Terça-feira, 30 de Junho de 2009
A governanta e o homem da loja dos telefones
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Informação ao serviço
No Sábado passado foi apresentado outro manifesto, desta feita por uma elite de 51 intelectuais. Para além dos aspectos relacionados com a liquidez e com a necessidade de melhor regulação contidos no primeiro, Entre outros aspectos que contrariam o caminho apontado pelos 28, preconizam o regresso das decisões de política económica à esfera política e sublinham a necessidade de uma resposta das políticas públicas às necessidades das pessoas através do combate às desigualdades na distribuição do rendimento, da promoção selectiva de mais investimento público e de mais e melhor emprego. Porém, porque os média são detidos por um poder económico do qual faz parte a elite que compôs o primeiro documento, o destaque que o quinto poder dispensou ao manifesto dos 51 não teve comparação com aquele que havia dispensado ao dos 28. Hoje também é Terça-feira, mas nada de manifesto. Em vez dele, temos os aviões que caem, mais e mais gripe A, explosões e uma não notícia sobre as eleições no Benfica. Há que manter toda a gente bastante bem informada.
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Governar para a "excelência"
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
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Justiça
Acabou a crise outra vez
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Pimenta refresco
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Estabilidade em maioria absoluta
O Instituto da Construção e Imobiliário (InCI), organismo público que elaborou o Código dos Contratos Públicos "em nome da transparência e do rigor no uso dos dinheiros públicos", entregou o desenvolvimento do portal para a transparência nas obras públicas à Microsoft, que até à data era consultora do Ministério das Obras Públicas e colaborou com a secretaria de Estado na preparação das portarias que vieram regulamentar o diploma. Um ajuste directo ao abrigo de uma "urgência imperiosa de serviço", o regime excepcional que lhe daria enquadramento legal, mas que não faz qualquer sentido porque o organismo em causa tem toda a autonomia para fixar os prazos que bem lhe aprouverem. Se sobre transparência estamos conversados, sobre rigor, o outro objectivo da alteração legislativa que deu origem ao contrato em questão, a sua execução já apresenta derrapagens significativas.
Sobre o conceito de “urgência imperiosa de serviço” do actual Governo, ler também aqui.
Código de barras: incompetência, Negociatas, Socialismo-reformista
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Domingo, 28 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
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Golpe de direita
O Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas das Honduras (COPINH) acusa a direita de estar por detrás do golpe de Estado. "Esta ofensiva golpista foi planeada e executada de forma articulada entre o Congresso Nacional fascista, os meios de comunicação e os seus donos; o Ministério Público, os empresários mais poderosos do país e as Forças Armadas, que têm vindo a actuar desafiando abertamente as decisões do poder executivo", diz o comunicado do Conselho, que acusa também "alguns sectores das hierarquias das igrejas evangélicas e católica" de servirem de intermediários e apoiantes dos golpistas.
Mas a vontade do presidente Zelaya Rosales, eleito democraticamente e que conserva o apoio dos movimentos populares - que reuniram as 400 mil assinaturas para convocar a consulta, ao abrigo da lei de Participação Cidadã - foi contrariada pelo Congresso Nacional e pelos Supremos Tribunais de Justiça e Eleitoral, cujos membros são escolhidos pelo Congresso. Este órgão quer indigitar o seu presidente, Roberto Micheleti, como sucessor do presidente eleito. Porém, a maioria dos países da Organização dos Estados Americanos, que apoiou a consulta de domingo, já avisou que não reconhecerá qualquer Governo que venha a assumir o poder em resultado do golpe de hoje.
A OEA reuniu de urgência, com as condenações do golpe de estado a sucederem-se. O governo brasileiro exige que o "presidente Zelaya seja imediata e incondicionalmente reposto em funções" e Hugo Chávez colocou o exército venezuelano em estado de alerta, ao saber que militares hondurenhos tinham agredido o embaixador do seu país. Antes, o embaixador da Venezuela na OEA acusara os golpistas de terem levado para parte incerta os embaixadores da Venezuela, Cuba e Nicarágua, acompanhados da ministra dos Negócios estrangeiros das Honduras, Patricia Rodas. Desafiado por Chávez a posicionar-se sobre o golpe, o presidente dos Estados Unidos reagiu no mesmo tom da OEA, manifestando "preocupação pelos acontecimentos" e apelando ao "respeito pelas normas democráticas".
Código de barras: Golpe de Estado, Honduras
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O "sim" que faltava
Questionado sobre quais são as condições do BE para uma aliança com o PS, Louçã começa por dizer que o partido será fiel às suas convicções. ««As eleições não são uma negociação. As eleições não são um jogo político», disse. «Nós não vamos mudar de camisa na noite das eleições. Nós vamos dizer aos eleitores que é preciso um Governo de esquerda, uma política social, é preciso um Governo com prioridade social e com uma política económica com a qual nos comprometemos e por isso é preciso derrotar o Código do Trabalho, a precariedade, é preciso promover a qualidade da escola em vez do ataque aos professores, promover a qualidade da economia em vez da desagregação económica». (Continuar a ler aqui)
Código de barras: Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, Legislativas 2009
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Novas fronteiras para o desespero
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O manifesto dos 51: respostas políticas de regresso ao poder político
É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.
A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.
Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.
Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.
Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.
Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.
A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.
Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.
Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.
O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.
Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.»
Assinam: Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais;Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG;Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.
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Sábado, 27 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
Agradece a nossa democracia
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Credibilidade em tempos de Sócrates
Começou por ser considerado assunto “de mercado”, como tal, questão na qual o Governo não deveria intervir. Depois, gerou burburinho tal que forçou o Governo a promovê-lo a assunto de “Estado” e a vetar o assunto de mercado, a bem da sua própria credibilidade, um critério perfeitamente normal em qualquer mercado que não o seja. E, finalmente, foi a credibilidade desse Governo, já há muito a morar nas ruas da amargura, a apresentar o seu atestado de residência: o Governo sabia do interesse da PT na Media capital desde o início do ano. Comprovadamente, a existência de uma maioria absoluta não resulta obrigatoriamente em estabilidade.
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
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O tabu do jeito
E venha o sétimo
Finalmente, acabou-se a brincadeira
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Metamorfoses
Contudo, a marca de oportunismo deste “novo” PSD é a mesma do “velho” partido e, aliás, a mesma do seu arqui-rival PS: Manuela Ferreira Leite promete agora – “se for possível” – não subir impostos, tal como o fez José Sócrates antes de ser eleito e tal como a própria fez no passado. Depois de eleitos, ambos subiram impostos. Da mesma forma, o PSD está a utilizar muito bem o negócio da compra da participação da Média-capital pela PT para transformar em votos a indignação causada pela alegada tentativa do PS de tentar influenciar o editorial da TVI. A mesma estação que o PSD tentou influenciar no passado, e que culminou com a transferência do então incómodo, agora aliado, Marcelo Rebelo de Sousa da TVI para a RTP.
Muitos outros exemplos poderiam encontrar-se e, em todos eles, tal como no passado, porque não há quem avive memórias e prefira centrar-se no contraste entre estilos pessoais, a principal diferença continua a residir no número dos que se lembram dos feitos e fracassos daquele que mais recentemente esteve no poder e os daquele que o antecedeu. Custe o que custar, interessa que um dos dois, e nenhum outro, regresse aos comandos dos destinos do país. E, porque eles são, fazem-nos, as alternativas, é a desejável metamorfose do país que se vê eternamente adiada.
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Notícias do Céu
Cauções e coimas: um desfecho preparado
Recupero um post do final do ano passado que me sugere a preparação da situação presente. O valor total das cauções que hoje são notícia quase que superam as coimas que os citados quiseram que tivessem limite máximo e não mínimo, como corresponderia.
PS, PSD e CDS, os três partidos que nos últimos 34 anos se têm revezado no poder, aprovaram na generalidade a proposta de lei do Governo que prevê um agravamento das coimas aplicáveis e das penas de prisão no âmbito do regime sancionatório no sector financeiro em matéria criminal e contra-ordenacional. O diploma estabelece como obrigatório a submissão à assembleia-geral de accionistas da proposta de remuneração dos órgãos de administração das instituições financeiras, aumenta as penas de prisão de três para cinco anos e os limites das coimas elevam-se para um máximo de cinco milhões de euros. Note-se o avanço: para um máximo de 5 milhões de euros. Uma enormidade. Os ex-administradores do BCP, só eles, em indemnizações, prémios e outras prebendas receberam cerca de 400 milhões de euros. O PS, PSD e CDS quiseram limitar o montante de uma muito eventual condenação por crime económico a pouco mais que trocos. O restante continua salvaguardado e os três partidos podem mostrar ao mundo que andam envolvidos num combate sem tréguas contra um tipo de criminalidade que tem aparecido bastante nas televisões e imprensa em geral.
Só mais um detalhe: graças à reforma penal que entrou em vigor em 15 de Setembro de 2007, aprovada pelos mesmos partidos, as penas de prisão até 5 anos podem ser suspensas e muito raramente chegam a ser efectivas. (O país do Burro, 12 de Dezembro de 2008
Código de barras: CDS-PP, Enriquecer no país do Burro, Justiça, PS, PSD
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Improvisação institucional
Coerência
“A JP Sá Couto, a empresa que produz o computador Magalhães, é arguida num processo de fraude e fuga ao IVA que terá lesado o Estado, no total, em mais de cinco milhões de euros.” (7 de Outubro de 2008)
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Depois da aventura de mercado
Assim, sobre o regresso da Saúde à esfera pública, alguém perguntou ao Presidente Obama: “tal não empurraria as seguradoras privadas para fora do negócio?”. A questão, de extremo melindre num país como os Estados Unidos, teve a seguinte resposta: “por que razão haveria de empurrar? Se as seguradoras privadas dizem que o mercado oferece a melhor qualidade na prestação de serviços de saúde; se eles nos dizem que nos oferecem o melhor negócio; então por que razão é que hão-de eles agora dizer que o Estado, que eles sustentam ser incapaz de gerir o que quer que seja, há-de empurrá-los para fora do negócio? Não tem lógica.” Via Paul Krugman.
Código de barras: Estados Unidos, Mitos de mercado, neoliberalismo, Obama, Saúde
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
Um dia de cincos
Tostões alternativos e suplementares
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Cicciolino e a liberdade de expressão
Recordistas do mergulho em profundidade
- Não resisto a realçar um pequeno detalhe adicional: as políticas que são seguidas por todo o mundo, que encontram no Governo português um dos seus “melhores alunos” e que conduziram à actual crise, são as mesmas que, apesar dos números e das projecções negativas, continuam a ser defendidas por think tanks neoliberais como a organização que, hoje, com toda a fleuma, como se não tivesse nada que ver com o descalabro que essas políticas continuam a desencadear, apresentou a revisão das suas estimativas.
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Aquela cantiga que não pára de render
A reguladora relembrou ainda o Governo de que a ADSE “não deverá limitar-se a celebrar acordos ou convenções” com unidades de saúde privadas sem tratar posteriormente de verificar se as condições contratadas se mantêm. A cantiga “menos Estado, melhor Estado” continua a render bons negócios para as empresas do regime.
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009
Matemática "na boa" (continuação)
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Garantias na era da humildade
Porém, o Governo garante que a meta para a cobrança de impostos por si prevista irá ser cumprida: uma quebra de apenas 9,8 por cento relativamente a 2008, cerca de metade da queda verificada até Maio. Isto equivale a dizer que o Governo garante que nos últimos sete meses do ano a receita fiscal irá crescer a um ritmo próprio dos tempos de pujança económica que, como toda a gente sabe, teve início a 1 de Junho, de forma a compensar a quebra abrupta verificada antes da retoma. Até ao final do ano, teremos a confirmação de que as receitas fiscais mais do que duplicarão. Realmente, desde que Sócrates se tornou humilde, garantir tornou-se muito mais fácil. E nem o Banco Mundial consegue ser tão humilde.
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Apeteceu-lhe
Cavaco violou a regra de não falar de política interna quando está no estrangeiro.
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Definitivamente aceso o rastilho da revolução
O que faz falta é animar a malta
– Então, pá? Já sabes da notícia do dia?
– Qual é?
– O sinal das caixas negras do avião da Air France que se despenhou pode já ter sido localizado.
– Encontraram as caixas negras?
– Não.
- Detectaram o sinal que emitem?
– Não, pá.
– Então, qual é a notícia?
– O sinal das caixas negras do avião da Air France que se despenhou pode já ter sido localizado.
– E isso é lá notícia?
– Pá, temos que estar informados.Actualização: a não notícia confirmou-se.
Código de barras: Entretenimento, País do Burro
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
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Salvé reforma
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Matemática "na boa"
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Nem supervisão, nem Justiça
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A República do consenso
Hoje de manhã, na rádio pública, ouvia aquele que paradoxalmente é simultaneamente um dos comentadores mais convidado para opinar sobre actualidade no país e um dos empresários do regime que melhor aproveita as oportunidades que o poder político lhe vai oferecendo. Seria, por isso, pela carga de interesses pessoais que contém tudo o que diz, uma opinião a ouvir com o maior cuidado. Mas não. O que diz José Miguel Júdice é servido como neutro.
Deixando estas considerações de parte, o que é relevante para a questão que pretendo aflorar é que falava sobre o TGV e sobre o manifesto dos 28 magníficos, cuja opinião é tão independente como a do próprio e coincidente com o modelo de Estado mínimo que defende. Sustentava, o douto, que o Governo deveria contratar meia dúzia de especialistas nacionais e internacionais para juntos decidirem sobre a realização ou não do projecto. Foram estes senhores aqueles que, desde o início, mais efusivamente aplaudiram as reformas da Administração Pública que, entre outros efeitos “benéficos”, despojaram o Estado de funcionários na área inspectiva capazes de assegurar o interesse público e simplificaram a burocracia que limitava os seus interesses. O Tribunal de Contas tem-se referido insistentemente aos efeitos destas duas cruzadas: uma sangria de milhares de milhões de euros que correram para as contas de “poderosos interesses corporativos” que só não o são porque são os seus (ler, por exemplo, aqui e aqui). São agora os mesmos que defendem um tipo de governação refém de “especialistas” merecedores do mais amplo consenso. O seu. Não vão a votos, mas mandam.
- Depois de escrever o que podem ler acima, reparei num post de Miguel Portas sobre outro opinador de serviço “independente” e o seu artigo em defesa do manifesto dos 28. Termina assim: “Eles são, de facto, os rostos económicos da elite nacional. A pergunta é: ganhámos muito com ela?”
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Domingo, 21 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
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Prémio Biscoito Infinito
Lemniscata – palavra do grego Lemniskos, do latim Lemniscu, fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores – é também uma curva construída geometricamente com os pontos cujo produto das distâncias a dois pontos fixos é constante. O resultado é um biscoito de forma infinita, com links vitaminados com visitas e alguns pontinhos para fazer premiadores e seus agraciados subirem nos ranks dos motores de busca, que tem um sabor intenso a corrente blogosférica alegadamente criada para que quem o prove fique em condições de distribuir (ou não) 7 biscoitos por outros tantos blogs que, graças ao talento dos seus autores, enriqueçam as suas vidas.
Na última semana, o País do Burro teve a honra de receber três destas criações de padaria artística. Agradecimentos à simpatia dos autores de “A nossa candeia”, “O peso e a leveza” e “Sou contra a corrente” (salva esteve a presente).
Cabe-me agora a árdua tarefa de proceder à realização do milagre da multiplicação dos biscoitos que, ao contrário do celebérrimo milagre da multiplicação dos pães, conta ainda com uma componente de distribuição. Ela aí segue. Enriquecem, então, a minha vida:
- 1. “O Valor das ideias” (já provou o oito deitado, mas não se livra de mais este);
- 2. “A nossa Candeia” (lá por me ter engordado, não se safa de comer mais um);
- 3. e 4. Um para o “Vento Sueste” e outro para o “Troll Urbano” (comam mais este, só vos faz bem);
- 5. Activismo de Sofá (sofá que não tenha migalhas não é sofá nem é nada);
- 6. “Entre as brumas da memória” (um oito deitado também terá “qualidades místicas”?);
- 7. “A Educação do meu umbigo” (a defesa da escola pública deve-lhe muito mais do que biscoitos);
- 8, 9, 10… “Ladrões de Bicicletas”, “Boa Sociedade”, “Arrastão”, “Defender o quadrado”, “Delito de Opinião”, “A Terceira Noite”, “Água Lisa”, “Corta-fitas”, “Ofício Diário”, “Der Terrorist” e “Womenage a Trois” (visitas obrigatórias, premeiam-me com o que neles leio sempre que os visito).
Haveria mais. Mas, agora, se não se importarem, os restantes biscoitos ficam para o meu pequeno-almoço. É já a seguir.
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Sábado, 20 de Junho de 2009
Taparam a panela de pressão da revolução
Depois de uma semana de contestação sem precedentes, os organizadores de um desfile de protesto previsto para hoje em Teerão acederam a renunciar a enfrentar a proibição das autoridades, que tinham avisado que iriam reprimir firmemente qualquer manifestação contra a reeleição do Presidente Mahmoud Ahmadinejad. O regime tapou a panela de pressão da revolução. De nada serviu. O lume forte que a alimenta poderá fazê-la rebentar a qualquer momento. A polícia de choque bem tentou travar o cada vez mais inevitável. Com menos gente, é certo, e com centenas de detenções, a manifestação não deixou de se realizar. Enquanto isso, Mir-Hossein Mousavi, o líder da oposição ao regime, enviava uma carta ao Conselho de Guardiões a reiterar que as presidenciais têm que ser anuladas. E convocou uma greve geral caso seja detido. Obama também já avisou o regime de que o mundo está atento a tudo o que se passa no Irão. A revolução segue dentro de momentos.
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Da tal reforma de coisa nenhuma
Depois da reforma, a progressão na carreira ocorre de dez em dez anos em mais de 95 por cento dos casos e significa um incremento salarial de pouco mais de 30 euros. Os prémios de desempenho de 1 salário são atribuídos àqueles que consigam convencer as suas chefias a encaixá-los na quota de 5 por cento reservada à classificação “excelente”, que tem ainda como consequência a diminuição de dois anos no tempo necessário para a promoção.
Antes da reforma, os funcionários públicos tinham uma carreira que oferecia aos melhores, por concurso, a possibilidade de obtenção de uma promoção ou, em alternativa, caso não houvesse lugares a concurso ou se obtivesse uma classificação insuficiente nos que fossem abertos, uma progressão por antiguidade semelhante às “diuturnidades” de certas carreiras do sector privado. Estas progressões tinham a mesma periodicidade das promoções (nunca inferiores a 3 anos) mas, ao contrário destas, eram automáticas e o acréscimo remuneratório que delas resultava era muito inferior.
Antes da reforma, apenas o pessoal dirigente era promovido automaticamente nas suas carreiras de origem e, apesar da barulheira gerada em torno do tema “combate aos privilégios” dos funcionários públicos que o Governo promoveu, esta realidade manteve-se depois da reforma. Entende-se. A grande maioria é nomeada pelo critério da militância partidária. E será também este o motivo pelo qual se fala em alterar a legislação sem que antes se proceda à aplicação da mesma aos mesmos nomeados políticos que, por não terem cumprido com a incumbência de implementar nos serviços que dirigem o modelo de avaliação do desempenho dos seus subordinados, veriam a sua incompetência premiada com a exoneração. Mas a reforma foi para eles, não contra eles. Há realidades que jamais mudarão enquanto o poder pertencer aos três partidos que se revezaram na governação do país ao longo dos últimos 35 anos.
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
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Abertura eleitoral
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"Da esquerda à direita"... mas da direita
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Orgulho e comoção
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O privilégio da precariedade docente
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Dois insultos
Há nestas contas vários pressupostos altamente questionáveis. Desde logo, a admissão absurda de distribuição homogénea de 10 mil euros por depositante no país que é o recordista das desigualdades da União Europeia. Se há quem tenha muito mais de 10 mil euros em depósitos (como todos os accionistas da SLN, anterior proprietária do BPN, a quem o Governo fez o favor de preservar o património ao não nacionalizar a SLN juntamente com o BPN), também há mais de 20 por cento de pobres e quase 50 por cento de remediados com depósitos médios iguais à média das suas dificuldades. Pesa também nas contas de Teixeira dos Santos uma dimensão que o BPN nunca teve e a onda de pânico que a falência de um banco com uma expressão de mercado tão diminuta não provocaria. Finalmente, o cálculo considera uma situação patrimonial do BPN e da SLN sem quaisquer activos.
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Orelhas de Burro
Ou seja... Teixeira dos Santos
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Teatro
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A medida da degradação da Escola Pública
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A humildade também já foi reformada
Ainda ontem tivemos oportunidade de constatá-lo. A dado ponto da entrevista que deu à SIC, a jornalista pergunta: “Foi um bom Primeiro-ministro?”. Sócrates responde com surpresa, com aquela humildade de quem ouve a questão mais improvável: “perdão?”. A jornalista não desarma: “tem sido um bom Primeiro-Ministro?”. Sócrates respira fundo e responde que está muito contente consigo próprio, limitando-se a admitir o erro mais importante num país com mais de meio milhão de desempregados e com muita gente a passar fome: o erro de comunicação. Para esta humildade reformada, o erro mais relevante para todos os portugueses que penalizaram o PS nas últimas europeias foi o de não lhes ter explicado, como se fossem criancinhas, a importância e a bondade de todas as reformas que o estômago de tantos não entende, que lhes precarizaram os vínculos, que promoveram a erosão do seu poder de compra, que não lhes criaram emprego, que lhes negaram a protecção no desemprego, que destruíram as carreiras na função pública, que insultaram os professores, que os amontoaram nas urgências dos hospitais por terem encerrado centros de saúde, que lhes reduziram a formação superior de cinco para três anos e os puseram a pagar propinas caras pelos dois anos que lhes foram retirados, mas… que os puseram a pagar os já mais de 3 mil milhões de euros que voaram para as contas de banqueiros delinquentes, que asseguraram cargos muito bem pagos aos boys e girls do regime, que venderam reserva ecológica aos grandes grupos económicos clientes do regime, que concessionaram serviços públicos a amigos do regime, que asseguraram uma vida descansada aos donos dos monopólios da energia e dos combustíveis, também próximos do regime, como tal, sem problemas cognitivos que os impeçam de entender a bondade de todas as reformas. Esta humildade reformada em nada se distingue do classicismo dos anteriores autismo e arrogância crónicos.
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
Num Estado soberano
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É melhor mudar de assunto
O cartão do cidadão também já meteu água
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Sem censura possível
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Bendita rotina
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Têm, tem
Caricatura roubada daqui.
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E ainda gozam
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O desejado "mercado"
Notícia via Ondas 3.
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Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Jesus do Benfica
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Mais uma derrota de António Costa
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Salário zero
Sem políticas públicas que promovam um reequilíbrio entre salários e lucros, prevalecendo a lógica micro de empresas que tentam diminuir ao máximo os salários dos seus trabalhadores e beneficiar ao máximo do poder de compra das restantes empresas que ainda não o fizeram, o resultado é, inevitavelmente, o prejuízo do todo e o agravamento de uma crise originada por deficiências na procura. Pelo contrário, na ausência de uma intervenção política firme capaz de travar os efeitos de imitação deste comportamento, o desequilíbrio referido acima tende a agravar-se, com prejuízos no imediato para quem vive do seu salário e, mais cedo ou mais tarde, para lucros que desaparecerão à medida que os bens e serviços que os originam deixem de ser absorvidos pelos mesmos salários que anteriormente baixaram para supostamente garanti-los.
O neoliberalismo que se instalou no poder um pouco por todo o mundo tenta por todos os meios desfocar o debate político desta questão e, num contexto laboral perfeitamente atomizado e diante de um eleitorado que maioritariamente aceita o rótulo de “radical” que é colocado a quem alerta para as consequências de lucros obtidos à custa da rarefacção sucessiva de salários e direitos sociais, fenómeno que tem no exemplo de hoje o seu expoente máximo, a porta de saída da crise fica cada vez mais aferrolhada.
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A alta velocidade existe mesmo
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Catequista e coordenador
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
O princípio do fim
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Penúltimo episódio
Quem é amigo, quem é?
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O senhor guionista
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Nova revolução à vista
Projectos de resposta à crise
O ministro das Obras Públicas e Transportes não tem a certeza quanto à data de início do apregoado e invisível combate à crise que, na estratégia de elefantes brancos do actual Governo, tem na construção do TGV um dos seus pilares mais grossos: segundo Mário Lino, o primeiro troço, entre Lisboa e a fronteira, que ligará a Madrid, tanto poderá ser adjudicado antes como depois das eleições de Outubro. Para além disso, a comissão de avaliação das duas propostas para a ligação Poceirão-Caia, entregues no passado dia 1 de Junho, apenas deverá apresentar as suas conclusões em Julho. Finalmente, a lei de bases do contrato de concessão do projecto de alta velocidade, que apenas deverá estar concluído até ao final do ano, poderá ser retardada por novo veto presidencial. Apesar de todas estas condicionantes, às quais se junta a incógnita de vitória ou derrota do PS nas próximas eleições, não custou absolutamente nada a Mário Lino garantir hoje que o Governo irá cumprir o calendário decidido para o projecto. Há que demonstrar firmeza, nem que seja só a fingir. Com 700 mil desempregados à espera de uma resposta política. E, sublinhemo-lo bem, a queda do emprego em Portugal no primeiro trimestre de 2009 foi de 1,2 por cento face ao último trimestre de 2008, 50 por cento superior a uma média europeia que, ela própria, registou quedas record, quer em cadeia, quer em termos homólogos. É obra. Os optimistas também não estão a criar empregos.
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