segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O espectáculo global

O comércio mundial deverá contrair-se este ano mais de 10 por cento, uma percentagem "sem precedentes", advertiu hoje em Seoul o estupefacto director-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que encontra as causas desta implosão inédita na crise económica internacional. Uma crise que é vendida ao mundo como tendo surgido espontaneamente e o mais remotamente associada ao tal comércio livre que traria, mas que não trouxe, riqueza para todos.

Quer parecer que apenas os arquitectos da sua implementação e respectivos seguidores se vão surpreendendo com as consequências desta obra grandiosa. Mercê da promoção da competição em pé de igualdade entre produções obtidas com e sem direitos laborais e salários dignos, com e sem restrições ambientais, o comércio livre foi destruindo e deslocalizando emprego, o poder de compra e os direitos sociais das populações das economias antes compradoras, ao mesmo tempo que, nas economias agora vendedoras, ajudou ao florescimento de um modelo cujo sucesso, permitido e aplaudido, depende da semi-escravatura e de uma poluição gratuita que põe em perigo a sustentabilidade ambiental do planeta.

E é precisamente porque continua a prevalecer o dogma do comércio livre que há a necessidade de
esgrimir argumentos sobre as medidas a implementar para salvar o planeta. Um espectáculo patético a servir a populações que cada vez mais se dão conta do risco real de uma catástrofe ambiental à escala global, promovido por actores que sabem perfeitamente que não há outro argumento a utilizar com quem apenas entende a linguagem do dinheiro e, simultaneamente, está perfeitamente tranquilo porque conhece o dogma que impede a fixação de cláusulas proteccionistas penalizadoras de produções que não respeitem a dignidade Humana e o ambiente. A sua prioridade é salvar o comércio livre e não salvar o planeta e promover a qualidade de vida daqueles a quem supostamente representam. É para esta realidade que as opiniões públicas devem despertar. Até que tal aconteça, teremos mais e mais pobreza, desemprego, poluição e reedições do teatro de fantoches de Copenhaga. Não, o espectáculo está longe do fim. O mundo, tal como está, continua a fazer milionários.

2 comentários:

Nuno Raimundo disse...

Boas...

O problema é que qq dia já não há mais espaço para tanta contração e depois o que se fará?!...

abr...prof...

Ana Paula Fitas disse...

Vou fazer link, Filipe!
Um abraço :)