segunda-feira, 1 de junho de 2009

Quanto pagámos pelo Banco Sócrates

A Caixa Geral de Depósitos já injectou 2,55 mil milhões de euros no BPN. No final de 2007 existiam 6855 milhões de euros de responsabilidades de crédito que não estavam revelados no balanço desse ano. À data da nacionalização, o BPN tinha um apoio estatal de 235 milhões de euros que, logo a seguir à nacionalização, subiu para 315. No final de 2008, o valor superava os 1,455 mil milhões e, no final da semana passada, esse valor já estava nos 2,55 mil milhões de euros, mais de metade do capital social do banco público (4,5 mil milhões de euros). Nada de grave, o risco sistémico estava na falência do BPN.

Um erro lucrativo

Gestão LFV

Com a gestão de Luís Filipe Vieira, um terceiro lugar custa 18,4 milhões de euros em prejuízos. Os nove meses de glória custaram mais que os prejuízos somados dos dois primeiros: Sporting (6,7 milhões) e FC Porto (6,3 milhões). O passivo acumulado do Benfica já ultrapassa os 150 milhões de euros (150,6 milhões). É obra. Há agora que vender o Cardozo, o Luisão, o Katsouranis, o Maxi, o Ruben Amorim e o David Luiz e comprar dois ou três Balboas, um ou dois Aimares, quatro ou cinco Suazos e nunca menos de dois Morettos. Para o ano, o quinto lugar já cá canta.

Vamos ver o jornal de campanha?

Vamos! Primeiro partido. Sempre primeiro em todos os alinhamentos de televisões e rádios, beneficiando da capacidade de atenção no máximo de quem começa a ver. Ser mais modernos que, ser mais optimistas que, deriva neoliberal, nunca vi nenhum pessimista criar um só emprego e nada da Europa. Segundo partido. Ó Maria, vai ver se o teu irmão está a estudar. Segundo nível de atenção, menor do que o primeiro. E também sempre segundo em todos os alinhamentos. Será que estes falam de Europa? Está aí em cima da mesa da cozinha. O resultado das eleições vai ser muito importante. O cão já foi lá fora? O culpado pela não eleição do Provedor é aquele artista. Pequenas e médias empresas. Parece-me que anda para aqui às voltas aflitinho para mijar. Menos impostos, menos impostos, menos impostos. Robin Hood, Xerife, diz o Frei Tuck. também não falaram. Acho eu. Vamos ver o terceiro. Ó Maria, o que é o jantar? Olha, desta vez foram estes os terceiros. Outra vez ovos? Caramba, não se come outra coisa nesta casa! Mas o que é que a porcaria da polícia tem a ver com Europa? Apre! Estes tipos já cansam! Sim, sim, os imigrantes é que são os culpados disto tudo. Palermas. Não me fazias um bife? Olha estes! Ela parece uma costureira de sapatilhas em fatiota de ir à missa. Sim, já sei, já sei. Falem lá de Europa e deixem-se lá dessas cunhaladas. Estou mesmo a ver que vou ter que ser eu a levar a porra do cão lá fora. Então, mas nestas europeias ninguém fala de Europa? Anda cá, Farrusco. Está nas últimas. Ainda se mija todo. Estes são sempre os últimos. Ontem só dava Pepsi e Coca-cola. Pois! É uma vergonha que não estejam a aproveitar-se os subsídios europeus na nossa agricultura. Até que enfim se fala de Europa. Mas depois vejo. Já venho. Querida, esse jantar? Vai ou não vai?

O paraíso do exotismo

Dão-lhes formação. Oferecem-lhes trabalho de Junho a Setembro e férias não pagas o resto do ano. E depois as entidades patronais admiram-se que, quando chega a época balnear seguinte, não conseguem encontrar nadadores-salvadores. É isto que um país que se reclama destino turístico investe na segurança das suas praias. Este ano, para além do desperdício anual de recursos na formação de centenas nadadores-salvadores que, na sua grande maioria, apenas o serão durante um ou dois anos, há a somar-lhe o desperdício de vidas em potência que constitui uma redução nos dias de vigilância em 36 concelhos durante a época balnear que hoje se inicia. As justificações oficiais escudam-se na crónica falta de nadadores-salvadores e afastam a contenção de custos que se lhes possa apontar. E, em vez da solução duradoura da criação de uma carreira que garanta o sustento durante o ano inteiro a quem queira ser nadador-salvador, a solução para o “problema de mercado” passa por um protocolo que prevê trazer "guarda-vidas" militares do Brasil. Está visto. Quando se trata de melhorar a remuneração e as condições de trabalho de uma profissão onde existe escassez de mão-de-obra, manda-se o tal jogo da oferta e da procura às urtigas. Ou tomar banho. O mercado tem sempre razão.

"O idiota útil"

«Marinho Pinto disse que o não voto “é uma arma contra mais do mesmo”. Numas eleições onde as pessoas que não querem “mais do mesmo” podem punir o PS, nada como dizer-lhes que o melhor que têm a fazer é ficarem em casa. De frete em frete, Marinho Pinto lá vai mostrando como um populista pode ser muito útil ao poder.» – Daniel Oliveira, no Arrastão