segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

De regresso

Quando, há uma semana, interrompi as postagens no PB, a actualidade nacional era dominada pelo caso face oculta. Então, em foco estavam todos os corruptos e corruptores em potência que terão enriquecido na sombra de esquemas sobejamente retratados por toda a imprensa. Porém, sorte a sua, bastou uma semana para que o indesejado estrelato os abandonasse. Nos dias que se seguiram, a abordagem alterou-se e as atenções foram de todos eles desviadas.

Coincidência, talvez, durante a mesma semana, José Sócrates foi visto a ser injectado com uma substância misteriosa, alegadamente uma vacina contra a gripe dos porcos. Os efeitos secundários não se fizeram esperar. Quase imediatamente, imagine-se, ele, o impoluto Primeiro-ministro de Portugal, que, salvo raras excepções como, entre outras, os casos FREEPORT, Independente, casas na Beira Alta e aterro da Cova da Beira, nunca antes tinha visto o seu nome manchado com qualquer associação a negócios de pocilga, foi colhido de cernelha nas escutas realizadas no âmbito das investigações ao caso em conversas com um dos seus protagonistas, cujo apelido quis o divino que fosse o substantivo colectivo que identifica um grupo daqueles animais que o mesmo criador quis também associar ao líquido injectado.

Vai daí, das escutas estalaram duas guerras: uma, entre alguns dos mais destacados membros daqueles que beneficiaram de mais um caso ocorrido antes e conhecido depois das eleições e o tudo e o todos que, segundo os próprios, está novamente a promover uma campanha negra, desta feita denominada de “
espionagem política”, contra alguém tão insuspeito como o seu mais que tudo; e outra, ao mais alto nível, entre as duas magistraturas, que, entre salpicos de porcaria, incluindo um esforço branqueador na forma de ordem de destruição de vestígios do chiqueiral, aproveitaram para ensaiar uma disputa pela primazia na condução da brincadeira em que transformaram a investigação criminal.

Finalmente, em jeito de desodorizante de mais esta história pestilenta,
o Bloco de Esquerda recuperou alguns dos projectos legislativos anti-corrupção por si apresentados e chumbados pela maioria socialista durante a última legislatura. A aprovação – ou rejeição – da criminalização do enriquecimento sem causa conhecida, do levantamento do sigilo bancário, da retenção fiscal dos lucros obtidos por alterações de PDM e do fim da distinção entre corrupção para acto lícito e corrupção para acto ilícito vai novamente permitir verificar quem é quem no combate à corrupção. Teremos que esperar pelo resultado da votação que decorrerá na AR no próximo dia 3 de Dezembro. Não tenho grandes expectativas. Há demasiados anos que maioritariamente os votos dos portugueses têm dado força à profecia orweliana segundo a qual os recos triunfam sempre. E em Setembro passado fizeram o ciclo de triunfos renovar-se mais uma vez. Se quisessem um país diferente, teriam votado diferente. Este é o país que querem. E este é o país que temos. Há é que saber chafurdar. No pasa nada. Safa-se quem melhor o fizer.

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