Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Sem título


“Fui constituído arguido porque sou advogado de uma das empresas de Aveiro, a SCI. Acrescento que a empresa presta vários serviços de consultoria jurídica a diversas empresas, entre as quais à PT”. Esta foi a explicação de Paulo Penedos, o filho do também arguido presidente da REN José Penedos, que se viu enredado em mais um daqueles mega processos com forte odor a corrupção e a tráfico de influências, cujos desfechos, segundo a tradição, são sobejamente conhecidos de todos. Será agora defendido por Ricardo Sá Fernandes, um valente que, pelo visto, não teme ser constituído arguido pelo mesmo novo crime de ser advogado da pessoa errada, descoberto pelo seu cliente no ordenamento jurídico português.

Ainda no âmbito do ordenamento da esfera socialista,
Armando Vara é outro dos treze arguidos neste processo, que conta apenas com um detido, um sucateiro sem dimensão política conhecida. E Vara, Ao contrário de Penedos filho, não sustentou qualquer explicação para repetir a condição de arguido num processo com estas características. Tenho para mim que por “inveja social” ou “campanha negra”, outros dois crimes tão em voga ultimamente, mas não sei ao certo. A Justiça portuguesa anda em processo de aperfeiçoamento permanente. Aliás, como podemos verificar pelas justificações de Paulo Penedos, as leis penais estão sempre a mudar. Claro que nem todos temos Ferraris para poder acompanhar-lhes a pedalada. Mas podemos e devemos confiar em quem pode.

2 Puxões e esticões adicionais:

Anónimo disse...

Paulo Penedos: o homem que correu para líder do PS
por P.C.Hoje

É amigo do secretário de Estado Marcos Perestrello e de Sérgio Sousa Pinto, uma geração que fez percurso político na 'jota'.


Vem de longe a actividade política de Paulo Penedos. Ao contrário do seu discreto irmão economista, Paulo Penedos tem uma personalidade que não vira as costas ao protagonismo do palco mediático.

Em Coimbra, preside actualmente à Mesa do plenário da Comissão Concelhia do PS, tendo-se demitido do secretariado desse órgão, invocando que, como advogado, representa uma empresa que quer construir uma central térmica em Taveiro (Coimbra). O processo não tem sido pacífico nas hostes socialistas coimbrãs e Paulo demarcou-se, por razões de ética profissional.

É amigo do agora secretário de Estado Marcos Perestrello. E de Sérgio Sousa Pinto. Uma geração que fez percurso político na jota. Paulo Penedos foi presidente da Federação da JS Coimbra (1990-1995). Foi secretário nacional da JS e 1.º secretário nacional (1992-1998).

Quando António Guterres deixou o País suspenso com a sua demissão, Paulo Penedos ousou candidatar-se a secretário-geral do partido. Teve como adversário Ferro Rodrigues. Perdeu. Pouco tempo depois, em 2001, novo desafio, desta vez em eleições autárquicas: enfrentar o dinossauro autarca de Vila Nova de Poaires, Jaime Soares. Perdeu, clamorosamente, mas o Ferrari que Paulo conduzia, na altura, ficou na memória dos poiarenses.

Nunca virou as costas às campanhas eleitorais. Assumiu-se frontalmente contra a co-incineração.

Quem conhece Paulo Penedos sabe que é voluntarista, muitas vezes generoso. O seu gosto por sinais exteriores de riqueza não o incomoda. É actualmente membro da Comissão Nacional do PS. Filho do antigo secretário de Estado da Energia, José Penedos, Paulo esteve ao lado de José Sócrates quando este se candidatou a secretário geral do PS.

psergio57 disse...

O 'polvo', como é chamado, estrangula qualquer hipótese de Portugal ultrapassar a crise crónica em que se encontra mergulhado. Se a Justiça não conseguir condenar os barões do financiamento partidário (e este problema é transversal a vários partidos) a situação manter-se-á pantanosa e os (abundantes) sinais de riqueza injustificada neste país falido continuarão a multiplicar-se...Agora são os guterristas, que estão na génese geração da actual direcção do PS, que estão na mira da PJ, no passado recente foram os cavaquistas ou ainda os paulo portistas (nos caso da Herdade da Vargem Fresca e do Casino de Lisboa)...A nossa investigação criminal neste âmbito tem dado provas de vitalidade mas o tempo da nossa depauperada (in)Justiça é demasiado lento e a sua eficácia,
desgraçadamente, uma miragem...