Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

O voto inútil

O Verão vai quase a meio e, com eleições marcadas para Setembro, a campanha eleitoral vai aquecendo. Porém, sem sair do morno, com as atenções viradas para os crónicos e inevitáveis responsáveis pelos destinos do país nos últimos 35 anos.

O PSD esforça-se por apontar os fracassos, muitos, contabilizados pelo Governo PS ao longo dos últimos quatro anos e meio. Mas sem dizer o que fará caso seja Governo, como se o seu anti-socratismo militante bastasse para convencer quem quer que seja. A muitos, convencerá.

O PS faz trabalho semelhante e vai-se definindo também pela negativa. É uma tarefa mais difícil: a sua é dupla. Caso vença as eleições, o PS promete ser um anti-PSD, salvando-nos de todo o mal que o PSD nos possa vir a fazer caso seja Governo, mas também um anti-PS do primeiro mandato, capaz de nos salvar da repetição de todos os fracassos e disparates acumulados pela sua incompetência. A muitos, bastar-lhes-á.

E não será difícil antever o que serão PS e PSD no Governo. Mais do mesmo. Resumem-no, muito bem, João Rodrigues e Nuno Teles nos dois excertos que republico abaixo.

A opção PS

« (...) Quem é que à esquerda, mesmo sendo «liberal», pode querer mais quatro anos deste plano inclinado? Quatro anos de neoliberalização da provisão pública, quatro anos de política que trucida funcionários, quatro anos de austeridade assimétrica, quatro anos de consolidação do Estado predador, quatro anos de amputação da segurança social pública, quatro anos de código de trabalho empresarialmente correcto, quatro anos de aumento da precariedade. A memória é uma arma. Contra o medo. Esperança assente em políticas socialistas alternativas.»

A opção PSD

«A campanha eleitoral está aí. As hostes do PS mobilizam-se na captação dos votos perdidos à esquerda. A tarefa é simples. Afinal, não defende Manuela Ferreira Leite a redução do Estado às suas funções de soberania (justiça, defesa, segurança pública)? Bem, a tarefa é mais complicada. MFL não vai fazer campanha apoiada na revolucionária privatização total dos serviços públicos. Seguirá uma estratégia mais «reformista». Ainda assim, é fácil prever o que será o seu neoliberal hipotético governo:

- Na economia, voltará a obsessão do défice e a defesa cega da ortodoxia monetarista do BCE. As ruinosas parcerias público-privadas serão promovidas como forma de desorçamentação e, ainda assim, o mais provável é o investimento estagnar (com um ligeiro aumento em período pré-eleitoral). As sobrantes participações públicas em indústrias estratégicas, onde a competição é impossível, como a energia, serão privatizadas. A legislação laboral será «flexibilizada» e o governo fechará os olhos aos abusos e ilegalidades (ex. recibos verdes) que proliferam no nosso mercado de trabalho.

- Na protecção social, um governo PSD promoverá o modelo assistencialista. A protecção dos desempregados será reduzida em nome do incentivo à busca de trabalho. As prestações sociais serão condicionadas ao entorno familiar dos potenciais beneficiários. A segurança social transferirá competências e recursos para o “terceiro sector”, numa espécie de «outsourcing social», promotor da concorrência entre prestadores, resultando na degradação de serviços e aumento da precariedade laboral.

- Na educação, a democracia será eliminada das escolas. Escolas municipalizadas, geridas como empresas por um director todo poderoso, competirão entre si e o sector privado, cada vez mais subsidiado pelo Estado. No ensino superior, o mais provável é a introdução de um modelo de gestão privada das universidades ao mesmo tempo que se reduzem as transferências do orçamento e se aumentam as propinas.

- Na saúde, um governo do PSD introduzirá preços em todos os serviços e promoverá a empresarialisação dos hospitais. Num gesto ousado, poderia mesmo introduzir vouchers neste sector para serviços actualmente inexistentes no SNS. O sector privado florescerá, com a consequente sangria de recursos humanos do sector público.

Em suma, MFL procurará mimetizar ou introduzir tout court o funcionamento de mercado nos serviços públicos. O núcleo neoliberal. Como certamente o PSD argumentará em sua defesa, a despesa social não diminuirá. No entanto, esta servirá sobretudo para encher os bolsos de uns tantos grupos económicos.

Face a este cenário, não será difícil ao PS captar o voto útil. Ninguém de esquerda quer um governo assim, pois não?»

João Rodrigues e Nuno Teles, no
Ladrões de Bicicletas.

Este é o último post que escrevo antes de ir de férias. O PB regressará em meados de Agosto. Até lá, desejos de boas estiagens.

Sugestão de leitura

Porque falar de cor e dizer uns quantos clichets se torna fácil apenas quando quem ouve não tem conhecimento de causa, para quem queira dar-se ao trabalho de conhecê-lo, aqui fica o link para o programa eleitoral do Bloco de Esquerda. Afirmativo. Com propostas bastante concretas. Com um projecto de país melhor para todos. Uma alternativa, concorde-se ou discorde-se com o que nele se defende.

Sábado, 25 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Joker's Daughter – “Worm's Head”

Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Deixem-nos trabalhar

Três meses depois da entrada em vigor do plano de combate à crise económica anunciado pelo Governo, apenas foram utilizados 12,8% do total apregoado, 125,1 milhões de euros. A maioria do investimento realizado ocorreu em Junho, mês em que se contabilizaram 82,8 dos 125,1 milhões de euros até agora investidos. Nos dois meses anteriores, apenas tinham sido executados 42,3 milhões de euros, 4,32 por cento do total. Tanta passividade ajudará a explicar que, pela primeira vez desde 1986, há 23 anos, este ano o número de desempregados não tenha descido em Junho. Um feito histórico, sem margem para dúvidas.

Votos por dinheiro, dinheiro por espirros

Em caso de contaminação com a gripe A, os salários dos trabalhadores serão suportados pela Segurança Social. Porquê? Que características tão especiais terá a gripe A que as outras doenças não tenham, ao ponto de justificar um procedimento de excepção que alarga as comparticipações da Segurança Social? Seguramente, a vantagem de ter aparecido uns meses antes dum 27 de Setembro que mudará Portugal, faça o Governo as ofertas mais desesperadas que quiser, com o dinheiro dos contribuintes. Andámos a poupar para financiar a campanha do PS.

Os bons samaritanos

Na votação na generalidade, a 10 de Julho, o PS votara sozinho. Mas o PSD mudou o seu voto e juntou-se ao PS para aprovar na especialidade o regime jurídico do trabalho no domicílio, que permite que menores de 16 anos realizem "trabalhos leves" desde que tenham concluído a escolaridade obrigatória. O CDS-PP absteve-se, e o Bloco de Esquerda, o PCP e os Verdes votaram contra. O PS rejeitou uma iniciativa legislativa do Bloco de Esquerda – a oposição não apresenta propostas, pois não? –, que pretendia alterar o Código do Trabalho para assegurar uma melhor protecção do trabalho de menores e que colocava os 16 anos como idade mínima para a sua realização.

Temos então que, para PS, PSD e CDS-PP, o país ganha com este tipo de trabalho, geralmente à peça, realizado por menores no local onde a fiscalização tem mais dificuldade em actuar, o seu domicílio. E, nos antípodas deste modelo social do tempo da Revolução Industrial, temos o Bloco de Esquerda, o PCP e o PEV, para quem o país e os próprios teriam muito mais a ganhar com medidas que incentivassem e assegurassem uma Educação condigna para todos, um direito constitucionalmente consagrado. Mas, para além do sentido de voto de cada partido encerrar, em si mesmo, o modelo social que cada um defende, observe-se a carga de hipocrisia da actuação de quem anunciou o aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano – ou seja, na melhor das hipóteses, até aos 18 anos de idade – e que agora aprova legislação que legaliza o trabalho antes dos 16 anos, "desde que concluam a escolaridade obrigatória". Uma hipocrisia reforçada pela bonomia de uma restrição adicional, “trabalhos leves”, cuja leveza, como referido atrás, ficará longe de qualquer avaliação, dentro de quatro paredes que não as de uma escola, o lugar natural de quem está na idade de aprender e não de trabalhar. Mas os nossos melhores samaritanos não partilham desta opinião e, com toda a sua bondade, trabalharam para asseegurar outros projectos de futuro para alguns dos nossos jovens.

A terra das oportunidades

Há sete anos, com uma taxa de desemprego nos quatro por cento e uma legislação laboral que protegia quem vive do seu trabalho muito mais do que actualmente, foram 9800 os que procuraram outro destino para viver e trabalhar. Em 2008, com o desemprego nos 7,7 por cento, esta foi a escolha de 20.357 cidadãos. Em 2009, para além de uma taxa de desemprego nos dois dígitos, temos ainda uma legislação laboral que, após duas reformas com o mesmo sinal de regressão social, protege menos quem trabalha e promove o achatamento salarial e novas formas de exploração. O ano ainda não terminou e ainda não existe estimativa de quantos procuraram e procurarão vida noutras paragens, deixando de contar para os números do desemprego.

  • "Estamos a perder população jovem, em idade activa, e isso é grave para o país", constata a demógrafa Filomena Mendes. A economista Nádia Simões, investigadora do centro Dinâmia do ISCTE, atribui este fenómeno à "degradação das condições do mercado de trabalho". Pedro Góis lembra que os efeitos da crise têm sido particularmente pesados nos sectores que habitualmente captavam mais mão-de-obra imigrante. Mas, "entre os novos emigrantes, há cada vez mais pessoas altamente qualificadas", frisa Nádia Simões. Para a economista, este é o fenómeno mais preocupante, já que, salienta, estas pessoas estão entre aquelas que têm "maiores capacidades para promoverem o desenvolvimento económico do país". "Saem os que têm maior capacidade de impulso e isso é bastante negativo."

Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Orelhas de Burro


Nancy Sinatra – “My baby shot me down”
Video
aqui.

Mais arguidos

João Rendeiro é o quinto arguido no inquérito ao Caso BPP, tendo já sido ouvido pelo Ministério Público por alegado envolvimento nos crimes de abuso de confiança, falsificação de documentos, branqueamento de capitais, burla e fraude fiscal qualificadas. Junta-se a Mário Sampaio, pequeno accionista da Privado Holding, a um advogado da sociedade PLMJ e a Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital, dois ex-executivos do BPP, o grupo de cinco arguidos constituídos até agora neste processo.

Sem contar com os "desaparecidos"

A Ana Jorge de cada dia nos dai hoje

Às Segundas-feiras, Ana Jorge. Às Terças, Ana Jorge. Às Quartas, a mesma. Às Quintas, ela. Às sextas, a própria. Aos Sábados, a de sempre. E aos Domingos, a dos dias anteriores. Estava mesmo a ver que Ana Jorge hoje não aparecia a fazer a sua prova de vida. Enganei-me. Apareceu. Vive! E que dia é amanhã? Dia de Ana Jorge, como todos os últimos... já lhes perdi a conta.

Da rentabilidade do regime

Em apenas uma semana, o valor dos rendimentos líquidos dos accionistas da Liscont com o negócio dos contentores passou de 4,2 milhões de euros para 7,4 milhões de euros, refere o relatório do Tribunal de Contas. No parlamento o PS optou pelo silêncio, depois da intervenção da deputada do Bloco Helena Pinto, que classificou o negócio do Estado com a empresa do grupo Mota-Engil de "escândalo nacional".
O aumento súbito dos rendimentos da Liscont com o a prorrogação da exploração do Terminal de Alcântara deveu-se, segundo o Tribunal de Contas, às alterações à Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) accionista, que passou de 12,9% no dia 13 de Outubro de 2008 para 13,78% a 20 de Outubro, dia da assinatura do contrato, o que implica um acréscimo de 3,2 milhões de euros nos lucros da Liscont. Ler
mais.

Cacalimpa para o olho

Até ao início desta semana, a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) não tinha sido notificada de qualquer reacção adversa relacionada com o uso terapêutico da lixívia ®Urinoli, fabricada pela Cacalimpa, empresa líder de mercado.

O assessor de imprensa da Cacalimpa não soube responder se a empresa teve conhecimento de algum problema com este produto indicado para a limpeza de todo o tipo de imundícies, especialmente as provenientes do cólon e o do recto. "Mais de 500 mil pessoas já utilizaram o ®Urinoli, adiantou João Castanho, sem saber precisar quantos em Portugal.

Quanto à utilização do medicamento no campo da oftalmologia, o assessor da Cacalimpa afirma: "Não estando aprovado a utilização do ®Urilnoli nessa área, não é recomendado pela Cacalimpa esta utilização. Nunca fizemos estudos em contexto oftalmológico". O assessor admite, contudo, que é lícito o seu uso: "Como outras lixívias podem ser usadas fora da sua indicação se o médico entender que há benefício para o olho." E, mais importante do que tudo o mais na era Sócrates, sempre fica mais baratinho do que a medicação indicada.

Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Cowboy Junkies - Sweet Jane

Diz que é a crise internacional

Se o IVA passasse a ser devido ao Estado pelas empresas apenas após o recebimento das suas facturas e não imediatamente após a sua emissão, as necessidades de liquidez do tecido empresarial português reduzir-se-iam drasticamente. Como tal, numa época como a actual, em que a liquidez não abunda e o crédito não chega à economia, faria todo o sentido que o IVA passasse a funcionar numa lógica de caixa. Uma medida que, para além de constituir uma grande ajuda para as empresas, ainda por cima não oneraria os cofres públicos em um cêntimo sequer.

Foi nestes pressupostos que, hoje, no Parlamento, todos os partidos apoiaram uma petição que o requeria. Todos, não. Todos menos o um. E logo aquele que detém o poder. O PS, o tal partido que acusa os demais de não apresentarem propostas e que se reclama ser o único que está realmente empenhado em combater a crise,
não achou boa ideia e recusou a proposta. As empresas continuarão a ter que entregar ao Estado o valor correspondente ao IVA das suas facturas, independentemente destas originarem um calote ou um recebimento. Pelo menos até dizermos adeus a esta maioria, sobre esta matéria estamos conversados.

As luvas do Senador II

"Poderosos interesses corporativos"?

No caso das faltas deixadas sem justificação, o Estatuto dos Deputados estabelece que é descontado aos deputados "1/20 do vencimento mensal pela primeira, segunda e terceira faltas e 1/10 pelas subsequentes". Já aos funcionários públicos é descontado 1/6 do seu vencimento por cada falta justificada. Em proporção, é quase o dobro. E a uma falta injustificada, para além da perda de remuneração, corresponde o respectivo procedimento disciplinar que, no limite, poderá resultar em cessação do contrato de trabalho.

Quanto às justificações apresentadas pelos deputados, o regime de faltas e presenças ao plenário estabelece como regra que "a palavra do deputado faz fé, não carecendo por isso de comprovativos adicionais". Quanto às justificações a apresentar por um funcionário público quando falta por motivo de doença, o atestado médico tem obrigatoriamente que ser passado por um clínico do Serviço Nacional de Saúde. Durante a actual legislatura, os atestados médicos passados por clínicos privados perderam a sua validade para efeitos de justificação de faltas, obrigando os servidores públicos a autênticas batalhas contra a burocracia criada pelo actual Governo.

Terça-feira, 21 de Julho de 2009

A antecâmara da soltura


Para já, Oliveira e Costa vai para casa. Falta pouco para a liberdade.

Mais um grande negócio


Há tempos, Francisco Louçã questionou o Ministro Teixeira dos Santos sobre qual o valor exacto que o Estado pagaria por uma seguradora sem volume de negócio e com lucros residuais. Na altura, Louçã balizou aquilo que seria um negócio com contornos bastante esquisitos e ruinoso para todos nós, contribuintes, entre os 30 e 40 milhões de euros. Teixeira dos Santos recusou-se a precisar qualquer valor. A resposta de quanto pagámos pela COSEC chegou hoje. Superou todas as expectativas. O Governo fechou o negócio por 55 milhões de euros. É mais um argumento para o que tenho aqui defendido. Está na hora de pôr um fim a esta era dos Euromilhões dos grandes interesses económicos que já dura há mais de 35 anos. Está na hora de mudar de vida. Definitivamente.

O espelho da inexistência política

Segundo a síntese de execução orçamental, divulgada ontem pela DGO, o défice orçamental fixou-se, no final do primeiro semestre, em 7305,8 mil milhões de euros, mais de três vezes e meia superior ao que fora apurado em igual período do ano passado e praticamente o dobro do que tinha sido registado em Maio. Espelho do arrefecimento económico verificado, a receita teve uma quebra de 20,7 por cento nos primeiros seis meses do ano e, da mesma forma, reflexo da ausência política do actual Governo no combate à crise, a despesa cresceu apenas 5,4 por cento relativamente ao período homólogo de 2008. O Governo continua a observar a deterioração das contas públicas e da economia repetindo sem cessar a expressão “mais investimento público”. Não custa um cêntimo. Evidentemente que, apesar do défice do Estado (Administração Pública e Segurança Social) ter crescido 284 por cento em relação a igual período de 2008, Teixeira dos Santos garantiu que "não há descontrolo nas contas públicas" e que o Governo "já esperava" que o défice da Administração Pública subisse. Qualquer que fosse a medida do descalabro, a garantia já estava garantida.

Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Sometime – “In Shadows”

O plano final

"Uma vez que já apresentou diversos planos de viabilidade para o banco e para resolver os problemas dos clientes e nenhum foi aceite", Fernando Adão da Fonseca pediu a quem o nomeou, o Banco de Portugal, para substituir o Conselho de Administração do Banco Privado Português, órgão por si presidido. A indemnização pela incapacidade para atingir os objectivos fixados aquando da sua nomeação segue dentro de momentos.

Electro Sócrates

Os primeiros cinco mil carros eléctricos a serem adquiridos por particulares entre 2010 e 2012 beneficiarão de um incentivo à aquisição de cinco mil euros cada. O prémio sobe para 6500 euros no caso de a aquisição ser feita com abate de veículo velho, segundo anunciou hoje o futuro ex-primeiro-ministro, José Sócrates. Como soube – será que sabe? – dos incentivos que serão concedidos pelo próximo Governo é mistério tão enigmático como o de se já haverá carros eléctricos em 2010. Certezas só mesmo a de que, apesar das barracadas anteriores, José Sócrates continua a pelar-se por um bom anúncio relacionado com carros eléctricos. Ler aqui e aqui.

Depois da santanização, a socratização

Está prestes a terminar o sorteio dos lugares nas listas com que o PS se apresentará às próximas legislativas, um acto eleitoral em que, previsivelmente, se não sair copiosamente derrotado, no melhor dos cenários, o partido obterá um dos seus piores resultados de sempre.

Será cedo para antecipar nomes, porém, é mais do que assegurado que os felizes contemplados serão os socratistas mais socratistas entre os socratistas. Servirá isto para antecipar que, à semelhança do que aconteceu com a composição das listas com que Pedro Santana Lopes fez o PSD sofrer o seu maior desaire eleitoral de sempre, a que se seguiu a agonia duma travessia do deserto ainda bem longe do fim, o PS prepara-se para encetar idêntico trajecto, sem ter aprendido nada com a experiência do rival.

Tal como aconteceu com as sucessivas lideranças do PSD, que tiveram que suportar o legado de pobreza intelectual de um grupo parlamentar escolhido entre os santanistas mais santanistas, as futuras lideranças do PS, por mais que tentem romper com aquele PS cujas arrogância e incompetência foram responsáveis pelos piores quatro anos e meio que se viveram em Portugal desde a revolução de Abril, nada poderão fazer para alterar a composição de um grupo parlamentar composto pelos rostos de uma era de trevas que desejarão seja esquecida ainda a tempo de evitar que a esquerda que, em tempos longínquos, o PS ocupou, seja ocupada por outra força partidária sem o seu historial de fracassos e sem personalidades ligadas às grandes negociatas que fizeram milionários ao longo de mais de três décadas. O PSD teve a felicidade de contar com a incompetência do PS para reencontrar vazio o seu lugar no espectro político-partidário português. Já o PS poderá não ter tanta fortuna.

Domingo, 19 de Julho de 2009

Universo PSD

As investigações ao caso do Banco Português de Negócios (BPN) chegaram a Arlindo de Carvalho. No final de 2008, o relatório final de uma auditoria realizada pela Deloitte revelou que o accionista da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) tinha recebido perto de 20 milhões de euros em operações de crédito concedidas pelo Banco de tido por aquela sociedade. Hoje, a TVI noticiou que as casas do ex-ministro da Saúde de Cavaco Silva, pertencente à mesma equipa a que pertenceu Dias Loureiro, e ex-mandatário de Pedro Santana Lopes no último congresso do PSD, foram alvo de buscas no final da última semana, de forma simultânea, porque haveria interesse nesse procedimento no âmbito do inquérito.

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Natacha Atlas “Kidda”

À atenção do Presidente de todos os portugueses

O presidente do Instituto Português de Sangue (IPS), Gabriel Olim, admitiu que o organismo por si dirigido “selecciona” os dadores com base na sua orientação sexual e no seu género, sem mais questões ou exames: Somente são aceites dadores heterossexuais e homossexuais do sexo feminino. Uma dupla discriminação, qualquer delas proibida pela Constituição da República Portuguesa, que não deixam de o ser apenas porque alguém se lembra de lhe chamar “critério de selecção”. Em qualquer país civilizado, tal esperteza custaria ao seu autor o cargo público que ocupasse, porém,o Portugal socrático pertence a outro mundo. O Presidente de todos os portugueses ainda não se fez ouvir, embora Cavaco Silva tenha jurado solenemente fazer cumprir a CRP. E não está a ser cumprida.

Competência e seriedade Dupond PSD

«O Citigroup vai ganhar com a cedência de créditos fiscais e da segurança social , efectuada quando Manuela Ferreira Leite era ministra das Finanças do Governo PSD/CDS, quase 290 milhões de euros. O valor, referente a juros e encargos com a montagem da operação, representa 16,4 por cento do preço inicial pago pelo Citigroup, de 1,76 mil milhões de euros, que permitiu cumprir o défice público de três por cento exigido no Pacto de Estabilidade e Crescimento . (…) Para já, o Estado já entregou ao Citigroup 1,9 mil milhões de euros. E tudo indica que os restantes cerca de 150 milhões de euros, correspondentes a juros e encargos, serão pagos, "previsivelmente, até ao primeiro semestre de 2010". (…)» – Mais sobre este negócio da Dupond Manuela, aqui.

Dupont PS e Dupond PSD

Com a notícia de que o relatório final do Tribunal de Contas acusa o contrato de exploração do terminal de contentores de Alcântara de só favorecer os interesses da Liscont, a empresa do grupo do amigo Coelho, que diz também que o acordo é ruinoso para o Estado, o habitual Benfica-Sporting que costuma disputar-se entre PS e PSD perdeu o argumento, que já anteriormente fazia sorrir, do “a gestão deles é pior do que a minha”. Comprovadamente, Pedro Santana Lopes fez uma gestão ruinosa e, da mesma forma, António Costa fez uma gestão ruinosa. Equivalem-se. José Sócrates fez uma gestão ruinosa, tal como Manuela Ferreira Leite fez e fará uma gestão ruinosa. Como tal, uma escolha consciente passará por confiar o voto a outra candidatura que não a desta dupla Dupont e Dupond. Se vencer outra candidatura, no pior dos cenários, poderá também fazer uma gestão ruinosa. Mas apenas no pior dos cenários. Com Dupont, a má gestão e as negociatas estão garantidas. Com Dupond, também.

(editado)

Graças a Deus

O Papa caiu no banho. Tranquilizem-se os fieis, nem a banheira, nem os mosaicos ou os azulejos da casa de banho ficaram danificados. Graças a Deus.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Jorge Palma (com Lena D’água) – “O Bairro do amor”

Uma lição de humildade

A OCDE avaliou negativamente o sistema de avaliação dos professores e sugeriu alterações sem as quais, sustentou, em vez do objectivo a que se propõe, o de avaliar, será um gerador de injustiças. Nem de propósito, quase de imediato, apareceram as primeiras vítimas dessa injustiça. Noutra avaliação do desempenho do Ministério da Educação, a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) criticou duas das questões do exame de Matemática A do 12º ano realizado hoje de manhã. Nova barracada, a somar a todas as outras do Carnaval exames 2009. E foram estes sucessos motivadores que deram o alento necessário para a lição de humildade que se seguiu: a avaliação simplificada de professores será prolongada por tempo indefinido. Poderia parecer arrogância. Mas não. A humildade reinante no Ministério da Educação impôs-se a exigência da exibição pública da sua própria ficha de auto-avaliação. Ficará agora a aguardar confirmação ou rejeição por parte do órgão máximo até ao dia 27 de Setembro, a data das eleições.

(editado)

Gostei de ler

«(…) Bem sei que, no desespero do fracasso, há sempre quem exija votos com o argumento triste: se estás em desacordo com o que o PS fez, vota no PS para continuar a fazer o que te desagrada, porque o PSD é igual. Há quem não consiga conceber o mundo sem ser sob a batuta do PS ou do PSD. Há quem pense que, no dia em que o PS e o PSD deixarem de ser os partidos maioritários, o trigo cresce para dentro do chão e o sol se recusa a levantar cada manhã. Desejo as maiores felicidades a estes apoiantes do bloco central, porque a vida não está fácil para eles.»

Vale a pena ler na íntegra
“Algumas diferenças entre as candidaturas de Jorge Sampaio e António Costa”, por Francisco Louçã.

Venha mais poncha

“Para já”, lê-se aqui, “o PSD nem quer ouvir falar no assunto”. “Para já”, continua, “é o silêncio da direcção de Manuela Ferreira Leite à ideia de Alberto João Jardim, líder social-democrata madeirense, de proibir o comunismo na Constituição, a exemplo das “organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista””. Quem leia ficará com três ligeiras sensações: a de que esta é a primeira vez que Alberto João carrega na poncha, a de que o PSD tem por hábito condenar veementemente as cenas tristes que resultam de tais excessos e ainda a de que a direcção de Manuela Ferreira Leite tem exposto claramente o seu projecto de país. E nenhuma das três se verifica. Manuela continua sem explicar o que faria se fosse Governo e a pedir um cheque em branco aos eleitores, o PSD continua a mimar e a permitir todo o tipo de tolices ao seu mais que tudo madeirense. Sem custos políticos. Faça o que fizer, com ou sem poncha, por maior que seja a sua pobreza, o PSD continua a ser considerado uma alternativa de poder. E venha mais poncha. A Constituição não a proibe.

O Estado mínimo, mas "de esquerda"

«Esses que querem reduzir o Estado ao mínimo não aprenderam nada com a actual crise, nem com a governação que fizeram há quatro anos", disse José Sócrates, insistindo que o programa político da "Direita" "é um exercício de negativismo": "só dizem aquilo que não querem", sem apresentar propostas. Sem concretizar, o primeiro-ministro lançou duas ideias: reforço do programa Erasmus e dos estágios na função pública.»

«
E para alcançar os seus objectivos, José Sócrates foi claro ao referir que o quer fazer com todos e não deixando ninguém de fora. "O PS quer um país moderno, tem essa ambição da mudança, da transformação, de andar para a frente e avançar. Mas queremos fazê-lo com toda a gente a bordo, não queremos deixar ninguém na beira da estrada, não queremos deixar ninguém para trás", concluiu.»
»
«
A revolta dos trabalhadores tem por origem a extinção e passagem do Arsenal do Alfeite a sociedade anónima, afastando trabalhadores e obrigando os que forem escolhidos para a nova empresa a assinar um contrato individual, perdendo os direitos que tinham. Em declarações à Lusa, Carlos Godinho acrescenta que "os trabalhadores estão a ser ameaçados": "Estão a pressionar-nos para que assinemos o contrato ou, chegando a 1 de Setembro, passaremos todos para mobilidade especial do Estado".»

«
Uma bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia acampou durante a noite desta quarta feira em frente às instalações desta instituição, em Lisboa, em protesto contra o atraso no pagamento da bolsa de estudos de que é beneficiária. Alexandra Sá Pinto devia ter começado a receber uma bolsa em Janeiro mas até agora nada recebeu. »

«
Trabalhadores do Ministério da Agricultura colocados na «mobilidade especial» realizam hoje uma vigília na Praça do Comércio, em Lisboa, para exigirem a recolocação imediata. (…) Na conferência de imprensa de dia 9, a FNSFP/CGTP-IN anunciou esta acção, que decorre a partir das 14.30 horas, e alertou para a situação em que se encontram cerca de 1200 trabalhadores. Atirados para a situação de «mobilidade especial», muitos destes funcionários, mesmo depois de ter havido tribunais a dar razão a providências cautelares interpostas pela federação sindical, não foram reintegrados e estão numa «degradante situação económica e social». «Muitos deles estão a receber menos do que o salário mínimo». «Vi, recentemente, recibos de vencimentos, mesmo com o subsídio de férias incluído, que não chegam ao salário mínimo nacional», revelou a dirigente sindical, salientando a cada vez mais urgente necessidade de estes trabalhadores serem «recolocados nos postos de trabalho, de onde foram afastados e onde fazem falta, sem quaisquer perdas de direitos».»

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Cesária Évora (com Pedro Guerra) – “Tiempo y silencio”

Helena, partidos, contentores e dívidas - Maio a Julho de 2009

«Helena Roseta será a número dois da lista do PS à Câmara de Lisboa, a seguir a António Costa, mas não vai ser vice-presidente nem, em caso algum, substituirá o presidente da autarquia.» – 15 de Julho de 2009

«“Disse-lhe que só depois das eleições poderíamos falar nisso, porque, enquanto movimento, não podemos negociar acordos antes ou integrar coligações", explicou Helena Roseta, contando que António Costa sugeriu a elaboração de "listas cruzadas". (…)"Sentimos que o tempo da política monopolizada pelos partidos está a acabar", disse, perante algumas dezenas de apoiantes.

Helena Roseta apontou a habitação, a mobilidade e a participação como as três prioridades do seu programa, exigindo "mais transparência" nos procedimentos camarários, sobretudo na área do Urbanismo, e criticando obras públicas viabilizadas pelo executivo de maioria socialista, como a Terceira Travessia sobre o Tejo ou o "escândalo" do terminal de contentores de Alcântara.

(...) Helena Roseta revelou ainda que os Cidadãos por Lisboa continuam a receber apoios para pagar a última campanha.» –
22 de Maio de 2009

Histórico

O Presidente Barack Obama comunicou hoje ao Congresso dos Estados Unidos que, a partir de 1 de Agosto, suspenderá parcialmente e temporariamente - por seis meses - o embargo americano a Cuba.

O sol e a peneira

Alguém disse que apenas mantendo o optimismo em alta se conseguiria criar emprego. O Banco de Portugal continua optimista, fiel àquela ideologia, embora o desemprego não pare de aumentar.

Saúde racionada

Por factores genéticos, sociais, laborais ou outros quaisquer, há quem tenha menos ou mais predisposição para sofrer de cancro, gripe, doenças de pele, problemas gástricos, hepáticos, respiratórios, etc. E não será por isso que fará sentido que tais diferenças, num sistema público de protecção na saúde, sejam argumento para a defesa de que, a partir do segundo tratamento, a assistência deixe de ser gratuita. O consumo do bem Saúde, ao contrário da generalidade dos outros bens, é ditado pela necessidade e não por apetites súbitos. Mas há quem não pense assim e defenda que, talvez por incorporar a componente “pecado”, as mulheres que fazem mais do que um aborto deviam começar a pagar pela segunda interrupção: o primeiro café, pastel de nata, bife, pastilha elástica, pacote de batatas fritas é grátis, o segundo já é a pagar, ninguém os manda ser gulosos. E quantas portuguesas repetiram uma IVG no serviço dirigido por este senhor que não é nem cura, nem gerente de um talho? Mais de 20! Há uma multidão de espíritos avaros a dirigir serviços de saúde em Portugal.

Um país perigoso

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Archive – “Get Out”

Vídeo aqui


Archive – “Fuck You”

Roseta independente VS Roseta PS

As hostes socialistas hão-de ter-se entusiasmado com a notícia, avançada pelo Público, de que Helena Roseta estará prestes a chegar a acordo com António Costa para integrar a sua lista à CML. Quanto valerá em votos uma candidatura autónoma de Helena Roseta e quantos votos valerá a mesma Helena Roseta como número dois duma lista do PS será a incógnita, sendo certo que ambas as grandezas não se equivalem. Uma coisa é renovar a confiança depositada em alguém de reconhecidíssima competência que se apresenta a votos numa candidatura independente, outra será dar-lhe novamente o voto numa candidatura que, se não convenceu da primeira vez, depois de atolada num lodaçal de contentores, com um sorteio de casas pelos amigos que não foi devidamente repudiada de permeio e com a chancela de um partido com quatro anos de fracassos acumulados, será de evitar ainda mais na sua segunda edição. O voto poderá bem ficar em casa ou… ser confiado à escolha que há dois anos teve que ser preterida, por não ser possível votar duas vezes. Em política, como na vida, há sempre um preço a pagar por não se saber seleccionar criteriosamente as companhias.

A estabilidade e as maiorias

Reformaram, reformaram e reformaram sem se preocuparem demasiadamente com o enquadramento legal das suas reformas. Havia que reformar, “porque Portugal não podia correr o risco de esperar”. E, hoje, tivemos a confirmação de mais um resultado desta inconsciência governativa: a ASAE é inconstitucional. E não será a última trapalhada. A governação Sócrates foi fértil em aberrações. Muitas outras reformas aguardam por votos úteis em número suficiente para garantir que, após as próximas legislativas, a nova composição do parlamento inclua os 23 deputados que são necessários para requerer a fiscalização dos diplomas legais que lhes servem de suporte. São os casos, por exemplo, do Código do Trabalho e dos diplomas da reforma da Administração Pública, cuja fiscalização, apesar do seu odor intenso a inconstitucionalidade, esbarrou nos 208 deputados eleitos por PS, PSD e CDS-PP que se puseram de acordo em não consenti-la. Por hora, temos apenas mais uma evidência de que uma maioria absoluta pode resultar numa tremenda instabilidade. A nossa História recente demonstra que uma maioria pode ser geradora de instabilidade: basta que quem a conquiste desate a reformar atabalhoadamente ao arrepio de uma legalidade que a sua incompetência desconhece e que a sua arrogância despreza.

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Jakatta – “One fine day”

Precisamos de bastante mais optimismo

Segundo dados hoje divulgados, a taxa de desemprego na OCDE subiu 0,3 por cento entre Abril e Maio, para 8,3 por cento, e 2,4 por cento desde Maio do ano passado. Portugal e França têm a sexta taxa de desemprego mais elevada entre os 29 países da OCDE, com 9,3 por cento da população activa desempregada. A lista é encabeçada pela Espanha (18,7 por cento), Irlanda (11,7 por cento), Eslováquia (11,1 por cento), Hungria (10,2 por cento) e EUA (9,6 por cento).

Em Maio, a taxa de desemprego da Zona Euro foi de 9,5 por cento e na União Europeia de 8,9 por cento. Não podemos baixar os braços, temos que ser optimistas, a crise está a dar sinais de abrandamento, blablabla, bla, bla. Os números continuam a bater records negativos, mas isso é apenas um detalhe sem importância.

Não, eles não "são todos iguais"

Todos se lembrarão que o Zé que fazia falta, depois de eleito pelo Bloco de Esquerda, entre outros, se perdeu na selva de contentores de Alcântara e nos sorteios de casas camarárias. Da mesma forma, todos se puderam aperceber das consequências políticas de tais envolvimentos. O Bloco de Esquerda, o partido que o fez eleger, quase imediatamente lhe retirou a confiança política por não estar interessado em que a sua credibilidade ficasse manchada por aquele modo de estar na política que, mais do que não ser o seu, combate com força proporcional à do ritmo de crescimento dos votos que o seu eleitorado lhe vai confiando.

O PS, pelo contrário, premiou o trajecto ziguezagueante do Zé que lhe fazia falta transformando-o num Zé merecedor da sua confiança. E, ontem, conforme se antecipava há muito, o Zé deixou de fazer-lhes falta porque passou a ser seu. António Costa ofereceu a Sá Fernandes um lugar elegível nas listas do PS à Câmara Municipal de Lisboa. Ainda tentou chegar a acordo semelhante com o Bloco de Esquerda, mas sem conseguir os seus intentos. Uma boa noticia para todos aqueles que se revêem numa praxis política acima do mero jogo das trocas e baldrocas de lugares elegíveis por silêncios e apoios a negócios de hotéis de charme ou de contentores. Não, senhores. Por mais que doa a quem convenha promover o esbatimento das diferenças, não. "Eles" não “são todos iguais”.

Domingo, 12 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

The Ponys - "Double Vision"

Costa, Coelho, Júdice & CO

O Ministério Público deverá lançar uma investigação à extensão do contrato de exploração do Terminal de Contentores de Alcântara, concedida à Liscont pelo Ministério das Obras Públicas.

Em causa está o Memorando de Entendimento que Mário Lino assinou a 28 de Abril de 2008, concedendo a extensão do contrato de exploração à Liscont por mais 27 anos. O negócio da Administração do Porto de Lisboa (APL) com a Liscont, firma do Grupo Mota-Engil – dirigida pelo socialista Jorge Coelho desde Maio de 2008 - terá sido feito sem concurso público e com base em projecções económicas duvidosas.

O relatório preliminar de uma auditoria do Tribunal de Contas, que deverá ser enviada para o Ministério Público, constata que o interesse do Estado não foi salvaguardado. (
Público)

Sábado, 11 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Kt Tunstall - Other Side of The World

Bons meninos de mãos atadas

Cavaco Silva havia dirigido um apelo ao bom senso dos partidos e do Governo no envio de leis para Belém em período eleitoral, o que, traduzindo de presidencialês para português, tem o significado de “escusam de tentar fazer render o mandato em mais reformas e negócios ruinosos para o país, porque eu não os promulgarei”. O PS, que tem ao seu serviço poderosos programas informáticos de tradução, entendeu imediatamente a mensagem e pôs travão aos seus ímpetos derradeiros. Rematou José Junqueiro, vice-presidente da bancada socialista: "Se assim não for, o que é que vai parecer ao Presidente da República?" Traduzindo de novo, “o PS preocupa-se em não desagradar ao papá”, “o PS é um clube de bons meninos”. Os bons meninos de mãos atadas dão mesmo vontade de rir.

Mercado de esquerda

Manuel Alegre diz que ainda há tempo para fazer com que os portugueses acreditem num partido no qual, porque ele próprio já não acredita, não aceitou ser deputado: um PS mais à esquerda. O PS responde-lhe, comovido, com uma ideia que não ocorreria ao partido mais liberal, pondo uma empresa privada a gerir os ficheiros eleitorais. As empresas também podem ser de esquerda para conseguir negócios com o Estado. É certo e sabido: o mercado funciona sempre.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Nulos

Dentro das previsões, Alfredo de Sousa foi finalmente eleito Provedor de Justiça. Teresa Caeiro, vice-presidente da Assembleia da República. Ambos com larga maioria. Nas duas votações sobressaíram os votos nulos: três na primeira e 14 na segunda. Há deputados que, ou não têm capacidade suficiente que lhes permita conseguir colocar uma cruz num quadradinho, ou vão para o Parlamento divertir-se à grande. As nulidades manifestam-se assim, pela calada de uma eleição por voto secreto, quando ninguém os está a ver. Auto-representam-se, não a quem os elegeu.

Certeza sistémica

O inamovível "glaciar"

«(…) Se ganhar, nem que seja por um voto, estamos muito, muito mal. Espero que isso não aconteça. Por mim, há muitos anos que não voto no PS! É ele o responsável principal por esta situação e numa distribuição equitativa entre PS e PSD, acho que o responsável pela situação em que Portugal se encontra hoje é no mínimo 51%, o PS: mais corrupto e mais incompetente como partido do que o PSD. E como eu considero que o outro lado da nossa ingovernabilidade são a corrupção e a incompetência sistémicas dos dois partidos - até por causa do rotativismo que lhes permite passarem as culpas um para o outro. (...) Essa espécie de triste condenação do povo português que é escolher entre Dupond e Dupont. É que das duas, uma: ou este rotativismo é rompido, ou o país continuará a ir a pique.(…)» – Manuel Villaverde Cabral, em entrevista ao “I”.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Cake – “I will survive” (live)

Ver para crer

Manuela Ferreira Sócrates

Manuela Ferreira Leite disse que quer fazer "transformações profundas" em clima de consenso, mas, quanto às medidas sociais, disse concordar com as que foram anunciadas por este Governo e que não vai "rasgar" nada do que tem sido feito ao longo da actual legislatura em termos de política económica e social. Ou seja, Manuela quis dizer-nos que nada de substancial vai mudar caso o PSD ganhe as eleições. E nota-se nas suas palavras que nem mesmo a ideia tonta, bonita mas inverosímil, de realizar “mudanças profundas” em “clima de consenso”, separa os dois partidos.

Quando ocorrem “mudanças profundas”, há sempre quem fique profundamente ou beneficiado, ou prejudicado. Não há mudanças neutras. Consequentemente, a ideia do “consenso” é uma tolice. Se as políticas forem as mesmas, os protestos e a crispação social serão os mesmos, quer ganhe o PS, quer ganhe o PSD. A diferença estará na forma como cada um reaja à crispação. Ao longo dos últimos anos, com José Sócrates, o clima que se instalou foi invariavelmente atribuído a “problemas de comunicação” que se foram colocando entre as “boas medidas” do Governo e os seus alvos, impedindo-os de entendê-las, a “insultos pessoais”, a “radicalismos” ou a outros quejandos de disparate mais ou menos bem imaginados. Com Manuela, não será muito diferente. Pouco diz sobre o que tenciona fazer, se é que já o definiu. Para além das suas péssimas experiências enquanto governante, apenas lhe conhecemos a imagem de salazarenta poupadinha e a pobreza franciscana que reina nas segundas figuras do PSD, sem esquecer que um pequeno
parêntesis de seis meses na nossa democracia lhe viriam mesmo a calhar para “pôr tudo na ordem” na maior das pazes cristãs.

O new look do PS


Para atrair mais eleitores, quiseram dar um ar de esquerda ao seu socialismo reformado. Como tal, travestiram-no do mais alegre liberalismo LGBT-do-mandato-seguinte. Mas não colou. Depois, lembraram-se de dar um ar humilde ao seu líder arrogante, mas o nariz de José Sócrates traiu-os. E nova decepção, toda a gente notou que a humildade era de plástico. Finalmente, tentaram redesenhar o símbolo do partido. E ficou moderno. Ilustrativo de uma nova "escolha de atitude". Bonito. Campestre. Com aroma de pinho. Eu gosto. Costumo gostar de tudo o que seja genuíno.

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Pink Mountaintops – "Execution"

Livre comércio inimigo do planeta

Os pseudo-acordos de redução de emissões do G8, que hoje tiveram nova reedição, demonstraram mais uma vez que o livre comércio é inimigo do ambiente. Seis dos oito concordaram numa redução em 80 por cento das suas emissões de carbono até 2050 e defendem para os países emergentes uma redução de 50 por cento no mesmo período que, todavia, não tem data de início fixada, uma omissão cirúrgica que o transforma em nova mera declaração de intenções.

Ainda assim, apesar do vazio ao nível das consequências daquilo a que chamaram um “avanço negocial”, com o cenário de sanções comerciais completamente afastado pelo dogma neoliberal de um livre comércio apenas com benefícios, a China e a Índia, dois dos maiores poluidores do mundo, deram um sinal claro de que pretendem continuar a poluir à sua vontade ao rejeitar qualquer aproximação à posição de princípio acordada pelos restantes seis países. Sem leis proteccionistas que o impeçam, o factor ambiental continuará a ser uma limitação para o crescimento e para o emprego apenas naqueles países cujo modelo de desenvolvimento inclua a sustentabilidade ambiental nas suas prioridades. O livre comércio continuará, assim, a promover a deslocalização de empresas para espaços onde a restrição ambiental não exista, deixando atrás de si uma multidão de desempregados e um cemitério de fábricas condenadas por uma concorrência falseada por custos ambientais inexistentes em países que se recusam a respeitar o planeta.

Está na hora

No PS, a hora é de desafios. Ontem foi a vez de Manuel Alegre desafiar Ana Gomes e Elisa Ferreira a escolherem um dos dois: ou a candidatura autárquica, ou o mandato no Parlamento Europeu. Alegre, ele próprio, foi um exemplo ao candidatar-se a Presidente da República sem abdicar de ser deputado e de ser vice-presidente da Assembleia da República. Ainda assim, desafiou. A ele, que é ele, ninguém o cala.

Hoje, é a vez de João Cravinho fazer o seu desafio. De novo em foco está a figura de Manuel Alegre. Com o poeta, José Sócrates governou como todos sabemos que governou. À direita. Sem o poeta, ou com, ou entre o sem e o com que tanto lhe agrada, é mais que óbvio que nada seria diferente. Mas Cravinho sublinha a necessidade de um “
golpe de asa” capaz de atrair um eleitorado de esquerda que se iluda com o ar de esquerda que Alegre dá ao PS. Por isso, desafia Sócrates a convidá-lo para colaborar na elaboração do programa eleitoral. Sem consultá-lo antes. Mal soube, Alegre apressou-se a afastar a ideia.

É o PS que se ilude. Estrebucha. Todos nos lembramos das eras Marques Mendes e Luís Filipe Menezes do PSD. Os desafios também surgiam todos os dias, ao virar da esquina. O PS já iniciou o seu processo de implosão. Desiludiu, traiu o seu eleitorado. E já não há cosmética que poupe os socialistas ao pagamento do preço de quatro anos de promessas quebradas. Agora, está na hora. De desafiar no PS, de ter a oportunidade de quebrar promessas no PSD, dos portugueses porem um fim a uma tradição de promessas quebradas à vez por PS e por PSD.

Um freeport do nosso futuro

Ontem, numa daquelas cerimónias tão bonitas de lançamentos de primeiras pedras que sempre abundam antes de actos eleitorais, o secretário de Estado da Saúde garantiu que o processo é “irreversível”. Não se referiria nem à repetição sistemática da prática de ilegalidades de obras que avançam sem o necessário visto do Tribunal de Contas, nem ao apoio do seu partido a candidaturas autárquicas de forças aglutinadoras de processos na Justiça como Mesquita Machado, especialista em apedrejamentos daquela tipologia, nem à campanha eleitoral que ali fazia. Parece que falava mesmo do Hospital de Braga. Avançará mesmo, apesar de ilegal.

Recorde-se que a construção do futuro Hospital de Braga, que começou há cerca de seis meses, está a ser feita no âmbito de uma parceria público-privada com a José de Mello Saúde, que estará 10 anos à frente da gestão administrativa daquela unidade de saúde e 30 anos na sua manutenção. Curiosamente, a decisão de avançar para esta parceria público-privada foi tomada pelo Ministério de Ana Jorge na mesma semana que terminou a gestão do Grupo Mello no Hospital Amadora-Sintra, depois de 13 anos de escândalos e má gestão.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

9 Lazy 9 – “5 AM”

Avé asneira

O Papa Bento XVI defende a criação de uma “autoridade política mundial” para “sanear as economias afectadas pela crise”. Quem a elegeria e que soluções políticas defenderia são questões menores para quem reina ao seu bel-prazer, sem a chatice de ter que responder politicamente perante ninguém. Teoricamente, as leis de Deus são universais e beneficiam toda a gente. Não se discutem. Afirmam-se numa lógica de submissão e de obediência. As políticas, pelo contrário, nem são universalmente "boas", nem dispensam o debate respectivo que as questione, nem tão-pouco beneficiam toda a gente. Na realidade que modificam - e é para isso que serve a política e as políticas -, há sempre quem saia a ganhar e quem saia a perder. E as escolhas políticas são feitas por homems e mulheres, independentemente dos humores variáveis do divino.

Afinal era mesmo de plástico

A média do exame nacional de Matemática A, 12.º ano, desceu de 12,5 para 10 valores, tendo mais do que duplicado a taxa de reprovação à disciplina, segundo dados do Ministério da Educação hoje divulgados. Entre 2006 e 2008, a média nesta prova tinha subido de 7,3 para 12,5 valores, enquanto a média dos alunos internos melhorou em igual período de 8,1 para 14 e a percentagem de reprovação caiu de 29 para sete por cento. Este ano, porém, como vimos aqui, um pequeno incremento no grau de exigência bastou para expor o falso sucesso que foi conseguido nos anos anteriores através da cúmulos sucessivos de facilidades e de redução do grau de exigência ao mínimo dos mínimos. Quantos analfabetos certificou o nosso sistema de ensino durante este período e quanto pagaremos por tal feito heróico do actual Governo são questões cujas respostas irão aparecendo ao longo dos anos mais próximos. Por hora, como garantida, temos apenas a certeza de que a inconsciência e a irresponsabilidade políticas têm sempre um preço bem alto.

Causas alegres

Por estes dias

Com o aproximar a passos largos da silly season, são as não notícias mais entretidas que passam para o topo da actualidade. Com enorme alarido.

A
gripe A vai tendo honras de destaque a conta gotas e cada novo caso detectado é imediatamente servido como notícia do dia. Surpreende-se Craig Mello, o Nobel da medicina de 2006 que está de visita aos Açores, que não vê na perigosidade do vírus H1N1, segundo ele pouco superior ao das restantes estirpes, razão para tanta barulheira. Quer estragar o festival. Ou o negócio.

Depois temos o fenómeno de todos aqueles, portugueses orgulhosos de o serem e espanhóis orgulhosos de o terem, que, de bolsos vazios e muitos deles sem emprego, se entusiasmam com os milhões pagos pelo
CR9. Viva a fortuna dos outros e ala Madrid, ora pois. Cristiano Ronaldo é português. Que orgulho! O cão do Obama, o mordomo de Bruxelas e o Cristiano são portugueses. É importante. Podiam não ser, mas não seria a mesma coisa. Óbvio.

O pacote de frivolidades termina com o Domingo prolongado de uma Páscoa que teve a sua Sexta-feira há cerca de dez anos, quando a criatividade de Michael Jackson se viu crucificada pela podridão da sua existência e o artista passou a ser notícia pelos piores motivos. Depois de uma via-sacra de cirurgias plásticas sem conta, em que se fez esticar aqui, encolher ali e percorrer todo um degrade de colorações, esticou o pernil numa última ceia que o projectou para uma ressurreição explorada ao máximo para provocar a histeria geral. Estrondoso novo sucesso. E a torrente de lágrimas não conseguiu ser estragada nem mesmo pela anedota do fracasso das negociações entre os herdeiros e a lego, que se negou a incorporar o plástico das suas cinzas numa colecção especial que lhe permitiria em morte continuar a brincar com as criancinhas, aquilo que mais gostava de fazer em vida, e fez do ecoponto amarelo a sua mais que provável última morada. Que maldoso é o mundo. Que bonzinho era o rei da pop. Santificado seja.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

The National - "Fake empire"

A arte de bem "concluir"

A versão final do relatório da Comissão de Inquérito Parlamentar à supervisão e nacionalização do BPN foi elaborada por uma deputada socialista, Sónia Sanfona. Entende-se, por conseguinte, o absurdo de que simultaneamente se ilibe o Banco de Portugal de falhas na sua acção fiscalizadora e se considere que Vítor Constâncio pudesse ter sido mais diligente. O texto final do relatório testemunha ainda o arrojo e despudor socialistas ao incluir a “conclusão” hilariante, retirada saberá a citada de onde, de que “a nacionalização do BPN foi a solução mais adequada, pois o banco “chegou, em 2008, a uma situação iminente de ruptura de pagamentos e de abaixamento do seu rating que, num contexto de crise do sistema financeiro mundial, inviabilizava, objectivamente, uma solução diferente da nacionalização”. Que lindo. Como é que a Comissão poderia concluir semelhante coisa e como é que alguém consegue afirmá-lo sem se rir são mistérios que só os socialistas poderão desvendar.

O 11º veto presidencial

Cavaco Silva vetou as alterações à Lei do Segredo de Estado. É uma excelente notícia para a nossa democracia. Compreendê-lo-á facilmente quem leia atentamente a mensagem divulgada na web page da Presidência da República.

Fernando e Fernando

Há dias, baseando-se apenas no indicador das expectativas dos consumidores e produtores, o velho ministro das Finanças Teixeira dos Santos decretou novo final para a crise. Dizia-nos, então, para não nos preocuparmos demasiado com ela, uma vez que dava sinais claros de estar a terminar. Hoje, pouco depois de tomar posse, o novo ministro da Economia Teixeira dos Santos disse que a sua prioridade será superar a situação de crise que o país enfrenta. Acreditasse eu nessas tretas da astrologia e seria capaz de jurar que o nosso Fernando é de signo gémeos.

Outra vez a insegurança

Mais um caso de agentes da polícia baleados em serviço durante o fim-de-semana trouxe hoje de novo o tema insegurança às primeiras páginas dos jornais. Por um lado, as organizações sindicais de polícia queixam-se da sensação de vulnerabilidade vivida no seio da classe, e apontam como suas causas uma legislação demasiado branda que não os protege e um sistema mal articulado que, seja o local onde se torne necessário intervir um bairro problemático perigoso ou o bairro mais pacato de Lisboa, mobiliza sempre os mesmos meios. Por outro, o ministro da Administração Interna visitou um dos agentes que recuperava no hospital. Foi simpático. Mas será muito pouco para quem tem nas mãos instrumentos que não utiliza para evitar ter que fazer vida de irmã da caridade que visita hospitais ou, pior, vida da carpideira de funerais. Faltam políticas. E falta ministro.

(editado)

Minudências

A convite do Presidente da República, o Presidente chinês, Hu Jintao, vai visitar Portugal no próximo fim-de-semana, acompanhado por 200 empresários chineses que irão participar num seminário económico destinado a promover o reforço das relações entre os dois países. Ontem à noite, pelo menos 140 mortos e 800 feridos foi o resultado dos confrontos entre manifestantes e a polícia em Urumqi, capital da região de Xinjiang, no noroeste da China. Nada que sirva de impedimento à visita e ao estreitamento dos laços de amizade com este regime assassino. A diplomacia moderna não se compadece com certas minudências.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Soapkills - "Herzan"

As Honduras, uma semana depois

O Governo que chegou ao poder nas Honduras pela força assumiu que proibiu a aterragem de qualquer avião que traga de regresso ao país o Presidente deposto, Manuel Zelaya, que haviam colocado no exílio no exterior. Segundo testemunhas no local, o aeroporto internacional de Tegucigalpa foi encerrado por ordem do governo revoltoso, cada vez mais isolado, depois de ter conhecido a decisão unânime de suspensão do páis de ontem à noite da Organização dos Estados Americanos e de saber que ninguém o reconhece como legítimo. Porém, apesar de interdito, prevê-se que o avião de Zelaya parta de Washington às 10h00 locais e chegue às Honduras pelas 15h00 (22h00 em Lisboa). Espera-o uma multidão de populares que recusam a restauração da oligarquia que fez das Honduras o segundo país mais pobre da América latina. De longe, com o exército pronto para intervir, Hugo Chavez vai observando o desenrolar dos acontecimentos.

A "revolução" dos imbecis

A moda que para aí anda, que consta na utilização de votos brancos e nulos como forma de protesto contra o poder político, poderá reconduzir ao poder no México o partido da ditadura perfeita de Mário Vargas Llosa, o PRI, responsável por décadas de corrupção, favorecimentos e negócios escuros. Porque, por mais brancos e nulos que haja e por maior que seja o abstencionismo, nunca ficam cadeiras vazias, a imbecilidade poderá agora custar mais uns anos de regresso à idade das trevas mexicana. Ler mais sobre esta revolução ao contrário aqui.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

James – “Laid”


>

James – “Sit down”

Mais uma

Era uma vez a demagogia

«A questão está na crise interna portuguesa que já existia no momento zero da crise internacional. O crescimento em 2007 e 2008 já era anémico e o Governo não iria cumprir a meta de crescimento potencial do PIB de três por cento, nem a criação de 150 mil postos de trabalho.» – A frase é de Teixeira dos Santos. Afinal, a malvada de crise não é a causa de todos os males da nossa economia e o Governo tem responsabilidades nos resultados negativos que acumulou desde o início do seu mandato. A oposição disse-o repetidamente e José Sócrates, com a mesma insistência, reagiu sempre insultando quem o dizia. Quem eram, então, os demagogos e os irresponsáveis? Respondeu Teixeira dos Santos.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Duran Duran – “Rio”



Duran Duran “Girls on film”

O risco de poder ser bom ministro

«La fragilidad política del primer ministro portugués, José Sócrates, ha aumentado con un escándalo mayúsculo en el Parlamento, que provocó la dimisión del ministro de Economía, Manuel Pinho. Pésima señal en la recta final de la Legislatura, a poco más de dos meses de las elecciones. La Asamblea de la República, en sesión plenaria, realizaba el último debate parlamentario antes de vacaciones sobre el Estado de la Nación, en el que la oposición en bloque, derecha e izquierda, condenó la política del Gobierno socialista. (…)» – El Pais

O Governo português fez com que a doença das vacas loucas, que está a afectar muitos governos em todo o mundo, regressasse à imprensa mundial. A todos os níveis, o episódio de ontem é de lamentar. E o gesto ainda é o menos. Houve muitos outros, de natureza semelhante, que há muito poderiam ter justificado o seu afastamento. O que mais lamento é que um simples gesto tão infantil tenha valido uma demissão que quatro anos de más políticas e de manifesta incompetência não valeram. Actualmente, e não é um fenómeno apenas português, um gesto como o de ontem e o escândalo que despoletou são politicamente mais relevantes do que todas as consequências de uma governação falhada. Se Manuel Pinho não tivesse feito o que fez, hoje continuaria a ser o nosso “bom” Ministro da Economia. Apesar do mais de meio milhão de desempregados, apesar de todas as empresas que fecham portas diariamente, apesar dos milhões em dinheiros públicos e dos negócios que garantiu às empresas do regime através de critérios muito pouco transparentes, apesar dos milhões em fundos comunitários que permanecem à espera da capacidade política que permita utilizá-los, apesar de todos os trambolhões do nosso PIB. Nada disto valeu para fazer de Manuel Pinho um péssimo ex-ministro. O seu gesto, sim. Nos dias de hoje, aparentemente, desde que não faça cornos, qualquer nulidade corre sérios riscos de ser um bom ministro. E mais. Sê-lo, nulidade, é um predicado tão apreciado ao ponto de um nulo poder demitir-se sem que a sua demissão provoca alterações passíveis de serem levadas em consideração.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Mexican Institute of Sound - "El Microfono"


Mexican Institute of Sound - "A girl like you"

Nos cornos do desespero


Abusar da Maizena pode dar nisto. Quatro anos de fracassos acumulados, também. O nosso Manuel das papas agora é também o nosso Manuel dos cornos. Está cansado. Estafado. Nunca deu para muito, mas agora é visível que não dá para mais. Está na hora de ir descansar.Adicionar vídeo

Quatro anos de tradição

Para José Sócrates não há melhor ocasião do que os debates sobre o estado da Nação para anunciar milhões em medidas avulsas. Aconteceu em 2006, aconteceu em 2007, aconteceu em 2008, voltou a acontecer em 2009. Sem obra feita, para ofuscar o fracasso em toda a linha, a opção é a fuga em frente.

Mudança indefinida, cheque em branco

A presidente do PSD prometeu hoje que, caso vença as eleições legislativas, mudará os estatutos do aluno e da carreira docente, o sistema de avaliação dos professores e aliviará a carga burocrática a que estão sujeitos. E que alterações fará? Não disse. Ou porque nem mesmo ela sabe, ou porque sabe e vê vantagens em omiti-lo. Manuela Ferreira Leite apenas tem como certeza a de que este tipo de promessas veladas cai que nem ginjas em certas franjas do eleitorado docente que, ao ouvir falar em mudança, imediatamente se prontifica a confiar-lhe o voto, encarando como remota a possibilidade de que um partido com o apetite privatizador do PSD “emagreça” o Estado também no ensino. E de que servirá reformar a escola pública se não houver escola pública? Alguém que o pergunte MFL.

Ler os outros: "Para a história da neoliberalização do Estado"


«A venda da rede básica de telecomunicações à Portugal Telecom (PT) por 365 milhões de euros, quando o valor contabilístico da mesma era, à época, de 2,3 mil milhões de euros, foi uma das formas encontradas por Ferreira Leite para controlar o défice português em 2002». A notícia do jornal i serve para lembrar que o Estado predador não é monopólio da esquerda dita moderna. É monopólio do bloco central. Através de irresponsáveis privatizações, este tem consolidado um «regime de acumulação por expropriação» dos recursos públicos gerador de corrupção. A actual UE apenas criou a estrutura de constrangimentos ideal para estas opções. No dia em que Dias Loureiro foi constituído arguido, não nos esqueçamos que tudo começou com o cavaquismo. A história da neoliberalização do Estado português está por fazer. Quem se oferece para a escrever? Quem se oferece para lhe colocar um ponto final?» - João Rodrigues, no Ladrões de Bicicletas.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Orelhas de Burro

Adriana Varela - "Con la frente marchita"

O conselheiro arguido

O ex-conselheiro de Estado Manuel Dias Loureiro esteve esta quarta-feira a prestar declarações no Departamento Central de Investigação e Acção Penal. O antigo ministro de Cavaco Silva foi ouvido já não enquanto testemunha mas sim como arguido. Em causa estão dois negócios de 2001, ruinosos para o grupo SLN/BPN, e sobre os quais Dias Loureiro começou por dizer que nada sabia. Agora confirma que foi constituído arguido. Ainda sobre este caso, o esboço do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito que foi constituída para apurar responsabilidades sugere que há interessados na ocultação da verdade. Ler mais aqui.

Nova era das trevas

Zangam-se as comadres

PS e PSD entraram em competição aberta para o título de “o mais mentiroso”. O PS, que nos últimos 4 anos tem brindado os portugueses com uma vastíssima ementa de mentiras, trapalhadas e omissões sobejamente conhecida de todos, diz agora, apresentando provas, que a presidente do PSD sofreu um "forte abalo na sua política de verdade" ao recusar-se a assumir a responsabilidade pela venda da rede fixa à Portugal Telecom. O campeonato conta ainda com a variante de “o mais vendedor”. Quem vendeu mais Estado e mais barato, proporcionando rendas e lucros aos amigos monopolistas, e quem mentiu mais em todos os negócios ruinosos para o país que cada um conduziu são dois atractivos desta competição entre comadres zangadas em que a incerteza do próximo round estará sempre presente: pode dar Citigroup, EDP, recursos hídricos, submarinos, obras públicas, Estradas de Portugal, Brisa, Galp, venda de imóveis, pontes, há para todos os gostos, para um e para outro. Ambos são péssimos, mas qual será o pior?