Domingo, 31 de Maio de 2009

Orelhas de Burro

Waldeck - "Addicted"


Waldeck - "Get up Carmen"

Sábado, 30 de Maio de 2009

E o leitor? Abdicaria?

E o leitor? Também abdicaria de receber um salário igual ao de todos os seus colegas? Eu não. Se o meu trabalho valer menos do que o dos meus colegas, sou eu que estou a mais, não os euros que receba. Cada função tem uma remuneração proporcional aos graus de responsabilidade e de complexidade que lhe estão associados. As funções inerentes ao desempenho de um cargo político não são diferentes. Devem ser pagas de forma a que os melhores quadros não sejam repelidos da vida política e não podem, de forma alguma, ferir a dignidade da função. Prefiro bons deputados a deputados bonzinhos. E, diante de um mau deputado, detestaria ouvir a desculpa "também... para o que ele recebe, coitado!".

Para além do mais, em regra, desconfio de políticos missionários. É fácil apanhar a boleia da demagogia e ser eleito. Tão fácil como, depois de ser eleito, aproveitar a boleia das influências que possa mover utilizando o poder que lhe é confiado e colocá-las à disposição de quem compense o salário ao qual se renuncia, multiplicando-o por muitos. Ou durante o mandato, através das chamadas “luvas”, ou depois dele, na administração de uma qualquer empresa grande. E disto já temos que sobre.

Capítulos de pura amizade

Todos se lembrarão do primeiro capítulo da história da ex-professora, agora Vereadora de António Costa na CML, a quem Fátima Felgueiras conseguiu colocação numa hora de aperto, um gesto de generosidade que terá contribuído decisivamente para uma bonita relação de amizade entre a autarca e a docente e respectivo consorte. Num capítulo posterior, estava Fátima Felgueiras indiciada pela prática de crimes e prestes a ser detida, todos se lembrarão também das vozes de inveja que sussurravam ter sido o amigo consorte da agora colega autarca a avisá-la da iminência da ordem de prisão que a obrigou a antecipar o período de férias desse ano, dias felizes passados no Brasil, e que culminou também num processo de averiguações cujas inconclusões afastaram qualquer envolvimento do marido da amiga, Lopes da Mota, no patrocínio da dita viagem. E é agora conhecido novo capítulo da mesma história de amizade, que deverá juntar-se às anteriores no nosso baú de inesquecíveis: José Eduardo Guerra, o Procurador responsável por apurar se era verdadeira a notícia que ligava Lopes da Mota a Fátima Felgueiras e que o inquiriu, está agora com ele no Eurojust.

Ligações especiais

Segundo o Expresso, Cavaco Silva obteve em 2003 mais-valias de 147.500 euros com a venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que tinha comprado em 2001. Por mera coincidência, a sua filha, que também era accionista, vendeu as acções na mesma altura, obtendo ganhos de 209.400 euros. Questionado sobre a notícia, Cavaco limitou-se a remeter o semanário para um comunicado que fez sair em Novembro do ano passado, no qual rejeitava quaisquer ligações ao BPN, controlado pela SLN, por cuja administração passaram vários membros dos seus governos.

A manifestação do saber ser

No total, os professores serão cerca de 140 mil. Apesar de terem estado 120 mil na rua em Novembro passado, cerca de 94 por cento da classe, o ME manteve a divisão da carreira docente em duas categorias, conforme estipulado no ECD, e não suspendeu a avaliação, como exigiam. A simplificação em vigor pode ser substituída pelo modelo original a qualquer momento, assim a conjuntura política o permita, os professores que recusarem a avaliação vão perder dois anos de progressão na carreira e só uma parte da classe poderá ascender aos escalões mais altos. Muitos cederam ao medo, outros não hesitaram em sacrificar o interesse da classe às suas ambições pessoais. Violaram o boicote promovido pelas organizações sindicais e entregaram os objectivos, desonrando a palavra dada e traindo os colegas que continuaram a lutar também por eles. Desmobilizaram.

A classe docente é hoje uma classe duplamente fracturada: pela divisão introduzida pelo Governo Sócrates e pela divisão ditada por cada comportamento individual. Os que se manifestarão hoje em Lisboa serão aqueles que se mantiveram fieis àquilo em que acreditam, homens que sabem ser homens e mulheres que sabem ser mulheres, que estão na Escola Pública a transmitir este saber raro nos dias que correm aos homens e mulheres de amanhã. Estarão
hoje nas ruas a ensiná-lo também ao país e aos colegas (?) de profissão que ficaram em casa.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

O candidato ideal

Cavaco Silva disse hoje no Porto que o impasse na eleição do Provedor de Justiça "atinge a credibilidade das instituições democráticas". Agora que se sabe que nenhum dos candidatos propostos por PS e PSD conseguirão reunir o consenso que garanta os dois terços para eleição e que, por isso, haverá novos nomes na calha, seria a altura exacta para o senhor Presidente usar da sua credibilidade e dar a sua colaboração na resolução desta questão: avançar com a proposta daquele que, durante meses, debaixo da sua protecção, credibilizou a instituição Conselho de Estado. Afinal, Dias Loureiro agora está livre e tem um largo historial de serviços prestados ao país. Outra personalidade, esta mais do agrado do PM, seria Lopes da Mota. Mas esse, infelizmente, apesar de também ter credibilizado outra instituição democrática, ainda não é um homem livre de compromissos que se possa disponibilizar para novos desafios pátrios.

Deflação garantida

Antes que isto dê Freeport

A deputada do PS e presidente da comissão parlamentar de inquérito ao BPN, Maria de Belém Roseira, disse hoje que "não se revê" nas declarações do candidato socialista Vital Moreira em que este ligou "figuras gradas" sociais-democratas ao "escândalo" da "roubalheira" do BPN, preferindo destacar "a participação activa" do PSD na comissão. Antes de Maria de Belém Roseira dizia-se que quem tem telhados de vidro não deve mandar pedras ao vizinho. Depois de Maria de Belém Roseira dir-se-á que quem tem telhados de vidro deve elogiar o vizinho. É bem mais seguro. E registe-se mais este contributo em que novamente ressalta a capacidade reformista do PS. Portugal está tão diferente, não está? Até no proverbiar. Nota-se em tudo.

Actualização: a Telhados Mensalão SA já reagiu.

Este post também não é sobre Europa

Pese embora as máquinas eleitorais dos dois maiores partidos portugueses se tenham mantido arredadas de questões relevantes para um eleitorado que, aconteça o que acontecer, vote ou não, no dia 7 elegerá os seus representantes no Parlamento Europeu, cingindo-se a pouco mais do que um ping-pong de bocas que nem sequer têm o condão de divertir, a cobertura mediática da campanha eleitoral que hoje chega ao último dia da primeira semana “útil” tem-se limitado ao acompanhamento deste espectáculo pouco edificante. Ping para as gafes de um Vital que tem procurado aparecer ao lado de Sócrates, pong para um Rangel que tem evitado aparecer ao lado da Ferreira Leite das gafes; ping para a centralização do debate na criação de um imposto que só mesmo um Vital para descobri-lo, pong para o debate de um PREC que só um Rangel seria capaz de descobrir; até deu para que aparecesse um outro inenarrável personagem que entrou no jogo queixando-se da descoberta que, ping, primeiro não fez e que, pouco depois, pong, logo se apressou a descobrir; e o ping-pong marcado para hoje já se percebeu terá o ping BPN-PSD, o pong PS-Freeport, o ping Sócrates no avião espanhol e o pong sabe-se lá o quê.

Ao quinto dia de campanha, verificamos que PS e PSD comandam a agenda mediática e esta determina o share das
intenções de voto da audiência e, com o cenário assim montado, Não surpreende que aquelas revelem que quem recusou o jogo do ping e do pong e não se desviou do tema Europa se esteja a prejudicar por não aparecer no menu que diariamente nos é servido: vota ping ou vota pong. A comunicação social está a prestar um péssimo serviço.

Nota importante: este post também não foi sobre Europa

Apenas um e não dois erros

Um Juíz admite ter errado nas avaliações ligeiras que fez de um caso que conduziram a uma sentença que proferiu e as suas declarações poderão agora valer-lhe um processo disciplinar. Porém, não pela forma desastrada como utilizou um poder que lhe está confiado, que marcará uma criança para toda a vida, e sim pela violação do dever de reserva que o impedia de realizar qualquer abordagem pública ao caso. É impressão minha ou há aqui qualquer coisa de muito errada?

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Antes da crise, em plena crise

Segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat, um terço da população da União Europeia (UE) não foi capaz de pagar despesas inesperadas, sete por cento das famílias não conseguiu sequer pagar despesas domésticas e três por cento foi incapaz de suportar as rendas e as hipotecas das casas. Isto em 2007, muito antes da tal crise que se quis acreditar fosse apenas financeira, numa altura em que vigorava a crença de que se havia inventado o consumo sem salários. Hoje, em 2009, continuam a andar para aí alguns que não deixaram de pensar da mesma maneira. Segundo eles, a crise há-de passar se as famílias se dispuserem a abdicar ainda mais do seu poder de compra e dos direitos que conquistaram ao longo dos últimos dois séculos. E também ainda há quem lhes dê ouvidos e mesmo até quem, apesar da evidência do absurdo, não hesite em lhes confiar o voto.

A voz do dono


Um colégio de membros nomeados por um Governo e designado por “entidade reguladora” decidiu-se por condenar uma estação de televisão por esta utilizar a emissão de uma forma que poderá lesar a imagem de quem o nomeou. Não gosto do Jornal da TVI, sobretudo o tal das Sextas-feiras, e até sou da opinião que muitos dos telespectadores que assistem àquele espectáculo degradante, ao invés de se colocarem contra o alvo que claramente pretendem visar, colocam-se do seu lado, tal é o asco que suscita. Pelo menos em mim é essa a palavra que melhor qualifica o que sinto quando o vejo. Porém, considero esta condenação inadmissível por ter sido proferida por uma entidade com as características acima descritas, que não é nem um Tribunal competente para julgar matéria do foro criminal ou cível, nem nenhum órgão do Sindicato dos Jornalistas constituído para julgar disciplinarmente e avaliar infracções de natoreza deontológica. A ERC – lembram-se? – é apenas um organismo de regulação tão independente ao ponto de não ver chegar mal nenhum ao mundo nos telefonemas que o Primeiro ministro faz a pressionar alguns directores de jornais.
O caso apenas reforça a ideia que tenho sobre o mito da regulação por entidades deste tipo e dos perigos que advêm da sua permeabilidade a interesses aleatoriamente particulares nem sempre coincidentes com o interesse público, cuja defesa lhes é confiada. Hoje aconteceu na área da comunicação social, mas poderia ter acontecido em qualquer outra. Como, aliás, já aconteceu, com milhares de milhões de euros que passaram ao lado do interesse público graças a um regulador que jura que nada viu.

Satisfação


Hoje dizia-se que Jorge Jesus tinha assinado pelo Benfica por dois anos. Seria óptimo. Mas a SAD encarnada já desmentiu e promete agora avançar com um processo na Justiça contra o Jornal Record.

Imagem gamada daqui.

(actualizado)

Viva o descanso


Que pensarão o Mr. Freeport e o Sr. Pressões sobre a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado e sobre a monopolização mediática que o tema provocou nos últimos dias?

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Orelhas de Burro

Jorge Palma – “Os demitidos”

Olha, afinal foi tudo apenas uma feliz coincidência


Manuel Dias Loureiro recusou hoje a ideia de que renunciou ao cargo de conselheiro de Estado devido às acusações que lhe foram ontem feitas pelo ex-presidente do BPN, José Oliveira e Costa, no Parlamento. Toda a gente sabe que estas decisões de Estado são difíceis e requerem muita ponderação. Dias Loureiro andava há 15 dias a matutar numa decisão que lhe era exigida há meses. Lá calhou ter sido hoje o dia em que finalmente se decidiu pela demissão. Ele há cada coincidência mais levada do diabo.

Nuvens negras no horizonte

É um dado preocupante. Sem que aparentemente nada o justifique, as taxas Euribor voltaram hoje a subir pela sexta sessão consecutiva nos prazos mais longos. Pelo contrário, nos prazos mais curtos, as taxas desceram.

As taxas Euribor correspondem ao preço a que os bancos emprestam dinheiro entre si, pelo que esta variação de preço pode indiciar que o sector financeiro comece a debater-se com falta de liquidez e projecte novas e crescentes dificuldades num futuro não muito longínquo. Desta vez, porém, ao contrário do que aconteceu quando a crise financeira estourou, agora as taxas de referência dos bancos centrais já se encontram em valores mínimos que poderão variar muito pouco, pelo que as autoridades monetárias não contarão com esse importante instrumento de política monetária caso se verifique novo período de turbulência nos mercados.

A pressão de subida no preço do dinheiro pode também traduzir um aumento nas margens de lucro do sector. Nesse caso, a intervenção teria que ser de outra natureza e, caso o objectivo fosse realmente a resolução do problema, exigiria uma enorme dose de coragem política para romper com os dogmas do fundamentalismo mercantil.

Lisbon, We have a problem

Os muçulmanos do Cardeal

A tal Comissão Parlamentar que era inútil

O país esteve ontem suspenso a ouvir as histórias de Oliveira e Costa sobre o caso BPN. As mentiras do Conselheiro de Estado àquela Comissão Parlamentar, os negócios turvos do mesmo Dias Loureiro, de Joaquim Coimbra e outras personalidades do PSD, o perdão fiscal sempre negado até agora concedido por um Governo do passado a gente da sua órbita de influência, os 60 livros que já leu na prisão e o sacrifício da saúde que estóica e abnegadamente se disponibilizou a fazer para salvar uma sociedade e um Banco que não se teriam afundado caso não se tivesse concretizado apenas um negócio ruinoso e caso o tivessem deixado vender o Banco. Ameaços de desmaio, salpicos de filosofia, pinceladas pimba, punhaladas e golpes de bastidores, a longa dramatização teve de tudo menos a admissão dos ilícitos da responsabilidade do próprio e os enriquecimentos que lhe proporcionaram a si e aos seus ex-amigos. E, hoje, ficamos a saber que as revelações e o mediatismo que as envolveu precipitaram um pedido de levantamento da imunidade parlamentar do Conselheiro de Estado mais conhecido da nossa História.

Quando foi constituída, a Comissão Parlamentar de inquérito ao caso BPN recolheu criticas de várias personalidades da nossa Justiça, nomeadamente quanto à sua inutilidade e quanto à intromissão nos seus terrenos que acarretaria. Hoje vemos a mesma Justiça que se queria livre de pressões a ter que agir como consequência do trabalho daquela Comissão (a PR desmentiu ter recebido qualquer pedido de levantamento da imunidade de Dias Loureiro). Obrigado aos deputados João Semedo (Bloco de Esquerda), Honório Novo (PCP) e Nuno Melo (CDS-PP) pelo excelente trabalho que têm realizado. Afinal, a Comissão não era nenhuma inutilidade.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Orelhas de Burro

Royksopp - "What else is there"

Quem quiser colaborar com a fraude que se oponha

O PCP vai propor esta tarde à comissão de inquérito ao caso BPN a apresentação de uma queixa-crime contra o Banco de Portugal (BdP) por desobediência qualificada, por se ter recusado entregar ao Parlamento documentos considerados essenciais para o apuramento dos factos. A proposta surge depois de o PS ter recusado a via judicial para pedir o levantamento do sigilo profissional e bancário com base no qual o BdP tem recusado entregar, por exemplo, o relatório de auditoria feita ao BPN, as actas de reuniões do Conselho de Administração do BdP sobre as práticas da Sociedade Lusa de Negócios, assim como vária correspondência entre as três entidades. Segundo o deputado comunista Honório Novo, tudo documentos que “comprovam as ineficiências do sistema, sobretudo do banco de Portugal”. Fica a faltar a proposta de responsabilização disciplinar, financeira e criminal de quem do BdP, por acção ou omissão, com ou sem dolo, permitiu as actividades à margem da lei que conduziram ao buraco financeiro de mais de dois mil milhões de euros que o Governo não hesitou em encher com o dinheiro dos contribuintes seus representados. Estranha-se que não tenha ainda sido apresentada por ninguém.

Maizena por conta da casa

O Governo português andou num alvoroço mediático tremendo a promover uma campanha de incentivo à compra de painéis solares sem as cautelas que seriam aconselháveis. Em vez de exigir como requisito para a inclusão na campanha a certificação prévia por uma entidade portuguesa, apenas exigiu “uma” certificação. E a sorte sorriu a um dos parceiros do negócio que, apesar de não produzir paineis solares, conseguiu a tal certificação junto de uma entidade alemã, que logo a retirou quando verificou que havia erro. Azar. E agora, no final do processo, o Ministro da Economia pediu ao Laboratório Nacional de Energia e Geologia o parecer que deveria ter pedido no seu início. Parecer do LNEG: o produto em causa é claramente uma bomba de calor e para ser um painel solar precisa de comer muita papa Maizena. Fica por conta da casa.

Em nome da Justiça

É mais uma mancha a acrescentar às muitas da Justiça portuguesa. Na semana passada, executou-se a ordem dada por um Tribunal português da retirar uma menina russa de seis anos à sua família de acolhimento para devolvê-la à mãe biológica, apesar desta estar referenciada pelos técnicos da Segurança Social como alcoólica e da menina ser um caso de adopção bem sucedido já com quatro anos.

Hoje ficamos a saber que uma televisão russa exibiu imagens da mãe da mesma criança a
dar-lhe várias bofetadas por ela querer ir ter com a irmã mais velha, Valéria, sublinhando que o comportamento de Alexandra se deve ao facto de a família adoptiva portuguesa "a ter deixado fazer tudo". Gravíssimo. Agora quem pode fazer tudo é a mãe biológica, sem que a Justiça portuguesa possa interferir e proteger uma menina que nem sequer fala russo e sem que haja mecanismos que responsabilizem o Juiz que proferiu uma sentença que marcará toda uma vida. E outras meninas haverá a proteger, quer de mães que não as saibam cuidar, quer da novas monstruosidades produzidas pelas mesmas mãos poderosas e proferidas em nome da Justiça. Grande Justiça.

Era uma vez...

Era uma vez uma menina que chegou à escola e disse à professora:
– A minha gata teve quatro gatinhos. São muito lindos e todos do PS!
A professora achou muita graça e, no dia seguinte, quando passaram por lá os do Magalhães, pediu à aluna que contasse novamente a história da gata. Esta não se fez rogada:
- A minha gata teve quatro gatinhos. São muito lindos e dois são do PS.
– Então, mas ontem não eram todos do PS?
– Eram, sim, professora. Mas dois já abriram os olhos.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Sugestão para as férias


A Somália é o paraíso perdido dos neoliberais. Tem um Estado completamente ausente e, em sua vez, mandam as forças libertárias do mercado. Uma maravilha. Aqui fica a sugestão. Nas férias que se aproximam, liberte-se do Estado que apenas sabe oprimi-lo. Reserve já.

E havia quem o adorasse

O Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, condenou hoje o ex-presidente do Benfica João Vale e Azevedo a um cúmulo jurídico de 11 anos e meio de prisão pelas diversas condenações já sofridas, aos quais serão retirados os três anos e meio já cumpridos de prisão efectiva, pelo que lhe resta ainda cumprir oito anos de prisão.

Lembro-me que havia quem o adorasse. Lembro-me da conturbada campanha das eleições em que foi derrotado por escassa margem por Manuel Vilarinho. E lembro-me do Boavista, campeão em 2000 e despromovido pela segunda vez consecutiva, este ano aos campeonatos amadores. Podia ter acontecido o mesmo ao Benfica.

A primavera do absurdo

Vital Moreira considera que o PSD entrou em “ruptura” com a sua história, sendo agora um partido “conservador”, “neoliberal” e “oportunista” em termos europeus. O PS, pelo contrário, quer Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia e está disposto a juntar os votos dos seus eleitos aos da bancada do PPE.

Custos e benefícios


«Os dados são da central de balanços do Banco de Portugal.
O custo da dívida financeira das empresas portuguesas - juros suportados a dividir por dívida financeira - terminou o ano nos 8%, o valor mais elevado desde 2001. A política monetária não consegue influenciar o preço do dinheiro.» ­– Helena Garrido, no
Visto da Economia.

Já eu não me ficaria apenas pela ineficácia da política monetária. Toda a economia continua a pagar a ineficiência de um sistema que, aconteça o que acontecer – incluindo práticas delinquentes –, se vai dando ao luxo de ter o sector financeiro nas mãos de privados. O sistema continua a preferir sacrificar um prejuízo colectivo de toda a sociedade em prol do benefício individual de um sector particular. Que custos, que benefícios e para quem reverteriam os custos e os benefícios de uma banca nacionalizada são questões cuja inclusão no debate político se vai adiando eternamente. Tal como acontecia na monarquia, continuam a prevalecer actualmente tipos de enriquecimento atribuídos por inerência a uma aristocracia agora republicana. Hoje como então, o sagrado não se discute. Aceita-se.

Domingo, 24 de Maio de 2009

Orelhas de Burro

Ion - "Electric Poem 1"

Nem só os papagaios



Desenganem-se aqueles que pensavam que apenas os papagaios têm a capacidade de reproduzir palavras humanas. Há outros animais que também o fazem, simplesmente utilizam a língua inglesa. Talvez por isso passem despercebidos.

Vem isto a propósito do quase exclusivo que tem sido dado pelos média ao bloco central de papagaios na pré-campanha para as europeias e do afunilamento de soluções que dele resulta. No caso, tem sido um deserto de galhardetes e trocas de bocas entre os candidatos e líderes dos dois maiores partidos que, diga-se de passagem, são pouco mais que circo. Porém, apesar de Nada terem de soluções políticas e ainda menos de Europa, têm sido servidas como “as” soluções, deixando de fora do menu
qualquer alternativa e fazendo da política um tema estéril e aborrecido. Como consequência, os cidadãos, naturalmente, não se revêem nos artistas e o abstencionismo reflecte essa realidade. Ninguém no seu perfeito juízo se verá representado por quem pouco mais faz do que limitar-se a ridicularias como comentar a falta de jeito do adversário para a política ou das boleias mediáticas que tais comentários proporcionam, tal como ninguém nas mesmas condições de sanidade mental confiará o voto a quem sabe ter-se habituado a esquecer as promessas eleitorais no mesmo instante em que vê a eleição como um facto consumado. Não faz sentido votar por votar. O voto deve corresponder a um contrato de representação entre os eleitores e os seus eleitos e deverá ter subjacente um programa com as cláusulas desse contrato.

É para dar a conhecer as cláusulas do maior número de contratos possível que existem as campanhas eleitorais.
Hoje começa oficialmente a campanha para as europeias. Faço votos para que não se reduza apenas ao palrar de papagaios e que o debate que se estabeleça seja plural e esclarecedor. Todos os candidato se expressam em português e, para saber o que diz cada um, não será necessário promover nenhum curso intensivo de línguas estrangeiras. Apenas que os meios de comunicação social, ao invés de trabalharem para alimentar a formação da ideia generalizada de que os políticos e as políticas são todos iguais, contribuindo para a abstenção que favorece quem parte em vantagem nas intenções de voto, que façam o seu trabalho de fazer chegar os projectos de todas as candidaturas ao grande público. Em pé de igualdade e com isenção. A democracia agradecerá, com toda a certeza.

Fim


Finalmente, terminou o campeonato. Com um sorriso, aquele que sempre nos arrancam os golos do Mantorras. Marcou, mesmo no final do jogo, a cruzamento de Balboa, e selou uma época que não deixará saudades. Em mais um jogo pobrezinho, registos ainda para um golaço de Felipe Bastos, que entrou a render o apagadíssimo Carlos Martins, para o golo de Cardozo, que o coloca em segundo lugar dos marcadores com os mesmos 17 golos de Liedson, e para mais uma excelente exibição de Katsouranis que, apesar de ser um dos melhores jogadores da equipa, o Benfica vai deixar partir… por uma quantia ínfima, que, com toda a certeza, será empregue na compra de mais uma daquelas mais de 100 promessas que foram adquiridas na era Luís Filipe Vieira. Enfim.

Como balanço da época, o título, mais um, vai direitinho para o FC Porto, justo e incontestável vencedor. O vice vai para o Sporting, que jogará as pré-eliminatórias da Champions. Descem à Liga de Honra
o Trofense e o Belenenses, caso a Liga permita que equipas que não pagam os ordenados aos jogadores possam permanecer no escalão maior do futebol português. Sobem o União de Leiria e o Olhanense. E, para terminar a época, já só falta mesmo o aguardadíssimo adeus a/de Quique Flores. Seria preferível que fosse de.

(Cardozo, Felipe Bastos, Mantorras) Benfica 3 – Belenenses 1
FC Porto 1 – Sp. Braga 1
Sporting 3 – Nacional 1



Sábado, 23 de Maio de 2009

A primeira notícia pós-Manuela

Em média, a Ordem dos Advogados pune um advogado por dia por má conduta profissional. É óbvio que o número corresponde a uma minoria dentro da classe e que haverá condutas desviadas que ficam por sansionar. Mas também será verdade que, para além de nunca ninguém ter afirmado o contrário, afinal, os dados são públicos, não são segredo nenhum. E absolutamente normais, em todas as classes há maus profissionais.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Manuela no chinelo


Marinho Pinto encheu, encheu, encheu… e pôs a Manela no chinelo. Quem diz o que quer, ouve o que não quer. Finalmente houve alguém que a pôs no seu lugar.

"Alegadamente" comprovado

Hoje, mais uma vez, a nossa Justiça está de luto. Um Tribunal admitiu como provado que a nossa polícia recorre à tortura e ouve arguidos durante a noite sem a presença do seu advogado. Leonor Cipriano comprovadamente foi violentada e depôs sob tortura. O “comprovadamente”, porém, nos dias que vivemos confunde-se com o alegadamente: o Tribunal não teve capacidade de provar quem torturou e, das penas suspensas que sentenciou, nenhuma foi nem por tortura, nem por qualquer outro acto cruel, nem tão-pouco pela negação da protecção que é direito de qualquer arguido. As torturas foram presenciadas por agentes a quem a sociedade paga e confia para que zelem pelo cumprimento da lei. Dando-se como provado um crime perpetrado contra um cidadão que está detido num espaço destinado a fazer Justiça e não havendo nenhum autor desse crime, há, no mínimo, encobrimento.

O algodão não engana

As encomendas dirigidas ao sector da construção e obras públicas caíram para quase metade (48,4 por cento) no primeiro trimestre, face ao mesmo trimestre de 2008, uma variação que demonstra o grau de contracção do investimento em novas obras, quer do Estado, quer de entidades privadas. É também a expressão numérica da forma contemplativa que o Governo está a adoptar na sua não reacção à crise, embora a enxurrada de inaugurações esteja a obter êxito assinalável na transmissão da ideia contrária de que andam empenhadíssimos em dar-lhe uma resposta enérgica.

Vamos ter desemprego negativo!

Como soubemos ontem, o desemprego continuou a acelerar em Abril passado. Os 491.635 desempregados registados nos centros de emprego no final desse mês são o valor mais elevado dos últimos 35 anos e a tendência aponta claramente para que o número continue a crescer a um ritmo assustador.

Contudo, registe-se que este desemprego tem particularidades muito curiosas que indiciam que os números podem pecar por defeito, a começar pelo caso recente dos 15 mil registos que – confirmou-se – foram apagados para dourar o cenário. E hoje sabemos que o apagão não se ficou por aqui. Em Março passado, houve 42 mil desempregados que deixaram oficialmente de sê-lo. Em Abril, as anulações atingiram os 53,4 mil desempregados, mais dez mil do que o verificado no mesmo mês de 2008 e apesar da economia se ter deteriorado. Ou porque arranjaram emprego, o mais improvável na conjuntura actual, ou porque se encontram em acções de formação, ou porque não responderam a convocatórias, ou porque deixaram de procurar activamente um novo emprego, não se sabe. O IEFP recusa-se a divulgá-lo.

Em geral, as anulações de registos de desempregados abrandam quando a economia abranda. Mas, como verificamos, podem acelerar quando as eleições se aproximam. Fazendo as contas, utilizando a taxa de crescimento de anulações promovida pelo IEFP verificada nos últimos dois meses (27,14%) e assumindo que se manterá constante até às eleições, que previsivelmente serão em Outubro, haverá menos 67.894 desempregados em Maio, menos 86.322 em Junho, menos 109.753 em Julho, menos 139.543 em Agosto e menos 177.419 desempregados em Setembro. Somados, até às eleições teremos menos 580.932 desempregados. Ou seja, retirando este número aos 491.635 desempregados actuais, chegaremos às eleições com um desemprego negativo de 89297. Vamos ser o primeiro país do mundo com desemprego negativo. Justifica-se plenamente a necessidade da tal estabilidade e da reeleição do actual Governo. Estão completamente fora de cena os 150 mil novos empregos prometidos no início da legislatura, mas poderemos agora ter desemprego negativo, o que é muitíssimo melhor. E o resto é inveja.

O que seria de nós sem eles?

É uma realidade transversal a outros Ministérios. Sabe-se que, graças às cobranças automáticas introduzidas pelo génio Paulo Macedo, o Ministério das Finanças é um dos mais afectados. E hoje sabe-se também que o Ministério do Ambiente padece do mesmo mal: perdeu, nos últimos dois anos, cerca de metade dos recursos apresentados em tribunal por pessoas ou empresas multadas por infracções ambientais. Quem pagou e vai continuar a pagar as custas processuais desta gula desmedida foram/são os contribuintes e, a somar a este custo, há a registar que é o próprio Governo que entope um sistema judicial já por demais entupido. O que seria de nós sem eles?

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Fica para a próxima

O conselho de administração do Banco de Portugal (BdP) não terá aumentos salariais este ano, nem aumentos relativos a 2008, recuando na decisão anterior de proceder a uma actualização salarial de 5 por cento. São os mesmos que há pouco recomendaram contenção salarial e diminuição dos salários reais como forma de compensar défices de competitividade da economia portuguesa. Para os outros. Foram os mesmos que falharam clamorosamente na sua única missão de supervisão da actividade bancária e o seu erro custou mais de dois mil milhões de euros ao país. E queriam prémio. Saiu no jornal E agora recuam assim, dando o dito pelo não dito. E tudo vai ficar como se nada fosse. Cada um deles recebe mais de 200 mil euros anualmente. Vítor Constâncio cerca de 280 mil. O aumento pretendido de 5 por cento corresponderia a mais 14 mil euros por ano a acrescentar ao seu pecúlio. Fica para a próxima. E o insulto a todos os portugueses em dificuldades vai passar impune. Não custou nada tentar. Tal como os salários baixos, a liberdade de despedir é só para os outros.

Maria de Belém BES Saúde vs Maria de Belém PS


Testamento vital sim, mas eutanásia não. Com a avalanche de empresas que fecham diariamente, o número de desempregados que cresce à razão de 250 por dia, o crescimento económico em retracção acelerada, uma crise social com sinais cada vez mais visíveis e um Governo que observa tudo de camarote sem dar sinais de vida, resta a estratégia de animação da agenda política com as “questões fracturantes” para pulverizar as atenções. Entretêm bastante e dão aquele ar de esquerda pretendido na imagem de marca do produto vendido.
Registo que a animadora de serviço para anunciar a pincelada no adereço foi Maria de Belém Roseira. Oscilo na dúvida se quem falou foi a deputada e Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde Maria de Belém ou a
consultora da Espírito Santo Saúde para a área dos cuidados continuados, também Maria de Belém. É que, se o testamento vital (documento escrito onde se indica quais os cuidados continuados de saúde que se deseja ou não receber caso se fique incapaz de decidir) é um instrumento tão importante para uma instituição como a BES Saúde como uma ementa o é para a Cervejaria Trindade, a eutanásia então, para quem tem como negócio cuidar de moribundos, é um tema de importância equivalente à proibição do consumo de carne para quem tem como negócio a venda de bifes com ovo a cavalo. Bifes de vacas de esquerda, bem entendido.

Ajudar quem precisa

Há cerca de um mês, na AR, foi aprovada na generalidade uma proposta do Bloco de Esquerda que previa a limitação dos salários dos gestores das empresas apoiadas pelo Estado no âmbito das medidas de combate à crise, a não distribuição de dividendos enquanto durar a recessão técnica e a obrigatoriedade de comunicação dos vencimentos de todos os membros dos órgãos sociais de empresas cotadas em bolsa.

Apesar de na altura a ter viabilizado, na votação na especialidade, que decorreu ontem, o PS impediu a aprovação da iniciativa do Bloco, apresentando como argumento o de que foi entretanto publicada regulamentação suficiente sobre este assunto.

Esta regulamentação “suficiente”, entretanto definida pelo governo de José Sócrates, não prevê nem a publicitação dos rendimentos dos gestores de empresas apoiadas por fundos públicos nem impõe limitações salariais. Em despacho assinado pelo Secretário de Estado das Finanças, o governo “papá”, o mesmo que se negou a aprovar a proposta do Bloco de alargar a protecção social a mais desempregados, apenas "recomenda" aos representantes do estado nas empresas suas participadas que devem "introduzir, sempre que se justifique, moderação na estrutura remuneratória aplicável aos membros da administração, em termos compatíveis com a situação de mercado". Os "meninos" mal comportados têm liberdade de seguir ou não a recomendação. O PS quer tudo como antes. Continuaremos a financiar prémios de gestores de empresas em dificuldades com os nossos impostos.

Aqui lê-se que o Governo está a preparar legislação que prevê a tributação dos chamados “pára-quedas dourados” até 50%. O Bloco queria uma tributação a 75% e não apenas de rendimentos atribuídos a título de indemnização por cessação de mandato que estejam desligadas dos objectivos de produtividade e desempenho, conforme restringe o diploma em preparação pelo MF. E queria a publicitação de todos os rendimentos. A tributação de rendimentos ocultados ou camuflados é outro desafio que se coloca a um Governo que procura agradar a clientes bem definidos. Aplicando-lhe 0% ou 100% de imposto a um rendimento inexistente, o valor pago costuma ser o mesmo. Zero vírgula zero. Como se quer.
  • Actualização: afinal, a taxa aprovada pelo Governo foi de apenas 35 por cento e em sede de IRC. Ou seja, para além de ser inferior aos 42% da taxa máxima de IRS, serão as empresas que recebem dinheiro dos contribuintes (e não os sortudos gestores) que, para além de pagarem o prémio, ainda suportarão o imposto. De génio. Vamos pagar este imposto (e os prémios) com os nossos impostos.


Com ou sem os 15 mil desaparecidos?

De acordo com dados divulgados hoje pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de desempregados inscritos no final do mês passado somava os 491.635 (506.635), o que significa mais 105.294 (120.294) inscrições do que em Abril de 2008. Relativamente a Março, o número de inscritos aumentou 1,5 (4,5) por cento, resultado de um acréscimo de 7.504 (22.504) desempregados. Os dados indicados entre parêntesis incluem os 15 mil desempregados que o IEFP fez desaparecer. Desconhece-se se foram ou não incluídos neste boom de desempregados inscritos nos centros de emprego. Mais 27,3 por cento em Abril face ao mesmo mês de 2008, prolongando a subida iniciada em Outubro e representando o acréscimo mais elevado desde Julho de 2003.

Sobre a lei do "mercenato"

«A propósito da nova lei das armas que permite às empresas de segurança armarem os seus membros em determinadas condições estima-se em 39 mil os seguranças privados em Portugal. É um número impressionante que contrasta com a crise de emprego noutros sectores. Claro que muitos vieram apenas substituir os pacíficos contínuos que recebiam pela última letra da função pública, e levavam café e jornais aos chefes de repartição. Mas agora armados o caso muda de figura e passam a constituir um contigente a ter em conta. Por mim continuo a preferir a polícia.» – José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Orelhas de Burro

Anomie Belle - "How can I be sure"


Anomie Belle - "Bedtime Stories"

Presidente em part time

É uma solução à portuguesa. Perante a decisão do Governo de não exonerar Lopes da Mota e perante o apego do mesmo ao cargo que ocupa, o Procurador-geral da República deu instruções para que todas as diligências necessárias na investigação do caso Freeport que impliquem cooperação judiciária internacional passem a ser feitas sem passar pelo Eurojust. A querer agir em conformidade relativamente a detalhes que só ele conhece, não restava outra opção a Pinto Monteiro que fazer de Portugal o primeiro país a ter um membro da presidência do Eurojust em part time e, pormenor despiciendo, sem qualquer reajustamento de salário. Como ocupará o ilustre membro agora o seu tempo livre é pergunta com resposta óbvia, conhecida que é a sua paixão pressionante. Seja lá no que for, o Eurojust diz desconhecer o novo estatuto do português com a consciência mais tranquila. O importante mesmo é não prejudicar a imagem de Portugal. Dizia-se.

(actualizado)

Excelentes notícias

O Presidente da República vetou, pela segunda vez, a Lei do pluralismo e da não concentração dos meios de comunicação social, reiterando as reservas que tinha levantado quanto à ausência de um consenso parlamentar na sua aprovação quando devolveu, pela primeira vez, o diploma à Assembleia da República. Em resposta, porque uma boa notícia nunca deve vir só, o Governo anunciou que vai deixar cair a lei vetada e adiar a sua aprovação para a próxima legislatura. O PS amunciou que irá inscrever os seus princípios no programa eleitoral de Governo.

O nosso Portugal português

Uma professora foi suspensa preventivamente em resultado de um video devidamente forjado e gravado ilegalmente por alunas, sem que qualquer processo disciplinar tenha sido concluído. Apesar disso, sem qualquer decoro, fala-se em penas de repreensão, multa, suspensão de funções e até de demissão.

Um membro de um organismo internacional nomeado pelo Governo é acusado de exercer pressões sobre os magistrados aos quais foram confiadas as investigações do caso Freeport. É aberto processo disciplinar, fala-se nas suas suspensão e demissão, mas o caso é tratado com todo o melindre e é facultada ao senhor em causa a decisão de se manter ou não em funções, apesar do seu cargo ser de confiança política. Lá continua, obediente à voz do dono.

O Governador do Banco de Portugal, o servidor do Estado que aufere o salário mais elevado de todos, falha clamorosamente na sua missão de fiscalização e regulação do mercado, permitindo que as administrações de pelo menos três bancos (BCP, BPN e BPP) desenvolvessem negócios escuríssimos que resultaram no enriquecimento ilícito dos seus membros. O erro custa milhares de milhões de euros ao país mas, apesar disso e dos indícios de que o erro poderá não ter sido cometido tão ingenuamente assim, não se fala nem de demissão, nem de multa, nem de prisão, nem de absolutamente nenhuma sanção para o senhor. Falhou, como qualquer funcionário que recebe mensalmente 500 euros e tem responsabilidade proporcional. Ponto final. Lá continua.

Um conselheiro de Estado é envolvido no lamaçal de enriquecimento ilícito permitido pela pueril ingenuidade do senhor Governador do Banco de Portugal. Lá continua de pedra e cal no Conselho de Estado. Anda por aí à solta a movimentar-se na angariação de mais obras públicas e outros negócios com o Estado que lhe permitam aumentar ainda mais o seu parco pecúlio.

Mais um favor, mais uma clientela

As margens de lucro da venda de medicamentos são fixadas pelo Estado e encontram-se actualmente tabeladas em 18,25 por cento para as farmácias e em 6,9 por cento para os grossistas. Qualquer Governo interessado em aumentá-las ou diminui-las apenas teria que fixar as novas margens correspondentes. Mas o Governo Sócrates não é um Governo qualquer e a sua estratégia para fazer baixar os preços dos medicamentos passa por abdicar dessa prerrogativa e confiá-la ao mercado, liberalizando as margens de lucro da venda de medicamentos. Esta proposta liberalizadora, que está totalmente em contraciclo com a tendência internacional de aumento da regulação dos mercados, já foi apresentada ao sector e recolheu a surpresa desagradada geral de parceiros que apontam a ANF e as grandes farmacêuticas como as grandes beneficiárias desta medida. As visadas, que dominam o sector, naturalmente, foram a excepção.

Para aqueles mais saudosistas


Genuinamente, "matar saudades".

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Orelhas de Burro

Bliss - "Light To Your Life”


Bliss - "Wish You Were Here"

A mão que lava a outra

José Sócrates tem em mãos a decisão de manter ou não em funções o membro da presidência do Eurojust Lopes da Mota. Cavaco Silva, a de manter em funções ou não o Conselheiro de Estado Dias Loureiro. Diz o segundo sobre a omissão do primeiro: "as instituições acho que até este momento funcionaram (…) e eu espero que continuem a funcionar por forma a prestigiar o país e a quem compete tomar decisões que tome as decisões correctas, de acordo com os superiores interesses do nosso país". Dias Loureiro e Lopes da Mota já fazem parte dos superiores interesses do país. Graças a Cavaco Silva e José Sócrates, que continuam a prestigiar-nos todos os dias com as decisões mais correctas para todos eles. Ambos sabem que os portugueses gostam mesmo é desta estabilidade. Não lhes custa nem votos, nem popularidade.

Será mesmo mentira?

O bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Marinho Pinto, denunciou hoje, em entrevista à TSF, existirem “indícios de que alguns advogados ou alguns escritórios são quase especialistas em ajudar certos clientes a praticar determinado tipo de delitos, sobretudo na área do delito económico”. Até pode não ser mentira nenhuma. Porém, como sempre, faltou a concretização que retiraria o rótulo de cabala populista a mais esta intervenção. Quem queira demonstrar que o Rei todos os dias se esquece de se vestir antes de sair de casa deverá mostrar as fotografias que comprovem os seus passeios pornográficos. Caso contrário, em vez das taras do Rei, será apenas a fixação pela obscenidade de quem o diz que ficará evidenciada.

Aprovar sem ler, ler e corrigir

Luís Pita Ameixa, deputado do PS, descobriu uma diferenciação que classifica como "inconstitucional e repugnante no plano dos princípios democráticos" e propõe à sua bancada a sua correcção. A legislação em causa é a mesma que o próprio teve a oportunidade de ajudar a aprovar com os seus voto e aplauso efusivos. Despertou agora, ou porque alguém lhe leu a lei que aprovou sem analisar previamente com o cuidado que merecem todos os diplomas que modificam o destino a concidadãos que representa, ou porque há novos actos eleitorais que se aproximam, ameaçadores, e há que garantir o lugar por mais 4 anos. A “descoberta” do erro dá-lhes agora uma oportunidade de se mostrarem paladinos defensores dos direitos democráticos e de promoverem a respectiva capitalização em votos.

Depois da campanha rosa que foi perpetrada contra os funcionários públicos durante toda a actual legislatura, a pouco e pouco as situações concretas que o decorrer do tempo vai proporcionando vão despertando os mais incrédulos e os mais adormecidos para as enormidades contidas na obra do actual Governo. Hoje é notícia a perda de remuneração em que incorrem os funcionários públicos que participem em campanhas eleitorais. Ao contrário dos seus colegas do privado, que mantêm – e bem – os seus direitos de participação na vida política do país, o novo Contrato de Trabalho em Funções Públicas limita o direito ao salário a
um terço do período da campanha eleitoral (três dias e meio dos 11 efectivos de campanha), ao passo que no Código de Trabalho, aprovado já este ano, se reconhece o período de campanha eleitoral como podendo dar origem a faltas justificadas, sem qualquer perda de direitos, durante todos os 11 dias. A pérola legislativa colide ainda com a lei eleitoral para as autarquias locais, na qual funcionários do sector público e do sector privado podem participar sem perda de quaisquer direitos.

Dois caminhos para reduzir o desemprego

Há pelo menos duas formas de fazer diminuir o desemprego. A primeira passa por promover medidas políticas que potenciem a criação de emprego. Não é para todos. Há que ter capacidade para o fazer. A segunda passa por camuflá-lo, fazendo reiteradamente desaparecer registos de desempregados para falsear as estatísticas. Também não é para todos. É preciso ter uma falta de escrúpulos suficiente para ocultar o drama de milhares de pessoas daqueles cujo voto , necessário para a reeleição, poderia de alguma forma ser influenciado por essa informação.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Carnaval exames 2009 - aquecimento

A Associação de Professores de Português (APP) diz que há "algum facilitismo" nas provas de aferição dos 4.º e 6.º anos. Já começou o Carnaval Exames 2009. Mais aqui.

Assobiar para o lado

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Luís Amado, defendeu hoje que Lopes da Mota "tem toda a legitimidade de continuar" na presidência do Eurojust enquanto essa organização assim o entender. Mas “essa organização” não tem que nem vai entender nada. Quem nomeia - ou exonera - cada membro da presidência do Eurojust é o Governo do respectivo país. E o Governo português sabe que não pode tomar posição, sob pena de que se venham a saber ainda mais detalhes inconvenientes.

Um novo filão que se perspectiva

A constituição da sociedade que vai explorar e gerir o sistema de identificação electrónica de veículos foi publicada hoje em Diário da República. A sociedade, de capitais exclusivamente públicos, poderá poder subconceder serviços a entidades privadas mediante autorização do Governo e, quando "razões de interesse público relevante o justifiquem, (...) pode adoptar-se o ajuste directo para a formação do contrato de subconcessão". A malta amiga já esfrega as mãos de contentamento com a nova renda que se perspectiva. Os cidadãos pagarão pelo "serviço" de fornecimento de uma pulseira electrónica especial para carros. E eles farão o sacrifício de assegurar o interesse público através de negócios a contratualizar sem aquelas formalidades que só atrapalham quem quer ganhar a vida honestamente através do seu labor, recebendo em troca uma renda concedida até um máximo de 25 anos. Como tal, a precariedade do vínculo está posta de parte. É compreensível. Estas coisas carecem de estabilidade.

As pressões do Covadabeirojust

A totalidade dos processos de fundos comunitários da Intervenção Operacional Ambiente do 2.º Quadro Comunitário de Apoio foi ilegalmente destruída em 2007, já durante o actual Governo, por decisão da Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Ambiente. Entre os projectos cuja documentação foi eliminada encontra-se o da construção e concessão da Estação de Resíduos Sólidos Urbanos da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB), cuja adjudicação ao grupo HLC está no centro de um processo de corrupção que tem julgamento marcado para Outubro e envolve personalidades da esfera de amizades de José Sócrates. Ao contrário das alegadas pressões para abafar as investigações do Freeport que continuam a embaraçar o PS, a eliminação de provas naquele outro caso decorreu sem que quaisquer pressões tenham chegado ao conhecimento público. Apenas nos chegou o resultado de um trabalho bastante bem feito.

O melhor remédio para aquela insónia

Nada melhor para devolver o sono a um Primeiro-ministro com insónias alegadamente causadas pelo desemprego do que contar desempregados carneirinhos abstencionistas ou que votem no seu partido. São aos magotes, todos a dormir. Uma fartura tal que o IEFP entendeu por bem que, para adormecer, José Sócrates não necessita de contar tantos assim. E o problema nem é tanto a realidade do desemprego em si mesma mas sim as estatísticas e a imagem de fracasso de governação que elas possam transmitir.

Domingo, 17 de Maio de 2009

A experiência penúltima de mestre Quique

A apenas duas jornadas do final do campeonato, Mestre Quique continua a fazer experiências. Desta feita, porém, não se saiu mal. Moreira, que inexplicavelmente rendeu Quim na titularidade da baliza encarnada, fez um punhado de excelentes defesas, justificando a chamada ao onze. Na outra invenção, David Luiz, deslocado para o lugar onde habitualmente alinha Miguel Vítor no centro da defesa, este deslocado para o lugar do adiantado para médio direito Maxi Pereira e Jorge Ribeiro a alinhar no lugar do primeiro, na lateral esquerda, nem teve tempo de cometer qualquer asneira porque saiu lesionado logo no início da partida, forçando o xadrez do mestre a regressar à normalidade. E quis a fortuna que fosse o Braga a render homenagens ao disparate com três ofertas de golo ao Benfica, que os encarnados não enjeitaram. Não fora isso e talvez se tivesse notado a fragilidade do passe-vite Jorge Ribeiro, uma nulidade em campo, a inconsistência de um Reyes que já sabe que se vai embora e a falta de criatividade de um meio campo que não constrói jogo para os avançados. Acabou por funcionar graças à possibilidade de jogar em contra ataque proporcionada por uma vantagem confortável caída do céu.

Notas positivas para a velocidade e precisão de passe de Urretaviscaya, para a consistência de dupla formada por Ruben Amorim e Katsouranis e, claro, para aquele que aqueceu o banco durante mais de metade da época e nunca seria o melhor marcador da equipa caso Swazo não tivesse ido para o estaleiro: Cardozo. Nota muito negativa para o homem do apito, Artur Soares Dias. Uma nódoa.

Sp. Braga 1 – Benfica 3 (Cardozo, Di Maria e Urretaviscaya)

De verde para branco: o "empreendedorismo" socrático

«Servirá de alerta àqueles que ainda não têm conhecimento da nova proposta que estão a receber os formadores a leccionar no ensino público. Como já não podemos passar recibos verdes, temos uma das seguintes alternativas:

a) fazemos contrato com o Estado, como trabalhador por conta de outrém, na condição de aceitarmos leccionar 132 horas de aulas por ano (sem possibilidade de acumulação em diversas escolas);

B) transferirmos o nosso regime de recibos verdes – como trabalhadores independentes – para o regime a facturas – como empresa em nome individual, e nesta condição não temos limite de horas a leccionar, podendo fazer acumulação com outras escolas.

A realidade é que não podemos aceitar a primeira proposta pois não permite receber sequer o ordenado mínimo nacional, em alternativa passamos de precários para precários, de verde para branco, sendo que o próprio governo contorna as leis que cria e não temos grandes hipóteses de escolha, pois as escolas estão a propor a transferência para empresa em nome individual. Com esta medida o governo pode afirmar que acabou com os recibos verdes e que haverá um admirável crescimento de empresas, mas os precários continuarão precários!» - retirado
daqui.

É proibido contextualizar

Esta noite houve desacatos noutro Bairro problemático. Em Chelas. Contudo, desta vez não contextualizemos. Desta vez vai ter que ser. Acabemos com a pobreza, com o desemprego, com os muros que separam os dias e barram os sonhos eternamente adiados de dias melhores, com a droga e com a marginalidade que por ali se passeiam usando o método simplex das mentes simples. À porrada. Vai resultar. Respeitinho é o que é preciso. Nunca mais haverá problemas em Chelas.

Orelhas de Burro

Nicola Conte – Sea and Sand”


Nicola Conte - Kind of Sunshine

Sábado, 16 de Maio de 2009

Qual inflexão

Durante a semana que passou, Jean-Claude Trichet deu o mote. O pior da crise poderia já ter passado em alguns países do mundo. E “em alguns países do mundo” soou como uma sinfonia a toda uma classe política e imprensa atrelada que, com eleições à porta e com a completa inexistência de uma resposta à crise na UE a camuflar, logo aproveitaram para encafuar Portugal e a Europa nos tais países onde o sol começaria a espreitar por detrás das nuvens, mesmo apesar da realidade negra que os números mostraram já no final da semana.

Não é o que se lê nas páginas do
Financial Times, que, ao invés da desejada inflexão, destaca que a recessão na zona euro se intensificou drasticamente, arrastada por quase quatro por cento de contracção da economia alemã, aprofundando aquela que já era a maior crise desde a 2ª guerra mundial.


Atchoinc!

A gripe A mexicana suína esteve mesmo, mesmo mesmo a aproximar-se da Bairrada dos leitões.

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Ideologia NFNSC (Nem F, Nem Sai de C)


Manuel Alegre, que esteve hoje reunido com os apoiantes do Movimento de Intervenção Cívica (MIC), já desfez o tabu: não está disponível para integrar as listas eleitorais do PS mas ficará no partido. Alegre igual a si próprio. Nem dentro, nem fora, antes pelo contrário. Ideologia alegrista pura e dura. O PS pode continuar a contar com ele nos combates contra a direita, contra a esquerda, contra o centro, contra tudo e contra todos. E, se assim o entenderem, até mesmo em combates mais presidenciais. Ele não se importa nem muito, nem pouco. Antes pelo contrário.

(actualizado)

As garantias da estabilidade

A revisão das previsões económicas que foram hoje anunciadas pelo Governo são um bom indicador daquilo que ocorrerá com forte probabilidade caso vençam as próximas eleições: a reedição do “nós não fazíamos ideia que a situação era tão grave” a que assistimos depois de ganharem as últimas. Os 3,4 por cento de recuo do PIB previstos ficam aquém até dos -3,5 da previsão optimista do Banco de Portugal de há uns meses. O FMI prevê uma contracção de 4,1 por cento e a Comissão Europeia de 3,7 por cento. No primeiro trimestre deste ano, e é já uma realidade, o PIB recuou 3,7 por cento em termos homólogos, o pior resultado desde 1977. O Governo prevê que o desemprego aumente para os 8,8 por cento este ano, quando a realidade actual mostra um desemprego oficial, sempre menor do que o desemprego real, já de 8,9 por cento no primeiro trimestre e a Comissão Europeia previu 9,1 por cento. Finalmente, a previsão do Governo de défice público anunciada foi de 5,9 por cento, quando a Comissão Europeia prevê 6,5 por cento. Sem dúvida alguma, se o país quiser continuar a ter previsões fantasiosas e políticas alinhadas a essa fantasia, a aposta terá que ser a de confiar o voto à continuidade e à estabilidade que só o actual Governo está à altura de garantir.

Mais sucessos

O número de desempregados em Portugal deu um salto de 13,3 por cento entre o quarto trimestre de 2008 e o primeiro deste ano e 16,1 por cento, face ao trimestre homólogo transacto. São quase 500 mil (495,8 mil) os desempregados oficialmente registados no primeiro trimestre do ano. A taxa de 8,9 por cento deste primeiro trimestre supera em quatro décimas a previsão da realidade ficcional do Governo, que não contempla os 4 em cada 10 desempregados que não recebem qualquer subsídio. 38 por cento, cerca de 180 mil pessoas, a quem recusaram o alargamento dos critérios de atribuição do subsídio social de desemprego propostos pela oposição de esquerda e pelos sindicatos. Em vez da medida que se impunha, a opção recaiu num toque de cosmética de alcance meramente mediático: um adiamento da amortização do crédito à habitação para daqui a dois anos. Está-se bem.

Alvíssaras!

A economia portuguesa recuou 3,7 por cento no primeiro trimestre de 2009 face a igual período do ano passado, naquele que é o pior resultado desde pelo menos 1977, segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O Governo já anunciou que vai rever as suas previsões de crescimento, alinhando-as com a previsão já desactualizada do recuo do PIB de 3,5 por cento antecipado pelo Banco de Portugal. Mas este tipo de optimismo branqueador não se fica por aqui. Na comparação entre trimestres, nos primeiros três meses de 2009, a nossa economia recuou 1,5 por cento face aos últimos 3 de 2008 e entre este período e o trimestre imediatamente anterior havia recuado 1,9 por cento. Continua a recuar imenso, mas, alvíssaras! Como recuou menos, vamos todos acreditar que o fim da crise já aí vem em passo de corrida, lado a lado com José Sócrates no seu jogging matinal. Avé, avé.

"Batam-me, senão eu peço!"


Insultado, já foi. Mesmo antes de aterrar na ilha da Madeira, o chefe de vendas da JP Sá Couto foi chamado de mentiroso e despromovido à categoria de caixeiro-viajante. E hoje, dia da aterragem, a data marcada para a distribuição do produto, a organização espera que a técnica descoberta por Vital continue a dar bons frutos. Uma pêra ou, pelo menos, uma banana voadora que faça uma nódoa-troféu na camisa do menino de ouro suficientemente visível para justificar posteriores encenações.

Orelhas de Burro

Bombay Dub Orchestra - "Compassion"

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Quando tudo ainda era azul

Abafado é que era bom


Quanto mais falam no assunto, mais se nota o embaraço. Agora os magistrados que denunciaram as pressões para abafar o caso Freeport são “delatores”, traidores de quem neles confiou para lhes dar a honra de os pressionar. Tinha dado mesmo jeito que se tivessem calado. Ele há cada chatice... nada euro e nada just. E Sócrates até entende e respeita a posição de Vital, que afinal até nem disse bem o que disse.

(actualizado)

Os inevitáveis benefícios da concorrência

A inestética de ser pirata

No início de Novembro de 2006 realizou-se o XVIII Congresso Internacional de Ginecologia e Obstetrícia em Kuala Lumpur, que contou com a participação de 40 piratas. Eram portugueses. Médicos. Em causa poderá estar uma viagem paga por um laboratório farmacêutico, o que é considerado como corrupção à luz da legislação portuguesa caso as despesas pagas não se relacionem directamente com formação. Mas o Bastonário da Ordem dos médicos prefere ressaltar a questão da inestética da ocorrência. Afinal, Alberto João Jardim também já se mascarou de odalisca. Tudo a ver. Sendo assim, estamos conversados. A justificação tem a máxima pertinência. Toda a gente sabe que desde esse fatídico Carnaval as relações entre a indústria farmacêutica e os médicos nunca mais foram as mesmas.

(corrigido)

Eu também

Vital Moreira diz que suspenderia funções se estivesse no lugar do presidente do Eurojust. E eu digo que diria o mesmo se estivesse no lugar do aflito cabeça de lista do partido que está atascado em toda esta trapalhada. Seria a única forma de tentar evitar atolar ainda mais o score eleitoral. Como não sou candidato, porque é mesmo o que penso, diria ainda que, face à gravidade da questão, e porque a manutenção de Lopes da Mota em funções implica que, se quiser, continuará a poder sabotar a colaboração entre as autoridades portuguesas e inglesas na investigação do Freeport, a confiança política que presidiu à nomeação, também política, de Lopes da Mota, haveria que ser retirada até o caso estar esclarecido, previsivelmente apenas daqui a cerca de um ano. E que por algum motivo tal não aconteceu. O Governo não quis. Porquê?

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Orelhas de gato

De gato, para variar.

Depois de lhes dar milhões e milhões

O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou "arrepiantes" as recentes notícias sobre práticas de gestão fraudulenta no Banco Privado Português (BPP) e no Banco Português de Negócios (BPN) e pediu rapidez à autoridades judiciais na perseguição dos criminosos.

A criminalidade à esquerda e à direita (na AR)



Se se tratasse de um debate sobre fogos florestais, tanta é a informação que existe sobre o tema, resultaria absurdo que alguém, só porque, para além de defender meios mais eficazes para apagar fogos, defendesse ainda a limpeza das matas que os evitariam, fosse acusado de não querer combater os incêndios ou de estar a proteger os incendiários. Mas o debate era sobre criminalidade e José Sócrates sabe bem que a ódios recalcados e a informação não é assim tão abundante, pelo que não conseguiu resistir à tentação de executar mais um daqueles números de circo que tão bem sabe fazer. Desta vez saiu-lhe mal. Na caixa de comentários a um post de ontem ocorreu argumentação semelhante: “a criminalidade à esquerda e à direita” hoje esteve no Parlamento. Sócrates tentou explorar o terreno fértilo do equívoco onde se movem aqueles que acusam a esquerda de ser cúmplice da criminalidade e de se opor à sua punição exemplar à luz da Lei e Francisco Louçã agradeceu a oportunidade oferecida para desmontar a encenação.

Sobre outro tipo de criminalidade, com origens em problemas sociais que não existem no Bairro da Bela Vista, para memória futura, fica ainda a garantia de José Sócrates de que “
o Governo não fez, não faz, nem nunca fará nenhuma pressão sobre nenhum magistrado a propósito deste ou de outro processo judicial”.

Bom negócio em perspectiva

José Sócrates anunciou esta tarde na Assembleia da República que o Governo fez uma proposta para a compra da 50% da companhia de seguros de crédito à exportação Cosec e que o BPI, detentor de metade do capital da companhia, está disposto a vender a sua posição. Quanto pagarão os contribuintes portugueses por este prémio a uma seguradora que não segurava – sem multa! - é um detalhe que ficará para as cenas dos próximos capítulos. Por agora... Quem disse que os privados são contra as nacionalizações?

Sintomático

Muito mau sinal

A inflação voltou a ser negativa em Abril (-0,5 por cento), face a Abril de 2008, e acentuou ainda mais esta tendência iniciada em Março, quando os preços dos produtos e serviços caíram, na comparação homóloga, abaixo de zero (-0,4 por cento) pela primeira vez este ano, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística.

Há dias, a OCDE e Jean-Claude Trichet descobriram um “ponto de inflexão” sabe-se lá onde e anunciaram o princípio do final da crise em alguns países, opinião logo contrariada pelo Nobel da Economia, Paul Krugman. O acentuar da queda dos preços é um sinal preocupante de que o pior da crise pode ainda estar para vir. Uma espiral deflacionista seria uma catástrofe de dimensões incalculáveis de recuperação muitíssimo difícil, ainda mais com a ausência política a que temos assistido. Se ocorrer a irresponsabilidade de seguir algumas das receitas caseiras que se vêem publicadas com algum eco, que defendem a contenção de despesa pública e de salários como o caminho para a porta de saída da crise, então é que Seria lindo. A escassez que se verifica na procura, a sua causa principal, não pode ser combatida fazendo o disparate de actuar no sentido de fazer diminuir a procura.

Falta o slogan

O caminho para a maioria absoluta até pode não passar pelo Twitter, mas a campanha de José Sócrates nas próximas eleições legislativas vai ter nas redes sociais um palco privilegiado para tentar criar uma onda de entusiasmo e militância socialista entre os eleitores. O Partido Socialista contratou os serviços da Blue State Digital, empresa responsável pelo desenvolvimento da vertente online e multimédia da campanha do agora presidente Barack Obama.

Falta o slogan. Lembro-me de várias possibilidades. Yes, we own. Sim, nós mandamos em tudo. Yes, we sink. Sim, nós afundamos. Yes, we shut. Sim, nós controlamos. Yes, we fax. Eu, engenheiro. Offshore businesses também não me parece mal. Yes, we Mota-Engil; Yes, we Brisa; Yes, we sell; Yes, we love rich bankers; Sim, nós inauguramos. É um mar de possibilidades, mas repararam, com certeza, que tive a elegância de não incluir nenhum slogan com as palavras “free” ou “port”, não repararam?

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Promoção à vista

O procurador-geral da República decidiu converter o inquérito sobre as pressões aos magistrados que investigam o caso Freeport em processo disciplinar contra o procurador-geral adjunto José Luís Lopes da Mota, magistrado que preside actualmente ao Eurojust. Confirma-se. Afinal houve pressões para influenciar a investigação. Para garantir uma qualquer recompensa pelos serviços prestados – uma promoçãozita ou uma nomeação política para um cargo mais importante vêm sempre a calhar –, Lopes da Mota terá agora que manter a versão de que agiu por sua iniciativa individual, mantendo fora desta história um Ministro da Justiça que não lhe deu instruções nem recebeu instruções de José Sócrates para o fazer. Com que interesse o fariam?