Há dias, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que não faz qualquer sentido que a oposição chumbe o primeiro Orçamento de Estado a apresentar pelo Governo. Depois disso, Paulo Rangel defendeu que a bancada social-democrata deve protagonizar uma "oposição dura à governação socialista" e o voto contra o Orçamento de Estado para 2010. Parecem duas posições antagónicas, mas são precisamente a mesma: nenhum dos dois barões do PSD conhece qualquer detalhe do diploma em questão que lhe permita formular qualquer juízo de valor ou posicionar-se quanto à sua aprovação ou rejeição, embora nenhum comentador de serviço o tenha observado. É nesta falta de cultura política que se fomenta que se fazem as escolhas eleitorais das maiorias e minorias de inaptos que suportam Governos de habilidosos. É neste contexto que o PSD tenta vingar. E é esse o seu problema maior.
No PSD defendem-se posições porque sim ou porque não, por achar-se que sim ou por achar-se que não, simplesmente. O PSD perdeu a capacidade de discutir políticas e de ter um programa político definido. Em sua vez, discutem-se nomes e promovem-se autênticos carrosséis de apoios e desapoios. A apoia B e rejeita C porque está mais próximo de B e mais distante de C. E não pelas ideias que cada um defenda. As ideias não existem. As escolhas fazem-se em função da pertença ou não do apoiado à mesma pandilha do apoiante. Ou porque, em caso de vitória do candidato com maiores probabilidades de triunfo, o apoio presente possa resultar em apoios futuros para quem se disponha a apoiá-lo. A política não é isto. E o pior é que nem sei que nome dar-lhe. Ocorre-me mediocridade. Ideia tonta. Mediocridade está acima.

1 Puxões e esticões adicionais:
Só não percebo para que vai servir a discussão do Orçamento no Parlamento.
O Governo apresentava o Orçamento e passava-se de imediato à votação. Poupava-se muito tempo.
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