ao Estado, será substituído por outro, com valores mais altos. Pagamos nós, porque estas empresas satélites do regime têm sempre que dar lucro. E não um lucro qualquer. Muito lucro.

E repetirei o que disse
aqui, quando deixei um meio elogio a Ana Jorge. A questão não está na linha Saúde 24 e sim em estarmos na presença de um serviço público a ser fornecido por um privado. É o modelo de parcerias público-privadas que é errado e não apenas o serviço em causa. Qualquer empresa privada enfrenta riscos, riscos esses que aumentam se a empresa prostituir a qualidade do serviço que presta ao lucro, como fez a que gere o serviço, a Linha de Cuidados de Saúde (LCS), ao organizá-lo de forma a fazer com que poucos fizessem o trabalho de muitos. E observe-se que sem riscos, porque o “privadas” destas empresas deve-se apenas à forma de apropriação das rendas que os detentores do seu capital vão conseguindo obter através das relações que mantêm com o poder político.

No caso presente, o risco ficou repartido entre a saúde de todos os utentes que não foram atendidos e os custos políticos a pagar por um Governo que pôs o lobo a guardar o rebanho. Obviamente que, em período pré-eleitoral e com o pânico social gerado pela histeria noticiosa em torno da gripe A, o Governo quer tudo menos pagar tal custo. Da mesma forma, resultará evidente que, sabendo que tem o Governo na mão, a administração da LCS sabe que, se pedir mais dinheiro, tê-lo-á: o Governo não hesitará em transferir a sua quota-parte do risco, minimizando os custos políticos da sua incompetência, financiando-a com dinheiro de todos os contribuintes. O modelo de parcerias público-privadas tem invariavelmente os mesmos ganhadores e perdedores garantidos à partida. É o melhor modelo para quem sempre ganha, é o pior modelo para quem sempre paga. Nós, os que votamos e os que não votamos nos partidos que o têm implementado e vendido como uma opção apenas com vantagens: PS, PSD e CDS-PP.

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Saiam da frente! (ou "fréunte", como preferirem)

Um fotógrafo do JN que acompanhava Carolina Salgado foi hoje abalroado pelo carro no qual Pinto da Costa abandonava o tribunal onde decorre o julgamento que o opõe à antiga companheira. Depois do atropelamento, o motorista, também ele arguido num dos processos, não respeitou a ordem para parar dada por um polícia que escoltava Carolina salgado. Moral da história: “quando eu decidir acelerar, saiam da frente”. Ninguém foi detido.

Nada - mesmo nada - que ver com outra história que terá sido motivada por um "quando eu decidir falar, saiam da frente" dito por Adriano, na altura ainda jogador do FC Porto, em entrevista ao Record. Dias depois, a
17 de Agosto, na semana passada, o ex-jogador do Porto, entretanto transferido para o Sporting de Braga, que há um ano se encontrava em ruptura com o clube e, como tal, a treinar à parte, foi violentamente espancado à saída de uma discoteca por três homens corpulentos, indo parar ao hospital com um traumatismo craniano, vários cortes no lábio e na face e hematomas no braço direito. Ninguém foi detido. Moral da história: “quando quem controla tudo e todos o ordenar, saiam da frente”. Bang, bang, bang! E não, não é o país que temos. É o país que fazemos.

PS. Já publiquei o presente post há mais de dois minutos e continuo inteirinho.

Ao princípio, era o veto

Já lá vai o tempo em que apenas os vetos presidenciais eram notícia. Mas agora, com Cavaco, há suspense até ao fim. Hoje, promulgou o diploma que timidamente alarga o levantamento do sigilo bancário que o PS acabou por aprovar sozinho, depois de ter limitado o alcance da proposta inicial, da autoria do Bloco de esquerda, ao introduzir a legalização do enriquecimento ilícito pela via fiscal. E foi notícia. Sem tanta timidez, o veto poderia estar garantido. Cavaco Silva já teve oportunidade de demonstrar ao serviço de quem colocou o seu mandato. E no grupo incluem-se aqueles cidadãos tranquilos cujo modo de vida a referida timidez, que também os serve, optou por continuar a preservar.

Os meios e os fins

Lemos hoje no Público que o Bloco de Esquerda e o CDS-PP foram os partidos que apresentaram os menores orçamentos de campanha para as autárquicas, com cerca de 1,9 milhões de euros cada. Seguem-se a CDU, com 10,2 milhões (5,4 vezes mais que BE e CDS), o PSD 21,9 milhões (11,5 vezes mais) e o PS, campeão de gastos com campanha, com 30,5 milhões (16 vezes mais). Desconhece-se ainda se os gastos previstos para os locais onde o PSD concorre coligado (mais de seis milhões de euros) já estão incluídos nestas contas. O PS e a CDU prevêem gastar mais do que em 2005 e todos os restantes cortaram nos gastos com campanha.

Da mesma forma, na campanha para as legislativas, o CDS-PP é aquele que apresenta um orçamento menor (850 mil euros), seguindo-se o Bloco de Esquerda (cerca de 1 milhão, 1,1 vezes), a CDU (1,95 milhões, mais do dobro), PSD (3,3 milhões, quase o quádruplo) e o PS (5,5 milhões, 6,5 vezes mais).

A diferença de meios existente é abissal. A nossa democracia permite que os dois partidos que têm sido poder, PS e PSD, juntos, somem cerca de 79 por cento do total previsto de gastos com campanha nas autárquicas e 70% nas legislativas, assim como que as questões relativas a quem financia quem e a troco do quê permaneçam segredos sempre bem guardados.

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Lamentável

Para que não confira direitos e deveres semelhantes aos conferidos pelo casamento, pela inoportunidade da introdução de alterações num tema tão sensível em final de legislatura e por não ter sido precedido do necessário debate. Estas foram as três principais justificações utilizadas por Cavaco Silva para vetar a nova lei das uniões de facto. Lamentável. Quer por ser um veto que traduz um atropelo à legitimidade democrática para legislar de um órgão de soberania eleito por um período de tempo que ainda não terminou, quer pela habilidadezinha de um Cavaco que procura tirar partido de uma eventual alteração da composição da Assembleia da República resultante das próximas eleições para condicionar a aprovação de uma lei que não é do seu agrado. É conhecida de todos a aversão de Cavaco Silva e dos segmentos mais conservadores da sociedade portuguesa, a sua base eleitoral, ao avanço civilizacional que constituirá, mais cedo ou mais tarde, a consagração do direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo: um aumento dos direitos e deveres conferidos pelo regime das uniões de facto, possível entre pessoas do mesmo sexo, é visto como uma aproximação ao regime do casamento, logo, uma ameaça a um status quo de discriminação que Cavaco Silva, embora não tenha sido mandatado para tal, entende ter o direito de manter, custe o que custar. Veremos se mesmo até ao final do mandato ou se, pelo contrário, deixará de exercer o seu direito de veto dois ou três meses antes daquele terminar. Teria o seu quê de ironia se um novo regime jurídico do casamento que não exclua ninguém viesse a ser aprovado e enviado para promulgação nesse período.

Domingo, 23 de Agosto de 2009

O de sempre



Nova época, novo treinador, muitas aquisições, muito entusiasmo. “Este ano é que é”, como em todos os anteriores. Todos os anos é assim. E chega o primeiro jogo que, no íntimo, infantilmente, admitimos poderá ser vencido por, no mínimo, uns seis ou sete golos. Invariavelmente, vence-nos a realidade. A deste ano trouxe-nos um empate caseiro a uma bola, conseguido nos últimos minutos, contra o Marítimo, na primeira jornada e, hoje, na segunda, uma vitória, também suada até ao último minuto, contra o Vitória de Guimarães, no Afonso Henriques. Em ambos os jogos, Cardozo falhou um penalty, convertendo um terceiro a meio da semana, na partida a contar para a pré-eliminatória da Liga Europa que o Benfica venceu na Luz por 4-0.

O Benfica ­parece – todos queremos vê-lo – bastante melhor do que na época passada e já se nota – todos queremos notá-lo – a mão de Jorge Jesus na produção de jogo da equipa. Porém, os resultados e as exibições mostram que há um longo caminho a percorrer antes que o Benfica se aproxime do limiar do desejável.

Quanto à concorrência, o Sporting já perdeu 5 pontos em seis possíveis (empate a uma bola na Madeira contra o Nacional e derrota por dois a um em casa contra o Sporting de Braga) e o FC Porto já começou a ser favorecido pelas arbitragens (empate a um em Paços de Ferreira, com o árbitro a terminar o jogo quando um jogador do Paços avançava isolado para a baliza portista, e vitória caseira contra o Nacional por três a zero, com o árbitro
literalmente a inventar um penalty e a expulsar dois jogadores nacionalistas depois de ter assinalado canto). O de sempre.


2ª Jornada
V. Guimarães 0 – Benfica 1 (Ramires)
Fc Porto 3 – Nacional 0
Sporting 1 – Sp. Braga 2

1ª Jornada
Benfica 1 – Marítimo 1 (Weldon)
Paços de Ferreira 1 – FC Porto 1
Nacional 1 – Sporting 1

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Para uma próxima lágrima

A comunicação social gosta de desgraças. Certos políticos pelam-se por uma boa desgraça. Hoje, no Algarve, uma derrocada de rochas de uma falésia para uma praia provocou mortos e feridos. Cavaco Silva esteve lá, a “dar apoio”. A comunicação social fez o alarde habitual. Seria a ocasião para relembrar os disparates criminosos que se têm cometido ultimamente, com uma avalanche de PPINs e autorizações avulsas que favorecem clientelas bem definidas, a permitirem a construção em zonas ecológicas protegidas com as características da que hoje ruiu. A derrocada da Praia Maria Luísa Poderia ter ocorrido numa dessas construções, provocando muito mais vítimas. Mas ninguém o disse. Talvez numa próxima torrente de lágrimas, com o lenço prontamente estendido por alguém com responsabilidades políticas pelo sucedido, noticiada com enorme alarido. Mas não hoje. Poderia ter efeitos sobre a árvore das patacas de muita gente.

As vantagens do virtual

Em política, a gestão dos tempos de comunicação é crucial. Quando é dado determinado tempo de antena a um político, os minutos duma entrevista, por exemplo, o entrevistado escolherá falar sobre determinados temas que considera mais importantes e optará por remeter-se ao silêncio sobre todos os outros, acessórios ou irrelevantes. Foi o que fez Manuela Ferreira Leite, ontem, na oportunidade gorada que a RTP lhe deu para explicar ao país o que fará caso o PSD saia vencedor das próximas eleições e MFL seja a Primeira-ministra de Portugal. Como prato forte do tempo de antena de que dispunha, MFL serviu a acusação a José Sócrates «de ter interesse em alimentar uma crise institucional com Belém com o único objectivo de se vitimizar, porque já percebeu que vai perder as eleições.» Traduzindo, porque quem fala de um tema, por mais que o seu objectivo seja o de passar a mensagem contrária, está também a alimentá-lo, Manuela Ferreira Leite demonstrou interesse em refugiar-se num tema tão virtual como o das escutas dos boys da presidência, com o único objectivo de transmitir uma falsa superioridade moral, porque já percebeu que pode ganhar as eleições mesmo sem apresentar e submeter qualquer programa a votos. Por alguma razão, ontem, mais uma vez, ficámos sem saber qual será o rumo que o PSD pretende dar ao país caso seja Governo. Manuela Ferreira Leite saberá que tem bastante mais a ganhar do que a perder escondendo-o. Caso contrário, a música seria bem outra.

O caso freesogro

Uma investigação judicial ao caso Freeport descobriu depósitos de 200 mil euros, em 2002, nas contas bancárias de Carlos Guerra, ex-presidente do Instituto de Conservação da Natureza, então dependente do ministro do Ambiente, José Sócrates. A notícia, que tem a assinatura de Felícia Cabrita, é avançada hoje pelo semanário “Sol”. Carlos Guerra alegou, nas declarações já prestadas no processo, que o dinheiro se referia a partilhas antecipadas que o sogro foi obrigado a fazer após a falência de uma sua empresa.

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

A moda dos bandeireiros


Depois de, na semana passada, os autores de um blog terem heroicamente substituído a bandeira que estava hasteada na CML pela bandeira da monarquia, assistimos hoje a bravata semelhante. A mesma bandeira foi hoje novamente içada, desta vez na fortaleza da cidadela, em Cascais, também por autores de (outro) blog, que descreveram a acção como um alerta dirigido aos cidadãos para a necessidade de "olhar por vários caminhos" a nível político. Parece que está a tornar-se moda o hastear de bandeiras da monarquia em propriedade alheia, com enorme tolerância e complacência por parte tanto das autoridades como das populações. Quero ver se, um destes dias, algum herói menos giro se lembrar de hastear uma bandeira com uma cruz suástica, uma foice e um martelo ou outra qualquer, a reacção será a mesma ou se, pelo contrário, o tratamento dispensado aos intrépidos bandeireiros será aquele que corresponde ao que deve dispensar-se a quem está a cometer um crime. E é-o. Crime.

Uma questão meramente curricular

O "I" avança que Cândida Almeida dispensou a participação dos procuradores titulares do processo Freeport, Vítor Magalhães e Paes de Faria, na escolha que fez sozinha do especialista em ambiente para apoiar a equipa que está a investigá-lo. Entende-se. A questão resume-se a aspectos meramente curriculares. Senão, vejamos.

Quando o escândalo rebentou na comunicação social, Cândida Almeida, apesar de ser a directora do DCIAP e ter a obrigação de não tomar partido nas apreciações públicas que faz – e não deveria fazer – dos casos que tem entre mãos, não teve qualquer pejo em
desdobrar-se em entrevistas onde deu o seu melhor para branquear o envolvimento de José Sócrates no processo do Freeport. Era uma das pessoas melhor posicionadas para realizar a escolha em apreço.

Diversamente, Vítor Magalhães e Paes de Faria, apesar de serem os titulares do processo Freeport, têm o seu curriculum manchado com a denúncia que fizeram de terem recebido pressões, alegadamente encomendadas pelo Governo ao membro da presidência do Eurojust, Lopes da Mota, para que colaborassem no mesmo branqueamento. Como tal, não seriam os mais indicados para participarem naquela escolha. Foram arredados.

Finalmente, o especialista escolhido, Manuel Duarte Pinheiro, tem no seu curriculum uma extensa lista de colaborações com organismos do Governo, entre as quais uma participação no programa Polis e a nomeação, em 2005, para o Conselho Consultivo de Avaliação de Impacto Ambiental pelo ministro Nunes Correia. É também director-geral de uma empresa que trabalha em estudos de impacto ambiental, auditorias e acções de formação, cujo principal cliente é o Estado. Mas o seu curriculum académico indica claramente que não haveria ninguém mais indicado para ajudar na investigação do caso Freeport, sem o temor de que os seus pareceres possam custar-lhe os cargos para os quais foi nomeado e que a empresa que dirige possa perder o seu principal cliente. Para além do mais, nestas coisas há sempre um “juramento de isenção”, a garantia de que tudo vai correr pelo melhor.

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Meio aplauso

Quer pela promiscuidade que reina nas relações entre o poder político e o poder económico, quer pela incompetência que sem dificuldades vamos detectando amiúde entre os nossos governantes, não têm sido muitos os ministros que tenham tornado pública a informação de que se deram ao trabalho de reunir dados sobre o cumprimento dos contratos que o Estado tem celebrado com o sector privado para o fornecimento de bens e serviços. Menos ainda foram aqueles que, ao detectarem algum incumprimento dos mesmos, agiram em conformidade com o seu dever e tomaram uma atitude no sentido de zelar pelo interesse público. Ana Jorge fê-lo hoje, acusando a empresa que gere a Linha de Saúde 24 de atender menos sete mil chamadas diárias do que o previsto contratualmente, e, pelos motivos atrás expostos, apraz-me elogiar o gesto.

No entanto, este é apenas mais um caso de um privado a quem, seguindo o mito do “o privado é mais eficiente”, foi confiado um serviço público. Voltou a não resultar. , Naturalmente, por ser privado, a prioridade foi o lucro e não a qualidade do serviço, sacrificada que foi à contenção de custos com o pessoal que seria necessário para o fornecer nas condições acordadas. Ana Jorge apontou o dedo à linha Saúde 24, não ao modelo de parcerias público-privadas, tão do agrado de PS, PSD e das respectivas clientelas, que fez nascer a empresa que gere o serviço e toda uma classe de "empreendedores" que vivem à sombra do Estado e do que vai pingando das relações que mantêm com o poder. E uma coisa é o dono confrontar o pastor com a falta de algumas das ovelhas que lhe confiou, outra, muito diferente, é admitir clara e inequivocamente que não é lá muito boa ideia colocar o lobo a guardar o rebanho. Nunca resulta. Voltarão a faltar ovelhas.

Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

Na espuma dos dias

Em Julho, e apesar do efeito sazonal que o Verão tem sobre a criação de emprego, o número de desempregados inscritos no IEFP aumentou 1,4 por cento em relação ao mês de Junho e 30,1% em relação a Julho de 2008. Há agora 496.683 pessoas inscritas nos centros de emprego. Recorde-se que de Maio para Junho o número tinha subido, mas apenas 0,14 por cento, e que, mesmo como o desemprego a aumentar, tal foi o suficiente para proporcionar um festival de optimismo a governantes (e respectivo séquito) cuja incompetência os impede de esboçar as respostas políticas que se impunham a uma crise como a actual. Hoje, não obstante o novo trambolhão, o desemprego continua “a estagnar”. Mas não foi esta a notícia do dia.

Chegou a hora de pagar os mais de
1000 milhões de euros do negócio esconso dos submarinos encomendados por Durão Barroso e Paulo Portas. 1000 milhões que significam um agravamento de pelo menos 0,6 por cento no sacrossanto défice dos próximos anos, logo, mil milhões de euros a retirar à despesa social do mesmo período e mil milhões de euros a menos no combate à crise. Para se ter uma pequena ideia do que está aqui em jogo, até Junho, o Governo tinha gasto apenas 125,8 milhões no combate à crise. Cerca de um oitavo do que custaram os submarinos e também cerca de um oitavo do total previsto no seu “plano” de combate à crise. Mas também não foi esta a notícia do dia.

Para entreter, porque, à falta de melhor, é mesmo preciso entreter, alguém do PS lembrou-se de colocar na agenda mediática a virtualidade de que alguns assessores de Cavaco Silva estariam ou teriam participado na elaboração do programa do PSD. Não viria mal nenhum ao mundo se assim fosse, mas imediatamente alguém do PSD, ao mais alto nível, veio desmenti-lo (e redesmenti-lo, dois dias depois). E a notícia do dia tem precisamente que ver com as duas não notícias anteriores: a de que o clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação e a da dúvida que se instalou ser agora a de saber se os serviços da Presidência da República estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva estão a ser vigiados. Com a certeza de que o país não tem nada mais importante para debater, a dúvida reside entre se a conclusão de que estão a ser vigiados resultou da inexistência da colaboração defendida pelos dirigentes do PSD ou se da que os dirigentes do PS se lembraram de dizer que existiu mesmo. Ou das duas. Ou de outra esterilidade qualquer que entretanto inventem e a comunicação social decida destacar. Parece que o Michael Jackson continua por enterrar. Também daria uma excelente notícia do dia. O Ps e o PSD andam empenhados a debater as coisas importantes. Os portugueses podem bem descansar e entreter-se com o restante.

(editado)

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

De regresso


De regresso, num olhar de relance para o que foi a actualidade política nacional nas últimas três semanas, os meus destaques vão inteirinhos para a desculpabilizante “tempestade perfeita” com que a máquina mediática do PS continuou a fustigar as avaliações mais ligeiras daquilo que foram os seus últimos 4 anos e meio de desgovernação e para o turbilhão de propostas que não se ouviram a um PSD apostado em apresentar-se a eleições plantando-se num jardim de generalidades, maximizando o seu descomprometimento com qualquer ideia palpável sobre o que farão caso sejam Governo.

Começando pelo deserto PSD, e passando ao largo de toda a poeira que a liderança do partido se esforça em levantar para ofuscar a sua aridez, por estes dias foram divulgadas as listas de candidatos a deputados. A oposição interna foi silenciada, com Passos Coelho, Miguel Relvas e outros nomes a verem-se completamente arredados da sua composição. Em seu lugar, espelho do que é o actual PSD, surgiram nomes como os dos
arguidos António Preto e Helena Lopes da Costa e os dos filhinhos de autarcas como Luís Filipe Menezes e Bernardino Vasconcelos (8º e 16º lugar no círculo do Porto), de Fernando Reis (4º por Braga) e de Carlos Encarnação (4º por Coimbra). Ser arguido ou familiar de alguém do partido são predicados bastante apreciados na escolha dos candidatos a deputados do PSD.
Passando às tempestades PS, nas últimas semanas ganharam visibilidade várias bonanças que os socialistas souberam garantir. Na tempestade que urdiram contra os funcionários públicos, que viram as suas carreiras desmanteladas, a periodicidade das suas promoções aumentada de um mínimo de 4 para 10 anos e os acréscimos remuneratórios correspondentes bastante reduzidos, o pessoal dirigente, que, tal como antes, continua maioritariamente a ser nomeado pelo critério da cor do cartão partidário, mantém também a promoção automática de 3 em 3 anos, um privilégio que foi falsamente apontado aos funcionários seus subordinados com bastante insistência pela propaganda do Governo.
  • «1. Quais os requisitos exigidos para a alteração de posicionamento remuneratório ao abrigo do estatuto do pessoal dirigente?

    O exercício continuado de cargos dirigentes por períodos de 3 anos, em comissão de serviço, em substituição ou em gestão corrente, confere ao respectivo titular o direito à alteração para a ou as posições remuneratórias imediatamente seguintes à da respectiva carreira/categoria de origem.

    2. A aplicação do direito à alteração de posicionamento remuneratório depende de avaliação de desempenho?

    Não. A aplicação deste direito, não depende de avaliação desempenho correspondente.

    3. A quantas alterações de posicionamento dá direito o exercício continuado de cargos dirigentes por um período de 3 anos?

    A cada período de três anos corresponde uma alteração.» Ler mais.
Noutra tempestade, a da aquisição de bens e serviços, que a bem da transparência e da poupança de recursos foi também objecto de reforma, soubemos que as concessões das novas auto-estradas foram adjudicadas em média por valores 57% acima das propostas iniciais, contrariando a legislação em vigor. A diferença de valores entre as propostas iniciais e finais chega a atingir os 639 milhões de euros (mais 119%) na Auto-Estrada do Centro entregue à Mota Engil e 194 milhões (mais 167%) no caso da AE do Baixo Tejo, a cargo da Brisa. (ler mais aqui) Novamente, bonança para os mesmos de sempre.

Para terminar, porque este regresso já se alongou mais do que queria, Portugal tem menos 151,9 mil pessoas empregadas do que há um ano atrás e mais 97,8 mil desempregados. Isto significa que a população activa diminuiu em cerca de 52 mil pessoas. Há também mais 80 mil inactivos que em 2008. A taxa de inactividade é agora de 38,1%, a proporção mais elevada desde o início de 2005. Muitos portugueses optam por pedir a reforma antecipada, frequentemente para evitar o desemprego. E o número de desempregados sem direito a qualquer apoio do Estado está a crescer ao dobro do ritmo do desemprego. Em Maio registou-se uma subida de 53% em comparação com o ano anterior, mesmo sem contar com os jovens à procura do primeiro emprego. Os dados do governo que se negou a estender a protecção social no desemprego mostram que esse aumento começou três meses antes do boom. A passividade da reacção aos dados de que dispunham demonstra a sua vocação inequívoca para tempestades perfeitas bem diferentes do enriquecimento tranquilo que vai proporcionando às suas clientelas. Some things never change. Irei regressando.