O Tratado de Lisboa que, por ser tão evidente e inquestionavelmente “bom”, colheu a aclamação geral dos partidos que estão ou já estiveram no poder em toda a Europa e foi aprovado sem discussão pública, à revelia das populações europeias, começa agora a ser um problema. Aquele que tornaria a Europa mais forte e coesa começa a revelar-se um foco de tensão entre os executivos eleitos pelos cidadãos europeus e uma autoridade monetária nascida em Maastricht não eleita democraticamente e, como tal, politicamente irresponsável, com poderes que são um corpo estranho que pesa no défice democrático da União e está acima dos dos próprios Governos.
Quando a crise rebentou, registava-se uma coincidência entre os objectivos do Banco Central Europeu e os dos Governos: era preciso travá-la a todo o custo. Porém, assim que apareceram os primeiros indícios de retoma, embora tímidos e inconsistentes, as prioridades das duas partes começaram a divergir. Apressadamente, as autoridades monetárias realinharam o discurso à mesma ortodoxia monetarista que ajudou a cavar a crise e o fantasma das tensões inflacionistas de longo prazo, que se alimenta de estímulos e défices públicos, regressou em força. Embora a procura continue bastante deprimida e a crise esteja longe do fim, apesar dos preços estarem em queda, o BCE zela para que a inflação não se aproxime dos míticos 2 por cento.
Do lado dos Governos, com o desemprego a bater recordes e a pressão social a aumentar ao mesmo ritmo, o objectivo principal tende a ser o da retoma. Porém, para além da crise, os Governos têm agora que lutar contra o espartilho orçamental imposto pelo PEC, tão imensamente bom como o Tratado que o consagrou como a política económica oficial da União Europeia. O mesmo Tratado que teve o cuidado de afastar o combate ao desemprego das atribuições do BCE e, simultaneamente, preservar uma irresponsabilidade política potenciadora da irresponsabilidade económica patenteada na decisão de subida de taxas no Verão de 2008, quando os sinais de crise eram já por demais evidentes. A inflação vinha aí. Seria o caos se os preços crescessem acima de 2 por cento. O caos chegou, mas entrou por outra porta. A que o BCE escancarou ao manter as suas taxas directoras elevadas durante tanto tempo e que o PEC desenhou ao ditar tectos orçamentais que travaram o investimento público, logo, o crescimento económico e a criação de emprego, e fizeram recuar o Estado social. Vão continuar a fazê-lo. Por quê? Porque sim. Di-lo o Tratado. E será de todo aconselhável não esquecer aqueles que, por serem tão responsáveis, lhe apregoaram as virtudes e tiveram a irresponsabilidade de aprová-lo sem o questionar.
Quando a crise rebentou, registava-se uma coincidência entre os objectivos do Banco Central Europeu e os dos Governos: era preciso travá-la a todo o custo. Porém, assim que apareceram os primeiros indícios de retoma, embora tímidos e inconsistentes, as prioridades das duas partes começaram a divergir. Apressadamente, as autoridades monetárias realinharam o discurso à mesma ortodoxia monetarista que ajudou a cavar a crise e o fantasma das tensões inflacionistas de longo prazo, que se alimenta de estímulos e défices públicos, regressou em força. Embora a procura continue bastante deprimida e a crise esteja longe do fim, apesar dos preços estarem em queda, o BCE zela para que a inflação não se aproxime dos míticos 2 por cento.
Do lado dos Governos, com o desemprego a bater recordes e a pressão social a aumentar ao mesmo ritmo, o objectivo principal tende a ser o da retoma. Porém, para além da crise, os Governos têm agora que lutar contra o espartilho orçamental imposto pelo PEC, tão imensamente bom como o Tratado que o consagrou como a política económica oficial da União Europeia. O mesmo Tratado que teve o cuidado de afastar o combate ao desemprego das atribuições do BCE e, simultaneamente, preservar uma irresponsabilidade política potenciadora da irresponsabilidade económica patenteada na decisão de subida de taxas no Verão de 2008, quando os sinais de crise eram já por demais evidentes. A inflação vinha aí. Seria o caos se os preços crescessem acima de 2 por cento. O caos chegou, mas entrou por outra porta. A que o BCE escancarou ao manter as suas taxas directoras elevadas durante tanto tempo e que o PEC desenhou ao ditar tectos orçamentais que travaram o investimento público, logo, o crescimento económico e a criação de emprego, e fizeram recuar o Estado social. Vão continuar a fazê-lo. Por quê? Porque sim. Di-lo o Tratado. E será de todo aconselhável não esquecer aqueles que, por serem tão responsáveis, lhe apregoaram as virtudes e tiveram a irresponsabilidade de aprová-lo sem o questionar.

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